30 agosto 2010

Oi? (2)

Sim, estou ausente.
Tanto aqui, neste pretensioso blogue metido a besta, quanto no meu twitter, e-mail e Cia. Ltda.
É que vivo aquele momento crucial em que precisamos decidir entre comprar uma bicicleta ou casar numa igrejinha bonita do interior sulista brasileiro, e como meu raciocínio é seletivo, não consegue, de jeito nenhum, se concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo.
Acontece assim: um belo dia ensolarado, aparentemente comum, você acorda de manhã, senta na cama toda descabelada e cheia de remelas nos olhos, e pensa: está tudo errado.
É preciso mudar, e é preciso mudar AGORA.
Caso contrário, vai saber.
Não quero acabar velha e desdentada sentada numa cadeira de balanço, olhando para trás e verificando, com horror, que fiz todas as escolhas erradas e agora não passo de uma velha enrugada e sem dentes, chorando eternamente sobre o leite derramado.
Vocês compreendem?
Tudo bem, nem eu.
Mesmo assim, considerei válido passar para avisar que estou num momento crucial de minha vida, onde decido se vou comprar uma bicicleta ou casar numa igrejinha bonita do interior sulista brasileiro.
No entanto, apesar deste momento crítico e determinante de minha vidinha provinciana, o mundo continua aí, e tudo continua acontecendo como se eu não estivesse num momento crítico e determinante de minha vidinha provinciana.
E é sobre isso que quero falar.

ABC Livraria.

Meus amigos Beto Canales e Andre Esteves, dois escritores que muito admiro, abriram uma livraria.
Óquei, isso não seria nada de mais se a livraria que eles abriram fosse uma livraria como outra qualquer.
Só que não é.

É uma livraria que busca, antes de qualquer coisa, não explorar todos os poucos e contados níqueis dos novos autores.
Explico.
Quem não é um novo autor, naturalmente não sabe, mas para colocar seu livro em alguma livraria é preciso desembolsar ao dono da livraria entre 30% e 50% do lucro do livro.
Sim, até cinqüenta por cento.
Por isso, a maioria dos novos autores e das editoras que publicam estes novos autores sequer cogitam da possibilidade de colocar nas prateleiras da maioria das livrarias seus livros. Porque, ou você paga para vender, ou você cobra um valor exorbitante pelo livro, o que, obviamente, o impedirá de ser vendido.
Um problema triste e grave, que acaba deixando a maioria dos escritores com seus livros apenas na estante de suas casas.
Mas então Beto e Andre tiveram esta boa idéia: lançar uma livraria virtual que vendesse livros autografados de novos escritores nacionais, cobrando do autor em questão apenas e tão somente 15%.
Não é sensacional?
Funciona assim: você vai até a livraria clicando aqui e escolhe lá o livro que quiser.
Você o adquire através do PagSeguro – a maneira mais garantida de comprar pela internet – e 85% do valor do livro vai para o autor. E não é só isso: no momento em que meu livro, por exemplo, é comprado pelo site, o Beto e o Andre me mandam um e-mail me passando o nome e o endereço do comprador. Eu autografo o livro e envio pelo Correio.
Quer dizer, é mamão com açúcar, tanto para o leitor quanto para o novo autor.
Por isso, se você gosta ou produz literatura, clique agora mesmo aqui e divirta-se.
Porque comprando através da ABC Livraria você não só estará adquirindo bons livros, autografados e tudo e talz, como estará apoiando um projeto que nada mais quer do que valorizar a nova literatura nacional.
O que, convenhamos, é super massa.

Café Espacial

Recebi, aqui em casa, sexta-feira passada, a edição número #7 da fabulosa revista Café Espacial.
E digo pra vocês: tá incrível mesmo.
Edição primorosa, toda trabalhada nos detalhes, linda de morrer.
E veja só o que você encontra ali, no meio da capa e da contracapa, lindamente confeccionada pelo talentoso Viktor Sack, diretamente da Argentina:


Una ultima pelea (de Loris Z. – Argentina),
e as HQs Ratinhos, Saudade, Consultora de imagem, Linha do horizonte e Partida (de Marco Mendes – Portugal)

A seção Café Literário traz o conto Lar, doce lar (de Jana Lauxen).

A edição traz também:

a seção Além do cinema: Esse mundo é nosso (por Lídia Basoli);
fotografias de Laura Gattaz;
a seção Arte revelada com fotografias de Patrícia Voss;
a seção Literando, por Laura Basoli;
e na seção Cafeína pura! entrevista, desta vez em fotonovela, com a banda Gentileza (por Lielson Zeni).

Descrição: 60 páginas, formato 14×21cm, capa colorida e miolo em preto e branco em papel reciclado.
Valor: R$ 6,00 + R$ 1,00 para despesas postais.

Compre já a sua através do site da revista ou escrevendo para mim: jana.lauxen@hotmail.com

Bem, então era isso.
Agora voltarei para meus dilemas existenciais e, tão logo decida se comprarei uma bicicleta ou casarei numa igrejinha bonita do interior sulista brasileiro, volto.
E não me julguem, porque eu amo vocês.

23 agosto 2010

Eu nunca assisti aos jogos do Internacional.

É sério.
Quem me conhece, ou passa eventualmente por este blogue, já deve (talvez, quem sabe) ter percebido que eu sou colorada.
Do tipo que chora, tem faniquitos, faz promessas e teria uma tatuagem enorme e bagaceira do Inter no braço, caso não tivesse feito, certa vez, uma promessa de nunca mais me tatuar.
Mas, não.
Nunca vi nenhum jogo do Inter.

Primeiro porque sofro de nervos.
E não é exagero.
Me dá UMA COISA tão horrível vendo o colorado em campo que, sinceramente, tenho a impressão de que meu frágil coraçãozinho não suportará.
Segundo porque, quando criança ainda, coloquei na cabeça que era pé frio.
Tinha a certeza de que, se assistisse aos jogos, o Inter perderia.
Por minha culpa, minha máxima culpa.
Eu sei, não faz sentido.
Mas nada faz, então.
Nunca olhei.

No entanto, depois da Copa, meu time, que disputava as quartas de final pela Libertadores da América, passou por uma tensa troca de técnicos, trazendo para seu seio um sujeito aparentemente truculento, chamado Celso Roth, cuja torcida colorada, há um ano atrás, gritava ‘Fica!’.
Mas era para ficar no Grêmio, nosso arquiinimigo e, na ocasião, time do dito treinador.
Sentiram a tragédia?
Indignada com tal contratação - diga-se de passagem, como boa parte dos torcedores - acabei me envolvendo no enredo.
Recomeçaram os jogos do Campeonato Brasileiro e o Inter, que vinha capenga, simplesmente chegou chegando, acumulando quatro bonitas vitórias consecutivas, e então eu refleti: será que esse tal de Celso vai calar a minha boca?
Com um sorrisinho otimista, porém discreto, no canto da boca (cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal para ninguém), fiquei só observando, quietinha, esperando para ver o que iria acontecer.
No primeiro jogo das ditas quartas de final, ganhamos de um a zero de um São Paulo apagado e, como manda minha tradição milenar, não vi o jogo. Fiquei em orações até meu pai telefonar eufórico, avisando sobre o nosso gol. Vibrei as cegas.
Porém, no segundo jogo, então no Morumbi, não sei por que nem em que momento ou por qual motivo, decidi que iria, pela primeira vez na vida, assistir a um jogo do Inter.
Isso pode parecer ao leitor algo tolo e de insignificante importância, mas saibam que, para mim, foi uma decisão dramática. Crucial. Categórica. Determinante.
Eu tinha que olhar o jogo, e, naquele instante, esta era a única certeza da minha vida.
Naquela quinta-feira enchi o copo e postei-me, solitária e apreensiva, em frente da televisão.
A vantagem era nossa, ora, porque não?
E enquanto eu ria pensando como tinha sido boba imaginando que era pé frio, tomamos um gol.
Engoli o riso, quase me engasguei.
Foi o primeiro gol que vi o Inter tomar em tempo real na minha vida.
E, ó: é horrível.
Além disso, precisava lidar com a culpa.
Afinal, seria a praga do meu pé frio manifestando-se?
Seria eu a responsável por aquele placar odioso?
O intervalo veio e, aflita, troquei de canal.
Nem lembro em qual programa deixei, minha cabeça ainda estava em campo.
De dois em dois minutos, colocava de volta no jogo, só para me manter a par do que acontecia e, quando me dei por conta, a TV estava sintonizada na partida outra vez.
Dane-se a maldição do meu pé frio, eu precisava VER!
O fato é que fiquei ali, decodificando o sentido da citação que chama o futebol de ópio do povo, até que.
Até que saiu o gol.
O nosso gol.
O primeiro gol que vi em tempo real do meu Internacional.
Naquele instante, soube que eu nunca mais perderia um só jogo do colorado.

E quarta passada, primeiro jogo da final da Libertadores, estávamos enfrentando o Chivas, do México.
E eu novamente lá, firme e forte, o copo cheio, disposta a passar toda aquela agonia delirantemente deliciosa mais uma vez.
Toda trabalhada na tensão muscular.
E foi então que, mais uma vez, tomamos um gol.
- P#rra, caralh*, filha da p%ta!
Um gol injusto, porém belo, marcado num instante de distração de nosso goleiro.
Veio o intervalo e, no segundo tempo, meu Inter manteve-se sóbrio e concentrado, dominando o jogo.
Pensei: vai sair nosso gol!
Seria muita injustiça perder uma partida na qual só dava nós.
Porém, sabemos: justiça & futebol não costumam andar de mãos dadas, e não foram poucas as vezes que vi times indiscutivelmente superiores em campo simplesmente perderem.
Mas não aquele dia, não com aquele time.
Aos 27 minutos empatamos, e nos 31, viramos.
Iés, bêibe, iés.

Ontem foi a final.
E eu estava, mais uma vez, a postos.
Não poderia nem conseguiria mais não estar.
E desta vez fui fardada.
Abrigo e camiseta do Internacional.
Meu copo cheio.
Tentando enxergar a televisão no meio da neblina de fumaça que meu cigarro criou no meio da sala.
Torcer é mais difícil do que parece.
Mas estávamos com a vantagem.
Jogávamos em casa e jogávamos bem.
O time estava entrosado, a torcida animada.
Porém, apesar de nunca ter assistido aos jogos do colorado, sei bem que futebol só termina quando acaba, e que vantagens e saldos de gol podem se inverter de um minuto para o outro, sem dar maiores explicações.
E, diga-se de passagem, o Inter se dedica a deixar escapar suas vantagens e levar seu torcedor ao limite do tolerável.
Emocionalmente falando, é claro.

Apitou o juiz.
O jogo começou.

Desta vez, estava eu e meu pai.
Ele estava feliz, era a primeira vez que iria assistir a um jogo do seu Inter com a sua filha.
Porém, bastou passarem dez minutos de bola rolando para ele perceber que havia encontrado uma torcedora tão irritante quanto ele.
É, sou irritante.
Do tipo que grita, e geme, e levanta, e reza, e xinga, e grita, e geme, e levanta, e reza, e xinga.
Mas isso já é outra história.
O fato é que, para variar, Inter deu baibai para o seu favoritismo levando um gol no final do primeiro tempo.
Outra vez.
- Tchau vantagem, beijo me liga!

Mesmo assim, não desacreditei.

Não, não desacredito nunca.
Repito: futebol só termina quando acaba, e 45 minutos é uma vida.
Bactérias nascem e morrem em 45 minutos, então porque diabo não poderia reverter aquele placar desagradável?
Se é para desacreditar, desligue a TV e vá ao cinema.

Acreditando, vi meu time fazer um, dois, três gols.
O terceiro foi a consagração, a redenção, o louvor absoluto, o ápice dos efeitos alucinantes do ópio popular: éramos BI CAMPEÕES DA AMÉRICA, e isso estava confirmado antes mesmo do apito final.
Bendita seja a hora em que decidi que precisava entrar em campo junto com nossos onze jogadores.
Chorei, enchi meu copo mais uma vez, agarrei minha bandeira e meus pais e rumei ao centro da cidade, celebrar.
E celebrei.
Junto de outros colorados que nunca vi mais gordos na vida.
Combinamos todos que, em dezembro, nos encontraríamos novamente, naquele mesmo lugar, com aquela mesma emoção, comemorando o BI MUNDIAL que, eu sei, nós sabemos: será nosso mais uma vez!
Obrigada, Inter.
Obrigada, pai e mãe, por serem colorados.
Obrigada, Jana Lauxen, por nunca ter desistido do seu time, mesmo quando a única luz que havia no final do túnel era o trem vindo em nossa direção.
E, Celso Roth, QUERIDO: meu mais sincero PERDÃO!


Adendo:
Este texto foi escrito dia 19 de agosto, um dia depois da conquista da América pelo Sport Club Internacional.
Postei-o somente hoje porque, de lá para cá, busquei deixar o texto mais bonito, mais claro, mais enxuto, de modo a, pelo menos, tentar chegar perto de descrever com palavras a imensa felicidade que sinto pulsar não apenas em meu coração – vermelho, aliás – mas nas ruas, na chuva, na fazenda, numa casinha de Sapê.
Não consegui deixá-lo como gostaria, não mesmo.
Mesmo assim, vale como registro deste momento feliz.
E por falar em momento feliz, deixo abaixo para vocês uma mensagem que está rolando na internet, e que recebi antes mesmo de nosso bi campeonato.
Para refrescar a memória de todos os amantes do futebol:

Quem foi o último time brasileiro a ganhar um título internacional?
S. C. Internacional – Copa Suruga - 2009

E o penúltimo?
S. C. Internacional – Copa Sul-Americana - 2008

E o antepenúltimo?
S. C. Internacional – Copa Dubai - 2008

E o ante-ante-penúltimo?
S. C. Internacional – Recopa Sul-Americana - 2007

E o ante-ante-ante-penúltimo?
S. C. Internacional – Mundial da Fifa - 2006

E o ante-ante-ante-ante-penúltimo?
S. C. Internacional – Libertadores - 2006

Os últimos seis* títulos internacionais de brasileiros foram do Colorado, que ganhou tudo em apenas quatro anos.
É o Internacional, fazendo jus ao seu próprio nome.

(*) Ops.
Agora são sete.
Saudações!

07 agosto 2010

Café Espacial #7 & Bolívia

Gente!
Parem tudo e confiram só a sen-sa-cio-nal capa da revista Café Espacial #7:


Lindoca, heim?
O responsável por tamanha belezura é o talentosíssimo Viktor Sack, nosso hermano ali da Argentina.
O lançamento está previsto para agosto, mas é claro que manterei vocês muito informados sobre todos os detalhezinhos – sórdidos ou não.
Aproveito também para falar sobre um evento mega bacana, do qual a Café Espacial, então representada por seus editores Lidia Basoli e Sergio Chaves, participou.
Falo, naturalmente, da VI Semana del Comic, realizado na cidade de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, e que aconteceu entre os dias 26 e 30 de julho.
Estávamos lá, e foi incrível, e vocês podem saber mais detalhes da nossa participação espacialmente cafeínada clicando aqui.

Então tudo de bom e BEIJO!