02 junho 2015

Contra DADOS não há argumentos: parte 2

Texto originalmente publicado no Jornal O Informativo Regional.

Em minha última coluna, dei início a uma série de textos que tratarão, estatisticamente, de temas sérios e de extrema importância, porém ainda considerados tabus em nosso país. 
Falo da legalização das drogas, da redução da maioridade penal, da descriminalização do aborto, do feminismo, do racismo, da homofobia – assuntos sobre os quais todo mundo tem uma opinião, geralmente baseada naquilo que cada um acha, e não naquilo que, de fato, é.
Já falamos sobre a legalização das drogas e a redução da maioridade penal, dois tópicos que estão mais entrelaçados do que supõe nossa vã filosofia, como os números bem nos mostraram. E nesta edição, abordaremos o feminismo, um movimento ainda considerado por muitos como ‘exagerado’ e ‘desnecessário’.
Segundo afirmam seus opositores, as feministas dramatizam questões simples; reclamam de tudo, e suas reivindicações não têm razão de ser.
Vamos ver o que os números nos dizem? Vamos sim!

* No Brasil, três de cada cinco mulheres já sofreram violência em seus relacionamentos (1).

* 56% dos homens admitem que já agrediram suas companheiras, xingando, batendo, empurrando, estuprando e/ou impedindo-a de sair de casa (2).

* 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente (3).

* Somente em 2012, a cada quatro horas uma mulher foi assassinada no Brasil antes de completar 30 anos. O assassinato de mulheres é 60% maior na faixa até 30 anos (4).

* 30% das mulheres dizem acreditar que as leis do país não são capazes de protegê-las da violência doméstica (5). 52% delas acham que juízes e policiais desqualificam o problema (6).

* Seis em cada 10 brasileiros conhecem pelo menos uma mulher que foi vítima de violência doméstica (7). Os quatro restantes também conhecem; só que ainda não descobriram.

* Em todo o mundo, entre 100 e 140 milhões de mulheres sofreram mutilações genitais nos anos recentes. Além disso, só na África, mais de 3 milhões de meninas correm o risco de serem mutiladas neste ano. 70 milhões de mulheres se casaram antes dos 18 anos, geralmente contra a sua vontade (8).

* No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é espancada (9). A cada 4 minutos, uma mulher é estuprada (10). A cada 2 horas, uma mulher é assassinada. Em uma lista de 87 países, o Brasil ocupa a sétima colocação entre os que mais matam suas mulheres (11). Em 80% dos casos, os assassinos são seus namorados, maridos e companheiros (12). Isto significa que, somente ao final deste dia, 5.760 mulheres serão agredidas no Brasil; 360 serão estupradas, e 12 serão assassinadas.

Ou seja: o feminismo não é somente importante; é imprescindível, fundamental, absolutamente necessário. 
Então, antes de sair por aí se envergonhando publicamente, dizendo besteiras como ‘agora tudo é machismo’ ou ‘parem de reclamar e vão lavar louça’, conheça (e reconheça) os dados alarmantes que envolvem a violência contra a mulher. 
Porque todo homem que tem mãe, irmã, amiga ou filha possui sérios motivos para se preocupar.


(1) Instituto Avon/Data Popular (2014); (2) Data Popular/Instituto Avon (2013); (3) Balanço do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR); (4) Instituto Sangari/Mapa da Violência – Os Jovens do Brasil (2014); (5) DataSenado (2013); (6) Instituto Avon/Ipsos (2011); (7) Instituto Avon/Ipsos (2011); (8) Organização Mundial da Saúde (OMS); (9) Fundação Perseu Abramo; (10) Anuário Nacional de Segurança Pública; (11) Mapa da Violência – Homicídio de Mulheres; (12) Governo Federal.