21 janeiro 2014

Mulheres: parem de chamar as outras mulheres de vadias!

* Crônica originalmente publicada no jornal O Informativo Regional, em 13/12/2013.

Por favor, apenas parem. A situação já não é das melhores para nós, mulheres. E se vocês não colaborarem, amigas, nosso futuro será ainda mais sombrio e muito, muito, muito aterrorizante. 
Saiu recentemente o resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon/Data Popular, intitulada Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher, e os dados não são somente preocupantes: são desesperadores.
Aqui vão alguns deles: 85% dos homens consideram inaceitável que a mulher fique bêbada. 69% não admitem que a mulher saia com amigos (as) sem o marido. 89% consideram inadmissível que a mulher não mantenha a casa em ordem. 53% dos homens atribuem o sucesso do casamento às mulheres. Mais da metade (56%) declaram ter cometido atitudes que caracterizam violência contra a mulher (xingar, ameaçar, empurrar, bater, etc.).
E, não, esta pesquisa não foi feita em 1820. Foi feita agora, em pleno ano de 2013. O que nos mostra que, apesar de sermos muito mais independentes do que nossas avós e bisavós, estamos longe de viver uma situação social favorável enquanto mulher.
E então, quando os homens nos traem ou se interessam por outra, o que a gente faz? Ao invés de ignorar ou mandar o mané pentear macaco, atacamos a mulher – como se fosse ela quem nos devesse respeito e fidelidade, e não eles!
- Essa vadia, puta, vagabunda!
NÃO GURIAS! Não precisamos de mulheres nos chamando de vadias, putas e vagabundas. Já há homens demais fazendo isso. E o que mais me choca é perceber o quanto as mulheres estão perdidas, defendendo quem as ataca e agredindo quem deveriam defender.
Os homens desta pesquisa são os nossos pais, os nossos filhos, os nossos irmãos, amigos, namorados e maridos, e nós não podemos fechar os olhos e fingir que não temos nada a ver com estes dados aterradores. 
Pois, se você milagrosamente nunca sofreu nenhum tipo de opressão ou violência por parte de um homem, aguarde, pois infelizmente sua hora vai chegar. E não sou eu quem diz; os números já o fizeram antes de mim.
Nenhuma mulher é uma vadia. Nenhuma. Nem você, nem eu, nem aquela que saiu com o seu namorado. Os homens só são fortes por que são unidos. E nós estamos cada vez mais enfraquecidas por que nos atacamos ao invés de nos proteger.

11 janeiro 2014

17 Curiosidades Sobre a Coleção Vaga-Lume

Era início dos anos 70.
Um vaga-lume usando boina e tênis estampava todos os livros da série Vaga-Lume, da Editora Ática, que, por sua vez, estavam presentes nas estantes de todo o Brasil.
Luminoso – o nome do vaga-lume em questão – apresentava os enredos dos mais de 70 livros lançados pela editora, se utilizando de expressões como “tudo joinha?” e “supimpa”.
A série Vaga-Lume foi (e ainda é) um estrondoso sucesso, sendo uma das principais responsáveis pela formação de dezenas de milhares de leitores Brasil afora.
Eu sou um deles, e você provavelmente também é.
Por isso, reuni aqui algumas curiosidades sobre esta coleção, que em 2013 comemora 41 aninhos de vida e pura vitalidade editorial.

1. A série Vaga-Lume foi lançada pela Editora Ática na virada de 1972 para 1973, e é composta de romances voltados ao público infantojuvenil.

2. A editora não divulga números, mas estima-se que somente a obra A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, já ultrapassou a marca de 2,2 milhões de exemplares vendidos.

3. A série ajudou, e muito, a fortalecer e consagrar a Editora Ática, que recentemente informou que pretende relançar a coleção em formato digital.

4. Um dos maiores sucessos da série, O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), foi lançado primeiramente em 1956 como um folhetim da revista O Cruzeiro.

Meu favorito!
5. Inicialmente, a série se caracterizava pela presença de obras já consagradas, de autores idem. Já na segunda década após seu lançamento, tanto os textos quanto os autores passaram a ser inéditos.

6. Um destes autores inéditos era Marçal Aquino.

7. Quando foi convidado para escrever por Fernando Paixão, editor da série na época, Marçal era repórter do Jornal da Tarde e nunca havia escrito uma linha sequer para o público infantojuvenil.

8. Em contrapartida, outro escritor da série, Marcelo Duarte, nunca publicou nenhum livro de ficção fora da coleção Vaga-Lume. O jornalista, escritor e dono da Editora Panda Books publicou seus cinco livros de ficção na série, e vendeu mais de 240 mil exemplares.

9. Em 1980, quando foi informado pelos editores responsáveis pela Coleção Vaga-Lume sobre a tiragem pretendida para seu livro, um atordoado escritor de pseudônimo Marcos Rey não acreditou. Os editores da Ática reiteraram: 120 mil exemplares.

10. Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Nonato, era nesta época um escritor já reconhecido de contos e romances adultos, porém estava acostumado com tiragens que não ultrapassavam três mil exemplares.

11. A aposta em Marcos Rey foi alta – e certeira. O Mistério do Cinco Estrelas, de 1981, vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares. O autor escreveu o livro em dois meses.

12. Atualmente, porém, os mais de 15 livros lançados por Marcos Rey estão fora da coleção Vaga-Lume.

13. Um dos criadores da série, Jiro Takahashi, hoje editor do selo Prumo, da Editora Rocco, afirma que o sucesso da coleção se deu por conta de uma série de fatores, sendo o principal deles o baixo preço dos livros. Altas tiragens permitiam preços muito baixos, que por sua vez facilitavam a adoção das obras por escolas.

14. Outro ponto importante para a aceitação em sala de aula eram os encartes chamados Suplementos de Trabalho, que traziam atividades didáticas ligadas ao livro.

15. Milton Rodrigues Alves, um dos ilustradores da série, conta que, para ilustrar O Caso da Borboleta Atíria, passou muitas e muitas horas em um Museu de Zoologia. “Não tínhamos internet, e a melhor maneira de saber a forma de um Dynastes Hercules era indo ao Museu”, conta Milton.

16. O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida, em breve sairá das estantes diretamente para as telas de cinema. A obra está em fase de pré-produção, e terá direção de Carlos Milani. O filme já tem até um site: www.oescaravelhododiabo.com.br

17. E O Escaravelho do Diabo não é o único. O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto de Ouro (1982) e Um Cadáver Ouve Rádio (1983), todos de Marcos Rey, tiveram seus direitos adquiridos pela produtora RT Features, e começam a ser filmados no final de 2013. A previsão de estreia é julho de 2014.

Morreu de saudades?
Em sites como da Traça Livraria e da Disco Livros, além da Estante Virtual, você encontra muitos títulos da série – e o melhor: por preços amiguinhos.

* Texto escrito originalmente para o Portal Homo Literatus.