30 janeiro 2016

O Duplo da Terra: FIM! ;)


Há exatamente 15 meses e 24 dias eu começava a escrever as primeiras linhas do meu terceiro livro, O Duplo da Terra. Eu estava em Florianópolis, Santa Catarina, na pousada Baleia Franca, dos amigos Silvana e Ronaldo da Rocha. E é em Florianópolis que se desenrola a história do voo SA452, que reapareceu voando, como se nada tivesse acontecido, 25 anos depois de seu desaparecimento.
Hoje eu terminei definitivamente a versão final do livro, e acabo de enviar todo o material da obra para a diagramação (preparem-se aí, Sergio Chaves e Charlotte Estúdio!).
Foram 15 meses e 24 dias de envolvimento completo com a história de Soraia e Dominique, minhas narradoras. Quinze meses e 24 dias acordando de madrugada, trabalhando em domingo, em sábado de noite, em feriado, e sempre que o tal do “tempo livre” resolvia dar as caras. Quinze meses e 24 dias pesquisando, revisando, reescrevendo, apagando, inserindo, cometendo erros básicos de matemática (“sou de humanas”, né Frodo? Hahaha).
Quinze meses e 24 dias vivendo duas realidades simultâneas: a minha e a que eu inventei.
Mas, na verdade, o grande desafio deste livro começa agora.
Porque, de todos os livros que escrevi (e foram seis, além dos dois já publicados), este certamente é o que tem me deixado mais insegura.
Provavelmente por que, da literatura que eu já produzi, O Duplo da Terra é a que mais fala de mim. Não de um modo direto, porque minhas duas personagens não têm nada a ver comigo. Mas nas entrelinhas, eu estou ali.
Meus defeitos, minhas dúvidas, meus questionamentos, minha raiva, minhas contradições; tudo ali, escancarado e desprotegido. E esta superexposição, que talvez só eu perceba, de repente me deixou com medo.
Por isso, a partir de hoje, inicio um processo novo e inusitado não só em minha literatura, mas na pessoa que eu sou: o de enfrentamento deste medo até então desconhecido.
Até mesmo por que, o que vai acontecer com O Duplo da Terra de agora em diante não depende mais só de mim.
E esta desapropriação tem um quê de libertação também. Afinal, agora foi. ;)