23 novembro 2010

Meu desligamento do Selo Literarte.

Pois então.
Título auto-explicativo.
Este post é para avisar a quem puder interessar que, a partir de agora, não sou mais editora do Selo Literarte.
Por quê?
Os motivos são muitos, mas principalmente porque estou envolvida até a raiz dos cabelos em outros projetos – projetos estes que inviabilizam minha participação efetiva dentro da editora Multifoco, e me obrigam a fazer escolhas.
O que nem sempre é coisa fácil, mas fazer o quê? A vida é feita de prioridades.
Porém, gostaria de deixar muito claro que minha decisão nada tem a ver com algum eventual problema ou atrito dentro da editora. Muito pelo contrário. Eu só tenho a agradecer à Multifoco, ao Frodo e a toda a equipe o carinho e a confiança dispensados a mim, além do enorme respeito com que sempre me trataram – aliás, repito aqui: valeu mesmo, pessoal.
Por isso, se você deseja enviar um original para avaliação da Multifoco, vá em frente e mande para este e-mail aqui: contato@editoramultifoco.com.br ou diretamente para o Frodo Oliveira, que atende aqui: anthology@editoramultifoco.com.br  
Tenho certeza que a editora terá o maior prazer em avaliar seu livro.
Se você é um dos autores aprovados pelo Selo Literarte, fique bem sossegado que tudo seguirá conforme o combinado, e eu cuidarei pessoalmente dos seus livros, até que eles estejam devidamente impressos e em suas mãos.
As coletâneas Crônico! e Quadrinhos em Histórias também serão publicadas conforme o previsto, e eu passarei através deste blogue maiores informações sobre lançamentos e etc.
Para quem ficou com dúvidas ou deseja me convidar para um casamento, mande e-mail: jana.lauxen@hotmail.com  
No mais, gente boa, a vida segue.
Um beijo meu pra vocês e toca o baile.

15 novembro 2010

INADIMPLENTES.

Quando contraímos uma dívida, sabemos de antemão que, cedo ou tarde e querendo ou não, teremos de saldá-la. Podemos até fingir que não nos lembramos dela, fazer uma dancinha e atravessar a rua disfarçadamente para não passar na frente do credor. Mas a dívida continuará lá. Intacta.
No entanto, nesta longa estrada da vida não somamos apenas dívidas financeiras. Estas são, a bem da verdade, as que menos importam, por mais que todo mundo acredite no contrário. Dívidas financeiras podemos renegociar, ganhar descontos, livrar-nos dos juros, quitá-las em suaves parcelas mensais. Mas estas outras dívidas as quais me refiro são inegociáveis. Elas devem ser pagas em seu montante, a vista ou a prazo, hoje ou amanhã.
Falo é dos nossos desacertos, das nossas decisões erradas, das coisas horríveis que, de vez em quando ou sempre, saem da nossa boca. De tudo que era bom e que deixamos de fazer por preguiça ou vaidade, e do que deixamos de aprender, e das pequenas ou enormes maldades que empreendemos.
Tudo vai sendo anotado no caderninho de contas da vida, e uma hora ela vem cobrar.
E aí não adianta chorar, espernear, se descabelar, ameaçar se atirar da ponte, tentar despertar compaixão. Você vai ter que pagar e fim.
O melhor e mais inteligente a se fazer quando a vida vem cobrar nossas dívidas é pagá-la resignadamente. Até um pouco envergonhados, afinal não imaginávamos que nossa conta estivesse assim tão alta. Deveríamos baixar a cabeça e humildemente se comprometer a saldar tal débito o quanto antes.
Mas não.
Não é o que fazemos.
Do contrário.
Damos escândalos.
Perguntamos onde está Deus nessa hora.
Atiramos um vaso contra a parede e gritamos despautérios.
Sentamos no chão fazendo beicinho e dizendo que não brincamos mais.
- Devo, não pago, nego enquanto puder.
Oh Pai, como somos infantis!
Independente de nossas idades, somos seres num estágio de evolução semi-fetal. Mal e mal engatinhamos. E birrentos e exagerados como toda criancinha mimada, não apenas não nos conformamos em pagar o que devemos, como ainda temos a petulância de dizer que estamos sendo injustiçados.
Que, na verdade, nem somos devedores, mas sim credores!
Um absurdo demasiado humano.
Porque, analise comigo: qual foi o último acontecimento que lhe fez sofrer?
Lembrou dele?
Agora volte um pouco mais no tempo, e tente encontrar em que momento da sua vida você plantou o que está agora colhendo; sim, porque este momento existe.
Você pode fingir que não, que é inocente, mas tenho certeza de que, se rememorar com carinho, vai se lembrar da ocasião em que semeou a semente que agora germinou e cresceu e virou um elefante numa loja de cristais. Pode até mesmo ter sido um instante apenas, algo quase insignificante. Uma decisão errada, uma palavra errada, na hora errada, para a pessoa errada. Talvez você até tenha sido, de fato, ingênuo e agido de boa fé. Não importa. O fato é que você semeou, e quem planta banana não colhe beterraba.
Parece simples, e é, mas a gente complica.
E enquanto vamos complicando e empurrando nossas dívidas com a barriga, varrendo-as para debaixo do tapete e fingindo que elas não existem, novas vão sendo contraídas e mais ainda vamos nos enveredando no redemoinho de lástimas e desculpas para não pagarmos o que devemos.
Eu já penso assim: se uma hora teremos de pagar - ou de colher, como achar melhor - não seria mais prudente e inteligente de nossa parte pagar ou colher de uma vez por todas e nos livrarmos definitivamente disso?
Quero dizer, dar um basta na enrolação, assumir o que fizemos e tocar a vida?
Como uma pessoa minimamente civilizada e honesta?

E, entendam: não estou aqui apontando o dedo para vocês. Pelo contrário. Enquanto escrevo este texto, estou olhando para minha própria cara refletida no espelho, e descrevendo o que enxergo ali.
Porque eu não gosto de pagar minhas dívidas.
Não quero colher o que plantei.
Por isso, estupidamente, fico batendo o pé no chão e resmungando, me achando A Injustiçada do Ano. E enquanto isso minhas dívidas continuam lá, apenas esperando que eu me aprume e as pague antes que a soma fique tão alta que eu precise vender meu corpinho para saldá-la.

Se existe alguém sendo injustiçado nesta história, creiam: este alguém é a vida, e não nós. A vida, que não conspira contra, apenas nos devolve aquilo que oferecemos a ela. E nem sou eu quem diz. É uma lei da física, chamada Ação & Reação; a terceira lei de um sujeito chamado Newton. Conhecem? “Toda ação provoca uma reação de igual intensidade”.
Por isso, não faz nenhum sentido que outro seja acusado dos erros que nós cometemos, daquilo que nós escolhemos plantar. Não é correto responsabilizar a vida, o destino, deus ou o universo pelas nossas cagadas.
Então, meus caros, vamos tomar umas seis doses duplas e sem gelo de vergonha na cara e agüentar o tranco que sempre vem, como homens de verdade e não como moleques histéricos e bocós.
Porém, se você fizer questão de apontar o dedo para alguém, faça como eu: procure um espelho, e ali você encontrará o responsável por virar sua vidinha pacata e feliz de cabeça para baixo.

02 novembro 2010

Entrevista para o Paquidermes Culturais.

Então que me escreveu um rapaz chamado Allan Pitz, que havia lido neste blogue o texto sobre A Prepotência dos Novatos e gostado. Trocamos alguns e-mails trocando algumas idéias, e por fim acabamos trocando foi nossos livros, naquilo que chamo carinhosamente de Escambo Literário. Adoro. Enviei o Benjamin para ele, e ele me enviou três de seus livros: Visões Comuns de um Porco Esquartejado, A Fuga das Amebas SelvagensA Morte do Cozinheiro. Confesso que ainda não os li, mas só os títulos já me atraíram sobremaneira.
O fato é que ele leu a história do Ben, gostou e resolveu fazer uma entrevista comigo. Eu topei bem feliz, é claro, e rapidamente ele me enviou as perguntas.
O resultado pode ser conferido no blogue Paquidermes Culturais (esse Allan é um gênio dos títulos, é isso?), clicando bem aqui.
Eu admito que gostei muito da conversa fiada que tive com ele, e que acabou sendo muito esclarecedora para mim. Pois é, para mim. Vejam vocês que damos uma entrevista para que os outros possam conhecer mais sobre a gente, e de quebra acabamos conhecendo mais sobre nós mesmos.
E isto só aconteceu porque, de alguma maneira, as perguntas me conduziram para tanto.
Uma experiência bacana e preciosa, da qual gostei muito.
E espero que vocês também gostem.
Então é isso.
Beijo.