27 junho 2017

É mais fácil ser triste

Existe uma música, de uma banda gaúcha chamada TNT, que diz: “O céu não me assusta; o inferno, sim”. Parece uma declaração óbvia, e durante muito tempo eu não entendi exatamente o que esta frase queria dizer. No entanto, os anos vão passando, a gente vai mudando, saindo do lugar, e descobre que, na vida, nada é tão óbvio como pode parecer.
E a verdade é que, por mais que soe incoerente, costumamos viver mais confortáveis no inferno do que no céu. Temos mais facilidade em lidar com a tristeza do que com a alegria. Na minha visão, isso acontece porque, quem é triste, não possui qualquer responsabilidade com a felicidade, e muito menos com os outros. Afinal, ser feliz não é um estado humano natural; a felicidade exige compromisso, dedicação, trabalho. E de compromisso, dedicação e trabalho a maioria de nós só quer distância.
Se tristes somos, não precisamos fazer muito esforço. Podemos ficar sentados em nossa vida triste e ainda despertar compaixão e ternura. Pessoas tristes costumam ser tratadas com maior benevolência, porque, afinal, coitadas! São tristes.
Acontece que não há um ser humano neste planeta que chamamos de Terra que tenha a felicidade na genética. Nenhum de nós é naturalmente feliz. As pessoas que conhecemos, e que costumam ser alegres e otimistas, o são porque se empenham para ser. Geralmente são pessoas desacomodadas e desassossegadas, que simplesmente não aceitam viver tristes. Pessoas que abandonam casamentos infelizes; que deixam empregos desgastantes; que se afastam daqueles que lhes fazem mal. Pessoas que também acordam de manhã desmotivadas e chateadas, mas procuram no dia algo que lhes acalente, alegre e conforte.
E para isso é preciso ter coragem.
Sim, é preciso coragem para ser feliz. E coragem pressupõe ânimo e destemor. Pressupõe esforço para sair da zona de (des)conforto.
Evidentemente que não me refiro aqui a casos de depressão – que é uma doença, e como doença deve ser tratada. Falo de pessoas que encontraram na tristeza uma maneira cômoda de seguir sendo parte do problema, e nunca da solução. Quem precisa se esforçar para conviver com elas são os outros; elas somente sofrem, e são tristes. Quem lhes rodeia que se vire para se adaptar à sua infelicidade.
Então, eu desejo sinceramente que não lhe falte coragem para finalmente ser feliz. Porque o céu, meus amigos, não é assustador. O inferno, sim.