16 agosto 2013

A Feira do Livro de Sananduva e a Terra Encantada!

Após os protocolos, comuns na abertura de qualquer evento oficial, quando as autoridades compõem a mesa e canta-se o Hino Nacional, foram abertas oficialmente as atividades da IX Feira do Livro de Sananduva, cujo tema era Viva Leitura!
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Abertura da Feira do Livro, dia 7 de agosto de 2013.
Eu sabia que a primeira apresentação, chamada Contos e Cantos que Encantam, seria da Escola de Arte de Sananduva – um projeto sensacional encabeçado pela indispensável Silvia Tartari, agitadora cultural das mais ativas (e atrevidas), e que oferece cursos como música, dança e teatro para crianças e adolescentes.
Até aí, OK. Tudo normal.
Mas eu imaginei, assim como acredito que todo mundo imaginou, que seria uma apresentação de teatro legal.
Só isso.
Legal e ponto final.
Contudo, quem esteve na Casa da Cultura de Sananduva dia 7 de agosto deste ano presenciou um verdadeiro espetáculo.
Mais que um espetáculo; uma experiência.
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Cenas do espetáculo "Contos e Cantos que Encantam",
da Escola de Arte de Sananduva.
Tão logo as autoridades deixaram o palco, as luzes se apagaram e muitas, muitas, muitas crianças e adolescentes invadiram o auditório da Casa da Cultura, pelo palco, pelas portas laterais, pelos lados do palco, pelas duas entradas principais. Eram cerca de setenta crianças, mas pareciam quinhentas. E elas literalmente mergulharam a plateia em uma nova realidade, um universo habitado por fadas, príncipes e princesas.
A música já fazia o convite: ‘vamos todos conhecer a terra encantada’.
Como não aceitar?
Eu tinha dez anos outra vez. Não sabia para onde olhar, não conseguia não sorrir. Foi tudo tão incrível e inesperado, tão emocionante e intenso, que só o que eu e todos os sortudos que estavam ali conseguimos fazer foi nos deixar levar pelo mundo de sonhos e fantasia que aquela meninada nos imergiu.
Está achando minhas palavras exageradas?
Então olha isso:


E isso que o vídeo não passa 1% da emoção de estar ali no meio.
Em seguida o grupo de teatro, comandado pelo querido professor Airton Fabro, apresentou a peça “Vida do Italiano Fiorentino Bacchi”. Mais uma vez uma grata surpresa para quem esperava por uma apresentação apenas ‘legal’.
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Teatro "Vida do Italiano Fiorentino Bacchi"
A gurizada mostrou como é que se faz, e parecia que tinham nascido em cima de um palco.
Tanto que eu simplesmente não vi passar as quase três horas, que transcorreram entre o início da cerimônia de abertura e seu final, e em que fiquei sentada naquela poltrona, praticamente hipnotizada.
Se bem que, verdade seja dita, não fiquei sentada todo este tempo. Entre uma apresentação e outra, o grupo Vivandeiros da Alegria, de Bento Gonçalves, subia ao palco para contar algumas histórias, e é claro que eu fui parar lá em cima interpretando uma ‘doce e meiga princesa encantada’. Um papel tudo a ver com meu perfil, como todos sabem, haha.
Os dias seguintes foram incríveis e inesquecíveis também. As palestras que ministrei, na quinta-feira de manhã e de tarde, foram super bacanas, e o debate, que ocorreu na noite de quinta, juntamente com outros escritores, foi igualmente muito produtivo e interessante.
É impossível nomear aqui todas as pessoas que fizeram esta Feira acontecer. Passa por todo mundo, desde os alunos, seus pais, a comunidade, Silvia Tartari e Cia. Ltda. (sempre agitando Sananduva e tirando leite de pedra), os professores, a prefeitura. Todo mundo trabalhou duro, e o resultado foi uma Feira do Livro inesquecível – para mim, e para todos que passaram por lá.
De minha parte fazer o que, além de agradecer?
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Cenas do espetáculo "Contos e Cantos que Encantam",
da Escola de Arte de Sananduva.
Agradecer pela oportunidade de assistir a estes espetáculos, e viver na pele a vibração e a energia que rola em eventos como esse – feitos de dinheiro, patrocínios, burocracias e um monte de papeladas xaropes; mas também feitos com amor, com coração, com doação, com entrega total.
Agradecer pela prefeitura ter adquirido e distribuído entre as escolas exemplares de meu segundo livro, O Túmulo do Ladrão, e pelas professoras que trabalharam a obra em sala de aula. O retorno e o carinho que recebi dos alunos são impossíveis de descrever – e mais impossível ainda de agradecer somente com palavras.
Foi uma das coisas mais lindas e fortes que já vivi na minha vida e, sem falsa modéstia, que jamais imaginei viver.
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Gato de Botas recepciona os convidados.
Agradecer porque eventos como este nos fazem rever alguns de nossos velhos e rançosos conceitos, e reavivar uma esperança de que o mundo é, sim, um lugar bonito de se viver.
Que apesar de tudo, ainda há muita gente batalhando pela educação e pela cultura em todos os níveis da sociedade: família, escola, governo. Podemos não as ver, por que são pessoas que atuam, na maioria das vezes, nos bastidores. Podemos não as ouvir, pois são pessoas que trabalham de verdade, e por isso mesmo não dispõem de tempo para ficar contando vantagem em rodinhas de amigos. Podemos até mesmo não as perceber, ocupados que estamos com nossos afazeres e compromissos. Mas estas pessoas estão por aí, em Sananduva e em todos os lugares, e é por causa delas que nosso país (e nosso mundo também) ainda tem chance de se tornar um país e um mundo muito, muito melhores de se viver.
Tudo isso traz um alento imenso, e uma vontade viva e obstinada de continuar.
De ajudar a fazer acontecer.
Obrigada, Sananduva!
Foi um prazer conhecer a sua terra encantada.