17 fevereiro 2017

Motivos para ficar feliz já

Assisti a um filme chamado “Todas as coisas que brilham”, que conta a história do filho de uma suicida que elabora uma lista com motivos que mostram para sua mãe que a vida é bonita, e vale a pena.
A lista é incrível porque é repleta de itens simples, acessíveis, possíveis. O que me colocou a pensar sobre o tanto de razões que temos para ficar alegres, apesar de tudo. Acabamos tão focados no que está errado, e no que deveria mudar, que não reparamos no quanto a vida nos oferece, todos os dias, através de pequeninas situações.
Alguém já disse que a felicidade real é homeopática. Do mesmo jeito que a tristeza nasce das minúsculas agulhadas do cotidiano – que terminam se transformando em uma ferida enorme e bizarra – a felicidade também nasce dos minúsculos agrados da vida, que afagam e aconchegam, embora a gente não os valorize devidamente.
Rompantes de alegria extrema são legais, mas não garantem uma vida realmente feliz. Contudo, o cara que é capaz de perceber as sutis oferendas gentis do dia a dia, esse cara provavelmente é feliz.
Como eu posso me fazer alegre hoje, agora, neste exato momento?
Eu consigo pensar rapidamente em pelo menos oito coisas recentes que me fizeram sentir-se feliz: um tapete na porta de uma casa escrito “trouxe cerveja?”. Pizza de calabresa com queijo extra. Ler um trecho de um livro do Fausto Wolff em voz alta. Amy Winehouse. Papel de parede listrado. Sábado chuvoso. Estreia de temporada da série favorita. Um bando de passarinhos comendo um pão que alguém jogou na calçada – não sobrou um farelo.
Poderia continuar. Lembrei de várias outras enquanto escrevia sobre estas. E certamente você também se lembrará, se parar para pensar.
Por cinco minutos que seja, ou o tempo de escrever em um papel, liste três coisas bacanas que aconteceram nos últimos três dias. Só não seja tão exigente: não pense em grandes feitos, como encontrar o amor de sua vida, ganhar na loteria ou ir para a Europa. Lembre-se: a felicidade real é homeopática.
Ser feliz é entender que, em se tratando de ser feliz, tamanho não é documento.
Afinal, quem já encontrou a felicidade não a encontrou: a reconheceu.