12 dezembro 2014

Academia para o Cérebro



* Texto originalmente publicado no Jornal O Informativo Regional.

O verão nem chegou e as academias de ginástica já estão lotadas. Seja homem, seja mulher, todo mundo quer ficar magro, saudável e durinho para encarar as curtas, justas e mínimas roupas da estação do calor. Não tenho nada contra.
Porém, assim como o bíceps, o tríceps, as coxas e a bunda, o cérebro também necessita de malhação para se manter sarado. Por que um cérebro sedentário atrofia do mesmo jeito que um corpo sedentário. E atrofiar não é bom.
Mas como exercitar o cérebro? Diferentemente da academia de ginástica, que oferece N opções de aulas e treinos, a academia do cérebro só disponibiliza uma atividade: a leitura.
Não tem outro jeito de deixar nosso cérebro em funcionamento, senão lendo. Pode ser revista, jornal, livro, blog, gibi. O importante é ler.
Por que um cérebro que nunca lê é como um corpo que nunca se exercita. Se levamos uma vida sedentária, e o máximo que caminhamos é do quarto até o banheiro, sentiremos as consequências de nossa inatividade antes mesmo dos trinta anos: dores no corpo, cansaço, mal-estar, indisposição. O mesmo vale para o cérebro. Quando não exercitado, quando não movimentado, quando não utilizado, ele deixa de funcionar como deveria. E as sequelas são até piores que as do sedentarismo físico. Pois, ao invés de dores e cansaço, o resultado são cabeças fracas e facilmente manipuláveis. 
Pessoas intelectualmente ociosas, inabilitadas para formular uma ideia própria, passam a vida como um papagaio, apenas repetindo o que a TV, o artista, o professor, o pai ou o pastor sempre repetiram. Incapazes de questionar racionalmente determinada situação, costumam ser bovinamente passivas. E o resultado, sabemos bem qual é.
São assombrosas as diferenças entre uma pessoa que lê e uma pessoa que não lê. Quem lê costuma ser mais articulado, e geralmente se comunica melhor. Escreve com maior propriedade, e é capaz de elaborar uma opinião que seja verdadeiramente sua. Quem lê desenvolve sua capacidade de sentir empatia, e de se colocar no lugar do outro – o que é ótimo para todo mundo. A leitura trabalha em nossa concentração, em nossa imaginação, e naturalmente desenvolve nossa criatividade. Você aprende a pensar de maneira mais rápida e lógica, e um universo inteiro se descortina na sua frente.
Se as pessoas exercitassem seu cérebro do mesmo jeito que exercitam seu abdômen, não tenho dúvidas de que viveríamos outra situação enquanto país, enquanto nação, enquanto comunidade e enquanto indivíduo. Uma situação melhor, e bem menos desesperadora.
Repito: nada contra buscar um corpo saudável. Todo mundo, aliás, deve praticar alguma atividade física, para não chegar aos trinta anos se arrastando. 
Mas ainda espero pelo dia em que as bibliotecas e as livrarias serão tão disputadas quanto as academias de ginástica.