13 julho 2015

O meu pai é uma pessoa rara.

Alguém que está sempre sorrindo, em um mundo onde a maioria vive de cara fechada.
Uma pessoa compreensiva e amável, em um mundo onde quase ninguém ama e compreende.
Durante muito tempo, quando eu era mais jovem, acreditei que o imenso coração do meu pai o tornava frágil. Muitas vezes eu o vi cercado de gente cruel, gente má, gente sem nenhum caráter, e ele era tão diferente destas pessoas, que eu morria de medo que elas pudessem feri-lo, magoá-lo, machucá-lo.
Durante muito tempo eu achei que deveria proteger meu pai, pois sua afabilidade em lidar com o mundo o deixava vulnerável.
Hoje eu sei que sempre estive errada.
A doçura e o amor que vem do meu pai jamais o tornaram fraco ou frágil.
Bem pelo contrário.
Somente o deixaram mais forte, mais resistente, mais seguro, e esta é a maior lição que ele me ensinou.
Porque eu sempre acreditei que deveríamos reagir atacando.
Que não poderíamos “levar desaforo pra casa”. Que era preciso gritar, xingar, chutar a porta.
Foi ele quem me ensinou que a melhor reação não é o ataque; mas o amor.
Meu pai sabe amar como poucos sabem, e eu tenho a sorte e o privilégio de ser filha desse cara.
Sem ele, eu não seria quem eu sou.
Não sei quem eu poderia ser, mas certamente seria alguém pior.
Aliás, o mundo inteiro seria um lugar pior sem ele.
Então, obrigada papito.
Porque se este mundo insano e mal-amado não me engoliu e não me transformou em uma pessoa insana e mal-amada, foi por causa de você.
E eu te amo de um jeito que as palavras não conseguem descrever!
Você é a pessoa mais linda e mais forte que eu conheço.
Feliz aniversário.