12 dezembro 2016

Vento Colorado.

Um dos meus vizinhos é colorado fanático – tanto, que ele possui uma bandeira do Inter hasteada em seu pátio. Sempre que eu passo na frente da sua casa, fico observando aquela bandeira vermelha e branca tremulando ao vento, tão bonita.
Ontem de manhã, quando passei por sua casa, não havia vento, e a bandeira jazia inerte a meio mastro. Ainda faltavam algumas horas para o jogo que oficializaria o rebaixamento do nosso Inter para a segunda divisão, mas já não havia mais no que acreditar.
Porque, mesmo se acontecesse um milagre de natal, e o Inter se mantivesse na elite do futebol brasileiro, nosso colorado já estava moralmente rebaixado.
Caiu o gigante, ferido e maltratado, e com ele toda a nação vermelha e branca, da qual faço parte.
E assim como aquela bandeira tão bonita do meu vizinho, que em um passado tão recente tremulava linda e soberana na minha rua, estamos agora inertes, a meio mastro, de cabeça baixa e coração triste.
Não existe o que ser dito em nossa defesa; não dá para escapar das piadas, do escárnio, da zombaria.
Apenas não dá.
No entanto, não demora e o vento há de ventar outra vez.
A bandeira colorada há de subir novamente para o topo da haste; há de voltar a tremular tão bonita e vibrante, como sempre foi.
Como nunca deveria ter deixado de ser.
Que venha a segunda divisão, Colorado.
Que recomece a ventania.  


07 novembro 2016

O direito do outro de não ser você

Impressiona a dificuldade que temos em conviver pacificamente com quem pensa ou é diferente de nós – da mesma maneira que impressiona a facilidade que temos em usurpar do outro o direito que ele tem de ser quem ele quiser.
Eu exijo respeito ao estilo de vida que escolhi. Não permito que ninguém – incluindo marido, pai e mãe – diga o que eu devo fazer ou o que eu devo deixar de fazer. Desde que minhas decisões não prejudiquem ninguém, eu faço da minha vida o que eu quiser. É um direito meu, certo?
E também é um direito seu, amigo leitor. Cada um de nós é livre para decidir o que é melhor para si. Mas então por que raios a gente exige respeito ao nosso modo de viver, e não respeitamos o modo de viver do outro? Eis uma boa pergunta.
Por isso, recentemente comecei a fazer um exercício, de dar ao outro – incluindo marido, pai e mãe – o direito de cada um ser o que quiser. Isso significa respeitar não somente a sua opinião, mas a maneira como a pessoa decidiu viver e resolver seus problemas, e toda sua complexidade, seu imenso universo pessoal.
Um exemplo corriqueiro: vamos supor que meu pai tenha um problema, e acredite que a solução está no caminho X. Eu discordo, e acho que a solução está no caminho Y. Mesmo assim ele insiste em ir pelo caminho X. O que eu faço?
Em outros tempos, eu tentaria convencê-lo de que eu estou certa. Talvez eu até discutisse com meu pai, na tentativa de mostrar que a minha solução é melhor. Eu ia me desgastar, me estressar, eu ia ficar puta dentro das calças. E ele ia ir pelo caminho X. Ou seja: eu passaria por um severo desgaste emocional, por nada.
Hoje, eu busco compreender que meu pai, tal e qual o restante da humanidade, é grandinho o suficiente para decidir o que é melhor para sua vida. Eu até posso dar uma opinião, se ele pedir (e eu disse SE ELE PEDIR), mas não tenho o direito de obrigá-lo a seguir pelo caminho que eu seguiria, se eu fosse ele.
Porque eu não sou ele. Eu não sou você, e você não é ele nem eu. Somos pessoas únicas, complicadas, cheias de mágoas e ranços, formadas, cada uma, pela soma das vivências e experiências pessoais, intransferíveis.
Justamente por isso temos a obrigação de respeitar o outro, mesmo que a gente não concorde com absolutamente nada do que o outro é.
Afinal, se o direito do próximo de ser quem ele quiser estiver ameaçado, estará ameaçado também o meu direito de ser quem eu quiser. 

25 outubro 2016

O cão que nos habita

Cada pessoa traz dentro de si dois cães: um manso e pacífico, e um raivoso e hostil. Estes dois cães nos habitam. Por isso, não há um ser humano neste planeta que seja somente bom, da mesma forma que não há um que seja somente mau.
Estes dois cães brigam diariamente pela liderança. E diariamente vence aquele que for mais fartamente alimentado. Esta decisão pertence a cada um de nós; é pessoal e intransferível. Qual cão você quer mais forte?
Falando assim, parece óbvio que é o cão do bem. No entanto, na prática, não é tão simples quanto parece. Porque o mal, apesar de ser o mal, traz algumas mordomias. Pessoas agressivas e cruéis também obtêm benefícios. Se você não possui moral e nem ética, por exemplo, pode conquistar muitas vantagens em seu trabalho e em sua vida, ganhar um monte de dinheiro, e alcançar uma posição de sucesso e respeito em sociedade. Pode, a gente sabe que pode.
E o bem, apesar de ser o bem, também pode trazer desvantagens. Pessoas honestas e pacificadoras são chamadas de tolas. Podem perder dinheiro, podem perder amigos, podem perder status, podem perder o emprego e o respeito. Podem, a gente sabe que podem. Pessoas que alimentam seu cão benevolente também sofrem privações.
Ou seja, escolher alimentar o cão certo nem sempre será sinônimo de felicidade e paz constante. A vida é complicada por isso: todo o mal traz benefícios, e todo o bem traz malefícios. Cada cão traz em si os lucros e os prejuízos provenientes das nossas escolhas, e daquilo que é prioridade para cada um.
Portanto, não creio ser incorreto dizer que o bem e o mal são tão próximos, que andam de mãos dadas. Estes dois cães que nos habitam não necessariamente são inimigos – apesar de brigarem o tempo inteiro. Acredito inclusive que, muitas vezes, eles dormem e brincam juntos.
Mesmo assim, um sempre será maior e mais forte que o outro: aquele que eu decidir alimentar.
Mas cuidado! Em um determinado momento, o cão que você alimenta todos os dias se tornará tão grande e tão forte, que tomará conta do pátio, e de ti, e você não terá mais qualquer controle sobre ele.
Então, pense bem em qual cão você quer ao seu lado. E o alimente. 

11 outubro 2016

Sobre Sábado

A 4ª Mostra de Arte do Saloon foi sensacional.

Por Fernão Duarte.

Acredito que todos os envolvidos – organizadores, expositores, músicos, público – saíram do Rancho Cavalo de Troia, na madrugada do último domingo, satisfeitos e de boas.
No entanto, para mim, a 4ª edição deste evento – que busca reunir e promover os artistas daqui, da nossa cidade, da nossa região – foi especialmente importante.
Porque me mostrou mais uma vez que, apesar das notícias tristes da TV e dos jornais; apesar das injustiças e da sensação constante de impotência; apesar dos tombos, das frustrações, das decepções, do cansaço: ainda há motivos para acreditar.
E isso não é algo que eu acho. É algo que eu vejo.
O bem sempre foi silencioso e discreto, diferentemente do mal, que costuma ser barulhento e histérico. Enquanto o que é ruim faz estardalhaço no Jornal Nacional, o que é bom costuma trabalhar nos bastidores, quietinho. Mas para quem só assiste; para quem está na plateia, parece que só o mal tem vez e voz.
Não é verdade.
E por isso eu agradeço muitíssimo.
Agradeço por ter a oportunidade de ser quem eu sou e de estar onde estou. Agradeço por ter olhos capazes de ver tudo de bom e de incrível que acontece em minha volta, ao alcance das minhas mãos. Agradeço por encontrar em meu caminho pessoas que me mostram que, ao contrário do que muitas vezes parece, temos motivos para acreditar, inclusive um no outro.
Agradeço porque, depois de um evento como a Mostra de Arte, é impossível não ter certeza absoluta de que o mundo tem jeito, apesar dos pesares.
Porque atrás dos holofotes, onde a desesperança faz gritaria, há um bando de gente fazendo daqui um lugar melhor para se viver. 

Por Felipe Granville.
 Veja mais fotos aqui e aqui.

30 setembro 2016

Porque uma andorinha sozinha não faz verão!

Um pouquinho do que rolou no Aniversário Cultural em Não-Me-Toque está no blog da Editora Os Dez Melhores!
Para ver mais fotos do evento, clique aqui e aqui.
Foto: Fernão Duarte.

24 setembro 2016

É HOJE!

Hoje todos os caminhos levam até a Casa da Cultura de Não-Me-Toque! ;)
Vamos?
Saiba mais clicando aqui.
Confirme sua presença clicando aqui.

12 setembro 2016

Aniversário Cultural em Não-Me-Toque: não dá para não ir!

Assessoria de Comunicação Editora Os Dez Melhores.


Reunir os artistas e promover a arte. Levá-la até as pessoas, ao invés de esperar que as pessoas venham até ela. Eis um conceito que vem crescendo e se fortalecendo em nossa região.
Desde a Mostra de Arte do Saloon, no Rancho Cavalo de Troia, que em um ano já vai para sua quarta edição, até o Sábado Cultural em Carazinho, este movimento cultural independente vem tomando força, conectando-se com mais pessoas, ampliando-se, espalhando-se, cruzando trevos e fronteiras. E quanto maior o bando, nós sabemos: mais forte ele é.
Deste modo, é com sincera alegria e satisfação que temos a honra de convidar a todos para o Aniversário Cultural, em comemoração aos 26 anos da Casa da Cultura Dr. Otto Stahl, de Não-Me-Toque.
O evento acontece dia 24 de setembro, sábado, entre 14h e 19h, e vai contar com exposições de arte, e apresentações de música e dança.
Serão 25 expositores, 8 shows, e mais de 50 artistas envolvidos – todos de Não-Me-Toque e região.
E vai rolar música, literatura, artes gráficas, culinária, ilustração, fotografia, artesanato, patchwork, artes plásticas, pirografia, pintura em porcelana, dança e quadrinhos. É arte para todos os gostos!
Além de celebrar o aniversário da Casa da Cultura, que realiza um trabalho excepcional de promoção e preservação da história e cultura de Não-Me-Toque, o Aniversário Cultural busca também promover a arte e os artistas que são daqui; que produzem, fomentam e mantêm a arte em movimento aqui, em nossa cidade, em nossa região.
Por isso, fica o convite para todos que reconhecem a importância da arte e da cultura para a emancipação intelectual de cada indivíduo, e também da sociedade como um todo: dia 24 de setembro, entre 14h e 19h, não deixe de conferir as muitas atrações do Aniversário Cultural – 26 anos da Casa da Cultura Dr. Otto Stahl.
O evento é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto de Não-Me-Toque/RS, e conta com a coordenação da Editora Os Dez Melhores, da Café Espacial e da banda 5:18.
Para mais informações, entre em contato através do e-mail contato@editoraosdezmelhores.com.br
Até lá!

Confirme sua presença aqui.

05 setembro 2016

Atenção, artistas, arteiros e simpatizantes!

Em outubro, 4ª edição da Mostra de Arte do Saloon – Feira Livre da Contracultura, no Rancho Cavalo de Troia, em Carazinho.
Inscreva-se até o dia 20/09 e mostre sua arte: contato@editoraosdezmelhores.com.br
Regulamento: não há regulamento! ;) 

Foto: Fernão Duarte.
Saiba TUDO O QUE TEVE nas três primeiras edições do evento clicando aqui, aqui e aqui.
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Realização: Rancho Cavalo de Troia

23 agosto 2016

Artistas de Não-Me-Toque/RS e região: a Casa da Cultura tem um convite para vocês!

Assessoria de Comunicação Ed. Os Dez Melhores

Prestes a completar 26 anos, a Casa da Cultura Dr. Otto Stahl decidiu comemorar seu aniversário reunindo artistas de Não-Me-Toque e região para uma tarde cultural em suas dependências. 
Assim, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto e a Casa da Cultura, em parceria com a Editora Os Dez Melhores, a Revista Café Espacial e a banda 5:18, fica feliz em anunciar seu 1º Aniversário Cultural, que acontece dia 24 de setembro, sábado, entre 14h e 19h!
Vai rolar exposições de arte, apresentações de dança e música, e muita cultura no pátio da Casa!
Mas nada disso será possível sem você, artista.
Então se você escreve, canta, dança, desenha, fotografa, esculpe, faz rima, grafita, borda ou pinta o sete, não deixe de fazer parte desta festa!
Basta enviar um e-mail para contato@editoraosdezmelhores.com.br até o dia 05 de setembro, informando qual é o seu trabalho, e manifestando seu desejo em participar!
As inscrições são gratuitas, e a diversão é garantida!

Casa da Cultura em Não-Me-Toque/RS.



22 agosto 2016

Gestação Literária

Sexta de noite eu estava de boas curtindo a chuva embaixo dos edredons, assistindo O Silêncio dos Inocentes e tentando lidar com o Dr. Hannibal Lecter, quando aconteceu: subitamente a ideia para um próximo livro desabou sobre a minha cabeça, como um machado.
Mas não foi só a ideia para um próximo livro; foi o livro inteiro: início, meio e fim, tudo encaixadinho, num quebra-cabeça maluco, porém ordenado.
E cá estou agora, outra vez vivendo duas realidades paralelas: a minha, e a que eu inventei – o que soa bastante insano e doentio, apesar de verdadeiro.
Então, informo-lhes que, nos próximos dois anos (ou talvez três, nunca se sabe), vocês conhecerão a história de um livro que se chamará Batom e Ruge para a Mulher do Diabo.
Pois, como dizem por aí, o maior truque do demônio foi convencer o mundo de que ele não existe. ;)




13 agosto 2016

Entrevista ao Portal Literatura BR!

Pessoal: dei uma entrevista bem bacana para o Nathan Matos, editor do Portal Literatura BR.
Falei sobre o mercado editorial para novos autores, o trabalho da Editora Os Dez Melhores, o projeto Nascedouro, feiras literárias e todas essas coisas lindas!
Clique AQUI e confira!

“Por isso vemos tantos autores e editores frustrados e ranzinzas: porque eles querem fazer parte de algo grande, sendo pequenos. Porque não entendem qual é o seu tamanho, o seu papel, e nem qual é o seu público.
Se nós, da Editora Os Dez Melhores, quisermos competir com a Editora Globo, o que vai acontecer? Seremos miseravelmente esmagados. Mas nós entendemos quem somos na fila do pão. E justamente por isso participamos, sim, de feiras e eventos literários. Mas não da Bienal”.




11 agosto 2016

2ª Mostra Sesc Curta Leitura: eu vou! ;)

Gente fina, elegante & sincera:
Fico feliz em dizer que vou participar da 2ª Mostra Sesc Curta Leitura, que acontece em Carazinho entre os dias 14 e 19 de agosto!
No dia 18, às 8h30min e também às 10h30min, estarei no Teatro do Sesc, tentando provar pra gurizada que A Literatura Não é Chata!
Para quem quiser participar, a entrada é franca. Você só precisa retirar com antecedência sua senha no Sesc. Qualquer dúvida, fale com o Ariel, que ele resolve tudo! 
Será lindo, e eu estou só pela próxima quinta-feira!
Ah! No dia, haverá exemplares da obra O Duplo da Terra pelo preço especial de R$20!
Vamos todos?


Confira a programação completa: 



08 agosto 2016

Nós, no aniversário de 9 anos do Yacamim!

No próximo domingo, dia 14 de agosto, a Editora Os Dez Melhores vai participar do aniversário de 9 anos do Yacamim, em Carazinho/RS, na praça central.
O evento acontece entre 14h e 17h, e vai reunir uma série de atrações, como exposições de arte, contação de histórias, futebol, skate, bicicleta e perna-de-pau, além de música, e a apresentação da banda Yacamim.
Um dia para celebrar a arte, a cultura e a paz.
Um dia para festejar o aniversário de um dos projetos mais inclusivos, relevantes e representativos que existe em Carazinho, e que por isso possui todo nosso respeito e admiração.
Porque nós, assim como os amigos do Yacamim, também acreditamos que através da arte, do esporte e da educação é possível transformar o mundo em que vivemos em um lugar melhor, mais pacífico e menos triste.
Vamos juntos comemorar?
Temos motivos para isso. ;)

(Confirme sua presença aqui).

25 julho 2016

NÓS e o 1º Sábado Cultural em Carazinho/RS

Por Jana Lauxen, via Editora Os Dez Melhores.

Nós, da Editora Os Dez Melhores, acreditamos que a arte está em todo lugar: na capital e no interior, no centro e na periferia, no asfalto e na estrada de chão. Por isso, nunca tivemos a intenção de sair de Carazinho/RS, e fixar a sede da editora em uma cidade maior.
Muitos disseram que a gente estava louco. Afinal, “se fazer literatura em um centro grande já é difícil, imagina em uma cidade pequena”. Ainda escutamos muitos reclamarem que não há nada de novo na aldeia. Que o negócio é ir embora; que, aqui, a cultura não germina. “Sabe como é Carazinho, né?”, dizem eles, desanimados.
No entanto, posso afirmar com satisfação e convicção que nós não concordamos com estas pessoas. E quando escrevo ‘nós’, não falo somente da Editora Os Dez Melhores. Falo de um grupo de artistas locais que estão se mobilizando e se unificando, criando um movimento aparentemente sutil e inofensivo, porém real e consistente.
A cada evento que ajudamos a realizar, a cada atividade da qual participamos, encontramos um novo amigo, um novo parceiro, um novo aliado, que já chega dizendo: “eu também desenho”, “eu também fotografo”, “eu também escrevo”, “eu também canto, toco, danço, invento, costuro, sapateio”.
“Eu também faço”.
“Quer participar com a gente?”, nós convidamos. E a resposta é invariavelmente um sim.
Por isso, esta bola de neve cultural só aumenta e se fortalece, e de modo totalmente livre e autossustentável. Porque não precisamos de padrinhos, de patrocinadores, de siglas, bandeiras, costas quentes ou jabá.
Precisamos somente de NÓS.
NÓS, enquanto grupo cultural e artístico independente; NÓS, enquanto organização colaborativa. NÓS, enquanto cidadãos, que acreditam que a arte é capaz de mudar o mundo no momento em que muda cada um de nós.
E a arte, lembre-se: está em todo lugar.
Inclusive no dia 30 de julho, quando ela se fará presente na 1ª edição do Sábado Cultural, um evento que busca aliar, celebrar e fortalecer a arte que é feita aqui, bem debaixo dos nossos narizes.
A iniciativa é da Orquestra Comunitária de Carazinho em parceria com a Editora Os Dez Melhores, a Café Espacial, e a Fundação Cultural de Carazinho (Fuccar), e vai reunir artistas das mais diferentes áreas: música, literatura, ilustração, artesanato, escultura, percussão, HQ, fotografia, artes plásticas, piano, mágica, capoeira, pirografia, arte indígena, orquestra, e segue a lista.
Com entrada franca, o evento acontece entre 14h e 20h, no sábado, dia 30 de julho, na sede da Fuccar (que fica ali na Gare). Mais de 40 artistas estão envolvidos com o projeto, e o Sábado Cultural promete ser inesquecível.
A Editora Os Dez Melhores, é claro, estará lá, com todos os livros de seu catálogo – inclusive o romance planetário O Duplo da Terra, nosso último lançamento. Sem contar a Café Espacial, parceira desde sempre, que também marcará presença com suas revistas lindas e muitos brindes.
Então se você, assim como NÓS, acredita que a arte pode promover uma revolução pacífica e certeira, não perca de jeito nenhum a 1ª edição do Sábado Cultural. Um dia para festejar a arte que está em todo lugar: na capital e no interior, no centro e na periferia, no asfalto e na estrada de chão, na cidade e na aldeia.
A arte que está aqui, em Carazinho.
A nossa arte.


Confirme sua presença aqui.

08 julho 2016

“A literatura é um lazer; de dever, já bastam nossas vidas previsíveis”

Entrevista com Zeka Sixx, autor da obra A Era de Ouro do Pornô
Por Jana Lauxen


Certa vez, Fausto Wolff escreveu que a sociedade possui um faro afiado, capaz de identificar um questionador de longe. Qualquer um que não engula tudo o que lhe enfiam goela abaixo; qualquer um que discorde do que já está estabelecido; qualquer um que se recuse a fazer parte da engrenagem é reconhecido com precisão pela massa. Afinal, a maioria não quer um questionador por perto, colocando o dedo em sua ferida.
No entanto, os questionadores são fundamentais em qualquer comunidade, e não é diferente na comunidade literária. Encontrar escritores críticos, pensadores, questionadores, é cada vez mais raro. Mas de vez em quando localizamos um: a ovelha negra, indo na contramão da caravana de ovelhinhas brancas – e justamente por isso se destacando.
Ano passado caiu em minhas mãos um livro chamado O Caminho dos Excessos, de um autor gaúcho de codinome Zeka Sixx. Gostei de cara, pois vi de cara que ele era um questionador.
E agora, que o autor acaba de lançar seu segundo livro – e primeiro romance – A Era de Ouro do Pornô, não podia deixar de trocar uma ideia com ele sobre livros, leitores, mercado editorial, pretensões artísticas, e sobre como tudo isso se acomoda em um período de transição tão caótico como o que vivemos hoje.
Convido o leitor a conferir este bate-papo e – mais importante ainda – conhecer seus livros. Porque Zeka Sixx é um cara que tem opiniões, mas não tem certezas – e isso faz dele um questionador. Cuidado!

1. Pouco mais de um ano após publicar seu primeiro livro, O Caminho dos Excessos, você lança o segundo, A Era de Ouro do Pornô.
Quais as principais diferenças entre o escritor Zeka Sixx de 2015 e o Zeka Sixx de 2016?
Eu diria que há um abismo. Os contos de O Caminho dos Excessos foram escritos entre 2002 e 2014, ou seja, eles representam mais de uma década de minha vida como autor. Acredito que eles são um retrato de minha luta para encontrar uma voz como escritor, e essa luta é percebida através da irregularidade existente entre os contos presentes no livro. É como se eu ainda não soubesse exatamente qual direção seguir: ora eu tentava ser Bukowski, ora tentava ser Henry Miller, ora tentava ser Jim Morrison, e assim por diante.
Somente em alguns contos, em especial os quatro ou cinco últimos, é que fica realmente clara uma voz própria, independente, livre de amarras. E foi essa voz, obtida após o longo e tortuoso caminho retratado em O Caminho dos Excessos, a responsável por criar A Era de Ouro do Pornô.
Assim, se O Caminho dos Excessos era sobre a luta para encontrar uma voz como escritor, A Era de Ouro do Pornô retrata o que acontece quando ENCONTRAMOS, afinal, a maldita voz.

2. Os temas que permeiam seus livros não são o que podemos chamar de politicamente corretos. Você fala em sexo, em vícios, e não hesita em escrever palavrões. Na capa de seus dois livros há uma mulher nua.
Enquanto escritor, você percebe alguma resistência ou preconceito em relação à proposta literária de suas obras?
Em sua opinião, o Brasil é um país careta?
No que diz respeito ao meu primeiro livro, O Caminho dos Excessos, não me lembro de ter enfrentado preconceito com relação à temática dos contos. As maiores resistências que percebi, por parte do público, foram relativas a um certo hermetismo que permeia o livro: a linguagem metafórica, surreal, alegórica, que torna alguns dos contos de difícil compreensão. Gosto de comparar, com o devido respeito, O Caminho dos Excessos aos filmes do diretor David Lynch: você pode não entender cem por cento do que está vendo, mas isso não lhe impede de gostar ou até mesmo se encantar com o filme.
Já com relação à Era de Ouro do Pornô, tenho percebido um pouco mais de resistência, em especial quanto ao título e à capa. Percebo que muitos potenciais leitores acham que o livro é apenas mais um “50-tons-genéricos”, classificando-o como mais um livro hot, o que, em minha opinião, não poderia estar mais longe da verdade.
Quanto ao título, tenho consciência que sua escolha pode ser considerada uma aposta de risco, mas tenho certeza também que a grande maioria dos leitores, ao terminar o livro, perceberá que não poderia haver um título melhor para a obra. Com relação à capa, ela também não ficou exatamente o que eu imaginava: tinha em mente algo mais sutil. Mas acredito que ela esteja adequada ao contexto do livro.
Por fim, respondendo à tua segunda pergunta, não acho que o Brasil seja um país careta, apenas um país que lê pouco. O preconceito não é contra a temática das obras em si, mas basicamente contra o simples ato de ler um livro, que é algo considerado “supérfluo”.

3. Você usou, no título de seu segundo livro, a palavra “pornô” – o que, na minha visão, exige alguma coragem, já que pornografia está, no imaginário popular, relacionada com conteúdos de baixíssima qualidade. Costumamos, inclusive, pensar que pornografia não segue roteiro; é só sexo sem história.
Não é o caso de seus dois livros, definitivamente.
O sexo, o álcool, e uma certa forma de degradação estão sempre presentes, mas não são gratuitos. São os elementos que conduzem a narrativa, mas não são a narrativa.
Então eu pergunto: por que você escolheu o título A Era de Ouro do Pornô?
O título A Era de Ouro do Pornô foi escolhido por três motivos. Primeiramente, por que o personagem principal é um fã da referida era, que no universo dos filmes pornôs corresponde a um período compreendido pelos anos 70 e início dos anos 80, uma época onde os filmes eram realizados em película (antes da popularização do videocassete) e exibidos em cinemas. Filmes como Garganta Profunda e Atrás da Porta Verde chegaram a ser exibidos em cinemas convencionais e tornaram-se fenômenos de massa, chegando a serem considerados como filmes de efetivo valor artístico.
Em segundo lugar, os filmes da referida Era de Ouro eram incensados por supostamente terem uma história, algo que atraía as pessoas para além da pornografia, contrariando o consenso geral de que "não existe pornô com história".
E esse é justamente um dos objetivos do livro: atingir o supostamente inatingível, qual seja, ser um "pornô com história", como os filmes da saudosa Era de Ouro do Pornô.
Por fim, escolhi esse título porque, não por acaso, o livro se passa no final de 2012, poucos meses antes de tudo ruir: uma época onde ainda se acreditava que o Brasil era o país do futuro, uma época pré-protestos de junho de 2013, pré-“coxinhas x petralhas”, pré-explosão do feminismo moderno, pré-incêndio da Boate Kiss (um evento que alterou em muitas maneiras a vida noturna como a conhecíamos)... O instante que antecedeu as intermináveis discussões e rixas geradas por todos esses eventos: o último momento onde fomos ingênuos, alienados e otimistas. O último suspiro, enfim, de uma suposta "era de ouro".


4. Na sua visão, há diferença entre o público feminino e masculino quando o assunto é pornografia? O que o homem quer consumir é o mesmo que a mulher quer?
Acredito que certamente há diferenças. A pornografia, tradicionalmente, sempre esteve voltada para o público masculino, algo que com o tempo foi se agravando cada vez mais, tornando-a um alvo fácil para todos aqueles que repudiam a objetificação da mulher.
Nem sempre foi assim: muitos dos filmes da Era de Ouro do Pornô eram assistidos por casais nos cinemas, e vários deles claramente expressavam uma genuína preocupação com o prazer feminino. Atrás da Porta Verde, de 1972, chegou a ser considerado “o primeiro filme pornô para mulheres”. Com o fim da Era de Ouro e dos filmes pornô chic, qualquer resquício de arte foi perdido, e o foco passou a ser unicamente o lucro.
Felizmente, a coisa tem mudado nos últimos anos, e hoje existe todo um nicho de pornografia voltado para o público feminino, com artistas e diretores como Erika Lust, Stoya, e até mesmo a “falecida” Sasha Grey.

5. Seu primeiro livro, O Caminho dos Excessos, foi publicado de forma totalmente independente, sem qualquer selo editorial. Já o segundo, A Era de Ouro do Pornô, foi lançado pelo grupo editorial Multifoco, através do selo Erótica.
Por que você optou por lançar seu segundo livro através de uma editora? E quais são as principais diferenças que você percebeu entre estes dois processos de publicação?
Optei por lançar A Era de Ouro do Pornô por uma editora primeiramente pelo fato de não querer passar de novo por toda a trabalheira que envolveu a publicação de O Caminho dos Excessos: diagramação, inscrição no ISBN, inscrição dos direitos autorais, ficha catalográfica, idealização da capa, etc.
Já no segundo livro, a verdade é que eu não tinha mais o mesmo tempo, a mesma disposição e o mesmo dinheiro disponível para fazer tudo por conta própria outra vez.
Além disso, optei por lançar por uma editora por entender que A Era de Ouro do Pornô possui um apelo comercial bem mais forte do que O Caminho dos Excessos. É uma leitura fácil, direta e despretensiosa, focada unicamente em um objetivo: contar uma boa história, cativante, e com personagens verossímeis.
Quanto às diferenças entre um processo e outro, a principal que percebi, até agora, é referente à distribuição, pois o livro está à venda no site da própria Editora Multifoco, e também no site da Livraria Cultura, o que, na prática, o torna acessível a qualquer leitor brasileiro.
Além disso, a Multifoco me oportunizou fazer um lançamento na Bienal do Livro de São Paulo, no dia 03/09/2016, o que tenho certeza que será uma experiência incrível para difundir a obra.

Zeka Sixx.
6. Fernando Pessoa escreveu que “A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida”. Durante nossa conversa, você questionou: “Somos todos realmente artistas, ou buscamos na pretensão artística uma forma de escaparmos da realidade?”.
E eu te devolvo a pergunta, Zeka: somos todos realmente artistas, ou buscamos na pretensão artística uma forma de escaparmos da realidade?
Acredito que a atual geração jovem viveu – e ainda vive – um dilema, talvez em parte provocado pelos “anos de bonança” que precederam o caos no qual hoje estamos mergulhados. Colocamos na cabeça a ideia de que temos de ser inovadores, artistas, trendsetters: todo jovem quer ser escritor, DJ, dançarino, tatuador, ator, youtuber, criador de uma startup, ao invés das profissões “tradicionais” (médico, engenheiro, advogado, etc.).
É claro que não há nada de errado com essas profissões modernas, muito pelo contrário. Mas buscá-las como se fossem a única saída possível me parece perigoso, um reflexo de uma geração que busca cada vez mais estender sua juventude e, ao mesmo tempo, fugir de suas responsabilidades.
Em 2012, quando ainda acreditávamos que o Brasil era o “país do futuro”, vídeos como We All Want to Be Young pareciam fazer total sentido; hoje, soam risíveis.
Enfim, apenas acho que você não precisa viver de arte para ser um artista. Ou melhor: você sequer tem a obrigação de ser um artista.

7. Max Califórnia, supostamente, é o protagonista da obra A Era de Ouro do Pornô. No entanto, fica evidente que a cidade de Porto Alegre é a personagem central, o agente catalisador e condutor de toda a história.
Se Max é um anti-herói, Porto Alegre tampouco precisa de um herói para salvá-la.
Gostaria de saber: qual a influência de Porto Alegre na sua literatura, e na pessoa que você é?
Durante todo o tempo em que passei escrevendo contos, sempre tive um ideal na cabeça: fazer uma literatura “atemporal”, vazia de referências específicas a lugares e aparatos tecnológicos. Grande parte dos contos de O Caminho dos Excessos poderia se passar em qualquer cidade do mundo nos séculos XX ou XXI.
Já em A Era de Ouro do Pornô quis fazer algo radicalmente contrário: escolher um lugar específico e virá-lo do avesso, exibi-lo em seus mínimos detalhes, expor as suas entranhas.
Além disso, percebi o fato de nossa geração não ter um livro definitivo sobre Porto Alegre, e tracei o nada modesto objetivo do romance: ser não apenas o “retrato de uma geração perdida”, mas também uma sincera e ensandecida homenagem a Porto Alegre, a cidade que amamos odiar e odiamos amar.

Zeka Sixx no lançamento de seu segundo livro, "A Era de Ouro do Pornô".

8. Quando, onde e em qual horário você costuma escrever, Zeka? A literatura, para você, é lazer ou dever?
Não tenho exatamente uma fórmula mágica. Meu primeiro livro foi escrito em casa, ao lado de uma garrafa de Jack Daniel’s, ao som de The Doors, Mötley Crüe e Guns N’ Roses, com um incenso no canto da sala.
A Era de Ouro do Pornô foi escrito em sua totalidade comigo 100% sóbrio, basicamente em uma única situação: no tempo livre que eu tinha no trabalho. Quaisquer quinze ou trinta minutos de folga que eu tinha, eu jogava as palavras no computador: um parágrafo, ou até mesmo uma única frase.
O livro foi escrito relativamente rápido, em cerca de cinco meses, entre maio e setembro de 2015.
Para mim, a literatura é definitivamente um lazer: de dever, já bastam nossas vidas atarefadas e previsíveis.

9. Vivemos em um país cujos índices de leitura são vergonhosos. Onde as pessoas preferem pagar R$100 por uma pizza do que R$30 por um livro. Onde, apesar de ter se tornado mais fácil e acessível publicar, ainda encontramos muitas dificuldades em colocar os livros nas mãos dos leitores – até por que, existem poucos leitores.
Na sua visão, qual é o papel do escritor neste cenário aparentemente desolador?
Acredito que o papel do escritor, primordialmente, continua sendo o óbvio: escrever obras de qualidade. Mas temos também de descer do pedestal, estarmos acessíveis aos leitores, divulgarmos nossas obras de maneira inteligente e, acima de tudo, sabermos OUVIR CRÍTICAS. Sem as críticas, não existiria A Era de Ouro do Pornô.

10. Seguindo este raciocínio, sabemos que as editoras brasileiras recebem mais originais do que são capazes de vender livros. Não é raro uma editora receber 40 originais em uma semana e, neste mesmo espaço de tempo, não vender um único livro sequer.
Vivemos em um país com mais escritores do que leitores, Zeka?
Ao que tudo indica, sim. Em parte, talvez, por causa do que disse acima: somos uma geração com aspirações artísticas exacerbadas. É claro que é muito mais cool escrever/lançar um livro do que ser um mero leitor, muito embora a leitura seja uma experiência infinitamente mais transformadora.

11. É comum que leitores confundam autor e obra, e até mesmo julguem determinados livros como diários públicos do próprio escritor – o que se configura em um erro elementar, apesar de comum.
Em contrapartida, também é certo dizer que todo escritor se inspira muito na vida, no dia a dia, no cotidiano, para criar suas histórias.
Gostaria de saber quanto há de você, e das pessoas que lhe rodeiam, em suas obras?
Por ocasião do meu primeiro livro, O Caminho dos Excessos, fui bastante questionado – e até criticado – pelo fato de que muitos dos contos pareciam tratar de experiências reais, quase como se o livro fosse meu diário.
E, de fato, muitas daquelas histórias eram fortemente baseadas em experiências pessoais, não posso negar: era sim uma obra "semibiográfica". Mas, em A Era de Ouro do Pornô, decidi que queria deixar minhas experiências de lado, buscar algo realmente ficcional.
Assim, eu diria que existe muito pouco de Zeka Sixx em Max Califórnia, até mesmo por que, minhas histórias são ainda mais escabrosas – e digo isso sem qualquer orgulho.

12. Zeka, e quais são os planos daqui pra frente? O que consta na sua lista de atividades até o final deste ano?
Observar as reações ao livro, aprender com as críticas, saber entender os elogios. Depois, partir para um novo livro, um novo desafio, buscar temáticas diferentes, talvez até mesmo escrever um livro sob o ponto de vista de uma mulher, por que não?
Tenho também outro objetivo: lançar uma versão em quadrinhos de A Era de Ouro do Pornô. Acho realmente que o romance renderia uma bela graphic novel no estilo Robert Crumb. Estou em busca de parceiros para essa empreitada. Alguém se habilita?

06 julho 2016

“O Duplo da Terra” por Zeka Sixx

O Duplo da Terra na opinião do escritor gaúcho Zeka Sixx:

A premissa do livro leva-nos a crer que se trata apenas de uma sci-fi "made in Brazil"... Mas é bem mais do que isso: uma história bonita, original e que nos leva a refletir sobre o quão melhores poderíamos ser, como indivíduos e como civilização.
O livro ainda traz sugestões de atividades e exercícios para serem aplicados a alunos em sala de aula, após a leitura, iniciativa louvável!
"Todos são servos de alguém ou de alguma coisa: uma religião, uma sigla, uma pessoa, uma crença, um hábito, um símbolo, uma instituição. Raro é encontrar na Terra alguém realmente livre do cativeiro em que transformaram suas próprias mentes".



05 julho 2016

Flip da Depressão! :(

Duas frases, ditas por dois escritores brasileiros durante a Flip, e que resumem com precisão a situação miserável da literatura no Brasil – um país onde a média de leitura não ultrapassa dois livros por ano, e onde 75% da população nunca frequentou uma biblioteca:

“Não me interessa se o leitor lê ou não lê; eu quero que se foda”. 
(Bernardo Carvalho)

“Estou esperando sair esse romance, ficar rico e mandar um foda-se para Manaus”. 
(Diego Moraes)

Na minha visão, a única que realmente se fode nesta história é a literatura nacional.
E os leitores, que quase não existem.
Mas quem se importa com os leitores, não é mesmo? :(