29 abril 2010

8 de março de 2007.

Divido minha vida em antes e depois de.
Até este dia, eu era uma Jana Lauxen.
Tinha 22 anos, havia recém me formado na faculdade de Publicidade & Propaganda - sabendo de antemão que não era nada disso que eu queria - e havia também recém terminado um relacionado que, cem por cento de certeza, foi o mais chato e problemático da minha vida. Um ano e três meses passados presa dentro de uma gaiola imaginária, sendo alimentada com alpistes estragados por um sujeito que, para não dizer coisa pior, era doente.
Um sujeito que me impedia de existir.
Foi difícil escapar dele e de sua jaula, mas, uma semana antes do dia 8 de março de 2007, eu consegui. Com a ajuda dos meus pais, é verdade, e ameaçando chamar a polícia e armar um barraco, também é verdade, mas enfim. Consegui.
Foi numa quinta-feira.
Passei aquela primeira semana livre desconfiada.
Ora, era estranho.
Meu pai sempre me dizia, quando eu era criança, que se soltamos um passarinho que viveu muito tempo dentro de uma gaiola, ele morre.
Por isso estava ressabiada.
Havia me desacostumado com a liberdade.
Porém, lembrava bem dela.
Lembrava o quanto era preciosa e fundamental para que possamos manter um mínimo de dignidade e de sanidade mental.
Todo mundo precisa de liberdade, afinal.
E eu queria-a de volta, e estava disposta a ficar sozinha forever, caso fosse este o preço que ela cobrasse para voltar para mim.
E sete dias depois do dia em que expulsei o sujeito que roubou a liberdade de mim durante um ano e três meses - sete dias depois de haver decidido que da minha liberdade eu não abriria mão nunca mais, e fim de papo - eu conheci um cara.
A vida faz dessas coisas.
Arma arapucas, armadilhas, inverte as placas, muda o roteiro e as regras do jogo e nem sequer avisa.
Então.
Eu conheci um cara, e disse que o amava assim que o beijei pela primeira vez.
Admito que eu havia tomado uma garrafa inteira de vodka, mas eu o amei assim que o beijei.
Acho que o amei até antes disso, mas depois do beijo, tive certeza.
Eu o amava.
Desesperadamente.

Mas, mesmo assim, não iria entregar a ele minha liberdade, não outra vez.
Havia concluído que uma pessoa que lhe impede de ser livre não é merecedora de porcaria nenhuma.
Acontece que ele não pediu minha liberdade em troca do seu amor.
Muito, muitíssimo pelo contrário.
Lembro-me até hoje que, naquela mesma noite, enquanto conversávamos, ele disse: minha filosofia de vida se fundamenta, basicamente, na seguinte teoria: “aquele que colocar as mãos sobre mim para me governar, é um usurpador, um tirano. Declaro-o meu inimigo”.
Era o homem da minha vida.
Definitivamente.

Mesmo assim, faltava a convivência.
Afinal, fazia apenas algumas poucas horas que estávamos ali, juntos, e dizer um monte de coisas agradáveis é fácil, todo mundo que tem boca e cordas vocais é capaz de falar.
E de mentir.
Mas não, ele não mentiu.
E hoje, mais de três anos depois daquela noite feliz, posso afirmar com toda a certeza do mundo: existe, sim, alma gêmea.
Existe, sim, amor perfeito.
Existe, sim, príncipe encantado.
Talvez não tal e qual os contos de fadas e as novelas costumam representar, mas, em sua essência, existe.

Este cara que dividiu minha vida em antes e depois de se chama Alexandre.
Para os íntimos, Cavanhas.
Para os internautas, Afobório.
E, sem medo de exagerar, posso afirmar a todos que, por ventura, aqui passarem, que ele foi o cara que salvou a minha vida.
Salvou-me de mim mesma.
Salvou-me da minha compulsão crônica aliada a uma imaturidade imensa, que provavelmente me jogaria para o fundo do poço, se é que mais fundo no poço eu seria capaz de descer.
Ele me atirou uma cordinha e me puxou para cima.
No entanto, me alertou: se você não ajudar, não vou conseguir te tirar daí.
Então eu me esforcei, e a luz que enxerguei no fim do túnel, desta vez não era o trem vindo em minha direção.
Era ele.
Com uma lanterninha na mão.

E hoje, exatamente hoje, meu garoto faz 32 anos.
É, está de aniversário.
E se eu pudesse, gostaria de lhe comprar o mundo inteiro, embrulhá-lo para presente e lhe entregar com um laço vermelho em cima e um cartão, dizendo que ainda assim é muito pouco perto do que ele fez por mim.
Infelizmente, não posso.
Mas não importa também.
Nenhum presente, por maior, mais caro e mais importante que seja, seria capaz de representar todo o amor, toda a amizade e toda a gratidão que sou capaz de sentir por ele, e sinto.
O Cavanhas me faz querer ser uma pessoa melhor todos os dias, me faz querer ficar viva para poder continuar ao seu lado, rindo dos seus comentários prudentes, e rindo também das suas rabugices, e admirando cada vez mais e mais sua imensa capacidade de se doar, de ser um HOMEM de verdade, com H maiúsculo e caps lock ligado.
Meu amigo, meu amor, meu cúmplice.
A liberdade é, de fato, mais importante que o pão.
É o amor, em sua forma plena e irrestrita.
Foi ele quem me mostrou que isso não precisa ser apenas uma teoria bonitinha.
Pode ser verdade.

23 abril 2010

Legalize.

Eu acredito muito no poder dos pratos-limpos.
Do preto-no-branco.
E entendo que não existe maneira melhor e mais confiável de resolver qualquer problema do que colocando-o sobre as luzes dos holofotes, tratando-o com a devida e merecida seriedade.
Proibir, criar tabus, blefar, varrer para debaixo do tapete e assobiar para disfarçar nunca resolveu problemática nenhuma, muito pelo contrário: apenas acresceu àquelas que sempre existiram.
E é por isso que afirmo, com convicção: está na hora de começarmos a falar sério sobre legalizações.
Sem histeria, fanatismo ou crendice.
Inicialmente, sugiro debatermos a regularização da maconha e do aborto.
Sim, maconha e aborto.
E desfaçam essas expressões de chocados, que isso não colaborará para tirar nossos pés da areia movediça na qual nos enfiamos.

Primeiro: esqueçam, definitivamente esqueçam, essa conversinha mole-pra-boi-dormir de que legalizar irá promover uma enxurrada de gente atrás de baseados e clínicas de abortos.
Isso não vai acontecer.
Sabem por quê?
Porque isso já acontece.
É, acontece.
Basta ligar a TV e abrir o jornal.
Os dados – estarrecedores – estão ali: só no Brasil, 3 milhões* de pessoas fumam maconha, e todo ano são feitos mais de 1 milhão e meio** de abortos clandestinos.
Ou seja: do jeito que estamos tentamos resolver até agora não está funcionando.
E não sou eu quem diz, são as pesquisas, os números, os fatos.
Seria inteligente, talvez, mudar de tática, porque esta que estamos usando, há tanto tempo, categoricamente não está dando certo.

Segundo: não confundam, peloamordedeus, legalizar com incentivar.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Quando falo em legalizar a maconha e o aborto, não quero dizer que vá passar propaganda no intervalo da novela das 8 dizendo ‘fume’ ou ‘aborte’.
Não, não mesmo.
A legalização irá permitir, inclusive, um debate mais seguro e saudável sobre porque não se deve fumar ou abortar.
Veja, por exemplo, o cigarro.
Mesmo legalizadíssimo e de fácil acesso, graças a campanhas de conscientização o número de fumantes cai ano após ano.
Porque não utilizar deste mesmo artifício para combater o aumento descontrolado de abortos e maconheiros Brasil afora?

Terceiro: não, eu não sou a favor do aborto.
Para mim é assassinato, não interessa se feito na primeira ou na última semana de gestação.
Acredito que, no momento da concepção, já existe vida e fim.
E ninguém, ninguém mesmo, vai demover esta idéia da minha cabeça.
Não faria, jamais, e não posso negar que tenho um certo desprezinho por quem já fez.
Sou contra, mil vezes contra, cem milhões de vezes contra.
No entanto, ninguém deixa de abortar por causa disso.
Muita gente não pensa como eu, e da mesma maneira que ninguém vai demover da minha cabeça a idéia de que aborto é, sim, um assassinato, ninguém vai demover da cabeça dessas mulheres que aborto não é, não, um assassinato, e que elas têm direito sobre seu corpo e blábláblá.
Aí vocês me dirão: então você é a favor de que legalizem o que chama de assassinato?
Sim, sou.
Porque vão fazer de qualquer jeito, então que façam dentro da lei, para que o assunto possa ser discutido abertamente, sem dogmas e preconceito.
E depois, que cada mãe se entenda com sua consciência.

Quarto: também acho melhor não fumar maconha do que fumar maconha.
Para algumas pessoas a dita cuja faz muito mal, é fato.
Não deveríamos fumar maconha.
Nem consumir gordura trans, açúcar, álcool, sal, chás alucinógenos.
Mas ninguém se importa.
Todo mundo fuma maconha, e consome gordura trans, açúcar, álcool, sal e chás alucinógenos.
Não é porque está proibido, ou porque especialistas não recomendam, que alguém deixa de fazer qualquer coisa.
Com a maconha é a mesma conversa.
Ninguém se importa se a maconha está proibida; muita gente fuma e acabou.
Até a velha e estereotipada imagem do maconheiro fedido e chapado atirado na valeta já ficou para trás há muito tempo.
Hoje em dia sabe-se que, quem fuma maconha pode, além de fumar, trabalhar, sustentar uma casa, ter filhos, emprego, sucesso profissional e uma vida perfeitamente normal. Podem até serem atletas olímpicos, não é Giba?
Ou não, pois a maconha também faz muito mal e etc, mas isso é problema do sujeito que resolveu fumar.
Legalizando, descentralizaríamos o comércio das mãos de traficantes armados e aliciadores de menores, e teríamos, o estado e os cidadãos, mais controle sobre o estado e os cidadãos.
Capitão Nascimento até poderia deixar de lado seu discurso sobre ‘a maconha que financia o tráfico de drogas e mimimi’.
Não financiaria mais, iés.
Na minha opinião, é mais simples e eficaz legalizá-la do que esperar que os 190 milhões*** de maconheiros que existem no mundo parem de fumar apenas porque um publicitário espertão inventou um slogam espertão que diz ‘quem fuma maconha financia a violência’.
Ponto final.

Quinto: precisamos, urgentemente, deixar a hipocrisia de lado e encararmos nossos problemas de frente, com coragem e boa vontade para resolvê-los.
Varrê-los para debaixo do tapete ou torná-los ilegais não está funcionando, e precisamos aceitar isso com maturidade e lucidez.
Legalizando-os, poderíamos mais facilmente falar sobre eles, discuti-los, criar meios e maneiras de preveni-los, combatê-los, reduzir seus danos.
Já passou da hora do estado deixar de ser nosso papai & mamãe e nos emancipar, cortar o cordão umbilical, nos deixar responsáveis pelas nossas escolhas.

Por mais que você não concorde com uma só palavra do que escrevi aqui, é preciso que reconheça que pessoas abortam e pessoas fumam maconha, quer queira, quer não queira, e proibir não tem ajudado a diminuir estes números.
Bem pelo contrário.
E se legalizar não for a melhor saída, que levante a mão e se manifeste quem tiver uma idéia melhor.

* segundo Relatório Mundial sobre Drogas 2008, ONU.
** segundo dados da Universidade de Brasília
*** segundo dados da ONU.

Publicado na Revista Zena.

Leia também a crônica que Jorge Dimas Carlet escreveu depois de ler Legalize.
Recomendo.
Um ótimo complemento para as idéias contidas aqui.

19 abril 2010

Coletâneas Literarte.

Eu não disse, eu não disse?
Novidades tribacanas pintando na área.
Depois do lançamento do Selo Literarte, da Ed. Multifoco, estou aqui pra comunicar para todos os presentes o lançamento de nossas duas primeiras coletâneas.
Sim, exatamente.
Crônico! e Quadrinhos em História estão com as inscrições abertas até agosto.
Calma, eu explico!
Crônico!, organizada pelo escritor Beto Canales, autor do livro A Vida Que Não Vivi, reunirá 25 crônicas ilustradas versando sobre os mais variados temas, enquanto Quadrinhos em História, sob o comando de Sergio Chaves, editor da premiada revista Café Espacial, será a primeira coletâneas de HQs da Editora Multifoco.
Se interessou?
Então clica aqui e saiba maiores detalhes sobre as duas!
E se você fotografa ou ilustra, entre em contato com o nosso Banco de Artista clicando bem aqui.
Mas antes de qualquer coisa, leiam este texto e este texto.
É importante.
Aquele abraço.

13 abril 2010

A diferença entre o novato e o amador.

Novatos todos somos, já fomos ou um dia seremos.
Quem está iniciando, seja em uma profissão, em um emprego, em uma faculdade, é um novato.
E o novato, é claro, ainda é inexperiente – por isso a alcunha, novato.
Está começando, não conhece ainda as manhas e artimanhas do terreno desconhecido no qual dá seus primeiros passos.
Porém – e isso é muito importante – ser novato não significa ser amador.
Porque o amador não é profissional, enquanto o novato pode ser.
Existem muitos, que há muito tempo estão ali (na profissão, no emprego, na faculdade), e continuam sendo amadores.
Veteranos muito mais amadores que muitos novatos profissionais que andam por aí.
Não podemos, de maneira nenhuma, confundir um com o outro.
Porque o amador é irresponsável, não cumpre prazos, datas, não se interessa e nem respeita o trabalho das outras pessoas que também estão envolvidas.
O amador acredita piamente que apenas seu talento o salvará do anonimato.
Acha, ingenuamente, que o mundo se adaptará a ele, e não o contrário, apenas porque faz bem feito aquilo que se comprometeu a fazer.
Ilusão.
Não posso ainda dizer que sou uma veterana naquilo que faço, mas lá se vão quase 7 anos que trabalho envolvida com mercado editorial e livros e ilustrações e trabalhos em equipe e projetos e prazos e orçamentos e planilhas e etc.
E se existe uma coisa que aprendi foi que talento, só talento, não serve para absolutamente nada quando faltam outras características tão ou mais importantes quanto.
Ficou chocado com essa afirmação?
Pois vá se acostumando, camarada, se quiser, um dia, ser considerado um profissional naquilo que faz.

É evidente que alguém desprovido de qualquer tipo de talento vai ter mais dificuldade de encontrar seu lugar ao sol.
Porém, vivemos uma época em que todo mundo escreve, e todo mundo ilustra, e todo mundo fotografa, e todo mundo é artista – uma boa parte, inclusive, são também muito melhores no que fazem do que eu e você – de modo que, para se destacar no meio de tanta gente, é preciso, além de talento, ter responsabilidade, boa vontade, profissionalismo e, o mais importante de tudo: humildade e dedicação.
Parece clichê, mas é a mais cristalina das verdades: o talento, sem estas outras qualidades imprescindíveis, é fogo de palha – vira cinza depois de alguns poucos minutos.

Eu, por exemplo, já tive contato com escritores verdadeiramente promissores. Gente que simplesmente reinava escrevendo, que dava gosto de degustar linha por linha.
Talento puro.
Autores que, sem dúvida nenhuma, mais cedo ou mais tarde acabariam chegando aonde gostariam de chegar.
Mas – e sempre existe um MAS – eram completamente descompromissados e megalomaníacos. Acreditavam que bastava escrever seus maravilhosos textos e pronto: as portas do paraíso e do prestígio se abririam sem nenhuma dificuldade para eles.
E por isso, simplesmente ignoravam toda a parte profissional de seu trabalho, julgando que a inspiração substituiria a transpiração, necessária para que as coisas aconteçam dentro de um mínimo de organização e seriedade – principais bases do profissionalismo.
Ora, não é porque trabalhamos com arte e etc que vivemos em um oba-oba.
O que acontecia, então?
Estes talentosos autores acabavam simplesmente descartados.
Sumariamente substituídos por medianos autores – que de fato não escreviam tão bem quanto eles, porém estavam comprometidos profissionalmente com seu trabalho.
E estes, acreditem, apesar de não serem exemplos irrefutáveis de aptidão e criatividade, pegaram os lugares daqueles que escreviam com bem mais propriedade; mas eram amadores.
Tudo porque algumas virtudes substituem, sim, o talento.
E é por isso, amigos, que encontramos por aí escritores, fotógrafos e ilustradores que nem são tão bons assim, mas são reconhecidos, prestigiados, bem-conceituados.
Porque cumpriram os compromissos que assumiram e, devagar e sempre, ganharam terreno e conquistaram o espaço que os amadores nunca conquistarão.

Está achando esta conversa toda muito careta?
Pois trate de repensar seus conceitos, amigão.
Precisa-se e prefere-se mais, e muito mais, novatos profissionais do que grandes talentos amadores.
Reflitam.

10 abril 2010

Esclarecimentos quanto à questão Remuneração

Interessados em participar de nosso banco de artistas, ilustradores e fotógrafos entraram em contato comigo, pedindo maiores detalhes e informações sobre como funcionaria esta parceria.
Eu sempre respondo, pedindo que enviem uma amostra de seu trabalho e explicando como tudo funciona – o que vem a ser mais ou menos assim: depois de manifestarem vontade e disponibilidade para integrarem nossa bancada, e assim que surgir uma oportunidade, casaremos o trabalho de ilustração ou fotografia com o texto de um de nossos autores. Pode acontecer amanhã, pode levar alguns meses, mas quem estiver cadastrado, acreditem, será chamado sim, mais cedo ou mais tarde.
Quando isso acontecer, o artista em questão receberá um resumo dos capítulos selecionados pelo escritor e produzirá, livremente, tais ilustrações ou imagens, num prazo máximo de 45 dias.
Escritor e ilustrador/fotógrafo podem e devem trocar uma idéia, mas o escritor não terá o direito de aprovar ou desaprovar o resultado final, em sinal de respeito ao trabalho do artista, que precisará apenas acatar o fato de que as imagens, sejam fotografias ou ilustrações, deverão ser em preto e branco, para não aumentar substancialmente o preço final da obra, tornando-a inviável. Colorida, só as imagens de capa e contracapa.
Até aqui, tudo bem.
O problema aparece quando falamos em pagamento: a título de remuneração, o ilustrador ou fotógrafo recebe um exemplar da obra e, claro, divulgação para seu trabalho.
- Só???
É o que muitos perguntam.
Vários artistas têm se manifestado contrários a este pagamento, que consideram ‘simbólico’.
E este texto tem por finalidade esclarecer esta questão.
Vejam bem: a Editora Multifoco, mãe do Selo Literarte, é voltada única e exclusivamente para novos autores – novos autores de livros, de ilustrações, de fotografias, e, em breve, novos músicos também.
Trabalhamos para aquele cara que quer muito ver seu trabalho publicado profissionalmente, mas simplesmente não tem dinheiro para bancar uma produção independente – coisa que, em nosso país, convenhamos, é bastante cara. Basta conferir os preços de editoras por demanda, que publicam somente quem pode pagar.
Não é este o nosso foco e muito menos o nosso objetivo, e é por isso que a Multifoco está revolucionando, sim, nosso mercado editorial.
Por isso, o simples fato de seu trabalho estar impresso em uma publicação séria e profissional, por uma editora séria e profissional, sem que você precise desembolsar um centavo para isso, já é pagamento mais do que suficiente – eu acho.
E não digo isto apenas como representante editorial do selo, mas como a escritora que sou, acima de qualquer outra coisa, e que encontrou aqui, de fato, oportunidade.
Evidente, alguns escritores, ilustradores e fotógrafos não precisam de divulgação, e para estes, sim, o pagamento pode ser considerado ‘simbólico’.
Afinal eles já as têm, e estes não estão em nosso enfoco.
Por isso, gostaria de deixar bem claro: se você já é publicado, se pagam para que você fotografe, escreva ou ilustre, se meios de comunicação lhe procuram solicitando serviços, com certeza a Editora Multifoco não é para você.
E, por favor, não levem isto como uma ironia, um desaforo, uma má educação; é apenas a verdade.
Nosso maior objetivo é oportunizar a quem não tem oportunidade (e nem grana) a chance de colocar seu trabalho no mercado, para que, num futuro próximo, possam sim ser considerados veteranos, e estar sim cobrando e sendo sim procurados para ilustrar, fotografar e escrever.
Por enquanto, somos novatos, e precisamos aceitar isso.
No entanto, por motivo que, juro por Deus, não compreendo, alguns ainda acham isso ‘pouco digno’.
Esperam que a editora arque com todas as despesas & responsabilidades, e ainda lhes paguem alto.
Querem escrever seu livro, fazer sua ilustração ou fotografia, e sentar no sofá confortavelmente, esperando os louros da fama e do sucesso cair em seus colos e os reais em sua conta bancária.
Não funciona assim, minha gente.
Infelizmente não.
Por isso, pense bem antes de entrar em contato com nosso selo, e também com a Editora Multifoco.
Se considera divulgação e oportunidade de publicar profissionalmente pouco como pagamento pelo seu trabalho, respeito sua opinião, mas não poderemos mudar nosso método de atuação, que têm se mostrado saudável e eficiente, apenas porque você acha que devemos.
Como disse acima, sugiro, então, que procure editoras e meios de comunicação dispostos a pagar aquilo que você acredita valer seu trabalho.
Boa sorte para todos nós e um grande abraço.

05 abril 2010

Assassinos S/A Vol. II – O Vídeo

Atenção, atenção!
Já está no ar o espetaculoso vídeo de divulgação da coletânea de contos policiais mais incrível e sanguinolenta do sistema solar:


Divulguem, assistam, assistam de novo e divulguem outra vez.
Até porque, ficou PHODA!
Daqui a pouco volto contando tudo o que rolou na Lapa, sábado de tarde, durante a festa de lançamento da coletânea – incluindo os detalhes mais sórdidos.
Aguardem e confiem.

03 abril 2010

Comentários.

Então me perguntaram:
- Jana, porque não dá para comentar no teu blogue?
- Jana, porque não dá para comentar no blogue da Assassinos S/A?
- Jana, porque não dá para comentar no site do selo Literarte?
Muitas dúvidas entre a comunidade.
Por isso cá estou, disposta a esclarecer todos estes complexos questionamentos.
Por tópicos, porque adoro tópicos.

Latidas.

Sim, muitas latidas – este é o motivo número 1.
Sempre disse que pessoas que latem não mordem, mas ficar ouvindo aquele auauau no ouvido é altamente cansativo e estressante.
Você abre os comentários e precisa ficar AGOENTANDO gente covarde que, por trás de pseudônimos e apelidos, acha que sua caixa de mensagens é vaso sanitário para ficarem vomitando sua frustração e sua insatisfação crônica com a vida.
Confundem, como muito bem especificou a incrível e agora mãezona Flávia Brito, liberdade de expressão com libertinagem de expressão, e desconhecem todos os princípios básicos da boa educação.
Não posso com gente assim.
NÃO POSSO!

Posso dar minha opinião?

NÃO!!!!
A não ser, é claro, que eu pergunte.
Mania xarope essa de chegar no blogue de alguém, ler o texto e deixar apreciações inoportunas como: adorei, mas acho que...
Não, amigo, não ache nada.
Se não gostou do texto, simplesmente clique naquele X ali, no canto direito do seu monitor, e feche a página.
Se gostou, que bom, que ótimo, que lindo.
Se, na sua opinião, o texto ficaria melhor escrito de outro jeito, abra o Word e escreva do seu jeito.
É insuportável ficar lendo as brilhantes opiniões literárias de gente que você nem sabe de que buraco saiu sobre uma criação sua.
Se eu quiser uma opinião, pedirei.
Caso contrário, recolhamo-nos a nossa insignificância, combinado?

Caçadores.

Os piores entre os piores.
Na tentativa desesperada de angariar mais comentários para seu blogue (muita gente, ingenuamente, ainda credita a popularidade de um blogue a quantidade de comentários em cada texto), invadem teu blogue, nem lêem teu texto e deixam comentários desprezíveis do gênero: oi, adorei o texto, visita o meu blogue...
Isso é de uma falta de educação, consideração e gentileza que nem sei comensurar.
Não façam isso.
É feio, é desprezível, é irritante, pedante, ordinário.
Fim de papo.

*

Pois é.
Na minha opinião (sim, posso dar minha opinião aqui porque aqui é o meu blogue) nenhum texto, em nenhum site, deveria ser aberto a comentários.
É uma pena, mas, raras exceções, as pessoas não sabem comentar.
Nem o que, nem quando, nem como.
Se, por acaso, você discordou da opinião que consta no texto ou tem algo a acrescentar ao que está ali escrito, escreva ao autor, com educação e grafia correta, expondo seu ponto de vista. Isso sim é saudável, pois gera uma troca de idéia que, se formos pensar bem, é o objetivo primordial dos blogues.
Agora, se você acha que o autor deveria ter escrito diferente, fique na sua e escreva você, da maneira que julga ser a correta. Não somos os donos da verdade. Ninguém. Nem eu, nem você, nem ninguém, portanto, vamos nos respeitar.
Mas se quiser popularizar seu blogue, escreva coisas interessantes, inéditas, e tenha paciência. O número de comentários não significa nada. Não é índice de popularidade, não senhor. E digo mais: constranger outros blogueiros a acessar o seu blogue é quase indigno. Acreditem nisso.
Ademais, estou super aberta para trocar idéias, conversar, discutir - porém com classe, elegância e educação.
Está mais do que na hora de aprendermos a usar nossa liberdade de expressão, que tantos socos e pontapés em porões do DOPS custou.
Ah!
Antes de finalizar, lembrem-se que sinceridade não precisa vir atrelada a falta de educação.
Ainda existe gente que se orgulha de ‘falar o que pensa, na cara, na lata, sem meias palavras’, sem perceber que, como disse no início deste texto, não passam de vira-latas latindo no portão – vira-latas estes que, basta você sapatear no chão, correm para debaixo do sofá, assustadinhos.
E perdoem-me aqueles que não compactuam com tudo que descrevi aqui.
São vocês mesmo que despertam em mim a esperança em um futuro melhor e mais cor de rosa.
Aquele abraço.