20 julho 2017

Escola Ernesta Nunes, os indivíduos e a multidão

Terça-feira foi um dia MUITO frio aqui em Carazinho, com temperaturas abaixo de zero e geada sobre carros, telhados e gramados. E apesar de estar com os pés e as mãos literalmente congelados, o coração ficou quentinho e confortável a manhã inteira.
É que eu estava na Escola Ernesta Nunes, participando da Ciranda Cultural, uma das muitas atividades que aconteceram em comemoração aos 56 lindos anos desta escola querida.
Desde que voltei a morar em Carazinho, em 2013, e desde que fundamos a Editora Os Dez Melhores, no mesmo ano, a Escola Ernesta Nunes é presença confirmada em tudo o que se refere à cultura e educação. Uma escola que não é nada acomodada, e está sempre fazendo das tripas coração para dar aos seus alunos não apenas uma educação formal e padrão, mas humana e libertadora, para além das paredes da sala de aula.
Foi uma manhã bela de sol e frio, onde pude ver e comprovar mais uma vez o quanto cada um de nós pode fazer a diferença nesse mundão de meu deus.
A força da multidão é indiscutível, mas a força do indivíduo costuma ser menosprezada – o que é um tremendo erro. Esquecemos que, se fazemos a nossa parte com honestidade e boa vontade, o mundo em nossa volta imediatamente começa a mudar. A força da multidão se faz da soma dos indivíduos que a compõe. Sem cada um, não existe o todo.
É o que eu vejo na Escola Ernesta Nunes: indivíduos fazendo a sua parte com dedicação e obstinação.
E eu só posso agradecer pela oportunidade de participar de um pedacinho da história desta escola que faz a sua parte e, por isso, faz a diferença no mundo – inclusive no meu mundo.
Agradecer aos professores, diretores, funcionários, alunos, por me receberem com tanto carinho!
Agradecer ao Sesc Carazinho pela confiança, e ao grande Fernão Duarte, fotógrafo oficial e parceiro de outros carnavais.
E claro: agradecer ao universo, por me dar esta estranha certeza de que estou no melhor lugar em que poderia estar.





Veja mais fotos aqui.

13 julho 2017

Autógrafos do Rui!

Ontem eu estive no Colégio Sinodal Rui Barbosa para buscar meus autógrafos dos pequenos escritores do Rui. Não consegui pegar o autógrafo de nenhum autor na noite de lançamento, por causa da linda e louca confusão que se formou em torno de cada escritor, quando iniciou a sessão de autógrafos.
Mas ontem pude conhecer melhor e conversar com cada um destes pequenos grandes escritores, que continuam me surpreendendo com sua esperteza, sua inteligência, seu carinho, e aquela inocência sábia e astuta que somente as crianças são capazes de ter.
Contei a eles um pouco sobre o processo de edição de seu livro, e eles me cobriram de perguntas, com seus olhinhos brilhantes e desafiadores.
Foi forte, bonito e intenso. Inesquecível de diferentes maneiras.
Obrigada, pequeninos e grandiosos escritores do Rui!
Obrigada por me receberem com tanto amor, e por confiarem em mim, e em nós.
Vou guardar estes autógrafos no lugar mais querido do meu coração. E toda a vez que a desesperança me pegar desprevenida, vou abrir nas primeiras páginas da obra “Pequenos Escritores do Rui”, para me lembrar por que eu sou tão irritantemente otimista e feliz.
Para me lembrar por que eu tenho certeza absoluta de que caminhamos para um futuro mais vibrante e menos triste.


06 julho 2017

Conectar-se com o diferente: você é capaz?

Sabemos que nosso cérebro sempre reage quando entramos em contato com algo que não estamos acostumados. Qualquer situação que nos tire do lugar onde confortavelmente existimos coloca nossa mente a trabalhar em alerta máximo.
Por isso o diferente é assustador: por que o desconhecemos. O diferente nos coloca em uma situação inesperada e desafiadora, e nosso cérebro primata reage atacando. Uma tentativa de nos defender do que não nos é familiar.
Assim, quando vemos um casal homossexual se beijando, nos sentimos constrangidos. Quando cruzamos por um travesti na rua, ele chama nossa atenção de uma forma perturbadora. Quando conhecemos alguém com deficiência, ficamos atordoados e melindrosos.
A não ser, é claro, que você seja ou conviva com casais homossexuais. Ou que seja ou conviva com um travesti. Ou que seja ou conviva com uma pessoa com deficiência.
O nosso cérebro se adapta ao nosso universo (que, convenhamos: é pequeníssimo), e dali parte para definir o que é “normal” e o que é “anormal” para cada um de nós. E então, quando nos deparamos com o desconhecido, com aquilo que nos é estranho, respondemos de modo defensivo, como se o diferente pudesse colocar nossas crenças e certezas, e nossa própria existência, em perigo.
Uma reação instintiva e irracional, típica do homem das cavernas, e da qual precisamos nos libertar o mais rapidamente possível.
Penso que devemos tentar nos conectar com o diferente; tentar encontrar nele pontos em comum – porque estes pontos em comum existem, e geralmente são maiores do que as diferenças.
A próxima vez que encontrarmos pelo caminho alguém que destoe do pequeno universo onde resumimos nossa existência, ao invés de atacar; de nos sentir ameaçados e ofendidos e desconfortáveis; vamos tentar encontrar neste alguém o que nos une. O que nos torna iguais.
Porque enquanto a gente não descobrir um jeito de viver em paz com o que é diferente de nós; enquanto a gente limitar nossa visão ao minúsculo ponto de vista de que dispomos; enquanto nossa percepção não ultrapassar a porta de nosso quarto e o muro de nosso quintal; esqueçam viver em um mundo melhor.
Pois um mundo melhor somente poderá ser melhor se for melhor para todos. E eu disse TODOS. Todos mesmo, sem exceção. 

04 julho 2017

O privilégio de saber que é privilegiado

Você já passou fome? Já dormiu na rua? Já sentiu frio e não encontrou um agasalho para te aquecer? Você já foi humilhado por conta da sua sexualidade? Já se sentiu constrangido por causa de sua cor? Já perdeu um emprego em razão de suas características físicas? Já teve que fugir de seu país em decorrência da guerra ou de desastres naturais? Você já teve vergonha ou receio de falar sobre suas crenças religiosas? Já sentiu medo de abraçar seu namorado(a) na rua?
Se você respondeu “não” para estas perguntas, sorria leitor! Você, assim como eu, é um baita de um privilegiado! Em um mundo onde tantos enfrentam tantas dificuldades, das mais variadas ordens, responder “não” para as perguntas acima faz de ti alguém extremamente afortunado!
Contudo, conheço dezenas de pessoas que responderiam “não” para todas estas perguntas, e mesmo assim são incapazes de reconhecer seus muitos privilégios. E o pior: além de não os reconhecer, ainda acreditam que os possuem apenas por mérito próprio. Seria engraçado se não fosse triste.
Eu sou uma grande privilegiada. Respondo “não” para todas as perguntas acima. Também estudei em escola e faculdade particular, tenho uma família amorosa e estável; nunca sofri privações, humilhações, retaliações, violações. Tenho uma casa para morar e cobertores para me aquecer. Tenho acesso à informação, educação, lazer, cultura, saúde, saneamento básico. Tenho chuveiro quente, comida boa e farta na mesa; vivo com dignidade e em paz. Tenho todas as minhas necessidades supridas e meus direitos básicos respeitados – eu posso abraçar meu namorado na rua e falar das minhas crenças religiosas sem medo de levar uma pedrada. E ainda usufruo de luxos – como escolher o que vou comer e o que vou vestir.
E é por isso que eu sei que, se eu conquistei tudo o que conquistei até hoje, não foi apenas por mérito, esforço e dedicação: foi por que eu tive a sorte e o privilégio de nascer e crescer em um ambiente fértil e acolhedor, repleto de recursos, conforto e oportunidades, no qual tudo colaborou para o meu desenvolvimento.
Mas o maior privilégio do qual eu desfruto, sem dúvida nenhuma, é a consciência plena e clara dos privilégios dos quais eu desfruto.
Porque o privilégio de saber que é privilegiado infelizmente ainda é privilégio de poucos.