26 janeiro 2011

Uma Térmica de Café Espacial

Não sei onde estava com a cabeça – mas desconfio – que me esqueci total e completamente de falar das mil e uma novidades da querida Café Espacial.
Mas como sou adepta da doutrina do antes tarde do que nunca, cá estou para atualizá-los sobre tudo e mais um pouco.

* Dia 21 de dezembro foi o lançamento da Café número 8, em Marília, no Café do Lado. A capa é do artista André Diniz Fernandes e você pode saber mais sobre esta edição clicando aqui.
TUDO LINDO.
É só o que eu tenho a dizer.
.

* A Café iniciou 2011 desembarcando em terras portuguesas, mais especificamente na Bedeteca de Beja, uma espécie de biblioteca que disponibiliza material nas áreas de ilustração, cartoon e cinema de animação. O acervo inclui também centenas de álbuns, revistas e fanzines, além de uma galeria de exposições temporárias (é lá que nós estamos!), o auditório e a loja, onde podem ser adquiridas as edições da própria Bedeteca.
Confira aqui toda a programação e, se estiver pelos lados de Portugal até final de janeiro, dê um tempo no bacalhau e vai conferir a exposição.

* Dia 15 de janeiro rolou o lançamento da Café Espacial em Curitiba e, como sempre, foi tudo muito legal. Só estou falando sobre isso para poder postar aqui o cartaz-convite do evento, que ficou incrível.


* O Sergio Chaves, um dos editores da Café, deu uma entrevista bem legal para o Blog dos Quadrinhos, do UOL, onde fala, entre outras coisas, da decisão da revista de se desligar do coletivo Quarto Mundo. Leiam aqui.

E o Ignácio de Loyola Brandão que falou da Café Espacial no Caderno 2 do jornal Estadão?
Morremos, claro.
Ah, você duvida?
Clique aqui então.


Também foi lançado, em novembro do ano passado (Jesus, desatualizei sobremaneira!) o Expresso Café Espacial, com o objetivo de complementar o trabalho realizado com a revista, e também, é claro, de comemorar os três anos da nossa primeira edição.
A distribuição é gratuita nos pontos de venda da revista, e em breve estará disponível para download no site.
Avisarei.
Prometo.


Quer dizer, muitas novidades bacaníssimas.
Aproveite a onda e adquira sua Café comigo, através do e-mail jana.lauxen@hotmail.com, ou com o Sergio Chaves, no e-mail cafeespacial@gmail.com

AH! E dia 29, tem lançamento da Café Espacial #8 em São Paulo.
Vão, gente!

18 janeiro 2011

O Malucão e a Jana

Creio que todos nós vamos concordar que o mundo está cheio de malucos.
Não que eu ou você sejamos Os Normais, mas convenhamos que a cota para doidos e dementes em geral está esgotada neste nosso planetinha febril.
E as pessoas se perguntam: o que está acontecendo, afinal?
Eu creio que tenho uma resposta. Uma não. Duas.
A primeira é que chegaram os tempos em que ninguém mais esconde quem é. Aquela velha hipocrisia, o fadado bailinho de máscaras na qual dançava ritmadamente toda a sociedade ruiu, acabou, chegou ao seu derradeiro final. Você é tosco? Pois não irá mais conseguir esconder que é tosco. E, claro, esta falta de máscaras e disfarces gera uma ebulição de sandices, uma efervescência de insanidades porque, quem antes se escondia, agora não se esconde mais, porque não pode, porque não consegue.
Esta é a minha teoria de número um, ligada a uma filosofia mais transcendental.
Agora, minha teoria de número dois não tem nada de filosofia e muito menos de transcendental. Ela é bem prática mesmo, e diz mais ou menos assim: os malucos estão aí, fazendo a festa, porque nós, os menos malucos ou ‘quase-normais’ (sim, porque normal, normalzão mesmo, ninguém é) ficamos calados.
E ficamos calados pelos mais diferentes motivos: por medo, por pena, para preservar nossa intimidade e nossa integridade ou até mesmo para poupar nossa família e nossos amigos de encheções que consideramos desnecessárias.
Só que o nosso silêncio serve, tão somente, para alimentar ainda mais os devaneios do maluco, que interpreta nossa discrição como estímulo, e não como “ó, tô cagando e andando pra ti”.
Reparem: todo mundo que sofre alguma espécie de assédio ou violência, seja física ou verbal, se cala durante muito tempo, até que, não suportando mais, fala. No fim, abre o jogo. Quando está a ponto de explodir, coloca as cartas na mesa.
E foi o que fez, muito sabiamente e corajosamente, minha amiga e xará Jana Lisboa. Vocês a conhecem, do blog Sunflower Records, do E-Blogue.com, da coletânea Assassinos S/A e de muitos outros lugares virtuais.
Houve que, ano passado, recebi um e-mail da Jana, enviado para mim e para vários outros amigos blogueiros seus, relatando uma história de arrepiar até os pelos pubianos da Claudia Ohana: um belo dia, Jana passou a receber comentários em seu blogue deste sujeito aqui, que variavam dos elogios mais exagerados até as ofensas eróticas mais mesquinhas. Jana fez o que qualquer um faria em seu lugar: ignorou.
O tempo passou e os comentários de seu blogue, bem como sua caixa de e-mails, continuaram contabilizando mensagens nefastas deste pobre rapaz, que aqui chamaremos de O Malucão. Então. O Malucão continuou a atormentando, até que um dia enviou-lhe um e-mail dizendo que estava indo para sua cidade lançar um livro, e gostaria de convidá-la para o tal evento. Jana mentiu que não estaria na cidade no dia e desejou-lhe boa sorte.
Ok, a vida seguiu.
Aconteceu que numa manhã de um sábado qualquer, Jana recebeu o telefonema de sua irmã, avisando que havia um amigo dela, de São Paulo, sentado no sofá da sua sala, em Fortaleza. Jana levou algum tempo para se dar conta de que o amigo de São Paulo era O Malucão. Quando isso aconteceu, entrou porta adentro de sua casa aos berros, exigindo explicações sobre o que O Malucão fazia ali. E O Malucão, comprovando sua maluquice elevada ao cubo, respondeu que não havia lançamento de livro nenhum: ele havia saído de São Paulo e se deslocado até Fortaleza porque leu um texto da Jana sobre depilação e achou que ela estava pensando em se suicidar. Oi?
Detalhe mórbido: até hoje, Jana não faz a menor idéia de como O Malucão encontrou sua casa, tendo em vista que ela nunca forneceu seu endereço em lugar nenhum e que o número do telefone, que consta na lista telefônica da cidade, está no nome de seu irmão, cujo sobrenome é diferente daquele que Jana usa para assinar seus textos na internet: Lisboa. Neste ponto precisamos admitir: tem coisas que só um Malucão faz por você.
Então Jana e sua família falaram com a mãe d’O Malucão, que garantiu que o filho era malucão mesmo, porém inofensivo, e o resumo da ópera é este: O Malucão parou de atormentá-la por um tempo e agora voltou com força total, repetindo os comentários grosseiros e os e-mails inconvenientes.
No seu limite, Jana fez o que todos fazem quando chegam ao seu limite: estourou. E seu estouro resultou nesta postagem em seu blogue, que eu sugiro a todos ler e comentar.
Porque estou contando tudo isso?
Para dizer que, não, não podemos nos calar quando sofrermos qualquer espécie de intimidação, ameaça, agressão. Não podemos ficar em silêncio, contando com o bom-senso de gente que sequer sabe soletrar bom-senso.
Estes malucões, que existem as pás e que, por motivos que desconhecemos, OBECECAM em uns e outros, são, sim, pessoas ameaçadoras. Eu, particularmente, nunca duvido da capacidade de ser uma besta que todo mundo possui. Vejo que muitos, que duvidaram da capacidade de ser uma besta de um malucão, acabaram mal. Porque, contando com a discrição e com o medo que acreditam fomentar em suas vítimas, a malucagem de um malucão pode tomar proporções catastróficas, e terminar pessimamente.
Eu, assim como todo mundo que anda sobre esta terra, já tive malucos na minha vida. Sim, tive. Um, em especial, eu até namorei. E como todo mundo, mantive-me calada, por medo, por pena, etc. E fiquei assim, em silêncio sepulcral, até que meu balde encheu e eu saí Brasil afora, falando, falando, falando sobre tudo.
E fiz isso por dois motivos principais: o primeiro era para o maluco saber que, se alguma coisa acontecesse comigo, haveria mil testemunhas que poderiam dizer: sim, foi ele, ela me contou.
E segundo para mostrar que, se eu não tinha a força física e a psicopatia latente que ele tinha, eu possuía, pelo menos, voz. E uma voz saliente, diga-se de passagem. Por isso dei voz a todos os meus fantasmas. Se ele queria me tocar o terror, que tocasse, mas eu tocaria de volta.
Ele precisava saber, definitivamente, que não era tão forte nem tão assustador quanto imaginava.
Resultado: o malucão sumiu.
Porque, de uma coisa vocês podem ter certeza: esses malucões nem são tão malucões assim. Eles se aproveitam da nossa intimidação e do nosso medo para supervalorizar uma maluquice que, a bem da verdade, nem é tão maluca assim.
Eu só faço um questionamento para avaliar o grau de maluquice de um malucão: ele rasga dinheiro? Se não rasga, não é tão maluco quanto pode querer parecer.
E, como disse acima, de médicos e loucos todos temos um pouco, e se tem um maluco te incomodando, mostre para ele que você pode ser tão ou mais maluca que ele.
E você pode, acredite.
Então, minha brava gente, este post é sobre isso: enfrente seus malucos. Não se calem perante eles, não lhes dêem mais forças do que eles têm, não lhes mostrem que vocês estão cagados de medo.
Todo mundo já precisou enfrentar um, e se você ainda não, prepare-se, pois vai precisar, mais cedo ou mais tarde.
E a melhor maneira de enfrentar um maluco é colocá-lo em evidência, é desmoralizá-lo, é dar nome e sobrenome e mostrar que você não tem medo dele – mesmo que tenha.
Escondê-lo, calar-se, dissimular e fingir que nada houve só servirá para deixá-lo ainda mais se sentindo o rei da cocada preta, e tudo que um maluco não deve se sentir é o rei de qualquer coisa. Porque, aí sim, ele passa a ser perigoso de verdade.
Por isso, parabéns Jana, minha doce xará.
Conte com a gente para o que der e vier.
E, Maluco da Jana: arrume o que fazer, bróder. Existe um mundo bonito lá fora, além das fronteiras virtuais. Fica minha dica. Beijo na família e se liga.

15 janeiro 2011

AQUI JAZ: FUTEBOL

Quando o Internacional, meu time querido, perdeu o Mundial de Clubes para o obscuro Mazembe, em 14 de dezembro do ano passado, eu chorei.
Chorei de enfiar a cabeça entre as pernas e soluçar e ficar com os olhos vermelhos e inchados.
Meu marido, compadecido de minha penosa situação, me abraçou e disse uma coisa que ficou martelando na minha cabeça por vários dias:
- Jana: se os jogadores, que perderam dinheiro, não estão chorando, por favor, não vá você chorar.
Essa frase doeu mais do que os dois a zero que levamos do time africano. E só doeu mais porque é a mais dura, crua e indecorosa realidade.
Eu não sou ingênua e, creio que a esta altura do campeonato, ninguém mais seja.
Não é de hoje que sabemos que aquilo que movimenta todos os clubes de futebol, sejam do Brasil, sejam do resto do mundo, são os cifrões, e não mais o amor pela camiseta. Aparentemente, não há amor de jogador que resista a alguns zeros a mais no contracheque.
Futebol arte?
Vaga lembrança de um passado que eu, do alto dos meus 26 de idade, não vi, não vivi; só ouvi falar.
Isso dá nojo.
Não.
DÁ NOJO, com caps lock e tudo.
Mesmo que por detrás de um time haja uma empresa, é a paixão que mantém os torcedores – e são os torcedores quem mantém os times.
E é justamente por causa desta paixão – que, como toda paixão, é cega, burra, surda e completamente louca – que torcedor nenhum entende quando, por exemplo, um jogador-ídolo, que há pouco tempo atrás jurava paixão incondicional pelo seu clube, troque-o na maior cara dura só por causa de alguns níqueis a mais no final do mês. E o que mata é que este mesmo jogador, que largou o time pelo qual se dizia apaixonado por causa de um salário maior, já está mais cheio de dinheiro do que seu cofre é capaz de suportar. Ou seja: nem precisaria se vender. Se vendeu porque quis; se vendeu porque é, indiscutivelmente, uma PUTA.
Sei bem como é isso.
Vivi na pele o desgosto de ver um ídolo cair quando nosso ex-capitão, Fernandão, O Desgarrado, foi assobiando jogar fora do Brasil porque ‘a proposta salarial era interessante’ e, quando voltou, nem pudor teve de ir em NOSSO ESTÁDIO e na frente da NOSSA TORCIDA fazer um gol contra o NOSSO TIME e ainda por cima SAIR COMEMORANDO EFUSIVAMENTE.
E é por isso que, apesar da imensa rivalidade, inimizade e desprezo, estou, neste exato momento, completamente apiedada do torcedor gremista.
E vou além: não apenas do torcedor gremista, mas de todo torcedor, de todo mundo que gosta de futebol e, gostando, compreende todas as nuances dessa paixão que não se explica – somente se sente.
Nem preciso contextualizá-lo, não é caro leitor?
Estou falando dessa novelinha bagaceira e mal escrita protagonizada pelo Ronaldinho e seu irmão, Assis, que colocaram a última pá de terra sobre o caixão onde jaz tudo aquilo que é (era?) bonito no futebol.
Assim que esta história toda começou a se desenrolar, e que ficou nítido que tudo não passava de uma questão de quem pagava mais, eu me lembrei do que disse meu sábio marido, naquele 14 de dezembro de 2010:
- Jana: se os jogadores, que perderam dinheiro, não estão chorando, por favor, não vá você chorar.
Essa frase ressoará no oco de minha cabeça para todo o sempre.

No meu mundo perfeito, todos os times interessados em Ronaldinho – leia-se Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Corinthias – deveriam, assim que perceberam o leilão ignóbil que Assis promovia do passe de seu irmão, se retirar das negociações. Isto sim, seria decente.
E digo mais: estes clubes deveriam se retirar das negociações contando com o apoio irrestrito de suas torcidas.
Mas não.
Quem pagou mais e chorou menos foi o Flamengo, e a torcida – pobre torcida! – estava lá, felizona. Vinte mil flamenguistas foram recepcionar Ronaldinho, O Prostituído, com festas e fogos. Como se ele merecesse!
Isto dói.
Mais do que perder o Mundial de Clubes para um time obscuro cujo goleiro pulula utilizando as nádegas.
Ver que todo o amor e toda a dedicação sincera da torcida – que vai ver os jogos e compra camisetas caríssimas e associa-se e, o mais importante: MANTÉM SEUS CLUBES FUNCIONANDO FINANCEIRAMENTE – é amoralmente utilizada para fazer com que meia dúzia de babacas, que sequer entendem de amor e dedicação, encham seus bolsos já abarrotados de mais & mais dinheiro.
Amor e negócios não costumam casar bem.
E por mais que eu entenda e, acredito, todos nós entendamos, que um time de futebol é, sim, uma empresa, e que precisa ser administrado como tal, seria pedir demais um pouco de decência, de ética, um mínimo de respeito pelo amor que os torcedores têm, não apenas pelo seu time, mas pelo futebol?
Reconheço, com pesar, que algo que já estava trincado em mim se quebrou, definitivamente, depois desta patacoada armada pelos irmãos Assis.
A réstia de esperança que ainda pulsava em meu coraçãozinho aflito de torcedora deu seu derradeiro suspiro.
Afinal como chorar, amar, torcer e gastar seus últimos dinheiros comprando camisetas oficiais ‘para ajudar o clube’ quando tudo que jogadores, técnicos, direção, empresários e Cia. Ltda. querem é transformar o futebol num mercadão livre e vulgar?
Já disse um espertinho, certa vez: “Amigos, amigos, negócios à parte”.
Ao que parece, os negócios estarão sempre à parte.
À parte do respeito, à parte da consideração, à parte da ética.
E em se tratando de negócios – e aqui pouco importa se negociamos carros, azulejos, pastel de feira ou nossa mãe – vale tudo.
E quando eu digo TUDO, quero dizer TUDO MESMO.
Até mesmo destruir e corromper com uma das poucas coisas que ainda despertam alguma paixão sincera e dão alguma alegria para nós, o fadado povinho brasileiro.
Oremos e choremos, prezados amigos torcedores.
É o que nos resta fazer.

03 janeiro 2011

Complicadas resoluções.

Virada de ano é a velha história: todo mundo de branco comendo uvas e lentilhas e fazendo listas de resoluções. Eu sempre achei as festas de final de ano meio xaropes porque tudo me parecia demasiado artificial, beirando a afetação. E nem falo das relações entre parentes que se odeiam e precisam dividir um chester no natal, mas do interminável protocolo das festas. É cheio de TEM QUE. Tem que ter peru à meia-noite e tem que ter árvore e tem que ter guirlanda e tem que comprar presentes e tem que ter Simone cantando ‘então é natal’ e ufa.
Reveillon então, requer uma verdadeira operação cerimonial. Tem que passar de branco e tem que comer porco e lentilha e pular ondas e estourar champagne e fogos de artifício e. Bem. Vocês já entenderam. Vocês conhecem bem todos os TEM QUE de festa de final de ano, tenho absoluta certeza disso. E era exatamente esta burocracia toda que me dava um tédio.
Mas o tempo passa e a gente cresce e descobre que existem problemas bem mais sérios do que se entediar com o natal e deixa isso para lá.
E é justamente porque vivi num passado nada distante esta rixa com as festas de final de ano que eu sempre procurei me abster das formalidades. A última lista de resoluções que eu fiz tinha 11 anos e entre elas estava ‘jogar menos videogame’.
Porém, 15 anos depois, cá estou eu, decidida a fazer novamente a tal da lista.
Como não sou maluca, coloquei nela apenas coisas que dependem de mim realizar - e somente de mim. Caso contrário precisaria contar também com a sorte, e sorte é o tipo da coisa com a qual temos de ter cautela.
O fato é que desta lista exclui coisas como emagrecer cinco quilos ou ganhar mais e comprar um carro. Isto, por mais que pensemos o contrário, é fácil de obter. Um pequeno esforço e as chances de conseguirmos, ou chegarmos muito perto de, aumentam vertiginosamente. O que não entendemos é que, na maioria das vezes, nossos problemas não se resolvem emagrecendo, ganhando mais ou andando de carro novo. Isto pode, sem dúvidas, nos satisfazer momentaneamente, mas honestamente não é o que vai tornar nossas vidas melhores.
É claro que preferimos pensar que, sim, é claro que vai tornar nossa vida melhor. Afinal, o ser humano é adepto ferrenho da lei do menor esforço, e no fundo todo mundo sabe que é mais fácil comprar uma Ferrari amarela do que deixar definitivamente para trás velhos e desprezíveis hábitos.
Nunca vi em lista de resolução de ano novo ‘ser menos egoísta’. ‘Tratar com mais afabilidade os outros’. ‘Ser mais tolerante e menos ferino’. ‘Exercitar a paciência’. Não. Ninguém pensa em mudar a vida que acontece dentro de cada um de nós; estamos interessados apenas na vida aqui fora – aquela que não faz sentido nenhum. E então temos um carro, estamos magros e ganhando bem e somos estressados. Agressivos. Impacientes. Preconceituosos. Estúpidos. Mal educados.
Infelizes e insatisfeitos, outra vez.
Do que adianta, eu pergunto?
Esta lista que busca resolver os problemas que de fato interessam é muito, mas muito mais difícil de cumprir.
Porque estamos de tal forma enraizados em antigos e odiosos hábitos, que abandoná-los é quase uma mutilação. Sabemos quais são os nossos erros,  e mesmo assim continuamos errando, batendo com a cabeça na parede, teclando a mesma tecla quebrada com compulsão. Aliás, é impressionante nossa incapacidade de aprender com  os nossos erros, mas isso já é outra história.

Creio que precisamos, todos nós, sem exceção, parar, sentar, pensar e escrever num papel quais os defeitos vamos nos comprometer a trabalhar para abandonar neste ano que se inicia. Naturalmente não podemos ser exagerados e querer virar Jesus Cristo em três centenas de dias, mas dá para começar aquilo que será uma verdadeira mudança em nossas vidas. E para melhor.
O meu mal, por exemplo, chama-se cólera e preguiça.
Sou daquele tipo de pessoa que é adorável e querida, desde que tudo caminhe conforme eu quiser. Desde que não me contrariem. Caso contrário, deus do céu.
E a preguiça, essa vilã. Me esforço diariamente para vencê-la, mas quando vejo lá estou eu me entregando para ela, despudoradamente.
Não dá mais para viver assim, e carro nenhum, salário nenhum nem cinco quilos a menos me tornarão alguém mais feliz, se eu continuar dando vez e voz para estes males que, apesar de parecerem inofensivos, podem ser fulminantes e fazer um tremendo estrago.
E acredito que assim como eu, o que todos almejam, essencialmente, é a felicidade. Seja através de que resolução for, o que as pessoas querem mesmo é sentirem-se felizes e satisfeitas. Todavia, penso que seguimos o caminho proporcionalmente inverso e por isso estamos cada vez mais malucos e isolados dentro de nós mesmos.
Então este ano vamos tentar ser pessoas melhores. E eu disse apenas TENTAR. Vamos pensar em pelo menos um defeito que nos faz sofrer e batalhar para derrotá-lo. E quando digo batalhar, não uso nenhuma força de expressão. Abandonar um velho jeito de ser é mais complicado do que parece, e exige um policiamento diário e contínuo para que não nos entreguemos aos nossos desastrosos instintos. Mas quando conseguimos vencê-lo, ah. Que delícia. Isto sim é felicidade. Saber que evitamos sofrer e fazer sofrer apenas por nossa máxima vontade. Sentimo-nos fortes, seguros e contentes porque vencemos a nós mesmos – nosso único, maior e mais destemido inimigo.
Parece pequeno e pedante falando assim, em um blogue, em um início de ano. Mas se você parar para pensar, verá que é a mais pura verdade.
Evidente que não precisamos esperar nenhum reveillon para parar de repetir as mesmas idiotices de sempre, e que só nos colocam em enrascadas. Mas já que é tempo de resoluções, que optemos por começar já.
Vamos tentar mudar para melhor neste 2011, meus amigos.
Sinceramente, é só o que eu posso desejar para todos nós.