29 maio 2010

Craques.

O Blogue da Jana, preocupado que é com o bem-estar intelectual de seus leitores, decidiu fazer este generoso post com citações preciosas de grandes pensadores que - desculpem-me a franqueza - fazem Nietzsche parecer um moleque bocó de quarta série.
Mas antes de prosseguirem preparem-se emocionalmente, pois a leitura destas frases, manifestação máxima da capacidade do intelecto humano, deixará sua naftalina nas alturas.
Peraí, eu disse naftalina?
Sim, eu disse naftalina.
E ainda me perguntam por que eu gosto de futebol.

“O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente”.
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)

“Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde nasceu Jesus Cristo”.
(Claudiomiro, ex-meia do Internacional, ao chegar a Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)

“A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto”.
(Fabão, assim que chegou ao Flamengo)

“Nem que tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola”.
(Bradock, reclamando de um passe longo)

“Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe”.
(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)

“Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol”.
(Jardel, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)

“O difícil, como vocês sabem, não é fácil”.
(Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians)

Esta última, admito, é uma de minhas favoritas - apesar de que não consigo tirar Claudiomiro do meu coração.
Reflitam sobre isso durante o final de semana, e não.
Não precisam me agradecer.
Fui fondo.

24 maio 2010

Razão & Emoção & Fernandão

Parece-me evidente que a vida de todo mundo seria mais simples, prática e saudável se escutássemos mais a voz suave e tranqüila da razão e menos os gritos histéricos e nervosos da emoção.
Nada contra a emoção - fundamental para que se mantenha o sangue correndo quente pelas veias - mas é certo que ela nos aproxima de nossos instintos mais primitivos, cegando nossa visão coerente da situação, e por isso nos colocando em apuros na maioria das vezes.
A emoção é irracional.
Por isso é emoção.
Porque jorra, supura, salta para fora, faz barulho.
Por que bloqueia qualquer linha de pensamento lógico e permite que o sentimento (nem sempre e quase nunca coeso) guie nossas ações.
Durante toda nossa vida vivemos, internamente, a batalha entre razão e emoção.
Entre o que devemos e o que queremos fazer.
Entre o que pensamos e entre o que sentimos.
Uma luta complicada e desigual na qual, na grande maioria das vezes e para a grande maioria das pessoas, quem vence é a emoção, ardilosa e inesperada - aparentemente ela é mais forte, e usa de táticas pouco ortodoxas para tomar o poder.
Os mais românticos costumam engrandecer a emoção, pintando como aborrecível e monótono o sujeito que usa, predominantemente, a razão. Ser racional, dizem, é chato. O racional planeja-se, controla-se, avalia-se, não faz nada inesperado, nunca. Parece frio, calculista e premeditado.
Já o emocional jorra, grita, rasga, atira-se num abismo, e pessoas assim costumam parecer mais interessantes. E até são. Porque estão sempre surpreendendo, porque estão sempre fora do lugar comum.
Mas para o indivíduo - e não para quem assiste aos seus espetáculos - é muito mais inteligente e vantajoso guiar-se pelos conselhos da razão.

Porque escrevo este tratado pobre, porém honesto e limpinho, sobre os rumos que nos levam a tomar razão ou emoção?
Para falar de futebol, é claro.
Um esporte onde a razão não tem vez e onde podemos ver, muitas vezes chocados, pessoas racionais e contidas se transformarem em animais feridos guiados única e exclusivamente pelos impulsos mais bestiais.
Exemplo? Eu.
Óquei, óquei, não posso dizer que sou a pessoa mais centrada, controlada e sossegada que anda sobre a face da terra, mas, como disse acima, primo pela racionalidade em detrimento da emoção. Sempre que esta última vem para me dar uma rasteira, tento - pelo menos tento - parar, respirar, analisar e seguir o que diz minha razão - nela eu confio. E, acreditem: este jeito de encarar os problemas e situações adversas já salvou a minha pele rosada mais de uma vez.
Agora, se quiserem me ver descontrolada, estúpida e louca, me procurem num dia de jogo do Internacional.
Especialmente se estivermos perdendo.
Irão me ver falando tantos impropérios e descalabros que questionarão, com toda a certeza, minha sanidade mental.

Ontem, como alguns de vocês devem saber, teve jogo do Inter lá em casa, no Beira Rio.
Mas não era um jogo comum, não!
Enfrentávamos o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro - o mesmo time que enfrentaremos, por duas vezes seguidas, nas quartas de final da Libertadores da América, num mata-mata que, afinal, acaba matando mesmo é torcedores como eu.
Este jogo foi uma prévia do que, provavelmente, virá por aí, mas não é só isso.
Era também o primeiro jogo em que o Internacional enfrentaria seu ex-capitão, Fernandão, vestindo a camiseta tricolor. Nem tudo era novidade, pois, depois que saiu do Inter, Fernandão já vestiu a camiseta verde do Goiás e enfrentou nosso Inter em nosso Beira-Rio, ano passado. O que aconteceu naquela tarde de domingo de 2009 acabou até virando post aqui no Blogue da Jana (leia clicando aqui).
Então.
Daquela outra vez, Fernandão foi ovacionado pela massa vermelha assim que pisou em campo, e tão logo tocou na bola, passou a ser vaiado pelos mesmos que, até poucos minutos atrás, o saudavam. Ora - repito - torcemos para o Inter, não para o Fernandão. E todo esse entrevero de sentimentos provavelmente deu um nó na cabeça de nosso querido ex-capitão, que acabou expulso nos primeiros instantes do primeiro tempo, depois de fazer uma falta esquisita e sem nexo em outro jogador colorado, o Magrão.
Tava na cara que, naquela ocasião, Fernandão não tinha agüentado o tranco de jogar contra o time que levava no coração.
Sim, Fernandão era colorado de verdade!
Comovida, quase às lágrimas, escrevi o tal texto, que acima deixei o link.

Porém, agora os tempos são outros.
Muita água passou por debaixo desta ponte chamada futebol, e Fernandão, após uma temporada discreta no Goiás, foi contratado pelo São Paulo.
E ontem, Inter enfrentou o São Paulo de Fernandão.
Estava ansiosa para ver o que aconteceria desta vez.
Fernandão chegou a dizer, antes do jogo, que respeitava o Inter e etc, mas jogaria duzentos por cento pelo São Paulo. Fiz uma careta quando o ouvi dizer isso. Confesso: senti uma dorzinha ressentida no fundo do coração.
O jogo começou e, ao contrário daquela partida longínqua contra o Goiás, Fernandão não parecia nem um pouco desmotivado, nem um pouco abalado, nem um pouco sofrido. Muito pelo contrário. Jogou de corpo & alma, e como se não bastasse, ainda fez um gol no segundo tempo, e comemorou efusivamente, dentro da nossa casa, na frente de uma massa de torcedores colorados que, como eu, o amavam!!!
Fernandão, O Desgarrado.
Aqui minha razão vai pro espaço e nasce a Janaína doida demais.
Descontrolada. Sentenciei que Fernandão era um traidor, um Judas. Um cretino, um vendido. Descontrolada. Saí da comunidade cujo nome era Obrigado Fernandão e entrei para a Morra Fernandão. Descontrolada. O odiei com toda a força que fui capaz de sentir, desejei-lhe o mal, a morte, a fome, a dor, o fogo eterno no mármore do inferno.
Minha mãe até tentou, em vão, me acalmar:
- Jana, ele é um jogador profissional.
Profissional é a p%*&@#rra! - respondi exasperada.
Como falar em profissionalismo quando estamos falando de paixão?
E sua relação com o Inter?
E todo amor que ele dizia sentir por nós, colorados?
E as lágrimas de crocodilo que deixou escapar quando foi embora, fazendo com que todos nós, colorados, deixássemos nossas lágrimas honestas escaparem também?
FALSO!
CÍNICO!
AMIGO DA ONÇA!
Fernandão não era colorado coisíssima nenhuma!
Ele me enganou, ele NOS ENGANOU!
Como todo jogador destes novos tempos, onde o futebol arte se tornou apenas uma lembrança remota, quase uma lenda, onde o amor pela camisa foi substituído pelo amor as cifras e chora menos quem paga mais; num tempo onde até paradinhas ordinárias apareceram para tirar todo o tesão e beleza de um pênalti, Fernandão é, no final das contas, como todos os outros.
E se há uma coisa que dói nessa vida de cidadão emocional é ver nossos heróis definharem e morrerem, bem na nossa frente, sem que possamos fazer nada além de lamentar nossa imensa frustração.
Fernandão, O Infiel.
Foi duro, sabe?
Para quem não gosta nem entende de futebol isso tudo pode parecer uma bobagem, um exagero, um disparate.
Mas não, caros leitores.
É a emoção dando uma surra na razão e tomando o poder.
Sempre e mais uma vez.

Agora, passadas algumas horas daquele momento difícil, restou um filete de emoção perniciosa envolta numa razão forçada, constrangida. Nos jornais estão as fotos do crime: Fernandão, com aquela camiseta branca, vermelha e preta com o emblema são paulino, rindo feliz depois do gol que nos enfiou goela abaixo, despudoradamente.
Eu sei, eu sei!
Ele é um jogador profissional e mimimi.
Ele precisa defender o time que lhe paga o salário todo mês e mimimi.
Amigos, amigos, negócios à parte.
Mimimi.
É o que diz, exaustivamente, quase aos gritos, minha razão.
Mas minha emoção quer mais é que essa conversa de profissional vá para o quinto dos infernos, e continua aqui, a lamentar-se, a contradizer-se, a consumir-se.

O que eu ganho com isso?
Nada, além de uma dor de estômago e um embrulhinho na garganta.
É certo que se - e eu disse SE - eu conseguisse sobrepor minha razão à emoção, não estaria sofrendo agora. Muito pelo contrário. Estaria calma e pura, com a coluna ereta e as pernas cruzadas, as mãos sobre as pernas cruzadas e um olhar plácido e calmo, falando com a voz inabalável:
- Jogador pofissional, mimimi.
Mas não consigo.

Ah... a razão.
Deveríamos ouvi-la mais.
Só que agora estou surda.
Irracional.
Dane-se.
Estou sofrendo por causa de futebol, e nem o sofrimento nem o futebol aceitam qualquer argumento da razão – que, apesar da fidelidade, não costuma entender muito bem nossos motivos.

17 maio 2010

Assassinos S/A Vol. II - A Coletânea

Por Manuela A.



Admito: quando a escritora Jana Lauxen me pediu para ler ‘com carinho’ e ‘dar minha opinião sincera’ sobre os originais do segundo volume da coletânea de contos policiais brasileiros Assassinos S/A, que ela organiza ao lado do escritor Frodo Oliveira em parceria com a Editora Multifoco, pensei ‘ih, lá vem mais uma coletânea de ficção policial’. Mesmo assim não recusei, mais por educação do que, de fato, por curiosidade.
E agora, depois de ter lido (ou melhor, devorado ferozmente) os 23 contos, de 22 diferentes escritores brasileiros, posso afirmar com cem por cento de convicção: não se trata de mais uma coletânea de ficção policial.
Trata-se, sim, d’A Coletânea de ficção policial.
Apesar do sugestivo nome, as histórias que compõem esta coleção não são, simplesmente, sobre assassinatos, assassinos, vítimas e investigadores. Além da superficialidade meramente chocante que muitos textos do gênero costumam proporcionar, os assassinos de Jana Lauxen e Frodo Oliveira imergem intensamente na sagacidade do crime, em seus motivos (ou na falta deles) e na mente doentia e arguciosa de seus matadores.
A violência não é gratuita; é elaborada, fidedigna, eqüitativa, quase sincera.
Não encontraremos no segundo volume desta coletânea detetives usando sobretudos e lupas, e nem artimanhas literárias que buscam somente e tão somente assombrar o leitor. Até porque, como sabemos, chocar é fácil, basta apelar. Mas Jana, Frodo e seus autores não apelam. Eles entram, sem bater na porta nem pedir licença, na mente de um matador, e sem procurar justificar seus crimes e atrocidades, apenas nos apresentam o assassino por dentro – por dentro, inclusive, de nós mesmos, nobres cidadãos.
Telefonei para Jana e dei minha sentença:
- É fenomenal!
E ela me respondeu:
- Tem mais!
Ela falava das ilustrações.
Assassinos S/A Vol. II não é apenas A Coletânea de contos de ficção policial. É também A Coletânea de contos de ficção policial ilustrada. E digo mais: divinamente ilustrada.
Jana escalou uma baita seleção de ilustradores, como Mario Cau, responsável pela sensacional capa da edição, Jota Fox, M. Waechter, Rodrigo Molina, Giovana Medeiros, Emerson Wiscow e Daniel Faccio.
Feito. O time estava completo.
Por isso, caros leitores, se posso oferecer um singelo porém sincero conselho, digo-lhes: dêem uma chance para esta que é A Coletânea de contos policiais brasileiros ilustrada. Permitam que Jana Lauxen, Frodo Oliveira e sua trupe entrem em suas cabeças também, e os levem a conhecer a sociedade secreta de seus assassinos, e de seus crimes (im)perfeitos, acidentais, elaborados, prmeditados, ocasionais.
Contudo não se assustem com o que encontrarão ali, dentro do livro.
Conforme descreveu a própria Jana na apresentação da edição, estamos todos ‘ingenuamente protegidos pelas páginas impressas que separam a ficção da realidade’.
Além do que, como disse Hassan Sabbah, fundador da Ordem dos Assassinos, seita ismaelita que, entre o final do século XI e a metade do XIII, trouxe terror e pânico à região do Oriente Médio: nada é verdade.
Logo, tudo é permitido.

Sobre a autora:
Manuela A. é Manuela Ferreira Santos na carteira de identidade. Jornalista, radialista, mãe, irmã e sobrinha, escreve porque não sabe cantar.

11 maio 2010

O Menino João da Revista Ficções.

Conheci menino João no site da Revista Ficções.
Afobório, meu fiel escudeiro, teve um texto seu publicado no site, e eu fui lá conferir. Entre comentários de gente que gostou e comentários de gente que não gostou, deparei-me com João. Assim, simplesmente João; sem e-mail, sem link, sem rosto, sem sobrenome.
Primeiramente, confesso que João não despertou minha atenção – era, enfim, apenas um leitor que, por razões diversas, não havia gostado do texto. Passou. O que aconteceu e me fez, finalmente, reparar na presença discreta porém saliente de João, foi sua verdadeira dedicação em voltar e voltar e deixar centenas de dezenas de comentários no texto de Afobório – texto este que, lembremos, João não gostou.
Cada um que vinha elogiar, lá estava João para depreciar, contra-argumentar, esculhambar.
Aquilo despertou minha curiosidade.
Quem era João?
O que pretendia?
De onde vinha, para onde ia?
Inicialmente, desconfiei que fosse pessoal.
Sim, só podia ser!
Alguém que, por motivos particulares, não gostava do Afobório, resolveu esculachá-lo em público.
Afinal, quem se prestaria a perder preciosos minutos de sua vida depreciando o texto de alguém que simplesmente não conhecia, e por quê?
Como talvez vocês saibam, a cada edição a Revista Ficções publica os textos concorrentes, onde escolherão aqueles que sairão em sua edição impressa. A cada nova edição, os textos e comentários da edição antiga são apagados para que entrem novos textos abertos para novos comentários.
E agora a pouco, depois de quase um mês e despretensiosamente, voltei ao site da Ficções.
Adivinhem quem eu encontrei por lá?
João, é claro!
Não como autor de nenhum texto concorrente.
Mas sim - e como sempre - comentando com carinho e delicadeza os textos concorrentes.
E afirmo-lhes:  aparentemente João é uma pessoa difícil de agradar.

Por isso o Blogue da Jana orgulhosamente apresenta algumas hipóteses levantadas pelo nosso quadro de estudiosos & especialistas em comportamento humano, para que possamos ao menos tentar compreender quem é, o que quer, como escreve e o que pensa que está fazendo esta personalidade ímpar e mística que é

O MENINO JOÃO DA REVISTA FICÇÕES!

Hipótese 1: João, de fato, é um escritor recalcado.
Apesar de simplória, quase ingênua, é uma possibilidade.
Suposição: depois de tentar, durante 20 edições, ter seu conto publicado, sem sucesso, João amargura-se, enclausura-se em um quarto no alto da torre com seu gato preto, tatua Revista Ficções na testa e torna-se um rabugento. Por isso, ao invés de ir para casa escrever, opta por passar seus dias enxovalhando todos os autores que, na sua concepção, ocupam um espaço que deveria ser seu – e somente seu.
Neste caso, sugerimos que os editores da revista fiquem atentos.
João pode estar seguindo vocês, e não estamos falando do Twitter.

Hipótese 2: João é um leitor masoquista.
Então.
As pessoas têm todo o direito de gostar e desgostar daquilo que bem entenderem. Ninguém é obrigado a admirar nada nem ninguém, e por isso defendemos o direito do menino João de não achar nenhum texto publicado pela Revista Ficções bom o suficiente para seu gosto apurado.
No entanto, continua a questão: mas porque raios João vai até lá, lê e se dedica tão veementemente a textos que considera ruins?
Suposição: porque gosta de sofrer.
Porque gosta de se torturar com textos que não estão à altura de seu fino trato literário, e ao invés de ir ler autores que aprecia, prefere padecer no paraíso, consumindo literatura que, na sua brilhante opinião, não possui nenhuma qualidade.
“Existencialóides e vazios - pra não dizer francamente toscos”, segundo sábias palavras do próprio.

Hipótese 3: João trabalha para as revistas Ficções.
Arrá!
Aposto que vocês não haviam pensado nisso!
Quem foi que disse que João é apenas um leitor masoquista, um mero escritor frustrado ou um maníaco-obsessivo-compulsivo comum?
Suposição: João pode muito bem trabalhar para a Ficções, ou até mesmo integrar sua bancada editorial. Sua função: dedicar-se exclusivamente a provocar confusão nos comentários para angariar mais visitas para o site.
EUREKA!
Explico melhor: imaginemos que você é um autor que teve seu texto selecionado e publicado no site da revista. Tudo vai bem até que, de repente, não mais que de repente, sua humilde obra literária passa a ser alvo da fúria descontrolada de um desconhecido que assina simplesmente João. Na tentativa de se proteger, você conta sobre o acontecido para os seus amigos e leitores que, como bons amigos e leitores que são, irão até lá te defender. Inicia-se o bate boca. Neste meio tempo, outros internautas começam a participar. A notícia do embate espalha-se e logo tem uma galera acessando, só para acompanhar o burburinho.
Ora, vocês sabem como as pessoas, seja no mundo real, seja no mundo virtual, curtem um bom quebra-quebra.
É.
Inclusive eu e você.

Hipótese 4: A vida de João é chata.
Pode ser, né?
Suposição: absorvido em um universo triste e monótono, João busca na internet um meio de distrair-se da rotina impiedosa que massacra seus dias, e através de sua verborragia maledicente tenta, desesperadamente, expulsar os fantasmas que assombram sua vida.
Acontece muito.

*

Estas foram as hipóteses que elaboramos até o presente momento.
Porém, incansáveis, a equipe deste blogue decidiu, numa última tentativa de compreender o incompreensível universo de João, pegar uma lupa, vestir um sobretudo bege, meter sobre a cabeça um chapéu e sair a campo investigar a fundo a verdadeira origem e os reais objetivos d’O MENINO JOÃO DA REVISTA FICÇÕES.

E veja o que descobrimos, atônitos, em seu penúltimo e adorável comentário no site da Ficções, datado de 9 de maio de 2010.
Diz João:

se não fui selecionado para esta edição é porque não enviei nenhum texto - ao contrário do que ocorreu na última, quando enviei e o tive selecionado”.

PÁRA TUDO!
Se a atual edição é a 20, a última era, naturalmente, a 19, correto?
E Afobório, uma das muitas vítimas literárias da furiosa metralhadora de João, publicou exatamente... na edição 19!
Quer dizer que João estava ali disfarçado, camuflado e encoberto tal e qual um camaleão, com seu texto devidamente publicado, E NÓS NEM FICAMOS SABENDO?
Estava na nossa cara o tempo inteiro, como deixamos escapar???
PORRA João, porque não nos alertou???

Mas João explicou porque não nos alertou.
Sim, em seu último comentário ele deixou escapar que:

Só não publico com o pseudônimo de João porque sei que a patota cairia em cima do judeu enlouquecido”.

Apesar de não captarmos a magnitude e a significação da parte em que fala de patota e judeu enlouquecido, está confirmado: João não assina seu verdadeiro nome por receio de que outros Joões o ataquem, tal e qual ele próprio faz.
Julgamos os outros por nós mesmos, teria comentado minha lúdica vovozinha.
E tem mais: um de nossos detetives contratados observou também, muito prudentemente, que João possui o estranho hábito de espezinhar apenas os textos mais comentados.
Seria, então, a Hipótese 1 a verdadeira?
Não percam os próximos capítulos desta emocionante história real!!!

*

Por tudo isso, leitores engajados deste Blogue, ajudem-nos a entender e a descobrir quem é esta figura singular que, há algumas edições, nos emociona e sensibiliza no site da Revista Ficções.
Escreva para nossa equipe: hipotesejoao@gmail.com e dê sua contribuição.
Vale palpite, elaboração de novas teorias, pistas sobre o paradeiro de João, sugestões de linhas de investigação.
Também ficaríamos estonteantemente felizes se descolássemos o link do blogue de João ou os originais de alguns de seus textos, onde pudéssemos ter o prazer inenarrável de desfrutar de sua literatura que, apesar de não conhecermos, temos certeza que deve ser CATIVANTE - para dizer o mínimo.
E João: se estiver lendo isso agora, por favor, entre em contato com nossa equipe.
Queremos tê-lo, lê-lo, vê-lo, sabê-lo, entendê-lo, conhecê-lo!
Não desistiremos de ti, ó menino João.
E para nos despedirmos em grande estilo, encerramos este texto investigativo com uma frase profética e hipotética dele, nosso maior guru:

Quando um burro fala o outro baixa a orelha”.
(João)

Atenciosamente.
Equipe Blogue da Jana

10 maio 2010

HPV

Sabe o que é?
Pois deveria, camarada.
O HPV é um vírus capaz de provocar, inicialmente, microscópicas lesões de pele ou mucosa.
Na maior parte dos casos, tais lesões têm crescimento limitado e geralmente regridem espontaneamente.
No entanto, às vezes, o vírus se transforma em câncer no colo do útero e causa um tremendo estrago.
E nem adianta ir assobiando e saindo de fininho, mocinha.
Falo justamente para você.
Veja só: segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, entre 50% e 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV, em algum momento de suas vidas.
Um número pra lá de significativo, concordemos.

Por motivo que desconheço, o HPV não é muito popular.
Quase ninguém fala, quase ninguém sabe, quase ninguém viu.
Eu mesma, que tenho curso superior completo, acesso à informação e muitos outros atributos que me candidatam a ser considerada alguém intelectualmente ativa, só tinha ouvido falar superficialmente do dito.
Sabia que existia uma doença com este nome, e aqui terminava meu número de informações sobre o assunto.
Até que num belo dia do ano de 2006, chocada, descobri que eu tinha HPV.
Engraçado como nunca pensamos que qualquer coisa vá um dia acontecer com a gente.
Mas acontece.
Não é só com Os Outros, acredite.
E não: grupos de risco não existem mais, e tem tempo.

Isso significa, cara leitora, prezado leitor, que você, sua irmã, seu sobrinho e até sua tia-avó podem estar com o vírus ali, bem quietinho e há muito tempo, e sequer imaginar que isso é possível.

É que o HPV é um vírus cretino.
Pois, se você enxergá-lo, é porque a coisa já complicou.
Ele não causa NADA, absolutamente.
Nem dor, nem coceira, nem corrimento, nem sintoma nenhum.
Apenas fica ali, na dele, como quem não quer nada.
Até que um dia, e se por azar seus anticorpos não o expulsarem dali, vira câncer.
Considero importante assinalar que 99% (sim, noventa e nove por cento) dos casos de câncer do colo de útero estão diretamente relacionados ao HPV.
E todo ano, mais de sete mil mulheres morrem no Brasil em decorrência deste tipo específico de câncer.

Por isso, amiga, vá o quanto antes fazer um exame chamado Papanicolau.
É ele quem vai lhe mostrar se você também faz parte destas estatísticas.
O tratamento é simples, e nem dói.
E caso se confirme, além de se tratar não esqueça de pedir ao seu parceiro que procure um urologista e busque fazer os exames necessários também.
Apesar de não existirem estudos conclusivos, no homem o HPV pode causar câncer de pênis - além do que, por mais que o vírus seja consideravelmente mais cruel para elas do que para eles, os homens, se infectados e não tratados, continuarão a passar o vírus indiscriminadamente, mundo afora.
Por isso é tão importante que tanto homem quanto mulher busquem descobrir se não estão hospedando um vírus que, apesar da pouca popularidade, é um verdadeiro e silencioso vilão.

Agora.

01 maio 2010

Respeitável público!

Novidades maneiras na área:

* Você mora em Bauru? Curte um bom e velho roquinho? E café, curte? Então perfeito, porque dia 7 de maio, sexta-feira, no PUB Área 51 ((Av. Duque de Caxias 8-40 – Bauru) vai rolar o lançamento do primeiro cd da banda Vitrola Vil, presente na Café Espacial #6. Você paga dez pilas e ganha de consumação um exemplar da Café Espacial #6. Tri bom, né? Se eu não estivesse em outro estado, estaria lá.


* Aliás, acho importante avisar que a Café Espacial desbravou fronteiras, entrou num avião e agora está a venda também em Portugal, mais precisamente em Porto, numa galeria cujo sensacional nome é Dama Aflita.

* E tem ainda uma resenha escrita pelo Lielson Zeni sobre a revista, publicada no blogue da Itiban: Pra Não deixar Esfriar. Clique aqui e deguste sem moderação.

 
* O querido Josué de Oliveira comprou, leu e resenhou meu estimado Uma Carta por Benjamin. Leia clicando aqui. Demais.

* Ah! E por falar em Benjamin, aviso aos presentes que, muito em breve, vai rolar uma promoção estupenda do livro. Aguardem.


* Comunico também que o Selo Literarte está no Twitter. Clique aqui, nos siga e acompanhe nossas notícias, lançamentos, concursos e novidades.

* E já que falamos em promoção, tenho uma da boa para contar: tá rolando no blogue oficial da coletânea Assassinos S/A uma promoção que, se não for imperdível, então não sei o que é: você compra um exemplar do livro (Vol. I ou Vol. II) por R$20 e os dois por R$35.
Isso mesmo: um por R$20 e dois por R$35.
Frete incluso e tudo o mais.
Se analisarmos que apenas um exemplar custa R$28, então calcule o desconto.
Ficou tri interessado?
Então escreve para assassinos.anthology@editoramultifoco.com.br e encomende o seu.
Ou os seus.
E rápido, porque a promoção vai até o dia 31de maio ou enquanto durar nosso pequenino estoque.
Ps.: Aguce sua mórbida curiosidade clicando aqui e aqui para ler trechos dos contos que estão em nossos dois volumes.
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Tchau, bêibes.