27 março 2010

Isabella Nardoni era minha filha.

Sua irmã.
Sobrinha do meu pai.
Prima da minha mãe.
Amiguinha do meu afilhado.
Enteada do teu vizinho.

Todos adotaram Isabella, de uma maneira ou de outra.
Ela transformou-se num símbolo, a representar todas as crianças - e, porque não dizer, todos os adultos também - que sofrem ou já sofreram violência extrema, estúpida, covarde.
Por isso nosso clamor por justiça, quase doentio.
Ouvi de algumas pessoas que toda a cobertura midiática deste caso aconteceu apenas porque “Isabella era rica. Se fosse pobre, nenhuma pessoa ligava”.
Que “coisas deste tipo acontecem todo dia e ninguém se importa”.
Que “a mídia sanguessuga é aproveitadora e não respeita a dor da família”.
Bem, Isabella não era rica. Se ela era, então eu também sou.
Coisas deste tipo, de fato, acontecem todos os dias, e eu juro que não sei por que algumas tomam proporções astronômicas enquanto outras caem no completo esquecimento – creio que nem Freud explicaria.
E a mídia é, sim, sanguessuga e aproveitadora, tal e qual somos todos nós – a dor sempre despertou e sempre despertará no ser humano uma curiosidade quase mórbida, que nada mais é que uma tentativa vã de tentar compreender o que não tem compreensão.
Não é esta a questão.
O caso Isabella cresceu e insuflou-se porque nós a adotamos.
E porque, enquanto povo brasileiro, estamos esgotados, fatigados, cansados de ver perpetuar-se injustiças grotescas, absurdos que embargam nossa voz, embaçam nossos olhos e travam nossa garganta.
Que nos fazem relembrar o tamanho de nossa impotência cidadã.
Um dos criminosos que estavam dentro do carro que arrastou o menino João Hélio não só está livre, como ganhou proteção da justiça e, quiçá, um dinheirinho mensal para poder tocar sua vida.
Champinha, o moleque psicótico que passou quatro dias estuprando Liana Friedenbach e, por fim, desferiu-lhe 14 facadas, ainda não está solto, mas logo estará, e com sua ficha policial mais limpa que a minha e a sua.
Daniela Perez, se não tivesse sido assassinada brutalmente com 18 tesouradas, estaria viva para ver seus assassinos comprando bananas na fruteira como se nada tivesse acontecido.
Para não citar apenas casos nacionalmente conhecidos, dou-lhes outro triste exemplo: há mais ou menos 5 anos atrás, um querido amigo meu chamado Cristiano foi espancado, queimado, torturado, baleado, e não gosto nem de imaginar o que mais lhe fizeram, apenas porque era gay. O assassino confesso, preso à época, já está solto e feliz andando pela cidade afora.
E nem vou começar a falar aqui da impunidade que reina entre nossos políticos, caso contrário esta crônica se transformará em um tratado sobre iniqüidades e incoerências.
Esta é nossa realidade, nossa justiça, nossa constituição.
Este é o nosso país.
Um país sem presídios, sem punição e com muitas leis que nunca se cumprem.
Um país que protege o criminoso e condena o cidadão a prisão domiciliar perpétua.
E, dia após dia, sentamos na frente da tevê e abrimos os jornais e engolimos, a seco, o mais variado fardo de sortilégios e aberrações, que nos fazem questionar o que, de fato, é certo e errado, bem e mal, justo e injusto.
Às vezes acho que nem sabemos mais.
Quando Isabella despencou do sexto andar do edifício London, há quase dois anos, nós estávamos ali, olhos vidrados na televisão.
Tentando entender por que.
Quando levaram seu pai e sua madrasta presos, nós também estávamos ali, assistindo, tentando acreditar, decodificar, engolir.
Conhecemos, então, sua mãezinha, destruída, arrasada.
Vimos fotos e vídeos da menina, desde quando era um bebezinho, e descobrimos que no dia do seu assassinato ela havia aprendido a mergulhar.
Nos envolvemos, claro.
A adotamos, naturalmente.
E foi por isso – e não porque a vítima tinha dinheiro, ou porque a mídia é selvagem, e nem por nenhum outro motivo – que compramos essa briga como se fosse nossa.
E por isso paramos durante esta semana estranha, em que os responsáveis por tamanha crueldade estavam em júri, sendo julgados pelo crime que, tudo indica, cometeram.
Grudamos na frente da tevê, comentamos no Twitter, lemos notícias na Internet, nos jornais, nas revistas.
Tudo porque precisávamos saber de tudo, mesmo daquilo que já estávamos cansados de saber.
Quem estava em São Paulo se prostrou em frente ao Fórum, cartazes na mão.
Quem não estava, ou pegou um ônibus, viajou muitas horas e foi até lá, ou parou tudo para acompanhar notícia a notícia cada passo deste que foi um dos maiores julgamentos da história deste país.
Queríamos saber, acompanhar.
Queríamos só entender.
E quando a sentença finalmente saiu, depois de cinco dias de muita especulação, debates, palpites e manifestações de todos os tipos, comemoramos.
Sim, comemoramos.
Soltamos foguetes, nos abraçamos, sorrimos felizes com a justiça que, afinal e milagrosamente, estava sendo feita.
Celebramos como se nosso time do coração tivesse se consagrado campeão do mundo.
Isso sim, me doeu.
Ver aquele povo (é, nós) gritando, se abraçando, soltando fogos, vibrando com uma condenação que nada mais é que o mínimo.
A prova cabal do quanto estamos, todos nós, cansados.
Tão cansados a ponto de que o óbvio, o básico, nos exalta a mais sincera satisfação.
Sim, caros leitores, vivemos em um país de injustiças.
Conformados, calados, resignados.
E mesmo sabendo que daqui a pouco Alexandre Nardoni e Anna Jatobá sairão livres da prisão, ‘com seu crime devidamente pago’, e retomarão suas vidas - vida esta que a mãe da Isabella jamais retomará - mesmo assim nos sentimos aliviados e contentes.
Mesmo sabendo que a condenação de Ana Carolina Oliveira e sua família é eterna – prisão perpétua em sua própria dor – ainda assim soltamos os foguetes e batemos palmas.
É, eu chorei.
Chorei pela vida de Isabella, que acabou; chorei pela dor colossal de sua mãe, que nunca acabará; e chorei principalmente por nós.
Todos nós, vítimas de mais um crime sem resposta, vítimas de uma legislação contraditória, vítimas do perigo crônico que ronda nossas vidas covardemente e nos mantém em cárcere privado, comemorando o que deveria ser praxe.

24 março 2010

Onde eu me inscrevo para o Bolsa-Prêmio-Literário, Sr. Juiz?

Os valores da Taxa de Inscrição do Prêmio Jabuti 2010 estão assim estipulados:
Inscrição de obra individual, por obra e categoria na qual a mesma for inscrita
- R$ 165,00 (cento e sessenta e cinco reais) para associados da CBL;
- R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) para não-associados da CBL;
Inscrição de coleção, por obra e categoria na qual for inscrita
- R$ 220,00 (duzentos e vinte reais) para associados da CBL;
- R$ 330,00 (trezentos e trinta reais) para não-associados da CBL.
O pagamento poderá ser feito através de boleto bancário gerado após o preenchimento da(s) ficha(s) de inscrição/ inscrições ou deverá ser efetuado em favor da CBL por meio de depósito identificado no Banco Itaú, agência 0180, c/c 49170-6;

(não duvide, clique aqui)
*

- Sem mais, meritíssimo.

22 março 2010

Top ONZE Sananduva.

Creio que já citei aqui que, desde janeiro deste ano, estou morando em uma cidadezinha pacata e minúscula de 15 mil habitantes cujo nome é Sananduva, né?
Pois então.
Depois de passar muitas e muitas semanas reclamando sem parar, estou começando a reconhecer o VALOR DA CIDADE PEQUENA.
Listei abaixo onze motivos que estão me ensinando a AMAR essa cidade com toda a força do meu coraçãozinho:

1. Todo mundo aceita cheques de terceiros e ainda te dão troco. :O

2. Os carros SEMPRE param, educadamente, para que os pedestres atravessem a rua, mesmo quando não tem faixa de segurança. :O

3. A cerveja é MUITO BARATA, e as pessoas daqui comem carne e fazem churrascos como quem abre a janela para o sol entrar.

4. Apesar de existirem por aqui também, fumadores de pedra não entram nas casas alheias roubar notebuques e cachorros bebês, nem usam drogas na tua porta e ficam encarando tua bolsa quando você vai na padaria, à tardinha, comprar o pão nosso de cada dia.

5. Existem árvores frutíferas nas ruas, tipo caqui, laranja, amora, pitanga, ameixa. Sim, até ameixa. Muitas ameixas.

6. TODO MUNDO se cumprimenta e é gentil e te trata como se fosse teu amigo de infância e demonstram confiança em você abrindo contas em seus estabelecimentos comerciais. Detalhe: tudo anotado em uma cadernetinha. Lindo!

7. Vizinhos batem na porta trazendo pães caseiros e bolos e lasanhas. JURO! Toda semana acontece.

8. A cidade é limpa. Tem árvores, muitas árvores. E ar puro. Choro de emoção.

9. Casas e aluguéis quase gratuitos. Creiam que uma casa de 100 metros quadrados, bem localizada e em bom estado custa em média 45 mil? Pois custa. Com 45 mil em Passo Fundo não se compra nem a lona para fazer um barraquinho.

10. Não existem mendigos, pedintes, cães abandonados. Nenhum. Nenhunzinho mesmo. Nadica de nada. JURO de novo.

11. Você vai na loja de roupas, separa as que gostou e LEVA PRA CASA PARA EXPERIMENTAR! :O

Isso que não falei do silêncio - algo que eu amo e que aqui sobra - e do fato de que SEMPRE TÊM vaga para estacionar, em todo lugar.
Fila?
Se peguei não me lembro.
E assim é a vida, crianças.
Tudo tem seu lado bom e ruim, proporcionalmente.
Pensem comigo: se até ganhar 50 milhões na mega sena tem seu lado ruim, é evidente que vir morar numa cidadezinha pacata e minúscula de 15 mil habitantes chamada Sananduva também tem seu lado bacaninha, correto?
Então é isso.
Mandem lembranças minhas aos assaltantes, aos engarrafamentos, as filas, aos mendigos, aos vizinhos insuportáveis do apartamento de cima e a poluição.
Ririri, pois é.

19 março 2010

Lançamento!

Enquanto isso em São Paulo, na HQMix Livraria...

Apareçam, pessoas.
Será bacaníssimo.

17 março 2010

Atenção ilustradores, fotógrafos e quadrinistas!

Novo selo da Editora Multifoco procura ilustradores, fotógrafos e quadrinistas que buscam, pela primeira vez, ver seus trabalhos publicados.


O Selo Literarte é um dos braços da editora carioca Multifoco, e estréia em 2010 com objetivos bastante claros - e ousados - para uma editora caracterizada por trabalhar com novos autores: publicar apenas e tão somente livros-arte, isto é, literatura misturada com ilustrações, quadrinhos, fotografias e tudo o mais.
Como?
Através de parcerias, que é como a Multifoco vem atuando (e revolucionando) o mercado editorial brasileiro.
- A Multifoco existe para os novos autores, para quem busca uma oportunidade de ver, pela primeira vez, seu trabalho publicado profissionalmente. No entanto, nosso maior foco sempre foram os escritores, e então surgiu a idéia: porque não oportunizar que estes escritores tenham seus escritos retratados por outras manifestações da arte, e, conseqüentemente, que artistas de diferentes áreas tenham também a oportunidade de divulgar seu trabalho? – conta Jana Lauxen, escritora e editora do novo selo.
Mas como fazer isso acontecer?
Simples: unindo o útil ao agradável.
O Literarte terá como foco, é claro, a literatura, no entanto, abre suas portas para que outros artistas entrem em cena também. Como é o caso dos projetos das duas primeiras coletâneas do selo, que devem abrir as inscrições em abril: Crônico!, organizada pelo escritor Beto Canales, reunirá crônicas brasileiras ilustradas, enquanto Quadrinhos em História, capitaneada por Sergio Chaves, editor da premiada revista Café Espacial, será a primeira coletânea de HQs da Editora Multifoco.

A editora Multifoco estreou em 2006 graças a um trabalho de conclusão de curso dos estudantes de Comunicação Social da UFF, Leonardo Simmer, Raphael Santos, Thiago França, Marcelo Pinho e Bruno Miranda e, desde então, já possui em seu catálogo mais de 200 autores, sede própria no Rio de Janeiro, 25 funcionários, 10 editores espalhados por diferentes áreas e, neste ano, prepara-se para abrir uma gravadora nos mesmos moldes da editora e marcar presença na Bienal do Livro, em São Paulo, e na Festa Literária Internacional de Paraty.
Seu método de trabalho é diferente porque se baseia em parceria – e não no tradicional ‘quem paga mais chora menos’: o autor e a editora trabalham em associação, onde a Multifoco entrega ao escritor seu livro pronto e impresso, com a qualidade de editoras tradicionais do mercado, e sem cobrar um centavo por isso. Em contraponto, o autor se compromete a comercializar, por consignação, seus livros, cujas tiragens podem variar de 30, 50 ou 100 exemplares, conforme a vontade do autor, ganhando, sob o preço de capa, 20%.
É como explica Raphael Santos, um dos sócios:
- A nossa meta é que qualquer pessoa que pense em lançar um livro, pense na Multifoco.
E através do selo Literarte, a Multifoco, como sugere o nome, amplia ainda mais sua participação, oferecendo oportunidade também para artistas dos mais diferentes gêneros.

Por isso, interessados, multifocados e criativos em geral: entrem em contato com a Jana pelo e-mail literarte@editoramultifoco.com.br ou acesse o site do selo www.grupomultifoco.com.br/literarte.

Porque meus originais não foram aprovados?

Muitos podem ser os motivos.
Vamos a alguns deles, bastante prováveis:

1. Sua história não é boa.
É, acontece.
Muita gente escreve uma história, mostra pra mãe e pra avó, que dizem que adoraram, e então passa a acreditar piamente que já podem, devem e necessitam publicar.
É compreensível.
Porém, muitas vezes, sua mãe e sua vó podem mentir, ou, ao menos, emitir uma opinião parcial.
Pois é.
Uma boa idéia é nunca tentar publicar o primeiro livro que escreveu.
Acredite: ele é muito mais um exercício inicial de literatura do que, de fato, uma grande obra-prima.
Depois que escrever o segundo, o terceiro, o quarto, vai perceber que o primeiro possui erros e vácuos que você não vai acreditar que foi capaz de cometer.
E, no final das contas, vai agradecer de pés juntos ao editor que lhe disse não, nesta primeira vez.

2. Sua história é boa, mas possui problemas.
A história é legal, mas não desenrola.
Você encheu muita lingüiça, derrapou em alguns erros gramaticais, perdeu o fio da meada lá pelas tantas, se confundiu, respondeu perguntas que não tinha feito e deixou sem respostas perguntas que você mesmo levantou.
É tudo uma questão de trabalhar o enredo.
Se você desconfia que isso possa ter acontecido com a sua história, é interessante procurar alguém que entenda do assunto e possa te ajudar.
Mas esse não é o papel da editora.
Não é ela quem vai lhe dizer o que falta e o que sobra na história, por isso, envie seus originais apenas quando tiver cem por cento de certeza que fez o seu melhor.

3. Sua história é boa e não possui problemas, mas não segue a linha editorial da editora em questão.
Muito comum.
Procure pesquisar o catálogo da editora antes de enviar seu original para avaliação.
Muitos livros acabam descartados porque não fecham com a proposta editorial da empresa, e aí não importa se ele é bom, têm qualidade e chances de se tornar um best seller.
Eles vão descartar sua obra antes mesmo de lê-la.

4. Sua história é boa, não possui problemas, segue a linha editorial da editora, mas o editor não gostou dela.
Então.
No fim das contas, amigos e amigas, tudo é uma questão de gosto pessoal.
Seja um editor, um crítico literário, um grande nome da literatura mundial; todos, apesar de seus cargos com nomes pomposos, não passam de pessoas com opiniões.
Só isso e nada mais.
Pessoas comuns que apenas gostam ou não gostam, e nem sabem explicar o porquê.
Isso também acontece, e muito, mas não é motivo para se desesperar.
Mande para outras editoras, que seus originais serão apreciados por outras pessoas, que terão outras opiniões.
Se ele for bom, numa dessas você arranja o tão esperado SIM.

5. Sua história é boa, não possui problemas, segue a linha editorial da editora mas o editor nem a leu.
Também acontece, especialmente em se tratando de grandes editoras.
Acreditem, amiguinhos: A editora Record, a Globo, a Cia. das Letras sequer lê os originais que, tão humildemente, você envia para elas.
E não é porque são empresas capitalistas selvagens e malvadonas, é apenas porque elas já são grandes e só querem saber de quem vende, ou seja: a Martha Medeiros, e não você.
Aliás, é por isso que existem as pequenas e médias editoras: para apresentar às grandes autores potencialmente bons – e vendáveis.

Como sei que escritores & artistas em geral são muito líricos e sensíveis, peço que não levem a mal o que escrevi, escrevo e futuramente escreverei aqui.
Não tenho nenhum objetivo escuso de ferir o coraçãozinho de ninguém, apenas acho importante que estejamos lúcidos na hora que tratarmos de negócios.
Sim, porque literatura, apesar da aura romântica que paira sobre ela, é um negócio, de uma empresa que possui contas e planilhas e prazos e funcionários.
Publicar um livro até pode significar a realização de um sonho, mas é muito mais do que isso.
É trabalho duro e profissional e fim.
Por isso, se você levou um NÃO, seja da Multifoco, seja de qualquer outra editora, respire fundo, mantenha a calma e prossiga.
As coisas não costumam vir facilmente, para ninguém, e quem não persiste, não alcança.
Parece conversinha de auto-ajuda?
Mas não é.
Pense nisso, e vá.
Porque quem para, ofendido e magoado com os NÃOS que, não apenas as editoras lhe darão, mas a vida, está, definitivamente, fora do mercado.

16 março 2010

Literarte na área!

Isso aí.
Já expliquei do que se trata e tals, lembram?
Não lembram?
Então acessem o site clicando AQUI e se lambuzem.
E aquele abraço.

15 março 2010

Pronunciamento Importante.

A partir de hoje comunico aos navegantes que estou oficialmente desligada do site 3:AM Magazine Brasil, a versão tupiniquim do inglês 3:AM Magazine.

Por quê?
Dois motivos principais.
O primeiro é que minha internet e a plataforma do site são totalmente incompatíveis.
Sim, totalmente mesmo.
Como já falei para vocês, mudei para uma cidade pacata e minúscula onde fumadores de pedra não entram na sua casa e roubam teu notebuque nem surrupiam teu cachorro bebê pelo meio das grades do teu quintal machucando sua barriguinha.
Mas como nem tudo são rosas vermelhas, aqui a internet 3G praticamente não funciona.
Ou seja: estou tendo muita dificuldade de acessar a web, e a plataforma do 3:AM então... mais ainda!
Não dá, não consigo atualizar.
NÃO CONSIGO, eu disse.
Logo, não tenho como prosseguir.
Segundo: tempo.
É, está faltando.
Com a coletânea Assassinos S/A, o Selo Literarte, meu blogue, minha literatura, meu novo livro, as louças acumulando na pia, a poeira brotando no chão da minha casa, comida para fazer, aranhas para matar, roupas para lavar, estou sem tempo nenhum.
Parece conversinha mole para boi dormir, eu sei, mas é a mais pura verdade verdadeira.
E como não pretendo fazer muitas coisas mal feitas, prefiro priorizar aquilo que, na minha opinião, é mais importante e vale mais a pena.
Pois é.
Por isso, estou deixando de editorar o site.
Já mandei um e-mail para a Zan comunicando minha decisão, e aguardo sua resposta.
Ah, outra coisa importante: meu e-mail para contato era este 3am.jana@gmail.com, mas como me desvencilhei do 3:AM, nada mais natural que me desvencilhar também deste e-mail.
Desta maneira, estou atendendo neste novo e-mail aqui jana.lauxen@hotmail.com.
Anotem aí.
Ademais, é isso mesmo.
Beijo, desliga.

12 março 2010

Mataram o Glauco.

Entraram em sua casa, atiraram em seu filho e levaram, junto com seu carro, sua vida.
Sua genialidade.
Seu senso de humor afinado e afiado, que tantas vezes arrancou-nos uma gargalhada quando o dia parecia azedo.
Não mataram apenas Glauco, cidadão, pai, marido, amigo, pagador de contas e impostos.
Mataram também um pedaço expressivo da fina flor do humor brasileiro; mataram aquele sorriso que escapava toda vez que topávamos com algumas de suas grandes sacadas, seu traço característico e curioso que delineava figuras que já nos eram familiares.
Mataram Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, o Casal Neuras, Edmar Bregmam, Zé Malária, Ficadinha, Ozetês, Faquinha, Nojinsk, Geraldinho e Geraldão, e tantos outros, que sequer haviam nascido ainda.
Não foi um simples assassinato – se é que existem simples assassinatos.
Foi um verdadeiro genocídio.

Mas o pior, o mais triste e o mais revoltante de tudo é saber que violências como esta, que desta vez vitimaram Glauco e sua família, acontecem todos os dias, todas as horas, quiçá todos os instantes.
Devem, inclusive, estar acontecendo neste exato momento, enquanto você lê este texto.
E, na maioria das vezes, passam despercebidas pela gente.
É que estamos, lamentavelmente, nos acostumando com a selvageria, com a crueldade, com a covardia, com o fato de que a vida de uma pessoa, seja ela famosa ou anônima, não valer porcaria nenhuma.
É difícil falar dessas coisas sem cair em clichês, em obviedades, em lugares-comuns. Mas a verdade é que tem alguma coisa muito errada acontecendo, pois aceitamos, muitas vezes até conformados, este alvo invisível, porém saliente, pintado em nossas testas.
Somos, sim, vítimas em potencial.
Estamos, sim, sujeitos a nos tornarmos números em estatísticas grosseiras, que não param de crescer dia após dia.
Estamos agora conversando, tomando um pileque, comprando maças, olhando o relógio, e daqui a cinco minutos, quem saberá?

Não me perguntem o que fazer para resolver tudo isso.
Eu não sei.
Não faço a mínima idéia.
A problemática da violência, assim como tantas outras problemáticas brasileiras, parte de um ponto claro e específico, mas acaba dando tantas voltas que não chega a lugar nenhum.
Precisávamos, primeiramente, recuperar o sentido de justiça, que banalizou e virou qualquer coisa que não sabemos o que é.
A justiça precisa ser feita, integralmente, sem recursos, sem brechas na constituição, sem absolvições absurdas, sem habeas corpus infundados e afins.
Justiça hoje e agora e ponto final.
Mas para isso careceríamos de mais vagas nos presídios, de policiais menos corruptos, de agilidade nas leis, de punição significativa.
E isso implica investimentos e - o maior dos nossos problemas - boa vontade política e administrativa.
Precisamos é começar a prevenir o mal, parar apenas de remediá-lo.
Bandidos como estes cretinos que invadiram a casa de Glauco ontem de noite precisam saber que serão punidos, duramente punidos, severamente punidos, pois caso contrário continuarão invadindo casas e atirando em pessoas por nada.
Levando-se em conta a justa popularidade de Glauco, é muito provável que logo logo tenhamos nome e sobrenome dos responsáveis por mais essa barbaridade, mas e daí?
Vamos julgá-los, dar-lhe-emos uma pena ridícula de 10 ou 15 anos de prisão, os pulhas ficarão presos um terço desse tempo e sairão lépidos e fagueiros por bom comportamento. Isso se um deles não for menor de idade, e ficar preso alguns meses para, depois de completar 18 anos, sair inclusive com a ficha limpa.
E nós continuaremos órfãos, com este alvo invisível e saliente pintado em nossa testa, rezando para que algum Deus seja capaz de nos proteger da nossa própria estupidez.

Que pena, Glauco.
Você vai fazer uma falta danada.
E a dor que todos nós agora dividimos aqui é por nós, não por ti.
Sim, camarada.
Você e seu filho devem estar bem agora, tenho certeza disso.
Em um lugar bacana e divertido onde pessoas não invadem casas e atiram em outras pessoas.
A vida não termina quando a morte acontece, e nisso eu acredito firmemente.
E por isso, repito: a dor que sentimos é por nós.
Nós, que continuamos aqui, a mercê, caminhando de um lado para outro sem saber direito porque fazemos isso, com esse alvo saliente bem no meio de nossas testas, esperando debilmente quem será a próxima vítima desta violência insana que assola nossas vidas covardemente.
Se choramos, amigo, choramos por nós.
Por ti continuaremos rindo, sorrindo, sempre, apesar deste nó que agora existe bem aqui, na garganta.
Esteja em paz, grande Glauco.
E boa sorte pra nós, que ficamos.

Homenagem do meu amigo Toni D'Agostinho.

11 março 2010

O Teaser.

Uma pequenina prévia do vídeo de divulgação da coletânea Assassinos S/A Volume II que vem por aí.
- Dá o play, macaco!



Por Israel Teles.

09 março 2010

Capas.

Na correria nossa de cada dia, simplesmente ESQUECI de postar aqui as sensacionais capas da Revista Café Espacial número 6 e da querida coletânea Assassinos S/A Vol. II.
Imperdoável, eu sei.
Mas como acredito na teoria do ‘antes tarde do que nunca’, lá vai:

Assassinos S/A Vol II.

Com ilustrações de Mario Cau e arte final da Ed. Multifoco, o lançamento do segundo volume da coletânea de contos policiais Assassinos S/A, organizada por esta que vos escreve e pelo escritor Frodo Oliveira, está com o lançamento previsto para abril de 2010.
Importante salientar que este volume terá as ilustrações de Daniel Strapasson Faccio, Emerson Wiskow, Giovana Medeiros, Jota Fox, M. Waechter e Rodrigo Molina.
Acompanhem tudo pelo blogue oficial da coletânea clicando bem aqui.


Café Espacial #6

Como sempre, a capa da sexta edição da revista Café Espacial está impecável e linda.
Culpa do quadrinista Guilherme Caldas, que, ao lado de Olavo Rocha é o responsável pela Candyland.
O lançamento está previsto para o dia 20 de março, em São Paulo, na HQMix Livraria.
Mas eu volto a falar disso, em breve.

Os Grandes Valentões da Madrugada e O Dia Internacional da Mulher.

(escrito em 8 de março de 2010 - ontem)

Hoje, como a tevê deve ter avisado através de suas inúmeras e, muitas vezes, constrangedoras propagandas, foi o dia internacional da mulher.
E você, rapazinho, deve estar em casa neste exato momento, pensando o que vai comprar para dar de presente para sua mãe, irmã, namorada, avó ou professora.
Perfume? Roupas? Jóias? Rosas?
Não, companheiro, aceite meu conselho: não compre nada.
Instauraram o dia internacional da mulher com os mesmos objetivos escusos que instauraram o dia da criança, dos namorados, das avós, dos amigos.
Motivo para vender mais, blablabla e fim.
Acontece que mulher não precisa de perfume, roupas, jóias ou rosas.
Mulheres precisam de respeito.
E, algumas delas, além de respeito, precisam também de ajuda.
Sim, ajuda.
Tem marmanjos demais por aí dando uma de valentão para cima de nossas mulheres.
E não faça essa cara de abajur!
Este é um problema grave e perigoso, apesar de silencioso, e mais cedo ou mais tarde, acredite, vai bater na sua porta.
Acompanhem estes dados aterrorizantes, por favor.
Os negritos são meus.

O Brasil é o país que mais sofre com violência doméstica, segundo pesquisa da Sociedade Mundial de Vitimologia (www.ipas.org.br);

• No Brasil, a cada 7 segundos uma mulher é agredida em seu próprio lar (Fundação Perseu Abramo);

• A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos e mata mais do que câncer e acidentes de trânsito (http://www.violenciamulher.org.br/)

51% da população brasileira declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro (IBOPE 2006);

30% das mulheres brasileiras com mais de 15 anos já sofreram violência extrema (UNIFEM 2007);

• Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST (doenças sexualmente transmissíveis);

70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro;

Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos;

• Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos;

• Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional;

Por isso, amigo, flores e perfumes são bobagens quando, a cada sete segundos, uma mulher é vitimada física ou moralmente dentro de sua própria casa. Faça as contas e veja a gravidade da situação: enquanto você lê este texto, cerca de 25 brasileiras irão sofrer algum tipo de agressão.
É claro, não sou ingênua o bastante para acreditar que um sujeito capaz de bater em uma mulher leia um texto como esse e se sensibilize, assim como não creio que vá se sensibilizar com campanhas contra a violência e etc.
Também não boto fé que uma vítima de violência doméstica, depois de ler o que escrevo, seja possuída por uma súbita e arrebatadora bravura e resolva tomar uma atitude drástica – elas estão muito ocupadas morrendo de medo.
Por isso, este texto é para aqueles homens que não batem em mulheres, e acham isso o ó do borogodó, o fim da picada, o cúmulo dos cúmulos.
Vocês, homens de verdade do meu Brasil, podem ajudá-las.
Sim, vocês!
E explicarei aqui como e por que.

Primeiramente, é importante que todos entendam de uma vez por todas: nenhuma mulher gosta de apanhar.
Nenhuma; nenhumazinha sequer!
Portanto, paremos com esse discurso lavo-as-minhas-mãos-e-que-se-foda.
Se a mulher apanha, e continua apanhando, e não denuncia o sujeito, é porque tem medo, camarada.
Só isso.
Ela tem medo.
Medo de sofrer represálias, medo de ser assassinada, medo de sofrer mais agressões, medo por elas, pelos filhos, pelos familiares.
Eu sei, agora existe a Lei Maria da Penha, mas, cá entre nós, substancialmente, a dita cuja não serve para nada.
O agressor recebe uma intimação judicial que o proíbe de se aproximar da vítima, talvez pague umas cestas básicas e pinte alguns muros e canteiros, e tudo continua exatamente igual.
A prova do que digo é o número obsceno de mulheres que acabam assassinadas por seus companheiros, mulheres estas que, muitas vezes, fizeram não apenas um, mas dezenas de BO’s que não resultaram em absolutamente nada.
E estes casos de assassinatos, que só aparecem na televisão porque chegaram ao extremo, são apenas a ponta do iceberg.
Porque, além das vítimas fatais, milhares de outras continuam na mira da violência doméstica, caladas, envergonhadas, apavoradas.
Potencialmente condenadas à morte.

Nem critico a lei.
Não se pode prender todos os homens que ameaçam suas mulheres de morte, porque as cadeias mal possuem vagas para aqueles que, de fato, mataram. Também não existem policiais suficientes para que fiquem de prontidão na casa da vítima 24 horas por dia, pois o efetivo policial está em frangalhos, mal consegue cumprir suas funções mais básicas.
Logo, a Lei Maria da Penha serve mais para um descarrego de consciência do que, de fato, para proteger a mulher de seu agressor.
Enquanto o homem que bate não tiver medo da punição, continuará batendo.
E acredite: para a maioria deles, meia dúzia de cestas básicas e algumas pinceladas de pincel na parede da delegacia valem à pena, desde que possam continuar aterrorizando sua mulher – esta, aliás, sua maior diversão.
Mas então o que fazer?
Eu respondo: essas mulheres agredidas devem ter um pai, um irmão, um amigo, um vizinho.
Não é possível que não!
Não acredito que estejam sozinhas no mundo, a mercê.
E são esses homens que possuem a obrigação moral e cívica de defendê-las.
Sim porque, todos sabem: homens que batem em mulheres não passam de grandes covardes bundas moles.
Gostam de bater nos mais fracos porque, de igual para igual, parecem hamsters assustados.
É fato.
E sabem por que afirmo isso com toda a convicção do mundo?
Porque já sofri violência doméstica também.
Sim, já.
E não tenho vergonha nenhuma de assumir isso publicamente – até porque, sob o meu ponto de vista, quem deve ter vergonha disso é ele, e não eu.
Faz tempo, eu era uma adolescente idiota e abobalhada, e o traste seguiu à risca a cartilha dos valentões: ameaçou, fez chantagem, descontrolou-se, fez e aconteceu.
E só parou quando tomou meia dúzia de tabefes muito bem dados na orelha.
Exatamente.
O grande e perigosíssimo valentão da madrugada parou de latir assim que tomou o primeiro sopapo.
Cessou com as ameaças, parou de encher o saco, sumiu do mapa.
Sossegou.
E eu, mais ainda.
E foi só aí que entendi: os valentões da madrugada, que gostam de bater em mulheres, só são valentões da madrugada até encontrarem alguém mais valentão da madrugada do que eles – e vamos combinar: de valentões esses sujeitos só tem a pose.
Ou seja: quem pode, de verdade, ajudar estas mulheres a se defender desses companheiros (?) violentos são os homens que estão à volta dela.
Seus amigos, seu pai, seu novo namorado, seu irmão, seu vizinho, seu colega de trabalho.
Boletins de ocorrência até são válidos, mas, no frigir dos ovos, acabam não servindo para nada.
As mulheres agredidas continuam em risco, continuam amedrontadas, aprisionadas ao seu próprio terror.
Sou daquele tipo de pessoa que acredita que alguns problemas a gente resolve no olho por olho, dente por dente e que se dane.
Homem que bate em mulher é covarde e só por isso bate em mulher.
Porque sabem que, em relação a elas, são mais fortes.
Mas na hora de encarar um homem ‘do seu tamanho’, se mijam nas calças pateticamente e fim.
Garanto.

Eu sei, este é um texto politicamente incorreto.
Afinal, estou sugerindo que resolvamos a violência com mais violência.
Mas, infelizmente, não consigo enxergar outra saída para este mal que atormenta uma mulher a cada 7 segundos, só aqui no Brasil.
E se você acha que estou errada, e que violência se responde com amor e ternura, e que estes homens precisam de ajuda ao invés de punição, é porque nunca foi agredida, ou porque nunca viu sua amiga, sua mãe ou sua filha sofrer qualquer tipo de violência, qualquer tipo de covardia.
Eu já fui vítima de violência doméstica, e faço parte destas estatísticas que você acabou de ler ali em cima.
Eu sei exatamente a dimensão do terror sob o qual vivem estas mulheres, sei exatamente qual a grandeza e a gravidade deste problema – e também sei o quanto são acovardados esses grandes valentões, que enquanto latem parecem cachorros grandes, mas é só você sapatear na sala e descobre que não passam de poodles cor de rosa amedrontados e comedores de ração.

Se não podemos prendê-los, então precisamos pará-los.
Temos a obrigação de impedir que suas ameaças se tornem reais.
Precisamos apresentar para estes homenzinhos meia boca homens de verdade, homens que os façam sentir exatamente o mesmo medo e o mesmo terror que incutem em suas parcerias, covardemente, estupidamente, grosseiramente, para que provem o gosto do próprio veneno.
Não dá para esperar que mais mulheres morram para, só então, puni-los.
Homem que bate em mulher merece apanhar.
Precisa apanhar.
Tem o direito e o dever de apanhar.
É a única maneira de fazer com que estes grandes valentões da madrugada coloquem seu pequenino rabo entre as pernas e deixem suas ex-companheiras viverem em paz.
Ademais, que tenham todos um feliz dia internacional da mulher.
Sem perfumes e jóias, roupas e rosas, com respeito e proteção, agora e sempre.
Amém.

06 março 2010

Os Melhores do Ano.

Pessoal bonito!
Tudo bem?
Está rolando no Orkut uma votação d’Os Melhores do Ano, e a Editora Multifoco concorre nas categorias Editora, Editores/Organizadores (com Frodo Oliveira muito bem nos representando) e também na categoria Coletâneas, com Sinistro (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco), Solarium 1 (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco), Solarium 2 (Org. Frodo Oliveira – Anthology/Multifoco), Fiat Voluntas Tua (Org. Monica Sicuro e Rubia Cunha – Anthology/Multifoco) e Pacto de Monstros (Org, Rubia Cunha e Monica Sicuro – Anthology/Multifoco).
Se puderem, passem aqui, participem da comunidade e deixem seu voto.
Agradecida.
Ah! Também leiam aqui uma matéria bem interessante sobre a Multifoco.
Aquele abraço.

02 março 2010

Carazinho e Os Pardais

Durante quase 7 anos, morei em uma cidade chamada Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul, 50 e poucos mil habitantes, distante alguns quilômetros de Passo Fundo.
Uma cidade como qualquer outra, porém com um detalhe que sublinho aqui: não existem pardais em Carazinho.
E não estou falando do passarinho. Refiro-me ao equipamento que monitora carros, controla velocidades e expele multas em série.
Óquei, talvez muitas cidades também não tenham pardais.
No entanto, acredito que a única que faz propaganda como se isso fosse algo bom-fantástico-e-sensacional é Carazinho.
Sim!
A gente morre e não vê tudo.
Disse o prefeito:
- Quero que Carazinho seja uma cidade livre de pardais, onde as pessoas possam tranquilizar-se ao dirigir, sem deixar de lado a responsabilidade com o trânsito, claro. Quem quiser multar vai ter que fazer isto em outro lugar.
Que bonito, Sr. Prefeito, e eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar.

Para quem está, neste exato momento, me achando uma sanguessuga capitalista, pró-multa, saibam que, quem dirige como se deve dirigir (sóbrio, dentro de um limite de velocidade razoável e sem pensar que o carro é uma extensão do próprio pau), não precisa queimar as pestanas, pois não será multado.
Raciocínio óbvio, não?
Se os pardais abusam, acreditem: os motoristas abusam muito mais – e vocês sabem disso melhor que eu. E já que é tão difícil para uns e outros entender que, no trânsito, você não é apenas responsável por sua vida, mas pela de dezenas de outros motoristas também, o jeito é radicalizar.
Infelizmente, e por uma característica estúpida tipicamente humana, as pessoas só andam na linha quando sabem que, caso contrário, serão penalizadas.
E convenhamos, poucas penalidades são tão eficazes quanto mexer no bolso do cidadão.
Mas liberar os motoristas para fazer-e-acontecer sem fiscalização e punição, acreditado que, mesmo assim, terão 'tranqüilidade ao dirigir' e ‘responsabilidade’, ou é ingenuidade crônica ou politicagem barata.
Aposto na opção B.

A propósito: quinta-feira, dia 25, às 5 horas da manhã, a gari Mara Luciane Macedo, de 37 anos, varria o centro da cidade quando foi atingida por “um veículo branco que trafegava em alta velocidade, arremessando-a a uma distância de dois metros do local do impacto” (segundo o jornal Diário da Manhã).
Mara, mãe de uma menina de 9 anos, é claro, morreu.
O motorista fugiu sem prestar socorro e ainda não foi identificado.
Provavelmente nunca será.
Nada como uma cidade livre de pardais.

01 março 2010

Movimento em Prol dos Escritores Brasileiros Desconhecidos

O texto escrito por Laura Bacellar deveria ser lido por todo mundo que tem amor pela literatura.
Mas deveria ser obrigatório para aqueles que, além de amor, fizeram da literatura sua profissão – ou pseudo-profissão, tanto faz.
Peço que tirem alguns minutinhos do seu dia e o leiam.
Cliquemos aqui e reflitamos sobre isso.