15 novembro 2011

Editora Multifoco apresenta: Quadrinhos em História!

Editora Multifoco lança neste sábado sua primeira coletânea de histórias em quadrinhos.

Certamente quem escolheu o nome da editora Multifoco sabia muito bem o que estava fazendo: multifoco significa, naturalmente, muitos focos. Contrariando tudo o que dizem os especialistas em empreendedorismo - que garantem que o correto é ter somente um foco, e segui-lo obstinadamente - a Multifoco optou por focalizar em muitos e diferentes pontos, de modo a não deixar de fora nenhum foco de criação e arte produzida no Brasil. E é baseada nesta premissa que a Editora Multifoco lança agora sua primeira coletânea de HQs, reunindo quadrinistas e roteiristas de todo o país em uma compilação diferente, ousada e altamente desafiadora.
Coletâneas de HQs não chegam a ser novidades no Brasil. Mas esta esteve aberta ao público, que submeteu suas histórias em quadrinhos para avaliação, na busca por uma oportunidade de ver suas HQs saindo do papel e da tela do computador diretamente para a estante de todos aqueles que amam a fabulosa arte de contar histórias através de quadrinhos.

A ideia surgiu da cabeça da escritora Jana Lauxen e do editor da premiada revista Café Espacial, Sergio Chaves.
- Se existem no Brasil muitos escritores buscando seu espaço e um lugar para publicar suas histórias, evidente que há também muitos quadrinistas e roteiristas buscando o mesmo lugar embaixo do sol – explica Jana Lauxen, uma das organizadoras da antologia – Apenas tivemos que os encontrar e os reunir neste trabalho que, particularmente, eu achei sensacional.
A coletânea reúne, ao todo, 17 artistas, entre roteiristas, ilustradores e quadrinistas, e valeria somente pela capa, feita pelo artista Salu Santos.
- Há algum tempo que as HQs e os gibis deixaram de ser vistos com preconceito pelas pessoas e pelas editoras. Todo mundo leu HQs quando era criança, e estas mesmas pessoas, hoje, são leitores muito mais atentos e apaixonados por literatura. Desmerecer a importância dos quadrinhos é não ter nenhuma visão do seu fundamental valor na formação do novo leitor. Eu li gibis minha infância inteira, e por isso mesmo sou uma pessoa viciada em leitura. Mas se, quando eu tinha 10 anos, eu tivesse ouvido minhas professoras e lido Machado de Assis ao invés de Turma da Mônica, certamente teria horror de livros. As HQs alimentam os novos leitores, que, lendo, se tornam mais críticos, e se tornando mais críticos, aprendem a pensar por conta própria, se tornando cidadãos mais atuantes em nossa sociedade.
No entanto, continua Jana Lauxen, engana-se quem pensa que HQs são para crianças:
- Se for, então eu devo ter uns sete anos até hoje. Deverei ter uns sete anos para sempre.

O lançamento do livro acontecerá dia 19 de novembro, entre 18h e 21h, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126 – Lapa – Rio de Janeiro).
Quem não puder comparecer ao lançamento e tiver interesse em adquirir seu exemplar, é só entrar em contato com a Editora Multifoco através do telefone 55 21 25071901, ou pelo e-mail jana.lauxen@hotmail.com.
E conforme está escrito na apresentação do livro Quadrinhos em História: “As histórias em quadrinhos fazem parte de nossas vidas desde o berço, e quem não leu gibis não pode ser uma pessoa de confiança”.
Que bom que a editora Multifoco multifocalizou a arte produzida no Brasil.

07 novembro 2011

Editora Multifoco lança coletânea de crônicas ilustradas.

Com lançamento previsto para o dia 12 de novembro, a coletânea Crônico! (R$28, Ed. Multifoco, 100 páginas.), organizada pelos escritores Jana Lauxen e Beto Canales em parceria com a Editora Multifoco, reúne a nova safra de cronistas e ilustradores brasileiros.
São, ao total, 18 crônicas e 18 ilustrações, que reúnem o melhor de todo o material recebido durante a seletiva, que buscou, pelos quatro cantos deste Brasil, cronistas e ilustradores dispostos a colocar seus textos e ilustrações na avenida:
- Existem excelentes escritores e ilustradores em nosso país; infelizmente (e injustamente) em sua maioria ainda desconhecidos. Um dos principais objetivos da Editora Multifoco é encontrá-los e publicá-los. Uma forma de colocar leitores em contato com autores que, através dos meios de comunicação convencionais, nunca teriam a oportunidade de conhecer – diz Jana Lauxen, uma das organizadoras da coletânea.
A obra conta com autores do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia, entre outros, o que, segundo a organizadora da coletânea, só vem a somar no resultado final da obra, que considera pra lá de satisfatório.
- O Brasil é um país imenso, cheio de culturas diferentes e, naturalmente, de realidades e pontos de vista também diferentes. Reunir autores de diversos lugares do Brasil, cada qual com sua visão sobre situações completamente distintas entre si, trazem ao leitor um panorama atualizado da realidade brasileira. Além do que, é muito interessante descobrir o que pensam estes novos escritores que, de uma maneira ou de outra, também estão escrevendo hoje o futuro da literatura no Brasil.
Os textos que compõem a obra discorrem sobre os mais variados assuntos, indo desde literatura, Deus, galinhas, maconha e futebol, até festas, esperas, pêssego, vida e morte – todos retratados também por meio dos quatro ilustradores, que deram traço e forma aos textos que receberam.
O resultado desta miscelânea de autores, ilustrações, textos e temas poderá ser conferido a partir do dia 12 de novembro, data do lançamento da obra, que acontecerá no Rio de Janeiro, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126 - Lapa), entre 18h e 21h.


Quem não puder comparecer ao lançamento e tiver interesse em adquirir seu exemplar, é só entrar em contato com a editora Multifoco através do telefone 55 21 25071901, ou pelo e-mail jana.lauxen@hotmail.com.
Um livro que, sem dúvidas, sua estante merece guardar.

22 outubro 2011

Revisão Gramatical.

Oi gente.
Como alguns de vocês sabem, meu nome é Jana Lauxen, tenho 26 anos e, desde os 18 anos, quando descobri que amava literatura do mesmo jeito que amo bolo de chocolate, tenho trabalhado no meio literário, nas mais diferentes disposições.
Sou formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade de Passo Fundo (UPF), e autora do livro Uma Carta por Benjamin (Ed. Multifoco, 2009). Trabalhei como editora do Selo Literarte (Ed. Multifoco) e organizei, ao lado de outros escritores, as coletâneas Assassinos S/A (contos policiais, com Frodo Oliveira), Crônico! (crônicas brasileiras, com Beto Canales) e Quadrinhos em História (HQs, com Sergio Chaves).
Atualmente sou colunista da revista independente Café Espacial (Marília - SP), do jornal O Caiobá (Tapejara - RS) e da revista Zena (Recife - RE). Publiquei também a historieta Pela Honra de Meu Pai, pela Mojo Books, inspirada na banda Pata de Elefante.
Fui editora da versão brasileira da revista eletrônica inglesa 3:AM Magazine, e também uma das idealizadoras do projeto E-Blogue.com (in memorian). Participei de mais de 10 coletâneas, sendo a mais recente Galeria do Sobrenatural, da Terracota Editora. Se desejar, veja meu currículo completo clicando aqui.
Enfim.
Tudo isto serviu para que eu entendesse melhor como funciona e de que maneira se movimenta o mercado editorial no Brasil. E, seja no Brasil, seja no restante do mundo, uma coisa é fato: o novo autor, que deseja ser publicado por uma editora séria e comprometida, não pode, de jeito nenhum, enviar seu original para avaliação com erros gramaticais.
Parece óbvio, mas não é tão óbvio assim.
Durante os quase três anos em que trabalhei analisando os originais recebidos pela Editora Multifoco, vi muito livro com histórias muito boas, porém com erros gramaticais primários.
E porque isto acontece? Acreditem: não é porque o autor não domina as regras gramaticais.
Ocorre que o autor precisa se preocupar com o enredo, com os personagens, com o andamento do livro, com a lógica da história, e lê e relê seu próprio originais dezenas, às vezes centenas de vezes. Isto gera uma espécie de vício de leitura, onde, depois de tanto ler e reler, muitos erros gramaticais acabam passando despercebidos, como se simplesmente não existissem.
Sempre sugeri a estes autores que entregassem seus originais para alguém revisá-los gramaticalmente. Não somente alguém em quem eles confiassem (como a mãe e a vó), mas alguém que, de fato, dominasse a gramática, para que organizasse devidamente todas as correções.
Pois bem. Recentemente, já afastada de minhas funções de editora da Multifoco, por conta de novos trabalhos e desafios que vi surgirem, resolvi oferecer a estes autores meu trabalho como revisora gramatical. 
Uma forma dos autores garantirem que seus livros serão enviados para avaliação sem erros de português e de digitação, garantindo assim uma apreciação muito mais receptiva por parte das editoras, que simplesmente descartam livros que contenham muitos erros gramaticais - e descartam, meus amigos, podem acreditar.
Sabemos das dificuldades naturais que todo novo autor (ou nem tão novo assim) enfrenta para publicar em nosso país. Então, se podemos eliminar esta dificuldade, já estaremos um passo a frente de autores que não consideram esta revisão, feita por um profissional, tão importante assim.
Eu posso garantir aos autores que enviarem seus originais para minha revisão que seu livro será devolvido sem erros de português nem de digitação, por um preço acessível, num prazo curto e com facilidades de pagamento.
A correção já será feita dentro das novas regras gramaticais.

Os originais deverão ser enviados em fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5 em arquivo simples de Word, para o e-mail jana.lauxen@hotmail.com.
O investimento do autor será de R$1.50 (um real e cinqüenta centavos) por página, sendo a metade do pagamento feito à vista, no momento em que o autor envia seu original, e a outra metade na entrega do trabalho. O pagamento poderá ser feito através de depósito bancário ou boleto.
O prazo para a entrega do original revisado é o seguinte:
- Até 50 páginas: 10 dias*
- Até 100 páginas: 20 dias*
- Até 150 páginas: 30 dias*
- Acima de 200 páginas: 45 dias*
- Acima de 350 páginas: 60 dias*
* dias úteis.
Enviando seu livro devidamente corrigido, as chances de aprovação por parte de uma editora renomada crescem substancialmente. E digo isto porque já trabalhei com avaliação de originais, e sei que livros com erros gramaticais costumam ser sumariamente excluídos, antes mesmo do término de sua avaliação.
Aguardo seu contato, querido autor.
E qualquer dúvida, não deixe de escrever.
OBS.: Também trabalho com revisão gramatical de trabalhos escolares, monografias, teses, artigos. O preço é o mesmo, assim como o prazo de entrega.

06 outubro 2011

EU SOU GAY!

Então.
Vocês lembram que, há algum tempo atrás, eu publiquei aqui no Blogue da Jana (que, aliás, é um blogue muito gay) um texto falando sobre o Bolsonaro, o homossexualismo e os cães que ladram enquanto a caravana passa? Pois é. Neste post eu aproveitei para falar sobre um projeto lindo e lúdico chamado EU SOU GAY, onde pessoas de todos os lugares, raças, times, partidos políticos, cores e amores, independentes de sua opção sexual, deveriam enviar uma foto para o e-mail projetoeusougay@gmail.com com somente um dizer: EU SOU GAY (saiba mais clicando aqui).
O objetivo era, posteriormente, fazer um vídeo para ser divulgado no YouTube e por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e, principalmente, no monitor de várias pessoas mundo afora.
Imaginem vocês, meus leitores queridos e invisíveis, se eu ia ficar fora dessa!

CLARO QUE NÃO!
Mandei minha foto e aguardei o resultado final, que, aliás, está bem aqui embaixo. Mas antes, permitam-me copiar e colar o que diz a postagem do blogue oficial do projeto:
"Sim, somos muitos universos. E a quem ainda não acredita que um mundo com mais respeito e paz é possível, essa é a resposta que vocês têm a dar":

Vejam se não ficou de chorar, de tão bonito?
Eu amei para sempre.
Felizmente o projeto recebeu tantas fotos, mas tantas fotos (mais de duas mil e quinhentas!) que infelizmente nem todas puderam aparecer no vídeo – o que incluiu a minha.
Mas não há problema nenhum.
Me sinto muito, muito, muito feliz e honrada de ter podido participar de um projeto tão incrível, tão sensacional, tão bacana, e sugiro a vocês que, apesar do vídeo já estar pronto, continuem a enviar suas fotos com  os dizeres EU SOU GAY.
Todas as fotos – e eu disse TODAS – serão postadas no TUMBLR.
E se não for pedir demais, vocês bem que poderiam me ajudar, nos ajudar, a divulgar este vídeo tudo de bom por todos os lugares que existem no universo, né?
É a nossa forma pacífica de protestar contra uma bestialidade descabida, sem nexo, que virou mexeu aparece nas páginas dos jornais e na tela da televisão - quando não aparece bem embaixo das nossas fuças, da nossa casa, trabalho, do nosso portão - sem que consigamos compreender qual é o motivo para tanto ódio, para tanta violência.
É o nosso jeito de dizer CHEGA!
Porque somos do amor e queremos PAZ!
E, sendo hetero (serei?), eu nunca pude imaginar que teria tanto orgulho de dizer que EU SOU GAY.

22 setembro 2011

Café Espacial: TRI CAMPEÃ!

É com muita alegria e satisfação (e um pouquinho de atraso, admito) que o Blogue da Jana, o menor portal de opiniões da Internet, vem a público trazer uma estupenda novidade: a Revista Café Espacial, da qual esta que vos escreve é humilde colaboradora, ganhou pela terceira vez consecutiva o Troféu HQMix 2011 como Melhor Publicação Independente de Grupo.
Trata-se, na verdade, do quinto Troféu conquistado pela revista, se considerarmos que a Café já levou o Troféu Bigorna (2008) e o Prêmio DB Artes (2009). Isto sem contar a formidável indicação, em 2011, ao 38º Festival International de La Banda Dessinée de Angoulême na categoria ‘alternative’ – com a revista Café Espacial e com o informativo Expresso Café Espacial.
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Com a palavra, Sergio Chaves:
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“É uma honra conquistar mais um Troféu HQMix. Agradecemos a todos os leitores e colaboradores que tornaram o projeto Café Espacial possível. Premiações como esta é mais do que ganhar um troféu; é ver seu trabalho reconhecido e valorizado, um incentivo a continuarmos a apresentar trabalhos cada vez melhores”.
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A estatueta deste ano, feita pelo artista plástico Olintho Tahara, é do personagem Geraldão, de Glauco, falecido em 2010.
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Amay!
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O que mais dizer? Que tenho sorte, muita sorte, de fazer parte de um projeto tão bacana, tão profissional, tão querido, tão, tão, mas tããão legal que chego a ficar emocionada. É sério.
E agora?
Rumo ao tetra, é claro!
OBS: Para conferir os nomes dos premiados nas categorias deste ano clique aqui.

23 agosto 2011

O meu vô Rudy.

Na sexta-feira, dia 19 de agosto de 2011, um cartaz apareceu colado nas ruas de Carazinho: era uma nota de falecimento. A nota de falecimento do meu avô. Estava escrito ali, Luiz Rudy Becker. Fiquei olhando para aquele pequeno anúncio, quase imperceptível no meio da correria frenética da cidade, e pensando, incrédula: que absurdo. O vô Rudy não pode ter morrido. Isso não faz sentido nenhum. Mas a nota de falecimento dizia, repetia, gritava: Luiz Rudy Becker.
Meu avô foi e sempre será um grande cara. Trabalhou como prefeito, vereador, professor, foi condecorado pelo exército e muitas outras referências importantes, e as pessoas que o conheceram costumam se referir a ele como um homem, acima de tudo, trabalhador e honesto.
Porém o que todas essas pessoas não sabem é que, além de vereador, prefeito, professor, trabalhador e honesto, Luiz Rudy Becker foi meu avô. E digo mais: um grande avô.
Um tipo que levou ao pé da letra a história de que os pais educam e os avós deseducam. Um homem que mimou a mim e aos meus três primos a um nível que ultrapassou infinitamente o tolerável. Eu lembro bem. Ele nos levava para comprar brinquedos e, depois, quando minha mãe e minha tia olhavam torto para ele (“não deveria dar presentes assim, fora de hora e sem motivo algum!”), ele fazia uma cara de vítima e dizia: eles me obrigaram, sou inocente. E ria.
Além de prefeito e vereador, era Luiz Rudy Becker quem fazia uma pizza de salame abarrotada de cebola, que eu adorava e na qual me jogava sem medo de ser feliz. E comprava pacotes e mais pacotes de salgadinho, os deixando em cima do armário, a nossa disposição. No verão, sempre havia sorvete na geladeira, e ele comprava também as casquinhas porque, segundo ele, na casquinha o sorvete tinha mais sabor. Ir passar um final de semana na casa do vô era ir para o céu. Ninguém precisava de Disneylândia; éramos netos de Luiz Rudy Becker.
E na páscoa, então? Era certeiro! Todo ano ele escondia as cestas de chocolates no mesmo e indefectível lugar: atrás da mesa, na sala de jantar. Eu e meu primo nem procurávamos. Íamos direto e lá estavam elas. “Mas pai, porque você não esconde em outro lugar?”, indagava minha mãe, minha tia, minha vó. “Mas pra que fazê-los sofrer, procurando a cesta?”. Era o que ele respondia. Luiz Rudy Becker era um homem que sabia das coisas.
Um homem que, todos os dias, vinha me visitar logo depois do almoço, trazendo em suas mãos um monte de chocolates. Não havia dia em que faltasse.
Ah, e como eu lembro dele rindo!
Em toda a imagem do vô que surge na minha cabeça, ele aparece rindo. E é por estas, e por muitas outras, que eu gostaria de dizer que, sim, meu avô Luiz Rudy Becker foi um grande político, um grande homem, trabalhador e honesto, prefeito, professor, vereador, mas foi, antes, um avô sensacional. Este, sem dúvida, o título mais importante que ele conquistou, dentre todos.
O meu avô sabia surpreender através dos menores gestos. Um homem justo, lúcido e inteligente, que sempre preferiu dar a receber. De um coração gigante, de uma generosidade que parecia não ter mais fim. Alguém que, apesar de todos os problemas que o assolaram, especialmente em seus últimos anos de vida, jamais – e eu disse jamais – abriu a boca para reclamar. Muito, muito pelo contrário.
Hoje percebo, com clareza, que apesar de eu ter crescido, me tornado adolescente, arrumado namorados, depois um marido, e por fim ter me tornado adulta, o vô Rudy nunca deixou de me trazer chocolates todos os dias.
Até sexta-feira, 19 de agosto de 2011.
Ainda olhando aquela nota de falecimento ali, colada na minha frente, pude compreender algo de que não me esquecerei jamais: não era a toa que, na minha cabeça, era impossível meu avô morrer.
É que eu tive a sorte de ter, muito além do homem público que todos conheciam e respeitavam, um Luiz Rudy Becker que, para mim, não era ninguém mais além do vô Rudy. E na minha vida, eu estarei sempre no banco de trás de seu corcel marrom, indo comprar um brinquedo, esperando ele chegar com os chocolates depois do almoço, procurando a cesta de páscoa, comendo salgadinhos e bombons e tomando sorvete na casquinha, sentada no chão de sua sala. Ele me olhando e sorrindo feliz.
Eu vi meu avô ser tudo aquilo que dizem que ele é, e a lição de integridade e honestidade que ele deixa marcada em mim, não há como agradecer e muito menos apagar. Não há como morrer.
O mundo agora é um lugar mais triste e menos vibrante sem Luiz Rudy Becker.
Mas no meu mundo não existe nenhuma nota de falecimento. Eu o mantenho intacto, do jeito que ele sempre foi e será para mim: o vô Rudy.
Aquele que só eu tive, e que comigo seguirá vivo e sorrindo, para sempre.


11 agosto 2011

Mais um texto clichê para Amy Winehouse.

Neste texto que, tardiamente, escrevo para Amy Winehouse, eu poderia dizer muitas coisas, sendo que a maioria destas coisas já foi dita a exaustão: que Amy era um gigante da música contemporânea. Que cantava lindamente. Que tinha estilo, presença e muita originalidade. Que suas letras faziam mais sentido do que nossa vã filosofia poderia supor. Que era intensa e perturbadoramente verdadeira. Uma diva, em toda sua significação.
Mas, na minha cabeça, Amy, antes de ser tudo o que dizem que ela era - e ela era - era tão somente uma menina. Uma garotinha com planos, família, amores, fantasmas e vícios. Uma menina que amou até seu amor virar doença, e quando viu este amor terminar, achou que iria morrer junto com seu coração. Uma menina que, por saber que iria perder seu amor, manteve sempre uma garrafa por perto, e disse não, não, não para a reabilitação. Porque Amy não queria reabilitar-se; queria viver sua dor em sua plenitude, independente do quão politicamente incorreto isso podia parecer.
Amy conheceu a fama cedo, e cedo viu o mundo inteiro curvar-se aos seus pés. Mas não soube como lidar com tudo isso, e sucumbiu a si mesma porque, lembrem-se: antes de tudo e por de trás do delineador marcado e do cabelo armado, Amy era só uma menina. Uma menina como eu, você, sua filha, amiga ou irmã.
O que verdadeiramente dói em toda a história de Amy Winehouse foi a maneira triste e vulgar, porém nada surpreendente, com que o mundo consumiu não sua música, mas sua degradação, seus papelões públicos, seu desequilíbrio e agonia.
Amy era, sim, a alegria de todos que amavam a boa música, mas era também motivo de festa e renda para paparazzos e tablóides sensacionalistas que, tal e qual urubus, espreitam a surdina, só esperando a hora em que seu alvo desfalecerá para, mesmo vivo, consumir-lhe o resto de vida que lhe sobrou.
E o mais angustiante desta história toda é ter a certeza de que, se existem paparazzos e tablóides sensacionalistas, é porque existe muita gente que, doentiamente, consome estas notícias com o mesmo prazer mórbido que sentimos quando vemos um inimigo cair. Mas Amy não era inimiga de ninguém, além dela mesma. E isto foi um prato mais do que cheio para que o mundo assistisse na primeira fila deste circo de horror, aplaudindo e comendo uma pipoquinha, sua peregrinação rumo à morte certa.
Amy se matou, é verdade, mas foi também assassinada. Tal e qual Lady Diana, a princesa de Gales, que foi perseguida por fotógrafos malucos que não sossegaram enquanto seu carro não espatifou-se em um túnel escuro. Antes de chamar a ambulância para tentar salvar-lhe a vida, consideraram mais prudente fazer algumas fotos. “Vão valer uma fortuna”, “Preciso comprar o leitinho das crianças”, “Cada um se vira como pode”, “Etc”.
De um jeito ou de outro, todos aqueles que consumiam mais o martírio de Amy do que sua boa música (e como é boa, meu Deus!), foram também co-autores deste crime que deixa órfãos todos aqueles que pouco se importavam se Amy bebia, batia ou caía: o que nós queríamos era vê-la cantando, brindando nossos ouvidos e corações com toda sua verdade que, de tão intensa, parecia doer na gente também.
Nós só queríamos Amy viva e bem.
As fotos, resultado desta perseguição maquiavélica pela sua desgraça mais recente, estão aí para comprovar: Amy devastada, atirada nas calçadas, maquiagem borrada, pés ensangüentados, batendo em fãs e fotógrafos, caindo no palco, errando letras, seminua e aos prantos durante a madrugada. Imagino que as fotografias eram escolhidas a dedo: a mais degradante será publicada. Quanto pior melhor. Que se dane Amy.
Eu sei. Ninguém a obrigou a usar drogas, nem a cair em calçadas ou andar seminua e aos prantos madrugada adentro. A diferença está em como sua tragédia pessoal foi tratada, sem nenhuma compaixão nem muito menos generosidade. Ninguém se preocupou em preservá-la, ninguém quis saber que muito ajuda quem não atrapalha. Ninguém pensou que Amy poderia ser sua irmã, sua filha, amiga ou namorada.
Mas ela poderia.
Amy estaria viva se a tivessem deixado em paz? Nunca saberemos. Só sabemos que sua morte, no último dia 23 de julho, foi a cereja do bolo para esta imprensa marrom e detestável, que deveria estar na cadeia carregando pedras de um lado para o outro ao invés de estar aí, vendendo revistas e jornais e enriquecendo cada dia mais. “Não fui eu quem criou o sistema”, se defenderão alguns. Mas são de pessoas como estas que este sistema pérfido se alimenta para continuar existindo, e se o mundo é um lixo, não precisamos ser lixo também.
Ok, nada disso importa agora. Amy morreu. Uma morte anunciada e, porque não dizer, aguardada também. O triste fim de uma menina que poderia ser eu, você, sua filha, amiga ou irmã, e que gerou milhões para gravadoras e muitos outros milhões para estes abutres sanguessugas. Quem se importa se Amy era filha, era amiga, era irmã? Ela era apenas e tão somente alguém capaz de fazer o dinheiro multiplicar-se.
Estarão eles satisfeitos agora? Ou já estarão procurando sua próxima vítima, aquela ou aquele que passará a ser o perseguido da vez, o gerador de polêmicas e descalabros que esta imprensa tanto adora e, mais do que isso, necessita para continuar existindo? Deverão, creio eu, estar bem chateados. Sua fonte de níqueis secou.
Amy sai de sua história triste para entrar para o hall dos grandes que, tão cedo, nos abandonaram. Deixou a vida tal e qual a levou: solitária e entorpecida, assombrada por todos os demônios que a habitavam.
Que agora, longe dos holofotes e das câmeras indiscretas, possa Amy encontrar e usufruir daquilo que tanto lhe fez falta nesta vida curta e intensa que levou: a paz.
Durma com os anjos, Amy.
O pesadelo, pelo jeito, chegou ao fim.

19 julho 2011

A Árvore do Infortúnio, O Futebol & A Vida

Já escrevi aqui uma vez, mas me repetirei apenas para ilustrar esta introdução: certa ocasião me perguntaram por que diabos eu gostava tanto de futebol.
- Afinal, Janaína, qual o sentido de ver 22 homens suados correndo atrás de uma bola durante 90 minutos?
E eu respondi que era porque, na minha cabeça, o futebol e a vida tinham muitas coisas em comum. E como eu gosto da vida, natural que eu goste também do futebol. E disse mais: que se o futebol não fazia sentido, o que dizer então da vida? Pelo menos no futebol há um objetivo, que é fazer gol, já a vida.
Pois é.
Ninguém sabe direito qual a razão de ser.
O fato é que, quanto mais o tempo passa, e mais coisas acontecem em nossas vidas, e mais reviravoltas dá o futebol, mais eu percebo o quanto fui sensata quando, certa vez, comparei um com o outro.
Explico-me: há menos de um mês, Renato Gaúcho, ídolo e então técnico gremista, foi demitido (ou se demitiu, pouco importa) porque, segundo deu a entender a direção, era sua culpa, sua máxima culpa, os maus resultados do Grêmio. Achei um absurdo, mas, enquanto colorada, fiquei muito satisfeita, já que considero Renato Gaúcho não somente um baita técnico, mas um verdadeiro santo milagreiro – já que ele fez coisas pelo Grêmio que Deus está tentando entender até agora. E, acreditem: vocês não sabem o quanto eu odeio dizer isso.
Enfim.
Pois ontem foi a vez do Internacional ver o seu ídolo, Falcão, se despedir do comando técnico do Clube. Foi demitido, junto com Roberto Siegmann, nosso vice de futebol, por causa dos últimos resultados do Inter que, depois de ganhar por três vezes consecutivas, perdeu pelas mesmas três vezes consecutivas.
O Grêmio estava mal por causa do Renato e o Inter estava mal por causa do Falcão. The End.
Tudo muito simples. Tudo simples até demais.
Porém, é importante frisar: quem faz uma instituição de futebol? Quem faz o Inter, quem faz o Grêmio? Com certeza não é única e exclusivamente seus técnicos, tendo em vista que compõe um clube de futebol jogadores, auxiliares técnicos, preparadores físicos, direção e mais uma galera. E, tendo tanta gente envolvida neste imbróglio futebolístico, parece razoável mandar uma única pessoa embora e crer piamente que todos os problemas acabaram?
Óbvio que não.
No futebol, tal e qual na vida, as pessoas cometem o erro mais elementar que qualquer ser que respire e ande sobre esta terra é capaz de cometer: aparar os ramos da árvore que produz o mal, ao invés de arrancá-la pela raiz e ainda cavoucar bem com a enxada, que é para garantir. Varrer os problemas para debaixo do tapete ao invés de entrar com rodo e balde e fazer uma faxina geral na casa.
Por isso os problemas (os nossos, os de nossos times e os de todo o universo) nunca terminam: eles são, somente, resolvidos provisoriamente. Até que os ramos novamente cresçam e floresçam, até que não haja mais lugar para tanta poeira embaixo do tapete. Então o mal volta a nos assombrar e lá vamos nós podar os ramos, varrer a poeira e demitir os técnicos, num ciclo eterno e inútil que só cansa nossa beleza e acaba com a jovialidade da nossa pele.
Afinal é, e sempre será, muito mais fácil e simplório arrancar alguns ramos desta árvore pérfida do que ter todo o trabalho de removê-la em sua raiz. É mais cômodo e menos trabalhoso esconder a sujeira do que limpá-la de verdade com água sanitária e Veja Limpeza Pesada.
Parece-me evidente que tanto Inter quanto Grêmio vivem uma crise. Mas uma crise interna. A atuação dos jogadores em campo apenas reflete uma situação que se desenrola nos bastidores do futebol – aquele lugar onde nós, as crianças, não podemos brincar.
O time está ruim? Está. Então, ao invés de trocar o técnico, quem sabe se troca a direção, que geralmente é a mãe e a mantenedora de todos os problemas. Quem sabe se contrata jogadores, já que não existe técnico neste mundo capaz de tornar vencedor um time de pernas de paus e jogadores desmotivados. Quem sabe se inicia todo um novo processo de regeneração do Clube, que passa desde as finanças até sua organização estrutural enquanto instituição. Quem sabe elimina-se a politicagem e a corrupção, que sem dúvidas não assola somente nosso congresso; assola também o nosso futebol (beijo Ricardo Teixeira!).
Citei aqui Inter e Grêmio, mas qual time brasileiro não tem a mania de, ao menor problema, bastando engrenar duas ou três derrotas, ao invés de fazer uma auto-avaliação e encontrar a raiz do problema (ou da árvore), não acha mais fácil simplesmente trocar o técnico e pronto, fim, oba, tudo certo? Veja o caso do São Paulo: na estréia do Campeonato Brasileiro, se tornou o primeiro clube a vencer cinco partidas seguidas na história dos pontos corridos. Todo mundo feliz e alegre abrindo um champagne. Paulo César Carpegiani era o técnico mais sábio e extraordinário do sistema solar. Perdeu, em seguida, dois ou três jogos e Carpegiani foi rebaixado de super-técnico a culpado-maior por todos os problemas da vida do São Paulo. Terminou mandado embora abaixo de vaias e ovos podres. OI?
No Brasil é mais fácil o Sarney ir para a cadeia do que um técnico de futebol permanecer no mesmo clube por mais de um ano. Se ficar dois, é recorde digno de Guinness Book. Já na Europa, onde, além dos países, o futebol também é de primeiro mundo, técnicos chegam a passar mais de duas décadas atuando no mesmo time. Eu disse duas décadas! E estou falando de times do porte do Manchester United. Digam-me, caros leitores: vai dizer que, em 25 anos, o Manchester United nunca, nunquinha, nem uma única vez passou por crises, dificuldades, nunca perdeu um jogo ou um título? Evidente que sim. Mas lá, ao invés de todo mundo ficar histérico, dar gritinhos, bater o pé no chão e partir para a politicagem vulgar e barata de ‘dar uma satisfação aos torcedores’, eles param, pensam, identificam o erro (que, na maioria das vezes, não está no treinador) e resolvem. Cortam a raiz do mal. Batem o tapete na calçada e passam cera no chão. E aí sim os torcedores ficam felizes e satisfeitos: porque sabem que seu time está sendo comandado visando o bem geral, com soluções não somente a curto prazo, mas a médio e longo prazo também. Talvez por isso, Manchester United tenha doze títulos da Premier League, e seja, desde 1889, o maior campeão do Campeonato Inglês.
Falcão sequer teve tempo hábil para organizar o time – afinal, o que se faz em termos de organização em 99 dias? Eu não consigo organizar meu guarda-roupa em 99 dias! Mas nosso excelentíssimo presidente Giovani achou por bem mandá-lo embora, fazer um barulho danado e dar a impressão de que está trabalhando arduamente. E agora deve estar todo contente em sua sala, com aquela sua cara de quem comeu e não gostou, sentindo-se muito orgulhoso da sua decisão e afirmando para si mesmo que 'os torcedores não sabem nada do seu clube, agem somente pela emoção'. Lá está ele acreditando que acabou com todo o mal enquanto a árvore do infortúnio já se prepara para fazer nascerem novos ramos.
Pergunto-me se alguém o avisou que o Internacional, em poucos dias, estará na Alemanha, disputando a Copa Audi ao lado de ninguém mais ninguém menos que Barcelona, Milan e Bayern de Munique. E vai de que jeito, Senhor Doutor Presidente? Inseguro, atrapalhado, pisando em ovos. OREMOS, em Caps Lock.
Demitir Falcão e Renato Gaúcho foi, sim, uma estupidez imensa. Uma precipitação. Um descalabro. O Ó. Porque se Falcão e Renato deixaram o comando de seus times, a direção continua lá, os jogadores ruins e desmotivados continuam lá, a corrupção e as dívidas continuam lá, até o Ricardo Teixeira continua lá. Resumindo: a raiz do mal continua lá. E irá continuar se refletindo nos frutos desta árvore, que continuarão a germinar sem sabor, azedos, feios e estragados. Resultado este que aparecerá dentro dos campos e que acabará em uma dor de barriga abissal em nossos corações (e estômagos) de torcedores apaixonados.
Porque somos nós, os torcedores apaixonados, que teremos de comer desta fruta perniciosa, que teremos de engoli-la e digeri-la, custe o que custar.
Mas é como disse Falcão: “O Inter é maior do que qualquer pessoa. E certamente, no momento certo, terão pessoas com a grandeza do Internacional para dirigi-lo”.
E nós, torcedores, continuaremos bem aqui, comprando camisetas e DVDs, pagando nossa mensalidade de sócio em dia e acendendo velas para Santo Expedito, aquele das causas impossíveis, apenas aguardando o dia em que isso irá, finalmente, acontecer.


Obrigada, e até a próxima, Falcão.
E que a próxima esteja mais próxima do que possamos imaginar em nossos sonhos mais queridos.

12 junho 2011

Um Quadro para a Chelle

Lembram que eu disse que estava fazendo um quadro para uma amiga querida, que é psicóloga e se chama Chelle, colocar em sua sala de atendimento?
Não lembram? Tudo bem, memória fraca é uma benção.
Mas o fato é que, depois de muita enrolação, dor nas costas, calos bizarros e tendinites mil, eis que o quadro finalmente ficou pronto, ó:
.
O tamanho? 100cm x 90cm - O preço? R$850 - Você quer um? Beijo, me liga.
Ok.
A foto ficou BEM tremida, mas dêem-me um desconto, tendo em vista que nestas alturas do campeonato eu já havia ingerido 3 garrafas de cerveja e precisei subir em uma cadeira nada segura para fotografar o quadro de cima, já que ele é abissalmente grande.
O quadro foi feito todo com canetinhas. Sim, canetinhas, aquelas de 24/36 cores da Faber-Castell que você compra para seu afilhado rabiscar no papel e parar de te encher o saco.
É um trabalho que eu adoro, que me distrai, mas que acaba com meus ligamentos musculares, por isso preciso ter cautela.
Mas ficou maneiro, né?
Então tá. Feliz dia dos namorados.

31 maio 2011

Movido apenas por...?

Li uma entrevista com o mega empresário Marcelo de Carvalho, que além de mega empresário é um dos donos da RedeTV!, apresentador & padrasto de um dos filhos do Mick Jagger. Isto não importa. O que importa é que, nesta entrevista, concedida à revista Playboy, Marcelo conta sua trajetória empreendedora e etc, e mostra porque de rapaz classe-média se tornou um mega empresário mega rico apresentador do mega senha.
Lá pelas tantas, perguntado pela repórter se venderia sua parte na RedeTV!, Marcelo respondeu que não tinha planos, mas que, se alguém fizesse uma proposta, ele ouviria e, sendo boa, venderia sim.
Sei lá, eu fiquei meio chocada. Talvez porque seja eu uma pessoa que, de fato, desenvolve laços fortíssimos com tudo com o qual me envolvo, e o trabalho faz parte deste tudo. Se eu fosse dona de metade de uma emissora de TV, certamente teria por esta metade um carinho tão profundo, tão especial, que me impediria de vendê-la, não importando a quantia oferecida. Se eu fosse dona de metade de uma emissora de TV, seria porque amaria aquilo, e sem aquilo não poderia viver sem morrer de tédio; logo, nenhum dinheiro do mundo pagaria esta satisfação que tal trabalho me daria.
Mas, vejam bem: eu sou uma sonhadora, besta e ingênua, e não estou me colocando contra o posicionamento (bem-sucedido, diga-se passagem) de Marcelo de Carvalho. Muito, muito, muitíssimo pelo contrário. Marcelo é um investidor e, como todo bom investidor, está em busca de dinheiro. Ele é dono de uma parte da RedeTV!, mas não é apegado a isto. Não desenvolveu laços fortíssimos e profundos com este empreendimento porque tal atitude o impediria de lucrar mais – e ele somente o mantém por causa dos lucros. Natural então que, se alguém lhe oferecer mais lucros para que ele o venda, ele o venderá, ora, porque não?
E por mais que isto soe um pouco agressivo e politicamente incorreto para nossa sociedade romanesca e idealista, esta é a realidade. É atrás de dinheiro que Marcelo de Carvalho está, e é atrás de dinheiro que está a maioria de nós, e não tem nada de errado nisto num mundo onde você paga caro até para abrir a janela e deixar o sol entrar.
Porém, foi depois de ler esta parte de sua entrevista que antevi meu pior defeito, meu grande erro, meu equívoco capital, que pelos mais românticos pode ser tomado por qualidade: eu não sou movida única e exclusivamente por dinheiro.
É claro que eu preciso dele, assim como todo mundo precisa, e trabalho porque quero ter recompensas, e entre estas recompensas está ganhar dinheiro e viver confortavelmente. Mas espero outras recompensas também, e é aqui que reside o mal maior.
Preciso sentir satisfação no que faço. E encontrar algum sentido nisso. Preciso desenvolver com o meu trabalho uma relação maior que simplesmente financeira: preciso amá-lo, senão não dá. Não posso passar oito horas por dia - ou mais - desempenhando uma atividade que nada me diz nem me faz algum sentido. Considero de fundamental importância acreditar no que se faz, independente se você corta lenha, pinta muros, é ator em Hollywood, trabalha em Wall Street, vende seguros de vida ou herbalife.
Isto, convenhamos, limita um bocado o meu leque de opções e, pior: o leque de opções lucrativas.
O que explica o fato de, aos 26 anos, eu não ter um metro quadrado de chão onde cair morta, nem um mísero salariozinho mínimo a receber ao final de cada 30 dias. Quando penso no que posso fazer para ganhar um dinheiro e manter minha dignidade, mil idéias me vêm à cabeça, mas mais da metade delas eu descarto porque elas não me movem, não me excitam, não fazem sentido nenhum para mim.
Marcelo, com 14 ou 18 anos, não importa, passou a exportar calcinhas e badulaques para o Uruguai, e foi ali que iniciou seu império. Eu, com 14 ou 18 anos, queria era fumar cigarros escondida das professoras no banheiro do colégio, namorar e ser uma escritora de sucesso mundialmente conhecida, tipo o Paulo Coelho, haha. É sério. Não pensava em ganhar dinheiro; pensava em sentir prazer, em fazer o que eu gostava. O mesmo aconteceu quando entrei pra faculdade. Não fui atrás de nenhum curso cujo mercado de trabalho se mostrasse promissor. Não! Fui atrás de um no qual eu pudesse escrever e desenhar, duas coisas que sempre me entusiasmaram de verdade. Deu publicidade na cabeça. Estudei e me formei, depois de cinco anos e muitos mil reais investidos numa faculdade que jamais, e eu disse JAMAIS, me deu algum retorno financeiro. Me deu outros retornos, é verdade, como grandes amigos, memoráveis festas, lembranças sensacionais e boas histórias para contar. Mas nada disso, meus amigos, paga o meu aluguel que, aliás, já está para vencer.
O pior é que hoje, quando penso sobre tudo isso e o remorso por ter feito escolhas, no mínimo, equivocadas, chega chegando, paro e vejo que, se pudesse voltar atrás, faria tudo igualzinho novamente.
O que só comprova minha burrice, pois é o que são aqueles que persistem no erro.
Mas é que eu não poderia, não conseguiria, não quereria e não teria a menor chance de fazer, por exemplo, uma faculdade de engenharia civil só porque o mercado de trabalho promete. Nem poderia exportar calcinhas para o Uruguai, mesmo que isso enchesse meus fadados e ocos bolsos de dinheiro, porque não faria nenhum sentido para mim exportar calcinhas para o Uruguai. Não sou uma investidora, sou uma apaixonada. E isto, caros e caras, é uma merda, ao contrário do que podem imaginar os poetinhas.
Dizem os bem sucedidos que, para se ter sucesso na vida, é preciso, antes de tudo, fazer o que se gosta. Quem trabalha por obrigação jamais terá algum sucesso, muito menos algum dinheiro, e muito menos ainda alguma realização pessoal. E eu acredito piamente nisso. O problema é quando a maioria das coisas que você gosta de fazer pagam salários de fome – quando pagam.
Existe uma música do Reynaldo Bessa e do Zé Rodrix, cantada lindamente pelo Ira!, que diz: movido apenas por amor vou em frente. E eu poderia, tranquilamente, tatuar esta frase no meu braço, bem ao lado daquela que diz cada um de nós é um universo.
E ser movido por amor, meus queridos leitores imaginários, só é bonito na literatura, na novela, no cinema, no teatro, ou quando acontece com os outros - especialmente quando os outros são herdeiros de milhares de milhões - o que definitivamente não é o meu caso e, provavelmente, nem o seu.
Mas e aí? O que fazer? Se sujeitar a um trabalho medíocre (conceito absolutamente pessoal, entendam) e ganhar uma graninha amiga, ou fazer o que se ama e morrer de fome?
O segredo é o MEIO-TERMO. Tudo em maiúsculo, porque é o meio-termo o segredo do universo.
Houve um dia em que eu acordei, sentei na cama e pensei: preciso ganhar dinheiro gente! E para isso, preciso parar de escrever ou, ao menos, diminuir o ritmo, para utilizar uma parte deste tempo para me dedicar a alguma tarefa que me pague bem. Ou que só me pague, coisa que a literatura nunca fez. Afinal, devemos trabalhar por amor, sim, mas lembrando que o locatário do seu apartamento não recebe o aluguel em amores.
Por isso, passei um longo tempo matutando arduamente sobre o que eu gostava e poderia fazer e que me daria um dinheiro. Parece simples, mas não é. E após pensar até cozinhar meus miolos cheguei a algumas conclusões, e estou me dedicando a isto agora.
Contudo, apesar da minha escolha ser referente a algo que eu gosto, que me dá prazer e faz, para mim, algum sentido, ainda tenho certeza absoluta de que nunca reunirei sob meu comando um grande patrimônio. Nunca serei rica, nunca serei um exemplo de mulher-moderna-bem-sucedida.
E por quê?
Porque movida apenas por amor vou em frente.
E é sempre apenas por amor que eu reduzo.
Quer saber? Não importa.
Importa é que faça algum sentido me dedicar a uma única coisa durante oito horas por dia - ou mais - todos os dias da minha vida.
Mas ainda assim, Marcelo de Carvalho: TE INVEJO.
E quero ser como você na próxima encarnação.
Porque nessa, já era.
.
BEIJO!

21 maio 2011

Atencão moças de Passo Fundo & região.

Oioioi.
Passando para deixar uma dica bacanérrima para as belas meninas de Passo Fundo – ou aquelas que puderem se deslocar até lá numa quarta-feira à tardinha.
É que assim ó: como quem passa pelo Blogue da Jana já está careca de saber, estou fazendo um curso de maquiagem no Instituto Embelleze. E como a maquiagem, assim como quase tudo nessa vida, é mais prática do que teoria, estamos precisando desesperadamente de modelos dispostas a entregar seus lindos rostinhos para nossos pincéis.
Não, girls, você não ganharão dinheiro com isso, mas vejam pelo lado positivo: tampouco precisarão pagar, iés.
Então se você está interessada em ganhar uma maquiagem de graça (o que é de graça nesse mundo hoje em dia hã? HÃ?), basta que me mande um e-mail através do 3am.jana@gmail.com ou jana.lauxen@hotmail.com dizendo que sim, gostaria, e compareça no Instituto Embelleze, que fica na rua XV de Novembro, 777 – sobreloja, numa quarta-feira, que pode ser a próxima, ou a próxima, ou qualquer próxima quarta-feira até o início de agosto, que é quando o curso termina.
Lembrando que estaremos por lá todas as quartas, entre 18:30 e 22:30.
Se joga, gata, e não perde essa oportunidade não.
Aguardo seus e-mails em minha caixa de entrada, combinado?
BEIJA.

19 abril 2011

Sejamos gays.

Texto retirado do blog #EuSouGay.
Acreditem: vale cada segundo de leitura.
Observação: os negritos são meus.

Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Itarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro, que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.
Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:

1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY

2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com

3) E só.

Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem que será divulgada no You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas premiados como Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.
As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar. Acordar Adriele.

Vai dizer que tu não é?

13 abril 2011

Bolsonaro, Tas e os Cães que Ladram.

A história foi assim: o deputado federal Jair Bolsonaro participou de um quadro do programa CQC, da Rede Bandeirantes, chamado O Povo Quer Saber, onde respondia a perguntas feitas por diferentes pessoas, de diferentes lugares e sobre os mais variados assuntos. Nesta pequena entrevista, nosso excelentíssimo deputado fez o que todos esperavam que ele fizesse: repetiu seu discurso preconceituoso sobre negros e gays sem tirar nem pôr. Sim, porque Bolsonaro nunca disse absolutamente nada de diferente do que falou no CQC. Seu histórico racista e homofóbico data dos primórdios de sua candidatura, e mesmo assim ele está em seu sexto mandato.
É. SEXTO. Durmam com um barulho desses.
O fato é que eu não havia visto o CQC neste dia, mas passei a semana inteira ouvindo falar sobre o assunto, que repercutiu estrondosamente. O programa seguinte eu estava assistindo, e naturalmente o tema foi abordado mais uma vez, até porque o episódio, que tanto pano deu pra manga, aconteceu justamente ali. Os CQCs entrevistaram pessoas, políticos e, claro, o próprio Bolsonaro, que não retirou nada do que disse, mas puxou do bolso uma foto de um sujeito que, segundo ele, é seu cunhado – além de mulato – e pronunciou: vejam, ele é negro, é meu cunhado e eu o amo. Ok. Não foi exatamente isso, mas era por aí. Quando voltou ao estúdio, Marcelo Tas também puxou de baixo de sua bancada uma foto de sua filha Luiza, de 22 anos, que estuda nos Estados Unidos, possui excelentes credenciais e é gay. Marcelo afirmou que sente muito orgulho dela, e terminou o CQC.
Eu achei aquilo bem bacana da parte do Tas, e até comentei o acontecido com a minha mãe.

Luiza e Tas.
No entanto, durante a semana, ouvi comentários de alguns chatonildos sobre o que consideravam a ‘atitude mesquinha’ de Marcelo Tas. Disseram que mostrar a imagem de sua filha e dizer que ela é gay e que tem orgulho dela e iabadabadú foi ‘apelativo e desnecessário’. Aparentemente, algumas pessoas acharam que Tas insinuou que ‘APESAR DE’ gay, ele se orgulhava de sua filha – logo, foi preconceituoso também. E mais: que nem deveria ter dado espaço em seu programa para xiitas malucos da categoria de Bolsonaro, pois isso apenas insuflava e dava eco aos cidadãos que não somente pensam como Bolsonaro, como também votam nele.
Uma frase que muito li e ouvi por parte destas pessoas foi a proferida certa vez por Millôr Fernandes: “Não se amplifica a voz dos imbecis”.
Bem. Eu não acredito em nada disso, e considero o conceito de imbecil tremendamente relativo, já que aquilo que é imbecil para mim pode não ser para você.
Mas acredito, sim, que somos todos iguais, não somente perante a lei, mas perante qualquer situação. Nossa constituição diz exatamente a mesma coisa. No entanto, apesar disso, muita gente, muita gente mesmo, pensa diferente de mim, de ti e da constituição, e acredita piamente que algumas pessoas, por serem gay, negras ou jogadoras de rúgbi, são diferentes, e mais: são inferiores também.
É um absurdo, eu sei, mas o mundo está cheio de militantes hitleristas disfarçados sob as mais variadas formas – e é exatamente aqui que reside o problema.
É consenso que ninguém tem o direito de atentar violentamente contra quem quer que seja. Contudo, a mesma lei que pune crimes como homofobia e preconceito, garante o direito a liberdade de expressão de qualquer cidadão, independente de suas crenças e opiniões, e isto se chama DEMOCRACIA.
Como disse o economista americano - e negro - Walter Willians, em entrevista que tive oportunidade de ler recentemente, “o verdadeiro teste sobre o nosso grau de adesão à idéia da liberdade de associação não se dá quando aceitamos que as pessoas se associem em torno de idéias com as quais concordamos. O teste real se dá quando aceitamos que as pessoas se associem em torno de idéias que julgamos repugnantes. O mesmo vale para a liberdade de expressão. É fácil defendê-la quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.
Isso significa que, por mais que eu, você e nossos amigos acreditemos na igualdade, e achemos o preconceito de qualquer espécie tão absurdo que chega aos limites do inacreditável, nem todo mundo concorda conosco. E da mesma maneira que temos o direito garantido por lei de acreditar que somos todos iguais, outros possuem o mesmo direito, garantido pela mesma lei, de achar que não, que não somos todos iguais.

Bolsonaro
Preconceito, homofobia e racismo são assuntos que precisam ser levantados e debatidos à exaustão, bem como, por exemplo, aborto e legalização de drogas. A discussão destes temas, por mais inútil e desagradável que nos pareça, necessita acontecer com a seriedade e a atenção devida.
O CQC, quando trouxe Bolsonaro para uma entrevista, sabia o que Bolsonaro pensava. E o objetivo era justamente este. Colocar um homem que ocupa um cargo representativo em nossa sociedade na frente dos holofotes, e apresentar a quem pudesse interessar tudo o que ele pensa, tudo no que ele acredita. E, sendo ele representante de uma parcela da população brasileira (repito: ele está em seu sexto mandato), expor o que boa parte dos brasileiros também pensa, também acredita. Pois, podem crer os politizadões: a maioria das pessoas sequer sabia que o Bolsonaro existia. Trazendo o Bolsonaro para a TV aberta, em um programa assistido por milhares de jovens (muitos, apesar da pouca idade, já bastante preconceituosos), o CQC, além de apresentar para a maioria da população brasileira o excelentíssimo deputado e suas excelentíssimas opiniões, trouxe também à tona o assunto preconceito & homofobia. A prova foi a semana que procedeu a fadada entrevista, onde todo mundo se debruçou sobre este assunto que, inacreditavelmente e em pleno século 21, ainda é tabu. Pode não ser para mim, pode não ser para você nem seus amigos; mas o é para mais gente do que sua vã filosofia pode supor.
É de suma importância que entendamos que o problema é bem maior do que parece, ou do que nos é confortável acreditar. E quando arrancamos um assunto deste porte do fundo do baú e nos propomos a falar sobre ele, encara-lo de frente, nem que seja na marra, alguma coisa começa a se modificar.
E isso é saudável.
Somente falando sem medo sobre um tabu é que poderemos quebrá-lo.
Tas mostrou a foto de sua filha para nada, além de dizer para um país preconceituoso, porém enrustido, que ele tem uma filha homossexual e não somente caga para isso como se orgulha dela pela pessoa que ela é. E Tas, independente do que você pense sobre ele, é um homem conhecido, respeitado e solicitado, ídolo de algumas milhares de pessoas que o vêem como exemplo, que o admiram, que assinam embaixo de tudo o que ele escreve.
Acham pouco?
Pois saibam que existem mais pais e mães escondendo até mesmo de si próprios que o filho é gay do que andorinhas no verão. Logo, não seria corajoso assumir isto assim, ao vivo, publicamente, nacionalmente e, mais importante do que tudo: tranquilamente?
Eu acho que é. E digo mais: tenho certeza absoluta que mais da metade destes cães que agora ladram contra a atitude de Tas não teriam a mesma coragem que ele teve, caso estivessem em seu lugar, ocupando a sua posição.
.
Cão latindo.
Lógico que isso devia ser comum, e dizer em rede nacional que sua filha é gay deveria ser tão sem sentido quanto dizer que sua filha é, sei lá, ruiva. MAS NÃO É ASSIM QUE É, BÊIBES. Para além dos barzinhos onde as pessoas alternativas-e-descoladas se reúnem para tomar cerveja e citar Rimbaud existe um mundo alienado, potencialmente perigoso, que não pode ser ignorado. Que não deve ser renegado nem mesmo desmerecido em sua importância. O preconceito existe, e muito, quer queiram, quer não queiram, e para ser eliminado precisa, antes de tudo, ser identificado.
Aliás.
Aproveito para deixar aqui o link de um projeto muito legal chamado Sejamos Gays. A idéia é que cada pessoa envie para o e-mail projetoeusougay@gmail.com uma foto sua (“sozinho ou acompanhado da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta”) com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY.
O objetivo é usar estas imagens numa vídeo-montagem que será divulgada no YouTube. A idéia é, nada mais nada menos, do que manter este assunto em voga, mais ou menos como eu tentei fazer com a campanha Todos Contra o Crack!, pois, como já disse a Avon, é conversando que a gente se entende.
Por isso e muito mais, apóio a iniciativa #EUSOUGAY, e em breve enviarei minha foto.
Também apóio o CQC, e achei a atitude do Tas bacana e corajosa.
E, muito importante: apóio qualquer iniciativa que saia dos barzinhos alternativos-e-descolados, onde os cães politizadões ficam sentados a madrugada inteira acreditando que o mundo é um submarino amarelo, e vá para as ruas, alcançando o máximo possível de pessoas e esfregando em suas caras uma verdade que, apesar de discordamos, de repugnarmos, de abominarmos, existe, e precisa ter um fim.
E este fim só acontecerá quando pararmos de agir baseados naquilo que deveria ser, e não naquilo que é.

05 abril 2011

Email que recebi sobre a Associação Amigo Bicho e a Feira de Pequenos Animais: LEIAM!

(Só lhes peço perdão pela ortografia, leitores queridos, mas publico a mensagem recebida na íntegra)

Subject: mostra de pequenos animais
Date: Sat, 26 Mar 2011 03:16:56 +0000

BOA NOITE JANA SE DEPENDER DE PESSOAS RADICAIS COMO VOCÊ O MUNDO ACABA AMANHÃ. SE A FEIRA DE PEQUENOS ANIMAIS TEM PROBLEMAS LEGAIS CERTAMENTE SERÃO RESOLVIDOS POIS UMA MOSTRA DE SUCESSO HÁ 25 ANOS NÃO VAI ACABAR PORQUE MEIA DUZIA DE "BURGUESES" QUE SE DIZEM DEFENSORES DE ANIMAIS A QUEREM ACABAR POR MOTIVOS BANAIS , POIS NÃO PROPÕEM UMA NEGOCIAÇÃO . NEGOCIAR É UMA ATITUDE INTELIGENTE E SENSATA DE PESSOAS E ENTIDADES QUE QUEREM MELHORAR O MUNDO. EM TEMPO : QUE ANIMAIS VOCE CRIA? RAÇAS E NOMES DOS MESMOS? SE NÃO LI ERRADO VOCE FAZ PARTE DE UM GLEBA DE ESCRITORES" ASSASSINOS S.A." . É MUITO TRISTE NÃO RECONHECER QUE A FEIRA É GERADORA DE EMPREGO. PARA MIM SE ACABAR VOU A JUSTIÇA TAMBÉM REQUERER QUE MEUS GANHOS HÁ 10 ANOS NESTA FEIRA SEJAM PAGOS PELA ENTIDADE QUE SE ACHA DONA DA VERDADE . MOSTRE DOCUMENTOS QUE PROVEM TUDO QUE VOCE AFIRMA, BUSQUE AS DONAS DE ANIMAIS MORTOS PARA RELATAREM COMO CUIDARAM DOS MESMOS POIS EM TODO O PLANETA NASCER E MORRER É EXPLICADO CIENTIFICAMENTE E ATÉ PELOS DESIGNIOS DE DEUS. SE TODO SALÃO DE BELEZA TIVER TANTAS VERDADES NÃO PRECISAMOS DE MIDIA BASTA REUNIR AS FITAS DE VIDEO DOS MESMOS. SEJA MAIS AMIGA NÃO SÓ DOS ANIMAIS MAS ACIMA DE TUDO DE PAIS DE FAMILIA QUE VIVEM HONESTAMENTE HÁ MUITOS ANOS DE TRABALHAR EM FEIRAS DE PEQUENOS E GRANDES ANIMAIS.GUARDE SEU RANCOR PARA VOCE E OS SEUS USE A INTERNET PARA UM MUNDO MELHOR NÃO PARA ATACAR PESSOAS DE FORMA GRATUITA COMO SE "ASSASSINOS" FOSSEMOS, POIS SE VOCE NÃO SABE LUTAMOS COM HONESTIDADE, BONDADE, E CUIDADOS CIENTIFICOS. A FEIRA DE PEQUENOS ANIMAIS DE PASSO FUNDO DURA APENAS 5 DIAS TEMPO INSUFICIENTE PARA GERAR TANTOS MALES QUE VOCE E SUA INSTITUIÇÃO PREGAM AOS ANIMAIS , QUE SE NÃO FOSSEM TRATADOS COM TANTO AMOR E CARINHO JAMAIS CHEGARIAM TÃO LINDOS PARA SEREM VENDIDOS. RECONHEÇA O TRABALHO DOS OUTROS PARA QUE POSSAM RECONHECER O SEU. SE OS ANIMAIS DA FEIRA SOFRESSEM O QUE VOCE DIZ , QUANDO CRIANÇA VOCE FOI DIVERSAS VEZES A FEIRA PORQUE NÃO OBSERVOU TUDO ISTO? PORQUE NÃO É TUDO ISTO!!!!!!!!!! AS CRIANÇAS SÃO AS PRIMEIRAS A OBSERVAREM TAIS MALDADES. ME PARECE QUE APENAS É UM PONTO DE VISTA MUITO ÍNFIMO PARA QUERER "ACABAR" COM UM EVENTO TÃO MARAVILHOSO . PEÇO RESPOSTA PARA ENTENDER MELHOR TUDO , MAS SE VOCE NÃO CRIA ANIMAIS POR FAVOR NÃO RESPONDA PORQUE HIPOCRISIA NÃO FAZ PARTE DO MEU MUNDO. MEUS FILHOS AMAM NOSSO BETHOVEN _CÃO PASTOR NOSSO MARAVILHOSO GUARDIÃO DE NOSSA CASA, MADONA NOSSA LINDA COELHA DE OITO ANOS, NOSSOS MARAVILHOSO GATOS GARFIELD , BRANCA E FLOCO DE NEVE NOSSA CASA É SÓ ALEGRIA COM ESSES ANIMAIS LINDOS , E OS SEUS? FALE DELES. A MOSTRA DE PEQUENOS ANIMAIS NÃO É SÓ ANIMAIS TEM OUTROS LINDOS E MARAVILHOSOS ATRATIVOS ME PARECE QUE VOCE E SUA ENTIDADE SÃO TÃO RADICAIS QUE NÃO MENCIONAM TUDO DE IMPORTANTE QUE ESTA SENSACIONAL FEIRA TEM . TEMOS QUE PARAR NO BRASIL COM PESSOAS E ENTIDADES DONAS DA VERDADE QUE NÃO RESPEITAM O PASSADO DE GLÓRIA TRABALHO E HONESTIDADE DE PESSOAS E EMPRESAS. ACREDITO NA LEI BRASILEIRA E TENHO CERTEZA QUE QUALQUER REVÉS GANHAREMOS NUM FUTURO BREVE TODO RESSARCIMENTO QUE QUEIRAM NOS ATINGIR, QUEM É HONESTO E ÍNTEGRO NADA TEME. NOS RESPEITEM, SOMOS DE DIÁLOGO POIS O DIÁLOGO É A FONTE DA SABEDORIA. ASSINO: FELICIANO FALCÃO

From: jana.lauxen@hotmail.com
To: homemdogato@hotmail.com
Subject: RE: mostra de pequenos animais
Date: Tue, 5 Apr 2011 02:54:55 +0300

Olá Feliciano.
Boa noite.
Primeiramente gostaria de agradecer seu contato.
É sempre um enorme prazer receber e-mails dos leitores do meu blogue, especialmente os bem educados, como o seu.
No entanto, não compreendi porque um pai de família trabalhador e honesto como você perdeu o seu precioso tempo escrevendo para uma burguesa radical e rancorosa como eu. Mas enfim, cada um gasta seu tempo como acha melhor, não é?
Pelo que entendi, você é um dos muitos que ganham dinheiro com a Feira de Pequenos Animais. E, veja bem, não estou dizendo que você maltrata os animais, mas tampouco acredito que esteja você em condições de defender TODOS os criadores de fundo de quintal que lucram com esta feira, assim como você lucra.
Mas vamos lá:
Nunca nos recusamos a negociar, como você disse no início do seu e-mail. Muito pelo contrário. Quem parece se recusar a sentar, conversar e se acertar são os organizadores da feira que, assim como você, nos creditam como radicais, e acham que ganhar dinheiro é mais importante do que qualquer outra coisa – inclusive o bem-estar dos animais.
Que animais eu crio? Você me pediu raças e nomes, correto? Pois eu simplesmente não lhe devo satisfações da minha vida, meu caro, mas esta pergunta faço questão de responder: crio três cachorros e três gatos. Seus nomes: os cães Fredi e Capitão (da raça Collie), Zé Ruela (vira-lata) e os gatos Gorda, Pequena e Ceguinho, todos vira-latas também, sendo o último, como o próprio nome diz, cego. Fora os Collies, os outros animais eu peguei na rua, sendo que o Zé, o mais velho (tem 15 anos e câncer) estava semi-morto no meu portão depois de uma noite terrível de chuva invernosa.
E não, você não leu errado. Eu sou escritora sim, e Assassinos S/A não é uma ‘gleba de escritores’, como você gentilmente escreveu, mas uma coletânea de contos policiais brasileiros voltada para publicar jovens escritores que não encontram espaço em grandes editoras.
E sinceramente? Eu não reconheço uma feira geradora de emprego que se baseia em maus tratos em prol do lucro. Ah, ela dura cinco dias e isto não é tempo suficiente para matar os animais? Concordo. Porém, caso você não saiba, os animais não existem somente durante aqueles cinco dias. Antes de chegar naquele pavilhão horroroso, abafado e abarrotado de gente eles já existiam, e os maus tratos começam desde a procriação indiscriminada das fêmeas, até a falta de assistência durante a gestação, bem como a ausência de vacinação dos filhotes e as condições em que são mantidos até chegarem lá. Veja bem: eu não estou julgando o seu trabalho – ao contrário do que fez ao meu trabalho – e talvez você seja, sim, um criador sério. Mas me desculpe: você não está em condições de falar sobre todos os criadores de animais que lucram com a amostra de pequenos animais. Ou você conhece todos, e acompanha seus trabalhos de perto, diariamente? Aposto que não.
Também não queremos que a feira acabe. Se tivesse lido com atenção o post do meu blog, teria entendido esta parte. Mas já que você não fez isto, vou lhe explicar direitinho: queremos apenas que a feira se enquadre no que diz as leis estaduais e federais. Assim sendo, ela pode prosseguir acontecendo eternamente. Porém nos moldes como está não pode continuar.
Também não sou rancorosa como disse, e uso a internet para lutar por aquilo que julgo ser o correto, e, me desculpe: não vai ser um cara mal educado como você que vai me dizer o que escrever, ou não, em meu blogue. Se quiser crie um blogue pra você e defenda o que quiser lá dentro. Eu te garanto que não vou me meter, porque tenho mais o que fazer da vida.
E mais: nem eu nem a entidade da qual faço parte nos dizemos donos da verdade. Quem parece ser sócio-proprietário da verdade absoluta aqui é você, que me mandou um e-mail grosseiro falando um monte de disparates infundados, baseados em nada mais do que a sua simplória opinião.
Você acredita na lei brasileira? Eu também. Da mesma maneira que igualmente acredito que quem é honesto e íntegro nada deve temer, e que o diálogo é a única coisa que nos torna civilizados. Mas, se por acaso o resultado deste imbróglio sair diferente do que você imagina, faça exatamente como me falou que fará: vá a justiça requerer que seus ganhos sejam pagos pela nossa entidade. Isso só confirma o que eu penso sobre a feira, você e seus demais expositores.
Em tempo: não que lhe interesse, mas este é o site da Associação Amigo Bicho da qual faço parte e que, em seu e-mail, você chama de radical e burguesa: http://amigobicho-pf.blogspot.com/  
Ali você saberá mais sobre o nosso trabalho, e verá o trabalho (este sim maravilhoso, lindo e sensacional) que nossas voluntárias fazem em prol dos animais abandonados – muitos destes animais, inclusive, adquiridos de maneira impulsiva em feiras como esta, que o senhor promove e defende, e depois abandonados, pela falta de estrutura física e emocional de seus compradores.
Mas isso, pelo jeito, não lhe interessa muito né?
Outra coisa importante: todas as voluntárias que trabalham pelos animais abandonados através da Associação Amigo Bicho NÃO GANHAM NADA PARA ISSO. Pelo contrário: gastam, e muito, com tratamentos, esterilizações e muitos outros cuidados que animais rejeitados e maltratados necessitam. E se quiser, aqui você poderá escutar a entrevista que a Maria de Lourdes, nossa representante, deu para uma rádio local falando sobre o nosso ponto de vista sobre a feira: http://amigobicho-pf.blogspot.com/2011/03/amigo-bicho-na-radio-planalto-falando.html  
E, a propósito, agora deixe eu me intrometer um pouco na sua vida: você, que é tão trabalhador, honesto e pai de família, FAZ O QUE PELOS ANIMAIS ABANDONADOS?
Se não fizer nada, nem responda este e-mail, porque eu também não trabalho com hipocrisia.
Passar bem.
Jana

29 março 2011

A solução do Bullying – EU TENHO!

Em 1996 eu estava na sexta série e tinha um colega chamado Paulo que era o terror. Ele literalmente transformava num inferno a vida de metade da turma, e é claro que eu estava nesta metade da turma que ele amava infernizar. O Paulo detectava e abertamente debochava de todos os nossos defeitos – até mesmo aqueles que a gente nem sabia que tinha. E eu, que era enormemente alta, terrivelmente desengonçada, gordinha e com um corte de cabelo semelhante ao de Rick Martin na época dos Menudos, era um alvo mais do que fácil.
Paulo tinha seus asseclas, é verdade. Meninos que, provavelmente para escapar de suas humilhações, uniam-se a ele e, junto dele, ajudavam a tornar a vida escolar de todos ainda mais difícil. O mais estranho e sinistro era que muitas das vítimas de Paulo, numa atitude claramente defensiva, transformavam outros colegas em suas vítimas também, como numa roda-viva malévola e aterrorizante. Nesta época ninguém falava em bullying. Tudo não passava de ‘brincadeiras de criança’, mesmo que as tais brincadeiras ferissem, machucassem e magoassem profundamente.
A primeira vez que ouvi o tal termo, pensei: gente! era o que me acontecia, era o que acontecia a boa parte de nós. E, dentre outros, muitos outros, me lembrei do Paulo. Por isso, quando apareceu o vídeo do menino Casey que, cansado das agressões diárias sofridas no colégio e possivelmente fora dele também, resolve reagir, foi inevitável dar um sorrisinho brejeiro. Não sabe do que eu estou falando? Então, meu amigo, tire alguns segundos do seu dia e dê o play neste vídeo aqui para entender. E se você foi vítima de bullyng, assista ao vídeo até sua internet cair, que o prazer é inenarrável e chega a beirar o êxtase.
Assistiram?
Pois acreditem: eu sou contra a violência. Porém, sou igualmente contra agüentar todo tipo de desaforo sorrindo e sem gemer. E da mesma maneira de Casey se tornou meu herói para sempre – o cara que, finalmente, reagiu às investidas do seu agressor – ele também se tornou o herói de todo mundo que um dia sofreu as humilhações gratuitas e violentas de algum coleguinha babaca.
No entanto, disso já sabemos. O que queremos mesmo saber é o que fazer para terminar definitivamente com o bullying. Pois bem, caros leitores e leitoras: eu sei esta resposta. Sim, eu sei. Como a vítima de bullying que fui – e como algoz também, pois infelizmente, lá pelas tantas, aderi a sinistra roda-viva de que acima falei e passei a atacar aqueles a quem eu considerava mais fracos do que eu – voz digo com toda a certeza do universo: EU TENHO A SOLUÇÃO.
E a solução está na própria escola.
É claro que educação vem de casa, e que se os pais fossem mais participativos e responsáveis teríamos crianças menos desequilibradas e violentas, mas esta não é uma alternativa viável, pois não há como fiscalizar todos os lares que possuam crianças e adolescentes para ver se estes estão recebendo a devida atenção e boa educação que merecem.
O problema do bullying é que, em praticamente cem por cento dos casos, a escola é a primeira a se omitir, a fingir que nada houve, a varrer a sujeira para debaixo do tapete e sair chupando um picolé.
E eu pergunto: cadê a direção da escola que não viu Casey ser socado e maltratado em pleno corredor, em pleno horário de aula? Onde estavam os professores, diretores, administradores e toda essa gente que fez faculdade de pedagogia e mestrado e doutorado e toda essa porra do caralho? Tomando cafezinho na sala dos professores?
Resposta: possivelmente sim.
Na minha época e na época do Paulo era assim. Ele fazia o que queria e ninguém via, ninguém ouvia, ninguém sabia. A direção só ia se meter se começasse um quebra-pau, mas no caso do bullying, sabemos: dificilmente se inicia um quebra-pau. O bullying acontece silenciosamente, à surdina, justamente porque o agressor não quer ser descoberto, e o agredido tem medo de denunciar e sofrer ainda mais maus tratos.
Tem também um detalhe, que não deve ser regra, mas era o que acontecia na Escola São José Notre Dame, de Não-Me-Toque, onde eu estudava nesta época que tento esquecer: Paulo tinha dinheiro. Seu pai era um empresário bem sucedido que trocava de carro todo ano e pagava as altas mensalidades daquele apavorante colégio de freiras malucas em dia. Ora, como poderemos punir o filho do senhor doutor excelentíssimo Fulano de Tal? E assim Paulo foi acobertado durante toda a sua maldita infância e adolescência, e nós, que não éramos filhos de nenhum senhor doutor excelentíssimo, e que talvez nem pagássemos nossas mensalidades em dia (eu não pagava), que agüentássemos o cretino e suas ‘brincadeiras de criança’.
CANSEI de ver a direção fazer vista grossa para o Paulo. CANSEI de ver a vítima levar castigo enquanto ele saía assobiando e rindo – sim, RINDO! E, vejam bem: Paulo era o algoz da minha turma, mas havia os outros algozes, das outras turmas e, no fim das contas, todo mundo acabava machucado, menos os autores de tanta violência e bestialidade. E a direção? Tomando cafezinho na sala dos professores.
O que eu quero dizer é que enquanto as escolas não punirem severamente os promotores do bullying nos aposentos de suas instituições NADA VAI MUDAR. É preciso colocá-los de castigo, repreendê-los publicamente, dar-lhes punição, suspensão, expulsão. E que se dane se um ou outro é filho daquele ou daquela. O cara é um aprendiz de bandido, minha gente, e fim de papo! Afinal, se com 13 anos o animal está chutando um coleguinha caído no chão com a anuência da direção da escola (eu vi isso acontecer, juro!), o que fará quando tiver 20, 30, 40 anos? Cortará a garganta da namorada e atirará seu corpo num córrego? Abafa.
Vejam novamente o vídeo de Casey: vítima e carrasco, aparentemente, estão na hora do recreio ou algo que o valha, nos corredores do colégio, com vários alunos em volta. O pobre Casey tomou vários socos e cadê a direção? CADÊ A MALDITA DIREÇÃO?
Por isso, apesar de ser contra a violência sempre, deixo aqui uma salva de palmas ao Casey. Porque eu o entendo. Não havia ninguém ali para defendê-lo. Todos estavam fazendo de conta que o seu martírio não existia, e ele precisava se proteger. E por isso – só por isso - praticamente quebrou no meio seu agressor com um golpe que deixaria Steven Segall inspirado.
Eu confesso que me vi ali, fazendo o mesmo com o Paulo e com tantos outros que conheci, e isso fez com que eu me sentisse muito bem, obrigada. Porque não há nada pior do que a injustiça, do que a covardia – e do que o consentimento de quem não poderia, jamais, se omitir numa situação como esta. E já que quem está sendo pago para manter a ordem dentro da escola não faz nada – direção, professores, enfim – então que façamos nós mesmos, do jeito que der.
Se as escolas simplesmente se recusam a tomar qualquer iniciativa, então que não reclamem quando as vítimas de bullying resolverem fazer justiça com as próprias mãos.
E neste caso, a violência só tenderá a aumentar, até que perderemos o controle que sequer sabemos se ainda temos.
De qualquer maneira, te amo Casey.

24 março 2011

NO AR: Bendita Make.

Oi gente.
Passando para avisar as garotas e os garotos, as vovós e os vovôs, os cachorros e os papagaios que tem blogue novo da Jana na avenida.
Não, não estou aposentando este daqui, até porque SOFRO DE APEGO e provavelmente estarei neste mesmo bat-link postando bat-textos com bat-opiniões que ninguém pediu e respondendo o que ninguém perguntou até meu derradeiro suspiro – o que eu espero que leve, ainda, uns oitenta aninhos.
Mas enfim.
Este blogue novo se chama Bendita Make e, como o próprio nome sugere, vai tratar de maquiagem e Cia. Ltda. Não somente disso, é verdade, mas principalmente.
É que, como contei para vocês não faz muito, estou fazendo um curso de Maquiagem Profissional no Instituto Embelleze de Passo Fundo, e ó: TÔ AMANDO PRA SEMPRE.
As aulas são sensacionais, a profe é uma querida e minhas colegas são todas loucas. Ou seja: tô super em casa. Tão em casa que até me permitiram dar minhas baforadinhas num cigarro amigo no jardim de inverno da instituição – apesar da fadada plaquinha de PROIBIDO FUMAR AQUI.

O fato é que estou aprendendo muito, lendo muito, maquiando muito e acreditando plenamente num futuro mais belo e feliz, e o Bendita Make vem com a finalidade de reunir links, dicas, entrevistas, matérias e tudo o que eu li, vi e gostei, como também tudo o que eu ainda lerei, verei e gostarei.
ÓBVIO ULULANTE que não é um blogue voltado para profissionais da maquiagem – quem sou eu para ensinar os padres a rezarem a missa. Mas justamente para quem está, assim como eu, engatinhando neste mundo encantador da maquiagem, e poderá encontrar por lá algumas coisinhas que descobri.
Até porque eu, por exemplo, me maquio desde que existo e realmente acreditava que sabia TUDO de make. Inclusive admito, não sem vergonha na cara, que entrei para o curso crente de que teria muito pouco a aprender e GENTE: tô bege com a minha ignorância. Milhares de certezas que eu tinha já caíram por terra (ex.: Leite de Colônia), e não há uma aula sequer em que eu não saia pensando sobre como eu não sabia nada de nada a respeito de maquiagem.
De qualquer maneira vamos nos divertir muito por lá, EU SINTO.
Cliquem aqui para conferir o blogue e depois digam-me o que acharam, beleza?
AH! Também criei um twitter do blogue novo. A quem puder interessar, é só dar um FOLLOW bem aqui e correr para o abraço.
Então vou indo, deixando uma beijoca na ponta de seus narizes.

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Nota do dia 17 de agosto de 2011: Bendita Make cresceu, amadureceu, saiu do twitter, se formou, começou a trabalhar e se transformou oficialmente no site www.janamakeup.org. Me dedico, beijo.