12 dezembro 2016

Vento Colorado.

Um dos meus vizinhos é colorado fanático – tanto, que ele possui uma bandeira do Inter hasteada em seu pátio. Sempre que eu passo na frente da sua casa, fico observando aquela bandeira vermelha e branca tremulando ao vento, tão bonita.
Ontem de manhã, quando passei por sua casa, não havia vento, e a bandeira jazia inerte a meio mastro. Ainda faltavam algumas horas para o jogo que oficializaria o rebaixamento do nosso Inter para a segunda divisão, mas já não havia mais no que acreditar.
Porque, mesmo se acontecesse um milagre de natal, e o Inter se mantivesse na elite do futebol brasileiro, nosso colorado já estava moralmente rebaixado.
Caiu o gigante, ferido e maltratado, e com ele toda a nação vermelha e branca, da qual faço parte.
E assim como aquela bandeira tão bonita do meu vizinho, que em um passado tão recente tremulava linda e soberana na minha rua, estamos agora inertes, a meio mastro, de cabeça baixa e coração triste.
Não existe o que ser dito em nossa defesa; não dá para escapar das piadas, do escárnio, da zombaria.
Apenas não dá.
No entanto, não demora e o vento há de ventar outra vez.
A bandeira colorada há de subir novamente para o topo da haste; há de voltar a tremular tão bonita e vibrante, como sempre foi.
Como nunca deveria ter deixado de ser.
Que venha a segunda divisão, Colorado.
Que recomece a ventania.