28 dezembro 2012

Querido 2012.

Escrevo para me despedir.
Não, eu não vou embora. Quem vai é você. O que não significa que nossa relação não tenha dado certo; muito pelo contrário. Somente precisa ser assim, por que é assim que é.
Mas escrevo, pois gostaria de dizer algumas palavras para você. Palavras de despedida e de agradecimento.
Sim, de agradecimento também.
Afinal você, 2012, foi um ano muito bacana para mim.
Foi em 2012 que voei pela primeira vez de avião, e sozinha, indo para o Rio de Janeiro, lugar que – aliás – nunca havia visto mais gordo em minha vida. Cheguei e, 20 minutos depois, fui recepcionada por este amigável cartaz:
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"Você merece o inferno".
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E então tudo fez sentido. :)
Em 2012 eu também comecei a trabalhar na Multifoco, como editora.
E, sério: nada poderia ter sido mais feliz.
Minha vida estava tomando um rumo muito diferente do qual eu havia imaginado e desejado, e a literatura se afastava cada vez mais e mais.
A Multifoco a trouxe de volta, e não há jeito de agradecer por isso.
Foi, inclusive, por causa da Multifoco que voei pela primeira vez de avião, e obtive a surpreendente informação de que eu mereço o inferno.

Durante estes 365 dias, algumas casas caíram na cabeça de algumas pessoas que usavam máscaras que também caíram.
2012: você talvez tenha sido o ano em que isso mais aconteceu.
Será que o fim, previsto pelos Maias, era o fim do baile de máscaras, e não o fim de todos nós?
Pode ser.
Afinal, existem pessoas atrás destas máscaras, não existem?
Existem sim, e agora que as luzes se acenderam e a festa terminou, todos teremos que olhar nossa cara como ela realmente é – porque as nossas máscaras, aquelas que eu e você, caro leitor, usávamos, também caíram. E se ainda não caíram, cairão em breve.
Ou seja: estamos todos nus.
Isso parece ruim num primeiro momento, mas não é.
Enfim.
O fato é que, por conta da viagem de avião, da informação sobre o inferno e do trabalho na Multifoco, precisei reorganizar minha vida. Na verdade organizá-la, isso sim, pela primeira vez. Confesso que nunca fui uma pessoa com horários para sair e para chegar, compromissos para cumprir, metas para alcançar e planilhas para preencher, e nem nada que tenha exercitado de maneira razoável minha responsabilidade.
Assim, 2012, você foi o primeiro ano em minha vida que usei, de verdade, uma agenda.
E com a agenda cheia de coisas para fazer, precisei tratar de fazê-las, e assim deixei de ter tempo livre para pensar besteiras e desenvolver rancores e síndromes de pânico.
Obrigada, 2012.
Você, além de tudo, foi um ano que refrescou minha cabeça. Apesar de estar distante do ideal, durante sua passagem eu consegui me tornar um pouco mais paciente e tolerante do que era no longínquo 2011.
Ok, não sejamos tão otimistas.
Me tornei 0,1 por cento mais paciente e tolerante, mas é melhor que nada.
Né?
Também tivemos momentos difíceis, meu amigo 2012.
Você não foi nada gentil com meu time, o Internacional. Poderia ter sido tudo melhor, mas não reclamarei. O seu cuidado em não ter sido um ano gentil com o coirmão compensou a minha frustração colorada.
Ademais, fico somente torcendo para que esse tal de ano novo que vem aí, chamado 2013, seja legal como você foi.
E eu espero ser legal para ele também.
Prometo colaborar de todas as formas para que tenhamos uma boa relação, eu e 2013, e espero que todo mundo faça o mesmo, pois isso facilitaria muito as coisas.
Porém não esquecerei de ti, prezado 2012.
E nem que quisesse poderia.
Todos os anos que passam, como você passa agora, se transformam em qualquer negócio que a gente leva junto, para sempre. Não se termina um ano do mesmo jeito no qual se entrou nele. E o que importa, no final das contas, é que tenhamos saído melhores.
Se não muito melhores, pelo menos um pouco melhores.
Se não um pouco melhores, que seja menos piores.
Creio que é assim que se transforma o mundo em um lugar mais decente e suportável para se viver. Começa em cada um e reflete-se no todo.
Pelo menos foi o que eu entendi do que você explicou, 2012.
Então tchau.

Com amor,
Jana.

02 dezembro 2012

Imagine a cena:

O mocinho, no porto, vê o navio partir. A mocinha, no navio, vê o mocinho ficar distante. Ambos levantam suas mãos, um em direção ao outro, na vã expectativa de alcançar, através do ar, aquele que fica para trás.
Mesmo assim o navio segue, ficando cada vez menor aos olhos do mocinho; ao mesmo tempo, o porto vai ficando lá longe, e para a mocinha o mocinho não passa de um pequenino ponto no meio da imensidão.
Certamente você está agora mesmo retirando seu lenço do bolso para enxugar as lágrimas de emoção, correto? E isso que eu nem falei do pôr do sol e dos violinos tocando.
Esta cena clichê, que solicitei ao prezado leitor ou leitora deste blog imaginar, sou eu e a literatura – apesar de que, de mocinha e mocinho, nós duas não temos nada.
E ela – a literatura – não é a literatura como um todo.
É a minha literatura.
Estou muito um pouco tensa com o fato de estar enfrentando dificuldades realmente abissais para escrever. Atividade que sempre foi tão rotineira quanto escovar os dentes e dormir de barriga pra baixo, agora virou um problema.
E isso é grave.
Mas eu sabia que ia acontecer.
Quando disse cheeegaaaa! pra minha literatura, e fui atrás de arrumar um emprego, ter um salário e viver com dignidade, sabia que ela estava embarcando num navio que, em breve, zarparia.
No entanto, por favor, leitor, não veja este texto como um texto de lamentações!
Não quero fazer um drama, apesar da cena dramática do navio. Todavia, a verdade é que minha atividade, até dois anos atrás, era escrever – SÓ escrever. Eu não tinha um puto no bolso e fumava um cigarro chamado Kênia, mas me dedicava única e exclusivamente a escrever, e a reclamar que não tinha um puto no bolso e fumava Kênia.
Só que escrevia. E escrevia muito.
Agora não.
E não pensem que é por falta de esforço!
Devo ter aqui, salvo em meu computador, pelo menos uns 10 textos que comecei e simplesmente não consegui terminar. Travei no segundo parágrafo, na segunda linha, na segunda palavra.
Não os deletei; estão aqui ainda.
Mas sei que não serão acabados, pois não sei como acabar.
Este texto mesmo, que agora escrevo.
Se você está o lendo, é por que ele foi publicado em meu blog.
E se ele foi publicado em meu blog, é por que eu consegui chegar ao ponto final.
E isso terá sido sensacional, e por isso eu abrirei um champanhe hoje de noite.
Por que é bem estranho não fazer algo que sempre foi natural para você fazer, e justamente por isso você sempre fez.
Apesar de que – devo admitir! – achei que seria pior.
Na época em que escrevia e fumava Kênia e reclamava, imaginava que morreria, sei lá, sufocada e louca, se parasse de escrever. E nem é assim. Também não tem pôr do sol e violinos tocando. É tudo normal, só que existe um desconforto, uma sensação de abstinência, de vazio, de fome. Não sei explicar.
A vida continua, mas falta um pedaço.
O que devo fazer, então?
Ora, me organizar, é claro. Eu sei disso, e também estou tentando, com o mesmo sucesso com que concluo os textos que escrevi recentemente.
Mas, se eu me organizar;
Se, ao invés de ficar parada no porto igual um poste, abanando para um navio que eu nem enxergo mais;
Se, ao invés disso, eu pular na água e for atrás do navio;
Se eu alugar uma lancha e for atrás do navio;
Ou quem sabe se eu procurar saber para que raios de lugar vai aquela embarcação, e for atrás do bendito navio, existe alguma chance de dar certo.
Caso contrário, não.
Devemos ter cuidado para não deixar pelo caminho tudo aquilo que faz sentido pra gente. Penso que esta deve ser a receita certa e infalível para nos transformarmos em alguém rabugento, amargo e infeliz, e não queremos isso.
Eu, pelo menos, não quero.
Então, Literatura, me aguarde.
Eu estou indo atrás do navio.

24 agosto 2012

Matéria com a Jana ou Veja Limpeza Pesada.

Resolvi entrar aqui no blog para deixar uma notícia bacana, mas antes precisei retirar as teias de aranha, encarar alguns morcegos e matar dois ratos que haviam feito um ninho bem ali, em cima do meu perfil.
Blog abandonado é isso, gente.
Estou reunindo forças para entrar aqui, vestindo uma camiseta velha do meu sabão em pó favorito, trazendo baldes, panos velhos e vassouras, além de um Veja Limpeza Pesada, e fazer uma faxina DAQUELAS, dar uma organizada, colocar os pontos nos Is.
Juro que quero tomar vergonha na cara e voltar a atualizar esta singela bagaça, que chamo de ‘meu blog’, mas e o tempo? Cadê?
Trabalhar é preciso, atualizar nosso blog não é preciso.
Isto é, pelo menos existem prioridades, e pagar a conta do mercado, a água, a luz e a internet são, no caso, prioridades.
Mas chega de chororô!
O que importa mesmo é que uma mocinha muito querida, chamada Sammara Garbelotto, entrou em contato comigo, perguntando se eu topava responder algumas perguntas a respeito da vida de escritora e etc., pois ela, que faz faculdade de Jornalismo na UPF, estava escrevendo uma matéria justamente sobre novos autores.
Claro que eu topei, imagine se não.
Respondi as perguntas da Sammara e ela escreveu a matéria, que poderá ser lida clicando aqui, no site da Agecom, do núcleo de jornalismo da UPF.
Ficou muito legal, e fala inclusive sobre outra nova autora, chamada Débora de Marco Machado, que, assim como eu, tem uma mão jovem (errr, mais ou menos jovem, no meu caso), uma ideia na cabeça e curte muito letrinhas no papel (ou no word, claro).
Espero que gostem!
Beijocas!

09 julho 2012

Café no Catarse!

Gente querida!
Oioioioi!
Tudo bem por aí?
Que ótimo então, porque por aqui está tudo certo também!
Vim trazer uma novidade bem tri: a Revista Café Espacial está no Catarse, e você poderá ajudar a nossa décima primeira edição a acontecer.
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Não entendeu patavinas?
Eu explico.
O Catarse é uma plataforma de financiamento colaborativo de projetos criativos – ou seja, todo mundo ajudando em prol de um bem maior.
Vários projetos pra lá de interessantes saíram do papel graças a ponte realizada entre o autor (ou os autores) do projeto, e todas aquelas pessoas interessadas em fazer este projeto acontecer.
Esta ponte é o Catarse.
Você acessa nossa página clicando aqui, e escolhe quantos reais poderá doar (R$10, R$25, R$50...). Conforme a tua doação, você receberá agrados diferentes, como ter seu nome impresso na revista, exemplares grátis, cartão-postal, marca-página, adesivos e muito mais!
O bacana é justamente o fato de que todo mundo ganha: a revista, os leitores, os colaboradores, e a geral também!
Curtiu?
Massa, então.
Clique aqui, defina sua doação e manda ver!
Desde já agradecemos!
Aquele abraço da Jana!

UPDATE: Conseguimos!

31 maio 2012

ATENÇÃO: POST EXCLUSIVO PARA TORCEDORES COLORADOS!

Rufam os tambores!
Soam as clarinetas!
É com muita alegria, satisfação, fumaceira e cantoria que comunico a quem interessar possa que estão abertas as inscrições para a coletânea mais vermelha e campeã de tudo da história deste país!
Sim, meus caros e minhas caras, eu estou falando da coletânea que irá homenagear o querido, o glorioso e o campeoníssimo Sport Club Internacional!!!
Abram alas para a coletânea COLORADOS – NADA VAI NOS SEPARAR!
Sim, sim, sim!
Por isso, se você é colorado, como eu espero que seja, e gosta de escrever, especialmente se for sobre teu time do coração, sua hora chegou, meu camaradinha!
Não importa se contos, crônicas, prosa, poesia, letra de música ou o que mais sua imaginação permitir. O que pretendo com esta coletânea é reunir um grupo de escritores/torcedores colorados falando sobre seu amor - sublime amor - pelo clube do povo!
Quer contar uma história? Conte.
Quer escrever sobre aquele jogo inesquecível? Manda ver.
Quer relatar tudo o que se passa com você quando o colorado entra em campo? A hora é essa!
Quer falar sobre um grande ídolo colorado que vive eternamente em seu coraçãozinho? Bora lá!
Desde que seu texto exalte seu amor pelo Inter, já está valendo!
Se interessou?
Maravilha!
Então leia o regulamento abaixo, e mãos ao teclado!
Depois é só enviar para o e-mail coletaneacolorados@gmail.com e aguardar o resultado, que sairá dia 5 de agosto de 2012!
Fico no aguardo, e saudações coloradas SEMPRE!



REGULAMENTO
Coletânea COLORADOS – NADA VAI NOS SEPARAR
01. A Editora MULTIFOCO, através do Selo ANTHOLOGY, receberá até o dia 31 de julho de 2012, textos em português, inéditos ou não, de autores brasileiros ou estrangeiros residentes em qualquer parte do sistema solar, que versem sobre o SPORT CLUB INTERNACIONAL.

02. O autor assinará um termo declarando que a referida obra é criação sua e responsabilizando-se por qualquer questão relativa a direitos autorais e plágio.

03. Os textos serão recebidos, analisados e os selecionados farão parte da coletânea COLORADOS – NADA VAI NOS SEPARAR, a ser publicada pela referida editora em outubro/novembro de 2012.

04. A coletânea terá, aproximadamente, 150 páginas, no formato padrão 14x21, e custará entre R$30 e R$32.

05. Não há nenhum custo ou investimento por parte do autor para participar da coletânea. Em contrapartida, a Editora Multifoco também não fornece exemplares a título de cortesia aos autores participantes. Caso o autor deseje adquirir algum exemplar da coletânea, terá, enquanto autor, um desconto de 20% no caso de pagamento em 25 dias, e de 30% no caso de pagamento à vista. Caso o autor solicite cinco exemplares ou mais, receberá, a título de cortesia, um exemplar do livro gratuitamente.

06. Aqueles que receberem os livros via Correios deverão arcar com as despesas do porte.

07. Os textos, com no máximo dez mil caracteres, incluindo espaços, devem ser enviados completos e revisados, dentro das novas regras gramaticais, em arquivo Word, fonte Times, tamanho 12, tendo TEXTO COLORADOS no campo ASSUNTO. No corpo da mensagem o autor deverá enviar uma mini-biografia de, no máximo cinco linhas, em terceira pessoa.

08. Independente de serem selecionados ou não, TODOS que enviarem textos serão informados via e-mail do resultado da análise.

09. Qualquer assunto não abordado neste regulamento será resolvido pela organizadora da antologia.

22 maio 2012

Eu não sou apaixonada pelo Internacional.

A principal diferença entre amor e paixão está na maneira como nos relacionamos com quem amamos e com quem estamos apaixonados.
As novelas, a literatura e as pessoas, de um modo geral, tendem a simpatizar muito mais com a paixão do que com o amor, já que a paixão costuma ser mais intensa, mais escancarada, mais visceral e mais avassaladora. A paixão grita, arranca os cabelos e coloca fogo no sofá. Parece, assim, mais interessante. Porque enquanto a paixão explode, jorra, se arrebenta em si mesma, o amor é calmo, estável, suave e pacífico. Maçante, diriam alguns jovens.
No entanto, somente na teoria, nas novelas e na literatura a paixão é mais interessante que o amor. Porque a paixão cega, faz sofrer o apaixonado e, quase sempre, o alvo desta paixão também.
Isso acontece por que a paixão anda lado a lado, de mãos dadas, dando fungadinhas no pescoço do ódio. Em um minuto você ama com a fúria de um vulcão; no outro, odeia com a força de um terremoto. E tanto um vulcão quanto um terremoto causam estragos dolorosos e irreversíveis para todos os lados.
O amor, não. Ele é sereno. Não vem com arroubos de desejo, nem tampouco de raiva. Ele festeja as conquistas do seu amado, e o apoia e se solidariza em suas derrotas. O amor não exige um milhão de coisas para que haja amor. O amor não é possessivo nem passional, e sabe raciocinar – coisa que a paixão praticamente proíbe. O amor apenas existe, sem exigências, sem cobranças, sem querer que aquele que você ama se encaixe dentro dos teus sapatos apertados. O amor não é egoísta. Amamos quem tem defeitos, quem comete erros, quem não é como gostaríamos que fosse. Já a paixão é individualista e egocêntrica. Costuma pedir demais e terminar da mesma maneira que começou: repentinamente.
Por isso afirmo, sem medo de errar, que não sou apaixonada pelo Internacional.
Não sou, nunca fui, jamais serei.
Eu o amo, sim, e muito, como amo meus pais, minha gata e meus cachorros, mas não sou apaixonada por ele como fui pelo meu primeiro namorado – paixão esta que, hoje, me faz rir e morrer de vergonha, tamanha sua competência para ser patética. A paixão é patética, e quando termina, nos constrange fortemente do tudo que fizemos enquanto apaixonados estávamos.
A paixão envergonha depois; o amor, nunca.
E não digo que amo o Internacional somente por que se trata de um grande time; o clube brasileiro mais vencedor dos últimos dez anos e um dos 20 clubes que mais títulos conquistou em todo o mundo - já carregando a alcunha de Campeão de Tudo.
Não amo o Internacional só por que é um time estável, que passa segurança para o torcedor, seja dentro de campo, através do entrosamento de seus jogadores (a maioria, sublinhe-se, igualmente amante do time), seja fora, por meio de sua administração consciente e segura (que, sublinhe-se outra vez, não é adepta dos voluptuosos espetáculos que terminam em nada, nem de jogadores estrelinhas, que chegam em carrões com óculos escuros maiores que um pneu de trator e fones de ouvidos).
Não amo o Inter apenas por que seu time de base é forte e aguerrido, e nem por que dali já saiu jogadores do porte de Falcão e Batista, no passado, e de Pato, Nilmar e Giuliano, no presente.
Não digo tudo o que digo por causa de todas as incontáveis vantagens que se tem ao se torcer por um time do gabarito, da grandeza e do peso do Internacional.
Digo que amo o Inter nesta fase tão boa porque o amei, do mesmo jeito, em sua pior e mais crítica fase.
Sim, meus amigos. Se você, caro leitor, tiver menos de 10 anos de idade, é possível que não saiba, mas nos anos 90 o Internacional não ganhava nem pelada de várzea, nem par ou ímpar, nem rifa de colégio. Era doloroso torcer pelo Inter. Ele entrava em campo e a gente já ia se perguntando: vamos perder de quanto hoje?
Títulos? Uma vaga lembrança de um passado remoto, que eu não vi nem comi, só ouvi falar.
Eu nasci na metade dos anos oitenta, e era desde o final dos anos setenta que o Inter mais se arrastava do que qualquer outra coisa. Cresci vendo meu time enfileirar uma derrota atrás da outra, e cujo máximo título alcançado era um discreto campeonatinho gaúcho aqui ou acolá. Títulos internacionais? Faça-me rir. De internacional o Inter só tinha o nome.
Se o Inter fosse gente, teria sido uma pessoa que só me fez sofrer em minha infância e adolescência. Que somente esmagou, pisoteou, dançou uma lambada e cuspiu em cima do meu coraçãozinho aflito e vermelho. Se fosse uma pessoa, o Inter teria sido alguém que me trouxe muitos problemas e dores de cabeça, já que defendê-lo era tarefa inviável.
Mas eu defendia sim, e como defendia! Estava ainda no colegial, e quase todos os meus colegas torciam pelo vitorioso Grêmio - claro. E mesmo assim eu brigava, e fazia apostas que, invariavelmente, perdia, e lutava com unhas e dentes ao lado do meu time, mesmo sem ter como nem por que fazer isso.
Em nenhum momento pensei em mudar de time, em abandoná-lo à própria sorte, em esquecê-lo. Mas, assim como fazemos quando uma pessoa que amamos nos faz sofrer, recolhi meu amor à sua insignificância, e fiquei ali, de cantinho, sossegada e amando, lendo um livro e vendo meu amor fazer cagadas sobre cagadas. Somente sorria um sorriso complacente e balançava a cabeça, pensando: esse é o meu time. Que sina!
Porém, se alguém ousasse ofender o meu amor, eu acordava da minha letargia de torcedora sofrida e rodava a baiana:
- Peraí! Ninguém vai falar mal do Inter! Não na minha frente!
Da mesma maneira que ninguém vai falar mal do meu pai ou da minha mãe na minha frente, mesmo que tenha razão e motivos para tanto. O amor não permite isso. O amor defende sempre.
O tempo passou e eu, uma infante colorada sofredora, cresci e me tornei uma adulta colorada sofredora. Aprendi, desde cedo, a aceitar os defeitos do meu amor sem questioná-lo. Vestia minha camisa vermelha e branca e saía por aí, fingindo que não via os olhares quase piedosos que me lançavam uns e outros:
- Coitada, é colorada.
Sim, sou, e serei até o fim. No céu e no inferno, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na lama e no caos, não importa o que digam.
Enfim.
Como disse, o tempo passou e chegamos em um ano bastante emblemático: 2005.
Inter praticamente com a mão na taça do Campeonato Brasileiro, tudo certo, ninguém acreditando no que estava prestes a acontecer e eu pensando: agora vai!
Vai?
Não foi.
Mas, ao contrário de todos os outros anos, não foi por que o Inter era um time medíocre, formado basicamente por pernas de pau e dirigentes que não sabiam sequer se era dia ou se era noite. Não foi por que fomos roubados. Escandalosamente roubados, diga-se de passagem, por um time cujo nome prefiro não citar para evitar urticárias. E não, meu amigo irmão camarada. Não há nenhuma possibilidade de não termos sido roubados. Tanto que até mesmo o presidente do time ladrão, um sujeito muito decente, afirmou, na ocasião, em um telefonema para um empresário igualmente muito decente, gravado pela Polícia Federal:
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“Como é que ganhou ano passado? Ganhou, mas olha, se não tivesse aquela anulação de onze jogos, nós estávamos fora. Porque O CAMPEÃO DE FATO E DE DIREITO SERIA O INTERNACIONAL. Porque os últimos 5 jogos, nós tínhamos 14 pontos na frente, e chegamos, entendeu, com um ponto só. ROUBADO.”
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Se não acredita, coloque no YouTube campeonato + brasileiro + 2005 + Internacional + roubado e ouça com seus próprios ouvidos.
Fim do argumento.
Mas óquei, a gente se acostuma a apanhar. Pelo menos desta vez perdemos por um motivo externo ao fato de que não ganhávamos nada por que éramos um time febril, desorganizado e cheio de mancos.
Veio então 2006.
Que ano foi esse, gente?
Eu continuava lá no meu cantinho, sossegada, amando e lendo meu livro, resignada ao fato de que amava um time que era todo errado. E sempre foi assim, desde o dia em que abri o berreiro pela primeira vez na maternidade e meu pai colou na porta do quarto do hospital o distintivo do Inter.
Não reclamava porque, para mim, o Inter perder era o status quo da vida. E eu o amava do mesmo jeito, porque era o meu time e não havia o que ser feito.
2006.
Inexplicavelmente, Inter levanta a taça Libertadores da América pela primeira vez! Nem comemorei, porque levei umas 32 horas para acreditar:
- Ah mãe, será que é mesmo? Não é pegadinha?
Não, não era. Eu tinha 21 anos e o Inter era o melhor time da América toda. Vinte e um anos eu esperei, e quando nem esperava mais, ele vem e me surpreende; quando eu já estava indo dormir, ele bate na porta com um ramalhete de flores e champanhe nas mãos.
O amor tem destas coisas.
No final daquele ano o Inter disputaria o Mundial de Clubes FIFA contra o Barcelona, o melhor e maior e mais poderoso time do sistema solar.
Minha mãe dizia, antecipadamente conformada:
- Gente, a maior conquista é disputar o Mundial. Claro que não vamos ganhar do Barcelona, mas chegamos até aqui, veja só que vitória, etc, etc!
Acho que era o que pensava metade dos colorados.
Mas eu, assim como a outra metade, pensava diferente.
Refleti: se ganhamos a Libertadores, por que não podemos ganhar o Mundial? O Barcelona é grande, mas não é dois, e dentro de campo são 11 contra 11, etc, etc.
Todavia não assisti o jogo. Meu coraçãozinho sofrido, tão acostumado a ver o Inter perder, habituado a viver sem maiores percalços futebolísticos, não suportaria tamanha pressão.
Por sorte o jogo era domingo de manhã. Sábado de noite ingeri muitos pingos de Rivotril e fui dormir muito tarde, porque queria garantir que não acordaria de jeito nenhum para assistir aquele fatídico jogo. Eu acreditava, e por que acreditava, não podia assistir. Minha mãe não acreditava, e por que não acreditava, podia assistir. Entendem?
Acordei perto das dez horas da manhã de domingo assustada com os gritos. Gritos de quem?, pensei. Poderiam ser da vizinhança gremista, comemorando nossa tragédia grega pessoal. Foi quando identifiquei: os gritos eram dos meus pais. E mais: não eram de desespero. Eram gritos de felicidade.
Saí correndo do quarto com a cara toda amassada, os cabelos espigados e aquele bafo característico, e encontrei meus pais na sala, abraçados e pulando em círculos, igual duas crianças de quarta série.
Eles me olharam, eu olhei para eles. O mundo parou por dois ou três segundos e então eles gritaram:
- Ganhamos!!!
Como assim? Do Barcelona? Com gol de quem? Gabiru? Quem é esse? O que? Entrou no lugar do Fernandão? O que houve? Oi? Ficamos com nove em campo durante 5 minutos? Contra o todo-poderoso Barcelona? Para, é piada. Não? É sério isso?
E eu não vi mais nada.
 
Desde então o Inter veio vindo, como quem não quer nada, até se fixar como um dos maiores e mais vitoriosos times brasileiros da atualidade.
Não passou um aninho sequer sem levar para casa pelo menos um título. Cresceu e se tornou grandioso, fazendo valer seu nome, Internacional. De 2006 pra cá já levou outra taça Libertadores para casa, e, não fosse um fadado goleiro que saltita utilizando as nádegas (que diabo!), possivelmente teríamos levado nosso segundo Mundial de Clubes. Mas isso já é outra história.
O que eu quero dizer com todos estes caracteres é que, seja nos derrotistas anos 90, ou no vitorioso século 21, meu amor, sereno e tranquilo, pelo Internacional, continua intacto e imaculado.
E – bate na madeira três vezes – se por acaso um dia o Inter despencar do topo onde agora se encontra, meu amor ainda assim será o mesmo.
Porque meu amor não é exigente, nem briguento; não pode ser contestado.
Meu amor não destrói estádios nem quebra arquibancadas. Não coloca fogo em banheiros químicos, não ameaça a família do técnico, não espanca jogadores. Meu amor não picha muros ofendendo a direção, meu amor não apedreja ônibus.
Meu amor apenas ama, e aceita o que vem.
Meu amor não é paixão, nem fogo de palha, nem exige que, aquele a quem amo tanto, seja exatamente conforme eu quero que seja: eu amo meu amor do jeito que ele é, na primeira ou na quarta divisão, campeão de tudo ou campeão de nada.
Dá-lhe colorado!
E agora me deem licença, que o Gigante, mais uma vez, me espera para começar a festa.


Biografia da autora:
Jana Lauxen é escritora e colorada. Autora do livro Uma Carta por Benjamin e campeã de tudo.

* Texto publicado originalmente no livro Literatura Futebol Clube (Ed. Multifoco, 2012, R$32).

18 maio 2012

Editora Multifoco inaugura filial gaúcha.


Buscando melhor atender escritores do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina,
Editora Multifoco inaugura nova filial

por Alessandra Carvalho – Assessora de Imprensa Multifoco Sul



A Editora Multifoco, com sede no Rio de Janeiro, acaba de chegar oficialmente ao Rio Grande do Sul. Com o objetivo de melhor atender e assessorar os escritores da região sul do país, a Multifoco Sul, apesar de manter sua filial em terras gaúchas, irá atender autores do Paraná e também de Santa Catarina.
- A ideia é de que haja, de fato, uma aproximação maior entre autor e editora. Por mais que a Multifoco sempre tenha atendido escritores dos quatro cantos do país, é inegável que manter filiais atuando por regiões somente servirá para melhorar o relacionamento entre autor e editora, aproximando-os cada vez mais – afirma Jana Lauxen, autora do livro Uma Carta por Benjamin.
É, aliás, Jana Lauxen quem comandará a filial gaúcha da editora carioca. Há três anos trabalhando para a Ed. Multifoco, Jana já organizou cinco antologias em parcerias com outros escritores.
- Para mim será um grande divertimento. Gosto da proposta da Multifoco, e poder levar esta oportunidade para outros escritores, que não encontram espaço para publicar seu trabalho profissionalmente, da mesma maneira que um dia esta oportunidade chegou até mim, é simplesmente sensacional – afirma a autora, agora editora-chefe da filial sulista da Multifoco.
A proposta que Jana se refere é, de fato, bastante diferente das propostas de editoras, comumente encontradas internet afora. Hoje, publicar um livro não é tão difícil como foi um dia. No entanto, a maioria das propostas ainda encontradas pelo novo autor ou são publicações de e-books (livros virtuais) ou publicações pagas.
- A Multifoco tem, realmente, uma proposta diferente de tudo o que você conhece, e eu explico por quê: após o autor ter seu original aprovado, o livro entra em processo de produção, e passa por diagramação, criação de capa e contracapa, impressão, enfim. O autor receberá seus livros em casa, sem precisar pagar um real por isso. A partir do recebimento dos exemplares do seu livro, ele possui um prazo de 25 dias para comercializá-los, seja para amigos, familiares e conhecidos, seja através de lançamentos. Após este prazo, o autor precisará depositar para a editora o valor alcançado com as vendas de seus livros, ficando para si, enquanto lucro, com 20% do preço de capa. É uma porcentagem bastante alta, tendo em vista que grandes editoras costumam pagar para grandes autores uma porcentagem bem menor, que dificilmente ultrapassa os 8%. O que deve ser custeado na Ed. Multifoco, com os 80% restantes, é todo o trabalho de capa, diagramação e impressão, mas o autor pode optar por pagar este valor somente após ter recebido e – sublinhe-se isto – vendido seus exemplares, ou seja: não precisa de dinheiro, pois o dinheiro será levantado através da venda dos livros que o autor recebe sem pagar nada. Quem paga são seus leitores, e não o autor. Na minha visão, trata-se de uma oportunidade de verdade.
Outra novidade é que a Editora Multifoco vem demonstrando um crescente interesse em publicar trabalhos acadêmicos, como monografias:
- A produção acadêmica brasileira, ao contrário do que muitos pensam, é muito rica, e por isso concluímos que seria pra lá de interessante tirar estas produções somente do círculo acadêmico e trazê-las para as estantes de livros de todo o Brasil.
Jana Lauxen também cita o interesse da editora em transformar blogs em livros.
- O autor que tiver interesse em ter seu blog submetido à avaliação, para possível publicação em livro, não só pode como deve entrar em contato conosco. Assim como a produção acadêmica, existe um material riquíssimo disponível na internet. Se o conteúdo é bom, por que não publicá-lo, por que não transformá-lo em livro?
Para quem possa, por ventura, questionar por que alguém compraria um livro cujo conteúdo está disponível na internet, e de graça, Jana tem a resposta:
- A quantidade de blogs e sites no ar, atualmente, é incalculável, e a tarefa de garimpar os melhores não é fácil e muito menos simples, além de requerer tempo e paciência. O que acontece é que muito conteúdo de altíssima qualidade acaba perdido nesta miscelânea, sem receber a devida valorização. A publicação de blogs em livros funciona quase como uma peneira.
Autores interessados em ter seu original, sua monografia ou seu blog analisados pelo conselho editorial da Editora Multifoco, podem entrar em contato com Jana Lauxen através do e-mail multifoco.jana@gmail.com.

Editora Multifoco lança coletânea sobre futebol!


Literatura Futebol Clube reúne textos de autores-torcedores versando sobre seu time do coração.

por Alessandra Carvalho.
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Em se tratando de futebol, podemos dividir as pessoas basicamente em três grupos distintos: os que amam, os que odeiam, e os que são indiferentes.
O mais recente lançamento da Editora Multifoco, a coletânea Literatura Futebol Clube, organizada pela escritora Jana Lauxen, é um livro voltado, acreditem se quiser, para os dois últimos grupos acima citados – os que odeiam e os que são indiferentes.
- Para quem ama o futebol, não há nada a ser dito. Esta pessoa vai ler o livro e, provavelmente, vai se identificar com cada texto, com cada linha, com cada palavra. Minha ideia, quando resolvi organizar esta coletânea, era tentar explicar, aos que odeiam e aos que são indiferentes, por que o futebol mexe tanto com nossas vidas, com nossas cabeças e, principalmente, com nossos corações. Muitas pessoas simplesmente não entendem como alguém pode gostar de futebol, e pior ainda: como podem amar incondicionalmente determinado time. Este livro é uma resposta para estas pessoas. Pelo menos, uma tentativa de resposta, já que pôr em palavras o que se sente é sempre um tanto quanto complicado – explica Jana Lauxen.
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No livro, encontramos textos sobre os times América Mineiro, Atlético Goianiense, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Bahia, Ceará, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Juventus, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco e, claro, a seleção canarinho!
Inclusive a capa, com ilustração do premiado caricaturista, chargista político e ilustrador Toni D’Agostinho, tem uma história. Segundo Jana, Toni se inspirou no estado patológico de nervos que se encontram seus amigos torcedores quando seu time está em campo. “Eu adorei. Possivelmente por que fico igual”, conta.
Todos os autores presentes na coletânea foram convidados por Jana para escrever sobre seu time do coração:
- Foi um projeto muito bacana e tranquilo de organizar, e os autores participantes ficaram realmente animados com a ideia. Até porque, o que pode ser melhor e mais divertido do que escrever sobre algo que conhecemos e amamos? Este, acredito, seja um dos principais motivos da qualidade e da criatividade dos textos que compõe o livro.
A coletânea Literatura Futebol Clube custa R$32 e foi lançada dia 28 de abril no Espaço Multifoco (Avenida Mem de Sá, 126 – Lapa – RJ).
Quem tiver interesse em adquirir um exemplar, basta entrar em contato com Jana através do e-mail multifoco.jana@gmail.com, ou com um dos autores participantes. O livro também está à venda no site daEditora Multifoco.
Por isso acredite, caro leitor, independente em quais dos três grupos citados acima você esteja (os que amam, os que odeiam, os que são indiferentes), você e sua estante merecem este livro.
Para entender o que pensa e o que sente um amante do futebol, para viajar pelo coração aflito de um torcedor, ou simplesmente para se divertir.
Um gol de letra.

Uma Carta por Benjamin


Resenha atualizada.
Uma Carta por Benjamin

Por Alessandra Carvalho
- Uma carta?
- Uma carta.
- Mas quem é que manda cartas hoje em dia?
Assim começa Uma Carta por Benjamin (2009, R$28,00, Ed. Multifoco, 136 págs), livro de estreia da escritora gaúcha Jana Lauxen, 27 anos.
O enredo é, no mínimo, instigante: imagine você, um belo dia, receber uma carta de alguém que absolutamente não conhece, lhe tratando com carinho e intimidade? Então imagine se esta pessoa passa a lhe enviar cartas semanalmente, revelando a cada correspondência um novo capítulo de uma história que, pelo simples fato de você saber, já o torna cúmplice?
É o que acontece com Benjamin, o protagonista, sujeito quieto e aborrecível que se vê arrancado de dentro de si próprio quando precisa tomar uma decisão capaz de alterar o rumo de todo um país.
Segundo a autora, a história surgiu num dia em que viu um carteiro deixar a correspondência na casa em frente da sua:
- Tenho mania de me colocar no lugar do personagem, e fazê-lo tomar uma atitude que eu jamais tomaria, seja por falta de coragem ou de convicção. Geralmente, termino a história pensando completamente diferente, e achando mais é que eu faria igual ao personagem. Não é estranho? Tua criação te convencer a mudar de ideia?
Fugindo do estilo literário ‘meu querido diário’, predominante em estantes, catálogos de editoras e livrarias, Jana Lauxen resgata o bom e velho folhetim, prendendo o leitor em cada linha de um jeito suave e irresistível.
Morando atualmente em Sananduva, Jana nasceu em Carazinho, cidade no interior do Rio Grande do Sul, porém não precisou ir geograficamente muito longe para conseguir lançar seu primeiro livro – muito pelo contrário:
- Costumo dizer que sem a internet eu não seria ninguém. Não que eu seja grande coisa, mas seria ainda menos sem ela. Primeiro por que não tinha um tostão furado no bolso para ir morar em Porto Alegre e fazer uma oficina com o Assis Brasil; menos ainda para bancar uma publicação independente. Levei quase seis anos, mas agora está aí. E eu continuo aqui, no mesmo lugar – diz a autora.
Realmente: é na frente do computador que Jana passa a maior parte do seu dia. Foi uma das fundadoras do portal E-Blogue.com (in memorian) e co-editora da versão brasileira do site inglês 3:AM Magazine, além de ter organizado cinco coletâneas: Assassinos S/A Vol. I e II, Crônico!, Quadrinhos em História e, recentemente, a Literatura Futebol Clube. Colaboradora da revista independente Café Espacial, trabalha, desde fevereiro de 2012, no comando da filial gaúcha da editora carioca Multifoco.
- Um trabalho feliz – segundo a escritora.
Isso sem contar seu blogue pessoal, o janalauxen.blogspot.com que, segundo ela, não abandona de jeito nenhum:
- É o melhor canal que tenho com quem gosta de ler o que eu escrevo. Sem contar a interação, que é ótima. Se eu só publicar em livros, jornais e revistas, vou restringir demais meu número de leitores, e quero justamente o contrário.
E não tem medo de ser tachada como escritora de blogue?
- Não, não mesmo. Já fui tachada de tanta coisa; escritora de blogue é até bonitinho.
Além disso, Jana é graduada em Publicidade e Propaganda há cinco anos, mas nunca exerceu a profissão. Conta que se formou porque ‘todo mundo com 20 anos quer se formar em alguma coisa’ e afirma que se pudesse voltar atrás, teria trancado tudo no quarto semestre.
- Mas não chego a me arrepender. Fiz bons amigos por lá, além de uma bela dívida.
Para quem quiser saber mais sobre a autora, pode encontrá-la em seu blogue, onde bate cartão (quase) todo dia.
Lá você também pode adquirir o livro Uma Carta por Benjamin.
Que, se me permitem o conselho, eu recomendo.

19 março 2012

Esclarecimentos:

Oi gente.
Este blogue está abandonado, desorganizado, desatualizado e muitas outras coisas ruins, e eu sei que vocês sabem disso melhor do que eu.
Mas não criemos pânico. Tudo melhorará, eu garanto.
Vou mudar umas coisas aqui e ali, e pelos próximos dias o tadico do Blogue da Jana continuará à deriva. Mas voltará cheio de razão e pedindo a janela do trem, com uma penca de novidades.
Então, tenham um pouco mais de paciência com esta que vos escreve e este blog cheio de teias de aranha e morcegos dormindo no teto.
Ah! E se vocês acessarem este blog nos próximos dias e encontrarem coisas estranhas e desconfiguradas por aqui, normal também.
Voltaremos.
Beijo.

15 janeiro 2012

2011.

Se 1933 foi um ano ruim, 2011 foi um ano bom.
Principalmente por que muitos anos couberam dentro de 2011, pelo menos para mim.
Eu tenho uma mania estranha, que é a seguinte: em determinadas datas, gosto de me lembrar de como eu era e onde estava há um mês, um ano, uma década atrás.
E nesta virada de ano, de 2011 para 2012, também me lembrei: há um ano minha aparência era diferente, meu cabelo era comprido e loiro e é inegável que eu estava mais magra. Mas, de tudo, estas são as mudanças que menos importaram.
Eu continuo sendo um ser humano mais pra lá do que pra cá, como somos quase todos, mas fico feliz em dizer que mudei para melhor nestes 365 dias que separaram 2011 de 2012.
Lembro que, no dia 3 de janeiro de 2011, eu escrevi um texto (se quiser, você pode lê-lo aqui) que falava sobre o ano que começava e nossos desejos - aqueles que costumamos anotar por ordem numérica de importância em um papelzinho para, três dias depois, não sabermos mais em que lugar enfiamos o maldito do papelzinho.
E tudo continua igual, nos deixando cada vez mais frustrados, neuróticos e ansiosos.
Falava, na ocasião deste post, que costumamos desejar, para o ano que se inicia, desejos mesquinhos, como emagrecer 5 quilos ou trocar de carro, sem percebermos que estes pequenos anseios não tornam nossa vida mais feliz, senão momentaneamente.
Eu desejei, para 2011, ser uma pessoa menos colérica e preguiçosa.
Detectei estes dois defeito graves em minha personalidade, e percebi que, de uma maneira ou de outra, eram eles que geralmente atravancavam meu caminho e deixavam minha vida empacada. E disse: ou eu acabo com eles, ou.
Enfim, deixa pra lá.
CLARO que não me tornei um modelo de ser humano pacificado e ágil. Vira e mexe preciso respirar fundo e contar até dez para não puxar uma submetralhadora do meu bolso e atirar em todo mundo, e tenho de me dedicar com amor e carinho para levantar minha bunda grande e branca da cadeira e ir fazer o que deve ser feito.
Porém, se comparar agora com um ano atrás, posso dizer que estou bem satisfeita com as minhas conquistas. Pequenas, sim, mas melhor do que nada, como sempre foi.
Não emagreci cinco quilos (muito, muito pelo contrário) nem troquei de carro, mas hoje sei que sou uma pessoa mais feliz e realizada porque venci a primeira batalha contra aquele que é o pior inimigo que temos: nós mesmos.
Engraçado que esta ideia, de que não existe no mundo adversário pior do que você mesmo, é super difundida e beira o clichê, mas ainda é dificílimo vermos pessoas capazes de colocá-la em prática. Isto é, capazes até são. O que geralmente acontece é que, na maioria das vezes, ninguém quer porque dói.
Sim, nunca é fácil.
Determinadas mudanças representam verdadeiras mutilações em nossa personalidade. Estamos tão acostumados a sermos de determinado jeito e a reagirmos de determinada maneira a determinadas situações, que mudar pode significar uma agressão, uma violência, uma transformação que nunca – e eu disse NUNCA – acontece sem dor.
Mas vale tentar, gente.
E faz a vida começar a fazer algum remoto sentido.
Porque vencer a si mesmo, se tornar uma pessoa melhor, conseguir transpor um defeito cretino que somente nos faz sofrer é, talvez, a grande satisfação de se estar aqui, vivos. É aquela conquista que, ao contrário de cinco quilos perdidos ou um carro novo, de fato preenche nossa vida e nos faz acordar pela manhã mais dispostos. E bem mais fortes.
Somos, ainda, muito frágeis enquanto seres. Coisas pequenas são capazes de nos derrubar com força no chão, e nossas pernas ainda tremelicam toda a vez que precisamos nos reerguer. É evidente que precisamos nos fortalecer, senão não chegaremos até o fim desta aventura. E para nos fortalecer, precisamos vencer o homem velho e xarope que vive dentro da gente há dez mil anos.
Hoje, olhando para trás, vejo que eu mesma insistia nos erros que mais me faziam sofrer, e que por isso minha vida não andava: ficava estagnada, comigo ali, a repetir incansavelmente as mesmas falhas, e apanhando, apanhando, apanhando. E, males dos males: apontando o dedo para os outros para encontrar culpados pela minha tragédia pessoal, sem ver - sem querer ver - que a responsabilidade era minha. Somente minha, e de mais ninguém.
Porque podemos escolher entre aprender pela dor ou pelo amor.
Definitivamente nunca escolhemos aprender pelo amor, porque somos teimosos e pretensiosos em níveis surpreendentes. Mas o triste mesmo é que, mesmo pela dor, levamos tempo demais para ver o óbvio. E haja chibatadas da vida em nossos lombos doloridos.
Mas quando mudamos, nem que seja um tiquinho assim, somente um pequenino passo para frente, a vida inteira muda.
Mudando, muda a maneira como as pessoas interagem e reagem à gente; muda a energia que ronda nossa vida, mudam os acontecimentos, muda-se o foco dos problemas.
Mudando, crescemos; crescendo, amadurecemos; e amadurecendo, aprendemos a lidar melhor com nossos defeitos, com as pessoas que nos rodeiam e com o mundo todo.
E, BINGO! Ficamos mais felizes. Mesmo com cinco quilos a mais e um carro enguiçado na garagem.
Custo benefício medido, pesado, avaliado e considerado suficiente.

Em 2012 eu pretendo continuar nesta peleja acirrada contra a preguiça e a cólera, sabendo que agora eu estou em vantagem, pois estou mais forte, mais malandra e mais armada. E ainda quero arrumar briga com a minha desorganização (um monstro de desorganização!) e com o juiz implacável que vive dentro de mim.
E a contar pelo tamanho da vontade com a qual eu quero que isto aconteça, tenho certeza de que, no início de 2013, estarei aqui outra vez, escrevendo mais uma vez e dizendo que saí, se não ilesa, pelo menos vencedora desta batalha.
Apanhando, mas batendo também.
Que 2012 seja lindo de viver, minha gente.
E que possamos sair dele mais fortes do que quando nele entramos.