13 setembro 2014

Você está pronto para o poliamor?



* Publicado originalmente no Jornal Pois é de agosto de 2014.

O escritor Deco Rodrigues, autor do romance Três Contra Todos, escreveu uma história de amor. E seria apenas mais uma história de amor, caso os dois apaixonados em questão não fossem três: Eduarda, Lucas e Rafaela.

Confesso que, tão logo o livro caiu em minhas mãos, imaginei o que todo mundo geralmente imagina quando se fala em poligamia: sexo e promiscuidade. Nada mais. O que só denota o preconceito que ainda carregamos, e que está tão arraigado que nem percebemos. O livro tem, sim, cenas de sexo. Mas de forma nenhuma elas norteiam a história. São pontuais, quase discretas.
Observem o quanto fui tola ao julgar que a obra seria basicamente erótica só por que o casal era um trio.
Três Contra Todos foi escrito através da perspectiva dos três protagonistas, cada qual narrando os acontecimentos que resultaram em sua relação. O autor Deco Rodrigues foi habilidoso ao estruturar a personalidade de seus personagens; tanto, que é possível distingui-los somente pela forma singular como contam sua história.
Contudo, creio que o maior mérito do livro ainda é falar sobre poliamor sem qualquer resquício de moralismo ou tentativa de catequização. A obra não levanta uma bandeira, seja contra ou a favor da poligamia, e se limita apenas a contar o que aconteceu: fatos, não versões. Desta forma, o leitor assimila, quase sem notar, a naturalidade daquela relação, que foge de todos os conceitos megalomaníacos e deturpados de amor romântico e fidelidade irrestrita. Até a questão de Lucas ser viúvo e pai de uma criança, que é criada como filho pelo trio – o que invariável e imediatamente causa histeria coletiva – passa despercebida, soa corriqueira. Como deve ser.
Eduarda, Lucas e Rafaela não são depravados vestindo látex e segurando um chicotinho. São pessoas normais, com empregos normais e vidas normais. São fiéis entre si. Fica claro que são uma família como qualquer outra, que não possui nem mais nem menos conflitos do que a minha ou a sua. A polêmica, o drama, o escândalo, que costumam estar associados ao poliamor, quem promove é a própria sociedade ‘monogâmica’.
Sugiro ao leitor, independente do que pense sobre o assunto, que leia Três Contra Todos. Não há, na obra, qualquer pretensão de convencer alguém de alguma coisa. Trata-se apenas de um lado da história que costumamos julgar sem conhecer.
Quer dizer, um lado da história não. Três.

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