09 março 2016

Sobre ontem.

O Dia Internacional da Mulher é uma data política, não romântica.
Por isso nunca vi sentido em dar flores e bombons nesta data, e nos outros 364 dias do ano mandar sua mulher “lavar a louça” e “se fazer respeitar”.
Acontece que, há nove anos, no dia oito de março de 2007, o Dia Internacional da Mulher ganhou um novo significado para mim – romântico, mas ainda assim político.
Eu havia recém saído de um relacionamento altamente abusivo, e estava machucada, devastada, atirada lá no fundo do poço. E foi então que o Cavanhas apareceu, de repente, e me jogou uma cordinha: “Vem cá, eu te ajudo a sair”.
O Cavanhas me ajudou a sair do poço no qual eu me encontrava há sabe-se lá quantos anos, e também me ajudou a ser quem eu sou.
Porém, ele jamais me tratou como um bibelô, como uma princesinha, como uma coisa frágil que ele precisava proteger.
Muito pelo contrário.
Ele me ajudou a sair do poço, fez curativos nas minhas asas, me levou até um despenhadeiro e me mandou voar: “Vai!”.
E de todos os caras que eu já conheci na minha vida, o Cavanhas talvez seja aquele que mais compreendeu o sentido e o significado de ser mulher em um mundo tão careta, desigual e violento como o nosso.
Porque o Cavanhas é um libertário.
Um sujeito livre, que precisa da liberdade mais do que precisa de pão.
Assim como eu sou.
Então, não sei se poderíamos comemorar nosso aniversário de casamento em outra data, que não dia oito de março.
Porque nosso relacionamento, apesar de romântico, é também um relacionamento político. Um relacionamento político baseado em liberdade, em respeito, em troca, em cumplicidade. Em igualdade. Sem qualquer autoridade, algemas, recalque ou repressão.
O Cavanhas nunca me dá flores e bombons no Dia Internacional da Mulher, mas nos outros 364 dias do ano ele me leva até o despenhadeiro e me manda voar.
E eu voo.
E ele vem voando logo atrás.
Feliz aniversário de parceria, bêibe.
Apenas começamos.