31 maio 2011

Movido apenas por...?

Li uma entrevista com o mega empresário Marcelo de Carvalho, que além de mega empresário é um dos donos da RedeTV!, apresentador & padrasto de um dos filhos do Mick Jagger. Isto não importa. O que importa é que, nesta entrevista, concedida à revista Playboy, Marcelo conta sua trajetória empreendedora e etc, e mostra porque de rapaz classe-média se tornou um mega empresário mega rico apresentador do mega senha.
Lá pelas tantas, perguntado pela repórter se venderia sua parte na RedeTV!, Marcelo respondeu que não tinha planos, mas que, se alguém fizesse uma proposta, ele ouviria e, sendo boa, venderia sim.
Sei lá, eu fiquei meio chocada. Talvez porque seja eu uma pessoa que, de fato, desenvolve laços fortíssimos com tudo com o qual me envolvo, e o trabalho faz parte deste tudo. Se eu fosse dona de metade de uma emissora de TV, certamente teria por esta metade um carinho tão profundo, tão especial, que me impediria de vendê-la, não importando a quantia oferecida. Se eu fosse dona de metade de uma emissora de TV, seria porque amaria aquilo, e sem aquilo não poderia viver sem morrer de tédio; logo, nenhum dinheiro do mundo pagaria esta satisfação que tal trabalho me daria.
Mas, vejam bem: eu sou uma sonhadora, besta e ingênua, e não estou me colocando contra o posicionamento (bem-sucedido, diga-se passagem) de Marcelo de Carvalho. Muito, muito, muitíssimo pelo contrário. Marcelo é um investidor e, como todo bom investidor, está em busca de dinheiro. Ele é dono de uma parte da RedeTV!, mas não é apegado a isto. Não desenvolveu laços fortíssimos e profundos com este empreendimento porque tal atitude o impediria de lucrar mais – e ele somente o mantém por causa dos lucros. Natural então que, se alguém lhe oferecer mais lucros para que ele o venda, ele o venderá, ora, porque não?
E por mais que isto soe um pouco agressivo e politicamente incorreto para nossa sociedade romanesca e idealista, esta é a realidade. É atrás de dinheiro que Marcelo de Carvalho está, e é atrás de dinheiro que está a maioria de nós, e não tem nada de errado nisto num mundo onde você paga caro até para abrir a janela e deixar o sol entrar.
Porém, foi depois de ler esta parte de sua entrevista que antevi meu pior defeito, meu grande erro, meu equívoco capital, que pelos mais românticos pode ser tomado por qualidade: eu não sou movida única e exclusivamente por dinheiro.
É claro que eu preciso dele, assim como todo mundo precisa, e trabalho porque quero ter recompensas, e entre estas recompensas está ganhar dinheiro e viver confortavelmente. Mas espero outras recompensas também, e é aqui que reside o mal maior.
Preciso sentir satisfação no que faço. E encontrar algum sentido nisso. Preciso desenvolver com o meu trabalho uma relação maior que simplesmente financeira: preciso amá-lo, senão não dá. Não posso passar oito horas por dia - ou mais - desempenhando uma atividade que nada me diz nem me faz algum sentido. Considero de fundamental importância acreditar no que se faz, independente se você corta lenha, pinta muros, é ator em Hollywood, trabalha em Wall Street, vende seguros de vida ou herbalife.
Isto, convenhamos, limita um bocado o meu leque de opções e, pior: o leque de opções lucrativas.
O que explica o fato de, aos 26 anos, eu não ter um metro quadrado de chão onde cair morta, nem um mísero salariozinho mínimo a receber ao final de cada 30 dias. Quando penso no que posso fazer para ganhar um dinheiro e manter minha dignidade, mil idéias me vêm à cabeça, mas mais da metade delas eu descarto porque elas não me movem, não me excitam, não fazem sentido nenhum para mim.
Marcelo, com 14 ou 18 anos, não importa, passou a exportar calcinhas e badulaques para o Uruguai, e foi ali que iniciou seu império. Eu, com 14 ou 18 anos, queria era fumar cigarros escondida das professoras no banheiro do colégio, namorar e ser uma escritora de sucesso mundialmente conhecida, tipo o Paulo Coelho, haha. É sério. Não pensava em ganhar dinheiro; pensava em sentir prazer, em fazer o que eu gostava. O mesmo aconteceu quando entrei pra faculdade. Não fui atrás de nenhum curso cujo mercado de trabalho se mostrasse promissor. Não! Fui atrás de um no qual eu pudesse escrever e desenhar, duas coisas que sempre me entusiasmaram de verdade. Deu publicidade na cabeça. Estudei e me formei, depois de cinco anos e muitos mil reais investidos numa faculdade que jamais, e eu disse JAMAIS, me deu algum retorno financeiro. Me deu outros retornos, é verdade, como grandes amigos, memoráveis festas, lembranças sensacionais e boas histórias para contar. Mas nada disso, meus amigos, paga o meu aluguel que, aliás, já está para vencer.
O pior é que hoje, quando penso sobre tudo isso e o remorso por ter feito escolhas, no mínimo, equivocadas, chega chegando, paro e vejo que, se pudesse voltar atrás, faria tudo igualzinho novamente.
O que só comprova minha burrice, pois é o que são aqueles que persistem no erro.
Mas é que eu não poderia, não conseguiria, não quereria e não teria a menor chance de fazer, por exemplo, uma faculdade de engenharia civil só porque o mercado de trabalho promete. Nem poderia exportar calcinhas para o Uruguai, mesmo que isso enchesse meus fadados e ocos bolsos de dinheiro, porque não faria nenhum sentido para mim exportar calcinhas para o Uruguai. Não sou uma investidora, sou uma apaixonada. E isto, caros e caras, é uma merda, ao contrário do que podem imaginar os poetinhas.
Dizem os bem sucedidos que, para se ter sucesso na vida, é preciso, antes de tudo, fazer o que se gosta. Quem trabalha por obrigação jamais terá algum sucesso, muito menos algum dinheiro, e muito menos ainda alguma realização pessoal. E eu acredito piamente nisso. O problema é quando a maioria das coisas que você gosta de fazer pagam salários de fome – quando pagam.
Existe uma música do Reynaldo Bessa e do Zé Rodrix, cantada lindamente pelo Ira!, que diz: movido apenas por amor vou em frente. E eu poderia, tranquilamente, tatuar esta frase no meu braço, bem ao lado daquela que diz cada um de nós é um universo.
E ser movido por amor, meus queridos leitores imaginários, só é bonito na literatura, na novela, no cinema, no teatro, ou quando acontece com os outros - especialmente quando os outros são herdeiros de milhares de milhões - o que definitivamente não é o meu caso e, provavelmente, nem o seu.
Mas e aí? O que fazer? Se sujeitar a um trabalho medíocre (conceito absolutamente pessoal, entendam) e ganhar uma graninha amiga, ou fazer o que se ama e morrer de fome?
O segredo é o MEIO-TERMO. Tudo em maiúsculo, porque é o meio-termo o segredo do universo.
Houve um dia em que eu acordei, sentei na cama e pensei: preciso ganhar dinheiro gente! E para isso, preciso parar de escrever ou, ao menos, diminuir o ritmo, para utilizar uma parte deste tempo para me dedicar a alguma tarefa que me pague bem. Ou que só me pague, coisa que a literatura nunca fez. Afinal, devemos trabalhar por amor, sim, mas lembrando que o locatário do seu apartamento não recebe o aluguel em amores.
Por isso, passei um longo tempo matutando arduamente sobre o que eu gostava e poderia fazer e que me daria um dinheiro. Parece simples, mas não é. E após pensar até cozinhar meus miolos cheguei a algumas conclusões, e estou me dedicando a isto agora.
Contudo, apesar da minha escolha ser referente a algo que eu gosto, que me dá prazer e faz, para mim, algum sentido, ainda tenho certeza absoluta de que nunca reunirei sob meu comando um grande patrimônio. Nunca serei rica, nunca serei um exemplo de mulher-moderna-bem-sucedida.
E por quê?
Porque movida apenas por amor vou em frente.
E é sempre apenas por amor que eu reduzo.
Quer saber? Não importa.
Importa é que faça algum sentido me dedicar a uma única coisa durante oito horas por dia - ou mais - todos os dias da minha vida.
Mas ainda assim, Marcelo de Carvalho: TE INVEJO.
E quero ser como você na próxima encarnação.
Porque nessa, já era.
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BEIJO!

21 maio 2011

Atencão moças de Passo Fundo & região.

Oioioi.
Passando para deixar uma dica bacanérrima para as belas meninas de Passo Fundo – ou aquelas que puderem se deslocar até lá numa quarta-feira à tardinha.
É que assim ó: como quem passa pelo Blogue da Jana já está careca de saber, estou fazendo um curso de maquiagem no Instituto Embelleze. E como a maquiagem, assim como quase tudo nessa vida, é mais prática do que teoria, estamos precisando desesperadamente de modelos dispostas a entregar seus lindos rostinhos para nossos pincéis.
Não, girls, você não ganharão dinheiro com isso, mas vejam pelo lado positivo: tampouco precisarão pagar, iés.
Então se você está interessada em ganhar uma maquiagem de graça (o que é de graça nesse mundo hoje em dia hã? HÃ?), basta que me mande um e-mail através do 3am.jana@gmail.com ou jana.lauxen@hotmail.com dizendo que sim, gostaria, e compareça no Instituto Embelleze, que fica na rua XV de Novembro, 777 – sobreloja, numa quarta-feira, que pode ser a próxima, ou a próxima, ou qualquer próxima quarta-feira até o início de agosto, que é quando o curso termina.
Lembrando que estaremos por lá todas as quartas, entre 18:30 e 22:30.
Se joga, gata, e não perde essa oportunidade não.
Aguardo seus e-mails em minha caixa de entrada, combinado?
BEIJA.