10 abril 2017

Você não precisa ser mãe.

Não, amiga, você não precisa. Se quiser, pode ser, mas esta não é uma obrigação. A sua existência, a sua realização e a sua felicidade talvez não passem pela maternidade.
Já pensou nisso? Eu já.
Em 2015 fiz 30 anos, e passei a cogitar a ideia de ter um filho. Parecia-me a lógica, o caminho natural – quiçá o único caminho. As pessoas já me alertavam, preocupadíssimas: “Olha a idade, Janaína”. “Depois dos 35 fica mais difícil”. “Quem vai cuidar de você na velhice?”. Então eu fiz o que muitas mulheres fazem, e parei de tomar a pílula.
No instante em que parei, comecei a imaginar como seria a minha vida com um filho. Se eu estava tomando uma cerveja com minhas amigas, me vinha o pensamento: e se eu tivesse um filho, será que estaria aqui? Quando estava assistindo minhas séries favoritas, jogada no sofá, descabelada e de pijama, lá vinha a pergunta: e se tivesse um bebê aqui, eu estaria assim, tão de boas? Quando dormia até 10h da manhã no domingo, quando me arrumava para uma festa, enquanto escrevia meu livro durante os feriados e finais de semana, ou quando fazia compras no supermercado, o tal questionamento não saía da minha cabeça: e se?
Foi então que eu descobri que, ao contrário do que eu imaginava, eu não queria ser mãe coisa nenhuma. Não estava nem um pouco preparada para abrir mão da minha vida, dos meus projetos e da minha (falta de) rotina por conta de uma criança. E quatro meses após suspender a pílula, saí correndo para a farmácia comprar meu anticoncepcional.
As pessoas, então, decidiram que julgar a minha decisão era uma boa ideia: “Egoísta!”. “Só pensa em si mesma!”. “Você vai se arrepender”.
Bem, na verdade não. 
E mesmo que me arrependesse, prefiro me arrepender por não ter tido um filho, do que me arrepender por ter tido – afinal, uma criança é um ser humano, e depois que ela nasce, não há mais como voltar atrás. É justamente por que não sou egoísta, e penso neste filho hipotético, que decidi não tê-lo.
Então, minha amiga, nunca se esqueça: você não precisa ser mãe. Você não precisa fazer o que estas mil vozes te mandam fazer. O corpo é seu, o útero é seu e, principalmente, a vida é sua. Você decide. Só você, e mais ninguém.
Porque depois que o bebê nascer, durante as madrugadas frias de choro e cólica, ou quando faltar dinheiro e resignação, e sobrar cansaço e preocupação, estas pessoas que gostam tanto de te dizer como, quando e o que você deve fazer, não estarão ao seu lado para lhe dar apoio algum.
Pelo contrário. Elas virão novamente com seus dedos em riste, agora dizendo que você é uma péssima mãe; que não se preocupa com seu filho; que não tem paciência; que é uma desnaturada e usa saia curta, onde já se viu? “Pobre desta criança”.
E antes de encerrar, quero deixar claro que eu não sou contra a maternidade. Eu sou contra esta imposição social, que diz que uma mulher só é completa e feliz se for mãe.
Maternidade é escolha. Não é obrigação.