30 janeiro 2010

Pessoas & Pessoinhas.

Todo caminho é longo.
Disso eu sei desde que comecei a pensar em, um dia, quem sabe, porque não?, ser uma escritora de verdade, profissionalmente falando.
E o caminho é longo para quem quer escrever, para quem quer ilustrar, para quem quer pintar, ou ser médico, engenheiro, professor, advogado.
Não importa o fim; os meios são sempre os mesmos – longos, e geralmente penosos.
Encontramos nesse caminho dificuldade de reconhecimento, críticas ofensivas e maldosas, falta de respeito, pessoinhas.
E a gente pensa que nunca vai dar certo, e que não teremos força para seguir adiante, e que é melhor desistir de tudo e se esconder numa casinha de sapê no meio de uma fazenda esquecida até por Deus.
Geralmente, após alguns minutos, a vontade de recuar e sumir passa, e lá vamos nós de novo, voltar aos primeiros lugares da fila nessa procissão insana chamada vida.
Agora, vou ser bem honesta com vocês, camaradas: esta vontade de não mais voltar se apossou de mim de tal maneira nos últimos dias, e não passa de jeito nenhum, que começo a me preocupar seriamente com o que farei da minha própria vida, e daquilo que chamo de profissão, e das coisas que eu mais gosto e que me fazem mais felizes. Das coisas que me realizam, sacam?
E sabem vocês qual é o problema principal?
Pessoas.
Ou melhor: pessoinhas.
É impressionante como podem ser absolutamente incríveis e absolutamente aborrecíveis.
Trata-se, obviamente, da famosa dubiedade humana, esta dicotomia doentia e linda que nos faz conhecer pessoas como Chico Xavier, por exemplo, e outras como Fernandinho Beira-Mar.
Pessoas capazes das coisas mais generosas ao mesmo tempo em que perpetuam as mais odiosas.
Como pode?
Num só mundo, tantas pessoas tão diferentes.
Numa só pessoa, tantas facetas tão distintas entre si.
E pessoas, quando não dão boas, credo!
Dão terríveis.
Eu percebo: gente maldosa, fazendo críticas gratuitas apenas para ferir, para agredir, para machucar.
Gente que se dedica exclusivamente a atrapalhar o caminho das outras.
Pessoas megalomaníacas, mesquinhas, arrogantes, que de fato pensam encontrar-se no topo da cadeia alimentar, e acreditam que sua opinião é a verdade absoluta, e não estão nem aí se vão passar por cima de meio mundo para conseguir, de maneira escusa e duvidosa, aquilo que acreditam ser importante para si – às vezes, apenas desmotivar e entristecer o próximo.
Pessoas que pouco ligam para o trabalho e o sentimento alheio, e se sentem no direito de atrapalhar, espezinhar, ofender, apenas por que... Sei lá por que, meu Deus!
Estou cansada, sabe?
Eu juro que entendo que estas pessoinhas a quem me referi não passam de grandes e pobres coitados.
Que se alguém humilha e machuca, é porque só tem isso para oferecer ao mundo.
Que se alguém se considera o rei da cocada preta, é porque nunca, eu disse nunca, chegará a lugar nenhum, e no fim sempre acabará fazendo o bonito papel de bobo da corte.
Que, num futuro próximo, é para suas próprias consciências que terão de prestar contas, e que os cães sempre vão latir, debilmente, enquanto a caravana continuará a seguir, impassível e soberana.
Que quem faz acontecer não tem tempo disponível para ficar distribuindo insultos e julgamentos mundo afora, e que é certeza que a vida destas pessoinhas é vazia tal e qual um balão sem ar.
Os acomodados sempre foram e sempre serão os maiores incomodados.
Entendo também que a vida é assim, deste jeito mesmo, e se aparecem pessoinhas deste porte em nosso caminho, é justamente para que possamos transpô-las, e nos fortalecermos através de suas condenações e crueldades.
Muitas vezes, são elas quem mais nos ajudam a crescer e a amadurecer, e também a exercitar nossa humildade, para que não passemos a acreditar que nós somos Os Caras - o que sempre é um perigo e uma possibilidade.
Disso tudo, eu sei; e sei até demais.
Mas fico pensando: estou nessa labuta a um certo tempo, e conheci pessoas incríveis, fantásticas, e também alcancei algumas coisas, e fiz acontecer outras tantas, e aprendi e tenho orgulho sim do trabalho que faço, mas... Que preguiça de continuar!
Que preguiça pensar que, para o resto da vida, terei de cruzar por tipinhos assim, mal amados, que tem por hobbie despejar nas cabeças alheias todas as suas frustrações e decepções; gente que não sabe o que é educação, gentileza, ternura. Pessoinhas endurecidas.
E, se simplesmente vivendo neste mundo iremos encontrar criaturinhas deste baixo nível, que dirá tentando fazer alguma coisa, colocando nossa cara a tapa, se expondo, se mostrando despido e de cara lavada para pessoas & pessoinhas.
Não posso ir embora daqui, mas posso me poupar de me ver exposta assim, para qualquer babaquinha se sentir no direito de se aproximar com seu dedinho em riste e suas palavras venenosas.
Confesso que, na maior parte do tempo, tenho pena dessa gente.
Mas agora, neste exato momento, juro: odeio-as.
Todas elas.
Sinto a maior repulsa, o maior nojo, uma vontade animalesca de dizer-lhes umas boas verdades e perguntar por que não vão dar um pouco de cu ao invés de ficar enchendo o saco de quem está fazendo o que elas, muito provavelmente, nunca terão coragem de fazer.
Estou com preguiça, uma preguiça imensa e incomensurável de seguir adiante.
Estou com vontade de me preservar, e preservar meu marido, e meus cachorros, e as pessoas que eu amo, mas, no fundo, sei que isso é completamente impossível.
Que apenas por estarmos vivos já estamos expostos o bastante, e já corremos sério risco de toparmos com pessoinhas à toa, que apenas ocupam espaço sobre a face da terra e são adeptos da teoria mais estúpida que o homem já inventou: ‘quem não veio ao mundo para incomodar, não deveria ter vindo ao mundo’.
Se assim for, eu não deveria ter vindo.
Mesmo.

Por favor, meus queridos, não interpretem este pequeno desabafo como descaso a todo carinho que recebo de pessoas muito legais, e até das críticas que buscam construir, nem pensem que estou cuspindo no prato que como, diariamente.
É apenas cansaço, e preguiça - muita preguiça - e também uma bela dose de nojo e raiva e indignação e, porque não dizer, decepção também.
Tenho um amigo, muito querido, chamado Inácio, que sempre me diz que é Deus quem coloca em nosso caminho pessoinhas assim, para testar até que ponto temos vontade de chegar lá, para ver se não estamos de brincadeira, se estamos levando a sério os compromissos que assumimos.
Inácio, de fato, é uma pessoa que faz um trabalho sensacional com doentes mentais, e o que mais recebe são apreciações maldosas, ofensas, humilhações, descaso – todas provindas de pessoinhas que não fazem absolutamente nada, e justamente por isso possuem tempo de sobra para criticá-lo.
Já teve quem atirou, na frente da sua casa, merda.
Sim, merda.
Uma pessoinha muito da desocupada se prestou a juntar um monte de merda, passar de carro pela sua casa, meter a mão na bosta e atirar lá todo seu xixi-coco, bem no meio da varanda de Inácio.
E sabem o que Inácio fez?
Do alto de sua grandeza, que admiro e admirarei para todo o sempre, usou a merda para adubar sua roseira, e depois levou ao atirador (que ele bem conhecia, como a gente geralmente bem conhece), um ramalhete das mesmas rosas adubadas pela mesma merda.
Mas, Inácio, eu não estou conseguindo ser assim!
Creio, do fundo do meu ser, que não possuo tal nobreza de espírito.
Não estou conseguindo vencer a Janaína que quer mais é paz e sossego, e quer mais é ficar na sua, fazer suas coisas, ser surda e fim.
A tal da Janaína que não quer ser nobre porra nenhuma, e quer mais é que os idiotas continuem idiotas para todo o sempre, desde que não possam mais me atingir.
Não com tanta força, pelo menos.
E Inácio me diz: então você não quer de verdade.
Se bobagens desta ordem lhe abalam tanto, a ponto de lhe fazer pensar em desistir, então esqueça, porque você já desistiu.
Se pessoinhas conseguiram lhe fazer parar, então é porque você também é uma pessoinha.
Será?

“Todo caminho é longo, e longa deve ser sua vontade de percorrê-lo”
Ai, ai.

28 janeiro 2010

O amor é a vista de um ponto.

Um ponto individual e intransferível, que varia conforme a sentença de cada cabeça.
Não existe quem, neste mundo inteiro, seja capaz de determinar, com exatidão e perícia, o que, de fato, é o amor.
Porque o amor é diferente para cada um.
E cada um, por sua vez, o manifesta e o recebe de um jeito igualmente diferente.

No meu ponto de vista, o amor é calmo.
Profundo tal qual o oceano, sereno como uma pequenina lagoa.
Amores arrebatadores, incendiários, que levam do céu ao inferno em menos de 5 segundos - amor a cento e vinte por hora – para mim, não são amores sérios.
Primeiro porque estão mais para paixão do que, propriamente, para amor - convenhamos.
E paixão, vocês sabem, é cão que late mas não morde.
Embucha, para logo em seguida esvaziar, deixando uma sensação cretina de fome.
A paixão, inclusive, só é boa porque termina.
Atire a primeira pedra quem já não teve um amor que não aconteceu, e por isso cristalizou-se com perfeição em sua fértil imaginação?
O amor perfeito é aquele que não existiu.
Apenas foi idealizado.

E o meu amor, além de sereno, precisa durar.
Durar para sempre.
Sim, acredito em amor eterno.
O desejo pode acabar, as afinidades desaparecerem, mas se houve amor em algum momento, continuará havendo, mesmo que termine.
Amor não existe sem amizade, são co-dependentes.
E um sem o outro é água no chope.

Ciúme?
Para mim uma das maiores máscaras caluniosas disfarçadas de amor.
Egoísmo puro, insegurança mal direcionada.
Crueldade na maioria dos casos.
E não venha me dizer que o amor desconfia.
Senão não é amor, como poderia ser?
Sob o pretexto de ‘cuidar’, estes amores afetados, mascarados, decepam indiscriminadamente a liberdade alheia.
Liberdade esta que mantém as pessoas vivas.
Quem ama quer o outro feliz acima de seus próprios desejos megalomaníacos.
Eu acho.

Amor passa pela tempestade, parcialmente ileso. Amor que vive só na bonança, não; definitivamente não é amor.
O amor morre e renasce também - tem mais vidas que o gato. Num dia você o enterra, jurando que ele se foi para sempre, no outro ele bate na porta, ramalhete de rosas na mão.
Amor é detalhe. Doses diárias e homeopáticas de amor são mais fundamentais que arroubos amorosos dilacerantes – quase sempre muito barulho para pouca sinceridade.
Amor só é amor quando vem da fonte: é preciso ter amor para poder dá-lo, recebê-lo, compartilha-lo.
Se não tê-lo, como entendê-lo?

Amor é adaptação, sim senhores.
Não castração, muitíssimo menos autoridade.
Apenas adaptação.
Se não existe adaptação, não há troca, é amor egocêntrico, interesseiro, comodista.
Ou seja: não é amor.

Amor é silêncio também.
Não fala o tempo todo sobre o quanto é grande e forte e inabalável.
Amor que diz, na maioria das vezes, não faz.

Este, é claro, é o amor que vejo pelo ponto da minha vista.
É o que procuro dar, é o que busco receber de volta.
Apenas um gosto, uma opção.
Uma mera preferência.
É o que eu acredito que seja, verdadeiramente, o amor.
O resto é fogo que queima palha e não deixa nem brasas, só cinzas, e justifica que analistas e psiquiatras troquem de carro todo ano.
Tudo gente que ainda não descobriu que tipo de amor deseja para si - por isso nunca percebe quando encontra, sequer sabe o que está procurando.
Isso, é claro, na minha humilde opinião.
Na vista que vejo sob meu ponto.
Provavelmente o seu amor seja diferente do meu, mas e daí?
O amor sempre vale, até quando não o é.

19 janeiro 2010

Ajude a Jana.

Olá galerê do meu coraçãozinho!
Tudo maneiro?
Estou aqui para, humildemente, pedir uma pequenina gentileza para vocês.
É que assim: um dos contos do Afobório, meu marido e cúmplice e etecetara e tal, chamado MENINO, EU LEIO A SUA SORTE, foi selecionado pela sensacional Revista Ficções e está, neste exato momento, publicado em seu site oficial.
Bem aqui ó.
Os contos mais populares e mais comentados do site serão publicados na versão impressa da revista, o que, obviamente, é muito ótimo.
Por isso, gostaria de pedir encarecidamente que acessem o link, cliquem ali onde diz COMENTE e deixem sua opinião.
É bem rapidinho, fácil e gratuito!
Vocês passam lá?
Ah, eu sabia que podia contar com vocês!
Um big beijo, e desde já meu muito obrigada.

14 janeiro 2010

Literarte: a boa nova.

Eu sempre acreditei que a arte não existe sozinha.
Não há literatura, ilustração, quadrinhos, fotografias.
É claro, são elementos que se auto-sustentam perfeitamente, mas podem ficar ainda melhores e mais interessantes se estiverem de mãos dadas uns com os outros.
Ora, porque não?
Combinar diferentes manifestações de expressão é recriar em cima do que já foi criado, e isso é sensacional: induzir novos sentidos ao que já estava estabelecido; ao que já estava, aparentemente, pronto.
Recriar, reinventar, reavivar.
Fizemos isso durante oito meses através do site E-Blogue.com, onde publicávamos tudo junto-e-reunido, e doeu ter de interrompê-lo assim, bruscamente.
E foi por isso – e também pela imensa vontade de tornar palpável o que até então sempre havia sido virtual – que apresentei um projeto para a Editora Multifoco sugerindo a criação de um selo, chamado Literarte, que fizesse exatamente isso: misturas.
Literatura, quadrinho, ilustração, fotografia, charge, pintura, tirinha, música, áudio e tudo o mais que nossas cabecinhas pensantes pudessem conceber.
E não é que a Multifoco topou?
Eu fiquei amarelo-limão de contente, óbvio.
Porque além de reunir artistas e materiais incríveis, e que o mundo merece e precisa conhecer, o selo Literarte vai oportunizar não apenas escritores, mas fotógrafos, ilustradores, quadrinistas e toda uma gama de artistas a finalmente tirar da gaveta ou da memória do computador o seu trabalho.
Ou seja: se você sabe fazer, faz, e quer de verdade levar a sério o que todo mundo acha que é só teu hobbie, a hora é essa.
Mostre ao mundo o que sua mãe já sabe há muito tempo.

Inicialmente, estamos com os originais aprovados de dois autores, além de dois projetos de coletâneas em andamento, uma de crônicas ilustradas e outra de histórias em quadrinhos.
Não entrarei em maiores detalhes porque primeiro quero formalizar tudo.
O blogue do selo está quase pronto, assim como sua logomarca, e em breve eu terei um e-mail exclusivo e é por lá que vamos trocar umas idéias, inventar umas misturas e jogar conversa fora.
Logo eu venho aqui explicar tudo para vocês, inclusive os detalhes sórdidos.
Vai ser bem divertido, rapaziada.
Podem apostar.

12 janeiro 2010

Galeria do Sobrenatural

Bom dia, moçada.
Passando para avisar que finalmente chegaram em minha casa os livros da Galeria do Sobrenatural – Jornadas Além da Imaginação, uma coletânea de contos fantásticos em homenagem aos 50 anos do seriado de tevê Twilight Zone (Além da Imaginação, no Brasil), organizada por Silvio Alexandre em parceria com a Terracota Editora.
O livro conta com a presença de 19 escritores nacionais e internacionais, entre eles Andréa Del Fuego, Braulio Tavares e Shirley Souza (ambos vencedores do Jabuti), Luís Filipe Silva (de Portugal) e Regina Drummond (da Alemanha).
Ah sim, é claro: e muito humildemente eu também, rerere.
A edição está linda e impecável, e quem quiser garantir seu exemplar é agora ou nunca.
Tenho apenas dez livros comigo, e é claro que na minha mão é mais barato ou ‘moça bonita não paga, mas também não leva’: por 17 pilinhas + 3 de frete, você recebe no conforto e aconchego de sua casa seu exemplar.
Só para constar, na livraria tá custando 26, ou seja: super-promoção.
Então não percam tempo, escrevam para 3am.jana@gmail.com e comprem já o seu.
.
Tá bem massa, eu juro.

07 janeiro 2010

Retrospectiva 2009 da Jana.

Nada como fazer uma retrospectiva fora de época.
E, o mais interessante, uma retrospectiva não sobre o mundo, não sobre o Brasil, não sobre o Rio Grande do Sul, não sobre o meu bairro.
Uma retrospectiva sobre mim.
Hohoho.
Sim, trata-se do cúmulo do egocentrismo, mas se lerem com atenção o título ali no cabeçalho, perceberão que este é o Blogue da Jana, logo, tudo que tem aqui dentro é sobre... a Jana!
Isto é: eu.
Então esta retrospectiva megalomaníaca é para você, que vira e mexe passa por aqui, relembrar de todas as ocasiões em que meti o bedelho onde não fui chamada e dei opiniões absolutamente desnecessárias sobre assuntos que definitivamente não são da minha conta.
Recordar é viver.

Janeiro
01:
Janaína fica bêbada pagando 4 reais (!!!) por uma lata de cerveja de 350 mls em um lugar abafado e lotado, e deseja o mal para o cantor metido a rainha de Sabá que está em cima do palco cantando músicas com gosto de pizza quatro queijos.
02: Promete que nunca mais vai ir em nenhuma festa passofundense e fica rancorosa o dia inteiro.
08: Recebe em casa os livros Letras no Brasil, da Taba Cultural Editora, onde participa com dois poemas: AAAH! e Pedro e Manuel em um Mundo Ruim. Custa 15 pila e ainda tem alguns exemplares em estoque. (rarara, merchan é vida).
08: Não consegue aceitar as novas regrais gramaticais.
09: Comemora seu aniversário em algum lugar que juro por Deus que me esqueci. Provavelmente em casa.
12: Vai para o ar a primeira edição do E-Blogue.com (in memorian).
14: Janaína fica perturbada tentando entender a plataforma do E-Blogue.com e se endivida.
27: Pensa em ir embora do Brasil.
28: Publica na revista virtual Zé Pereira o texto que escreveu sobre seu constrangimento com as novas e obscenas regras gramaticais.

Fevereiro
05:
Depois de um suspense barato, anuncia a abertura das inscrições para o primeiro volume da antologia de contos policiais Assassinos S/A e baba o ovo de sua editora, a Multifoco.
09: A italiana Eluana Englaro tem seus aparelhos desligados e morre de fome e sede 3 dias depois. Janaína fica puta da cara.
27: Cria um Blogue Secreto só para leitores convidados.

Março
04:
Escreve o texto Puta-Virgem que, desde então, é o campeão de visitas do seu blogue, procurado incansavelmente por internautas taradinhos que digitam no Google 'putas' e 'virgens' e outros adjetivos dispensáveis, dado o horário. Suuuuuu-cesso.
06: Já que ninguém compra, distribui conselhos grátis.
08: Escreve uma carta ao prezado, estimado e cardosíssimo Arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho.
21: E-Blogue.com adere a Hora do Planeta e é xingado por um internauta sem muitas noções ortográficas e tudo termina na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
26: Percebe centenas de fumadores de crack na rua de sua casa e pára de ir ao mercadinho que fica meia quadra dali depois das 18hs.

Abril
02: Publica Um Drink para a Posteridade no site Releituras e se acha o gás da coca-cola.
15: Numa manhã de sábado em que estava em casa reclamando da vida, recebe pelo Correio os 50 primeiros exemplares do seu livro, Uma Carta por Benjamin, e fica saltitando feliz pelo quintal o resto do fim de semana.
16: Lançamento em Carazinho do livro, na Biblioteca Municipal. Fica chocada quando percebe que as pessoas de fato compareceram. Decodifica a frase ”Nunca fiquei tão chapada como depois que parei de usar drogas”. Não consegue dormir e fica assistindo tevê até de madrugada.
26: Participa do Porão da Palavra, em Porto Alegre, se indispõe com um taxista, fica bêbada, tem um ataque de nervos, tenta fugir pela basculante do banheiro, não consegue, volta, bebe mais, sobe no palco e fim. “Foi incrível”, teria dito mais tarde.

Maio
09: Lançamento em São Paulo, na HQMix Livraria, da revista independente Café Espacial, onde participa pela primeira vez com o conto Maldita Sandra.
09: Lança o livro Uma Carta por Benjamin em Passo Fundo, na Loja Valentine, bebe vodka e vai comer pizza depois.
12: Comete um assassinato com cebolas no Beco do Crime.
12: Publica um vídeo tosco gravado no dia do lançamento em Passo Fundo. Depois da vodka e antes da pizza. Se considera uma expert em YouTube e vídeos experimentais.
16: Sai correndo horrorizada do prédio onde vivia, levando a tiracolo seu excelentíssimo esposo, uma mochila, uns sanduíches e alguma esperança de um mundo melhor.

Junho
09:
Anuncia o fim do Blogue Secreto antes mesmo de seu lançamento. E não fica nem com vergonha.
10: Corta sua primeira cabeça.
12: Cria uma conta no Twitter e não entende porque fez isso.
13: Vira fisiculturista.
25: Lança seu livro em Não-Me-Toque. Dúvidas sobre a legitimidade da cidade e a origem de seu nome, clique aqui.

Julho
04:
Lançamento do primeiro volume da antologia de contos policiais Assassinos S/A, no Rio de Janeiro, Lapa, sábado de tarde. Janaína não comparece porque passa por um colapso financeiro.
09: Publica no Haja Saco. Em seguida, Haja Saco encerra suas atividades. Questiona-se se é pé frio.
20: Tira uma foto de Deus.
25: Tal e qual esta retrospectiva, escreve um texto sobre o dia do amigo fora de época.

Agosto
04:
Publica o conto O Velório de Jess Renoah no Cronópios.
07: Cria uma comunidade no Orkut para seu livro, e obriga e constrange seus amigos a entrarem. Há suspeita de chantagem.
15: Beto Canales resenha Uma Carta por Benjamin.
18: Escuta compulsivamente a música inédita de Raul Seixas, Gospel, e agradece a Deus pelas novas tecnologias que permitiram transformar uma fita K7 velha e estropiada em um áudio perfeito. Comemora.
19: 3:AM Magazine Brasil ressuscita.
21: Troféu HQMix em São Paulo, onde a revista Café Espacial recebe o prêmio de Melhor Publicação Independente de Grupo. Janaína não comparece, porque permanece inserida em um colapso financeiro, mas assiste aos vídeos posteriormente disponibilizados no YouTube. Declara seu amor pela internet.
21: Vinte anos da morte de Raul Seixas. Janaína perde todos os especiais e homenagens da tevê porque esqueceu.
22: Fica puta da cara porque esqueceu de ligar a tevê no dia em que completam 20 anos da morte de Raul Seixas.
29: Benjamin vai parar na Livraria Cultura e Janaína se acha o último pedaço de pizza.
29: Morre de morte matada o E-Blogue.com. Janaína assume a culpa.

Setembro
01:
Fica tremendamente embaraçada quando Fernandão joga no time adversário ao Internacional em partida no Beira-Rio.
03: O primeiro capítulo do livro Uma Carta por Benjamin é publicado no 3:AM Magazine inglês, e vira A Letter for Benjamin. Tradução da xará Lisboa. Janaína se acha o último gole de cerveja gelada.
03: Publicado o vídeo de divulgação da coletânea Assassinos S/A Vol I. Produção de Israel Teles. Trimmassa.
04: Publica sua primeira colaboração na revista Zena, Mulheres-Macho.
09: Publica aqui a primeira página de seu primeiro conto adaptado para os quadrinhos, Joaquina Pede Água. Pelas mãos de Sergio Chaves e Sueli Mendes.
13: Morre seu gato, Ceguinho, e é um domingo terrível e Janaína chora ouvindo Legião Urbana.
18: É duramente enxovalhada por um editor, e fica amargurada a ponto de escrever um texto sobre isso.
21: Recebe e imediatamente divulga a capa e a contracapa da Assassinos S/A Vol. II, por Mario Cau. Fica babando nelas.
24: Uma lacraia é brutalmente assassinada por uma aranha que é brutalmente assassinada pelo Afobório. Tudo em cima de sua lareira.
30: Viciados em crack pulam a janela de seu quarto em plena luz do dia e roubam seu notebuque e o notebuque de seu excelentíssimo esposo. Janaína deseja a morte lenta e dolorosa dos fumadores de pedra, e manda a merda seu bom senso social.

Outubro
06:
Descobre que está participando da coletânea de contos fantásticos Galeria do Sobrenatural, da Terracota Editora, e sorri e volta a ter esperança em um futuro melhor.
06: Também descobre que já está no ar, pela Mojo Books, seu conto, Pela Honra de Meu Pai, inspirado na banda Pata de Elefante.
17: Diogo Alves resenha Uma Carta por Benjamin.
21: Decide juntar suas tralhas, suas malas, suas cuias e seu marido e ir morar em uma casa no campo e plantar seus amigos, seus livros, seus discos, e nada mais.
30: Lançamento da revista Café Espacial número 5, onde participa com um conto (Os Ratos, Os Gatos e Os Homens) e em uma HQ (Joaquina Pede Água). Festa de arromba do Quarto Mundo em São Paulo. Janaína não comparece porque ainda permanece em colapso financeiro.

Novembro
01:
Sônia de Matos se torna amiga de infância de Janaína ao resenhar seu livro, Uma Carta por Benjamin, para o site Porto Cultura.
02: Escreve sobre a Jornada Nacional de Patifaria.
07: Lançamento do livro Amar é Abanar o Rabo, uma coletânea de poemas escritos por mulheres organizado pelo escritor Jovino Machado. Se diverte com a capa da edição, onde o c* do cachorrinho é em formato de coração.
08: Um Escritor Oculto chamado A. Moraes escreve uma resenha espacial sobre a Café.
08: Tenta entender os alunos da Uni(tali)ban. Não consegue e conclui que suas festas são chatíssimas.
10: A Café Espacial leva o Prêmio DB Artes (Divisão Brasileira de Artes) como Melhor Edição Independente do Ano.
10: Resenha o livro do amigo e escritor Beto Canales, A Vida Que Não Vivi.
25: Fica bege quando recebe um e-mail de uma psicóloga que compara Cazuza com Fernandinho Beira-Mar.
29: Cansada de ser assaltada, lança a campanha virtual e blogueira TODOS CONTRA O CRACK.

Dezembro
01:
É publicada uma entrevista no site Universo Ipa, com Jana Lauxen e Afobório, sobre a nova literatura brasileira. Tudo capitaneado por Tássia Jaeger.
02: Compra um cãozinho-bebê da raça Collie sem o consentimento de seu excelentíssimo esposo e o chama de Freddie, também sem o consentimento de seu excelentíssimo esposo, que considera o nome “de playba”.
05: Lançamento da Café Espacial 5 em Curitiba. Janaína não vai por que... Ah, vocês já entenderam né?
06: O Internacional deixa o título do Campeonato Brasileiro nas mãos do Grêmio, e o perde, e Janaína passa o domingo inteiro resmungando e desenvolvendo uma gastrite.
06: Janaína consola sua amargura com o Fluminense, que faz bonito.
19: Seu cachorro Freddie é roubado. Consternação ao grau máximo.
19: Lançamento do livro de seu excelentíssimo esposo Afobório, LIVRE PARA SER PRESO, em Passo Fundo, no Bar do Claudião. Janaína afoga suas mágoas em muitas cervejas e vai dormir às oito da manhã depois de passar horas cantando blues com seus amigos. Frase da noite: estou tão sozinho (piada interna, sorry, não deu para evitar).
22: Ganha de presente outro filhote de Collie, que chama de Capitão, desta vez com o aval de seu excelentíssimo esposo, mas sabe que nada nem ninguém preencherá o vazio deixado por Freddie. Sofre adoidado.
24: Janaína odeia o natal e os chesters e os pinheirinhos e as guirlandas e morre de calor e continua amargurada sem seu bebê Freddie. Não acredita mais em um futuro bom para a humanidade.
29: Dá duas entrevistas: uma para o Portal Literal e outra para o Cronópios.
30: Blasfema contra todo mundo, e se aborrece cada vez mais. Pensa em genocídio.
31: Inesperada e felizmente, seu pai encontra Freddie e o ano novo é sensacional e Janaína sorri e diz que ama a humanidade. Brinda com cerveja em copo de cafezinho de bodega.

Então.
Foi isso.
Basicamente o que aconteceu no saudoso (ou não) 2009.
No balanço final ainda posso dizer que o ano passado foi medido, pesado e considerado satisfatório.
E agora que venha 2010.
Quente, pois afinal estaremos fervendo.
Felicidades, molecada.

03 janeiro 2010

Coletâneas Literarte

Estão abertas as inscrições para a seletiva que escolherá os autores integrantes das seguintes coletâneas do Selo Literarte / Editora Multifoco:


Crônico! – Crônicas Brasileiras Ilustradas é organizada pelos escritores Beto Canales (autor do livro A Vida Que Não Vivi) e Jana Lauxen, e busca reunir um time de cronistas formado por 25 autores e um ilustrador, versando sobre os mais variados temas.
Inscrições abertas.
Prazo para recebimento de textos: 15 de agosto de 2010.

Literatura Futebol Clube é organizada pelos escritores Jovino Machado e Jana Lauxen, e reunirá, em um livro a ser lançado em 2011, crônicas, contos e poesias versando sobre o tema Futebol.
Inscrições abertas.
Prazo para recebimento de textos: 30 de novembro de 2010.

Quadrinhos em História é a primeira coletânea de HQs da Editora Multifoco. Com organização de Sergio Chaves, editor da premiada revista Café Espacial, e co-organização da escritora Jana Lauxen, a publicação pretende reunir cerca de 25 histórias em quadrinhos da nova safra de quadrinistas brasileiros.
Inscrições abertas.
Prazo para recebimento do material: 15 de agosto de 2010.

Porque eu participaria?

Porque o grande diferencial da editora Multifoco é o fato de que os autores selecionados não precisam pagar nada para terem seus textos publicados nas coletâneas.
Após a assinatura de um contrato de edição, todos os custos de produção do livro ficam por conta da editora; os autores recebem, por consignação, 15 exemplares da obra sem que para isso precisem desembolsar um único centavo.
Após o recebimento dos livros em casa, cada autor possui um prazo de 30 dias para a comercialização dos livros, ficando, sob o preço de capa, com um lucro de 30%.
A novidade está aqui: caso não consiga comercializar seus livros dentro do prazo estipulado, basta que, ou renegocie um novo prazo (sem multas e sem problemas) ou devolva os exemplares que não conseguiu vender à editora.
Uma excelente oportunidade de publicação e divulgação para autores que não possuem dinheiro para bancar suas primeiras publicações.
Não deixe de participar!
Ficando com qualquer dúvida, acesse o site www.grupomultifoco.com.br/literarte ou entre em contato comigo através do e-mail literarte@editoramultifoco.com.br.
Boa sorte, gente boa!