23 abril 2014

Sobre o Vini e a Graça.



Eu conheci o Vinícius na faculdade.
Eu fazia publicidade, ele, jornalismo. Acho. O fato é que nunca fomos amigos próximos. A gente se via nos corredores da FAC, oi, oi, e era só.
O tempo passou, eu me formei, e nunca mais soube dele.
Ano passado, assisti um vídeo de uma moça muito bonita, chamada Graça, que lutava contra o câncer. Nesta gravação, ela pedia ajuda para realizar seu tratamento, que era absurdamente caríssimo, e precisava ocorrer em outro país.
E qual não foi minha surpresa quando vejo o Vini no vídeo também.
Ele e Graça são casados, moram em Portugal, e tem um filhinho.
Assim, adicionei o Vini no Face. Depois adicionei a Graça. Fiz minha doação, e posso dizer que, mesmo de longe, me envolvi em suas histórias. Vibrei junto quando eles conseguiram reunir o valor necessário para custear o tratamento. Vi quando viajaram, atrás da cura. Fiquei triste quando Graça teve de se internar novamente no hospital. E até os dias de hoje acompanho as postagens feitas por eles, e pela página Vamos Ajudar a Graça a Vencer o Cancro.
Ocorre que, não foi nem uma e nem duas vezes que eu estava me sentindo triste, desanimada, pra baixo, e entrei no Face e li postagens do Vini. Sempre otimista, sempre cheio de fé e de força.
Nestas horas lembro-me de pensar: porra, eu sou um lixo.
Estou aqui, toda trabalhada no drama, fazendo um tsunami numa poça de água, enquanto o Vini está aí, mostrando como é que se faz.
Juro, eu me envergonhava.
Afinal, lembro do Vini na faculdade. Apesar de nunca termos sido próximos, certamente ele compartilhava de sonhos e anseios muito parecidos com os meus. Com toda a certeza nunca imaginou a turbulência pela qual sua vida ia passar, e nem sabia da força que tinha.
E, mesmo sendo mais novo do que eu – Vini tem 27 anos – ele já me ensinou tanto, tanto, tanto, que preciso lhe agradecer.
Hoje, por exemplo, eu acordei triste. 
Desmotivada, abatida, com vontade de dar uma banana pra humanidade e sair correndo gritando palavrões.
Resolvi entrar no Facebook e qual foi a primeira postagem que eu vi?
Do Vinícius.

“Por vezes me encontro perdido em um mar repleto de "problemas", e não me encontro neles, não me vejo, parece não ser eu. Sofro, e muito, de modo que ninguém pode, quer, precisa, e nem deve imaginar...
Dá vontade de não levantar, mas 2 segundos depois estou pronto para "carregar" tudo outra vez. Não é por que sinto que tenho que fazer, que é minha obrigação, é mais simples (...) Não há muito tempo para pensar, o tempo todo é agir; mesmo não dando pra tudo, é sempre o meu máximo que está aqui”.

O que mais eu posso acrescentar?
Obrigada, Vini.