25 outubro 2016

O cão que nos habita

Cada pessoa traz dentro de si dois cães: um manso e pacífico, e um raivoso e hostil. Estes dois cães nos habitam. Por isso, não há um ser humano neste planeta que seja somente bom, da mesma forma que não há um que seja somente mau.
Estes dois cães brigam diariamente pela liderança. E diariamente vence aquele que for mais fartamente alimentado. Esta decisão pertence a cada um de nós; é pessoal e intransferível. Qual cão você quer mais forte?
Falando assim, parece óbvio que é o cão do bem. No entanto, na prática, não é tão simples quanto parece. Porque o mal, apesar de ser o mal, traz algumas mordomias. Pessoas agressivas e cruéis também obtêm benefícios. Se você não possui moral e nem ética, por exemplo, pode conquistar muitas vantagens em seu trabalho e em sua vida, ganhar um monte de dinheiro, e alcançar uma posição de sucesso e respeito em sociedade. Pode, a gente sabe que pode.
E o bem, apesar de ser o bem, também pode trazer desvantagens. Pessoas honestas e pacificadoras são chamadas de tolas. Podem perder dinheiro, podem perder amigos, podem perder status, podem perder o emprego e o respeito. Podem, a gente sabe que podem. Pessoas que alimentam seu cão benevolente também sofrem privações.
Ou seja, escolher alimentar o cão certo nem sempre será sinônimo de felicidade e paz constante. A vida é complicada por isso: todo o mal traz benefícios, e todo o bem traz malefícios. Cada cão traz em si os lucros e os prejuízos provenientes das nossas escolhas, e daquilo que é prioridade para cada um.
Portanto, não creio ser incorreto dizer que o bem e o mal são tão próximos, que andam de mãos dadas. Estes dois cães que nos habitam não necessariamente são inimigos – apesar de brigarem o tempo inteiro. Acredito inclusive que, muitas vezes, eles dormem e brincam juntos.
Mesmo assim, um sempre será maior e mais forte que o outro: aquele que eu decidir alimentar.
Mas cuidado! Em um determinado momento, o cão que você alimenta todos os dias se tornará tão grande e tão forte, que tomará conta do pátio, e de ti, e você não terá mais qualquer controle sobre ele.
Então, pense bem em qual cão você quer ao seu lado. E o alimente. 

11 outubro 2016

Sobre Sábado

A 4ª Mostra de Arte do Saloon foi sensacional.

Por Fernão Duarte.

Acredito que todos os envolvidos – organizadores, expositores, músicos, público – saíram do Rancho Cavalo de Troia, na madrugada do último domingo, satisfeitos e de boas.
No entanto, para mim, a 4ª edição deste evento – que busca reunir e promover os artistas daqui, da nossa cidade, da nossa região – foi especialmente importante.
Porque me mostrou mais uma vez que, apesar das notícias tristes da TV e dos jornais; apesar das injustiças e da sensação constante de impotência; apesar dos tombos, das frustrações, das decepções, do cansaço: ainda há motivos para acreditar.
E isso não é algo que eu acho. É algo que eu vejo.
O bem sempre foi silencioso e discreto, diferentemente do mal, que costuma ser barulhento e histérico. Enquanto o que é ruim faz estardalhaço no Jornal Nacional, o que é bom costuma trabalhar nos bastidores, quietinho. Mas para quem só assiste; para quem está na plateia, parece que só o mal tem vez e voz.
Não é verdade.
E por isso eu agradeço muitíssimo.
Agradeço por ter a oportunidade de ser quem eu sou e de estar onde estou. Agradeço por ter olhos capazes de ver tudo de bom e de incrível que acontece em minha volta, ao alcance das minhas mãos. Agradeço por encontrar em meu caminho pessoas que me mostram que, ao contrário do que muitas vezes parece, temos motivos para acreditar, inclusive um no outro.
Agradeço porque, depois de um evento como a Mostra de Arte, é impossível não ter certeza absoluta de que o mundo tem jeito, apesar dos pesares.
Porque atrás dos holofotes, onde a desesperança faz gritaria, há um bando de gente fazendo daqui um lugar melhor para se viver. 

Por Felipe Granville.
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