15 janeiro 2012

2011.

Se 1933 foi um ano ruim, 2011 foi um ano bom.
Principalmente por que muitos anos couberam dentro de 2011, pelo menos para mim.
Eu tenho uma mania estranha, que é a seguinte: em determinadas datas, gosto de me lembrar de como eu era e onde estava há um mês, um ano, uma década atrás.
E nesta virada de ano, de 2011 para 2012, também me lembrei: há um ano minha aparência era diferente, meu cabelo era comprido e loiro e é inegável que eu estava mais magra. Mas, de tudo, estas são as mudanças que menos importaram.
Eu continuo sendo um ser humano mais pra lá do que pra cá, como somos quase todos, mas fico feliz em dizer que mudei para melhor nestes 365 dias que separaram 2011 de 2012.
Lembro que, no dia 3 de janeiro de 2011, eu escrevi um texto (se quiser, você pode lê-lo aqui) que falava sobre o ano que começava e nossos desejos - aqueles que costumamos anotar por ordem numérica de importância em um papelzinho para, três dias depois, não sabermos mais em que lugar enfiamos o maldito do papelzinho.
E tudo continua igual, nos deixando cada vez mais frustrados, neuróticos e ansiosos.
Falava, na ocasião deste post, que costumamos desejar, para o ano que se inicia, desejos mesquinhos, como emagrecer 5 quilos ou trocar de carro, sem percebermos que estes pequenos anseios não tornam nossa vida mais feliz, senão momentaneamente.
Eu desejei, para 2011, ser uma pessoa menos colérica e preguiçosa.
Detectei estes dois defeito graves em minha personalidade, e percebi que, de uma maneira ou de outra, eram eles que geralmente atravancavam meu caminho e deixavam minha vida empacada. E disse: ou eu acabo com eles, ou.
Enfim, deixa pra lá.
CLARO que não me tornei um modelo de ser humano pacificado e ágil. Vira e mexe preciso respirar fundo e contar até dez para não puxar uma submetralhadora do meu bolso e atirar em todo mundo, e tenho de me dedicar com amor e carinho para levantar minha bunda grande e branca da cadeira e ir fazer o que deve ser feito.
Porém, se comparar agora com um ano atrás, posso dizer que estou bem satisfeita com as minhas conquistas. Pequenas, sim, mas melhor do que nada, como sempre foi.
Não emagreci cinco quilos (muito, muito pelo contrário) nem troquei de carro, mas hoje sei que sou uma pessoa mais feliz e realizada porque venci a primeira batalha contra aquele que é o pior inimigo que temos: nós mesmos.
Engraçado que esta ideia, de que não existe no mundo adversário pior do que você mesmo, é super difundida e beira o clichê, mas ainda é dificílimo vermos pessoas capazes de colocá-la em prática. Isto é, capazes até são. O que geralmente acontece é que, na maioria das vezes, ninguém quer porque dói.
Sim, nunca é fácil.
Determinadas mudanças representam verdadeiras mutilações em nossa personalidade. Estamos tão acostumados a sermos de determinado jeito e a reagirmos de determinada maneira a determinadas situações, que mudar pode significar uma agressão, uma violência, uma transformação que nunca – e eu disse NUNCA – acontece sem dor.
Mas vale tentar, gente.
E faz a vida começar a fazer algum remoto sentido.
Porque vencer a si mesmo, se tornar uma pessoa melhor, conseguir transpor um defeito cretino que somente nos faz sofrer é, talvez, a grande satisfação de se estar aqui, vivos. É aquela conquista que, ao contrário de cinco quilos perdidos ou um carro novo, de fato preenche nossa vida e nos faz acordar pela manhã mais dispostos. E bem mais fortes.
Somos, ainda, muito frágeis enquanto seres. Coisas pequenas são capazes de nos derrubar com força no chão, e nossas pernas ainda tremelicam toda a vez que precisamos nos reerguer. É evidente que precisamos nos fortalecer, senão não chegaremos até o fim desta aventura. E para nos fortalecer, precisamos vencer o homem velho e xarope que vive dentro da gente há dez mil anos.
Hoje, olhando para trás, vejo que eu mesma insistia nos erros que mais me faziam sofrer, e que por isso minha vida não andava: ficava estagnada, comigo ali, a repetir incansavelmente as mesmas falhas, e apanhando, apanhando, apanhando. E, males dos males: apontando o dedo para os outros para encontrar culpados pela minha tragédia pessoal, sem ver - sem querer ver - que a responsabilidade era minha. Somente minha, e de mais ninguém.
Porque podemos escolher entre aprender pela dor ou pelo amor.
Definitivamente nunca escolhemos aprender pelo amor, porque somos teimosos e pretensiosos em níveis surpreendentes. Mas o triste mesmo é que, mesmo pela dor, levamos tempo demais para ver o óbvio. E haja chibatadas da vida em nossos lombos doloridos.
Mas quando mudamos, nem que seja um tiquinho assim, somente um pequenino passo para frente, a vida inteira muda.
Mudando, muda a maneira como as pessoas interagem e reagem à gente; muda a energia que ronda nossa vida, mudam os acontecimentos, muda-se o foco dos problemas.
Mudando, crescemos; crescendo, amadurecemos; e amadurecendo, aprendemos a lidar melhor com nossos defeitos, com as pessoas que nos rodeiam e com o mundo todo.
E, BINGO! Ficamos mais felizes. Mesmo com cinco quilos a mais e um carro enguiçado na garagem.
Custo benefício medido, pesado, avaliado e considerado suficiente.

Em 2012 eu pretendo continuar nesta peleja acirrada contra a preguiça e a cólera, sabendo que agora eu estou em vantagem, pois estou mais forte, mais malandra e mais armada. E ainda quero arrumar briga com a minha desorganização (um monstro de desorganização!) e com o juiz implacável que vive dentro de mim.
E a contar pelo tamanho da vontade com a qual eu quero que isto aconteça, tenho certeza de que, no início de 2013, estarei aqui outra vez, escrevendo mais uma vez e dizendo que saí, se não ilesa, pelo menos vencedora desta batalha.
Apanhando, mas batendo também.
Que 2012 seja lindo de viver, minha gente.
E que possamos sair dele mais fortes do que quando nele entramos.