24 outubro 2014

Sem partido.



* Texto originalmente publicado na Top Revista, de Sananduva/RS.



Ano de eleição geralmente é um ano onde se perde amigos. Porque, munidas de suas siglas partidárias, as pessoas ficam histéricas e entram em debates eternos, uma tentando provar para a outra que o seu partido é mais honesto. Risos.
Nunca sairemos da situação miserável na qual nos encontramos se não entendermos que partido nenhum pode nos representar; não se formos minimamente decentes e tivermos um pingo de vergonha na cara. Não há um partido sequer (e olha que são mais de 30!) que não esteja envolvido nas mais indecentes falcatruas: é PSOL, é PV, é PSDB, é PT, é PSC, é PP. Pouco importa a ordem dos p’s, dos t’s e dos d’s. Pois, enquanto nós, eleitores, brigamos para provar a diferença entre seis e meia dúzia, eles estão sentados em suas poltronas de couro, andando de jatinho e fumando charutos cubanos. Juntos. Sim, eles estão juntos, provavelmente rindo das nossas caras, enquanto eu e você estamos aqui, separados, invocados, nesse bate-boca infindável e inútil. Tática típica de politiqueiros baratos: manter os miseráveis – e, neste caso, os miseráveis somos nós – entretidos, brigando, para que continuem sentados em suas poltronas de couro, andando de jatinho e fumando charutos cubanos.
Então, amigo (e)leitor, amiga (e)leitora: não caia nessa conversa mole pra boi dormir de partido, de sigla, de esquerda e de direita e de etc. Se existem lados opostos nesta história somos NÓS versus ELES, e não NÓS versus NÓS.
Existem políticos honestos? Certamente que sim. E eles estão distribuídos nos mais diferentes partidos e siglas e lados. Infelizmente não fazem muita diferença no frigir dos ovos, pois integram um sistema que já está falido, apodrecido após décadas e décadas de corrupção epidêmica.
Por isso o povo deve sempre desconfiar de seu governo e de seus governantes, até mesmo quando tudo vai bem – apesar de que nunca foi tudo bem, independente de quem estava no poder. É preciso sempre fiscalizar, e jamais colocar panos quentes sobre determinado político, só por que ele é do seu partido. Aliás, não tenha um partido. E se tiver, que seja o Brasil, e o povo brasileiro, que somos eu e você, e nossos pais, e nossos filhos.
E somos nós, povo deste Brasil – incluindo os militantes políticos enlouquecidos – que estamos nesta mesma canoa furada, afundando vertiginosamente, enquanto os homens por trás das siglas passam com seus jatinhos e seus charutos sobre nós.