11 maio 2010

O Menino João da Revista Ficções.

Conheci menino João no site da Revista Ficções.
Afobório, meu fiel escudeiro, teve um texto seu publicado no site, e eu fui lá conferir. Entre comentários de gente que gostou e comentários de gente que não gostou, deparei-me com João. Assim, simplesmente João; sem e-mail, sem link, sem rosto, sem sobrenome.
Primeiramente, confesso que João não despertou minha atenção – era, enfim, apenas um leitor que, por razões diversas, não havia gostado do texto. Passou. O que aconteceu e me fez, finalmente, reparar na presença discreta porém saliente de João, foi sua verdadeira dedicação em voltar e voltar e deixar centenas de dezenas de comentários no texto de Afobório – texto este que, lembremos, João não gostou.
Cada um que vinha elogiar, lá estava João para depreciar, contra-argumentar, esculhambar.
Aquilo despertou minha curiosidade.
Quem era João?
O que pretendia?
De onde vinha, para onde ia?
Inicialmente, desconfiei que fosse pessoal.
Sim, só podia ser!
Alguém que, por motivos particulares, não gostava do Afobório, resolveu esculachá-lo em público.
Afinal, quem se prestaria a perder preciosos minutos de sua vida depreciando o texto de alguém que simplesmente não conhecia, e por quê?
Como talvez vocês saibam, a cada edição a Revista Ficções publica os textos concorrentes, onde escolherão aqueles que sairão em sua edição impressa. A cada nova edição, os textos e comentários da edição antiga são apagados para que entrem novos textos abertos para novos comentários.
E agora a pouco, depois de quase um mês e despretensiosamente, voltei ao site da Ficções.
Adivinhem quem eu encontrei por lá?
João, é claro!
Não como autor de nenhum texto concorrente.
Mas sim - e como sempre - comentando com carinho e delicadeza os textos concorrentes.
E afirmo-lhes:  aparentemente João é uma pessoa difícil de agradar.

Por isso o Blogue da Jana orgulhosamente apresenta algumas hipóteses levantadas pelo nosso quadro de estudiosos & especialistas em comportamento humano, para que possamos ao menos tentar compreender quem é, o que quer, como escreve e o que pensa que está fazendo esta personalidade ímpar e mística que é

O MENINO JOÃO DA REVISTA FICÇÕES!

Hipótese 1: João, de fato, é um escritor recalcado.
Apesar de simplória, quase ingênua, é uma possibilidade.
Suposição: depois de tentar, durante 20 edições, ter seu conto publicado, sem sucesso, João amargura-se, enclausura-se em um quarto no alto da torre com seu gato preto, tatua Revista Ficções na testa e torna-se um rabugento. Por isso, ao invés de ir para casa escrever, opta por passar seus dias enxovalhando todos os autores que, na sua concepção, ocupam um espaço que deveria ser seu – e somente seu.
Neste caso, sugerimos que os editores da revista fiquem atentos.
João pode estar seguindo vocês, e não estamos falando do Twitter.

Hipótese 2: João é um leitor masoquista.
Então.
As pessoas têm todo o direito de gostar e desgostar daquilo que bem entenderem. Ninguém é obrigado a admirar nada nem ninguém, e por isso defendemos o direito do menino João de não achar nenhum texto publicado pela Revista Ficções bom o suficiente para seu gosto apurado.
No entanto, continua a questão: mas porque raios João vai até lá, lê e se dedica tão veementemente a textos que considera ruins?
Suposição: porque gosta de sofrer.
Porque gosta de se torturar com textos que não estão à altura de seu fino trato literário, e ao invés de ir ler autores que aprecia, prefere padecer no paraíso, consumindo literatura que, na sua brilhante opinião, não possui nenhuma qualidade.
“Existencialóides e vazios - pra não dizer francamente toscos”, segundo sábias palavras do próprio.

Hipótese 3: João trabalha para as revistas Ficções.
Arrá!
Aposto que vocês não haviam pensado nisso!
Quem foi que disse que João é apenas um leitor masoquista, um mero escritor frustrado ou um maníaco-obsessivo-compulsivo comum?
Suposição: João pode muito bem trabalhar para a Ficções, ou até mesmo integrar sua bancada editorial. Sua função: dedicar-se exclusivamente a provocar confusão nos comentários para angariar mais visitas para o site.
EUREKA!
Explico melhor: imaginemos que você é um autor que teve seu texto selecionado e publicado no site da revista. Tudo vai bem até que, de repente, não mais que de repente, sua humilde obra literária passa a ser alvo da fúria descontrolada de um desconhecido que assina simplesmente João. Na tentativa de se proteger, você conta sobre o acontecido para os seus amigos e leitores que, como bons amigos e leitores que são, irão até lá te defender. Inicia-se o bate boca. Neste meio tempo, outros internautas começam a participar. A notícia do embate espalha-se e logo tem uma galera acessando, só para acompanhar o burburinho.
Ora, vocês sabem como as pessoas, seja no mundo real, seja no mundo virtual, curtem um bom quebra-quebra.
É.
Inclusive eu e você.

Hipótese 4: A vida de João é chata.
Pode ser, né?
Suposição: absorvido em um universo triste e monótono, João busca na internet um meio de distrair-se da rotina impiedosa que massacra seus dias, e através de sua verborragia maledicente tenta, desesperadamente, expulsar os fantasmas que assombram sua vida.
Acontece muito.

*

Estas foram as hipóteses que elaboramos até o presente momento.
Porém, incansáveis, a equipe deste blogue decidiu, numa última tentativa de compreender o incompreensível universo de João, pegar uma lupa, vestir um sobretudo bege, meter sobre a cabeça um chapéu e sair a campo investigar a fundo a verdadeira origem e os reais objetivos d’O MENINO JOÃO DA REVISTA FICÇÕES.

E veja o que descobrimos, atônitos, em seu penúltimo e adorável comentário no site da Ficções, datado de 9 de maio de 2010.
Diz João:

se não fui selecionado para esta edição é porque não enviei nenhum texto - ao contrário do que ocorreu na última, quando enviei e o tive selecionado”.

PÁRA TUDO!
Se a atual edição é a 20, a última era, naturalmente, a 19, correto?
E Afobório, uma das muitas vítimas literárias da furiosa metralhadora de João, publicou exatamente... na edição 19!
Quer dizer que João estava ali disfarçado, camuflado e encoberto tal e qual um camaleão, com seu texto devidamente publicado, E NÓS NEM FICAMOS SABENDO?
Estava na nossa cara o tempo inteiro, como deixamos escapar???
PORRA João, porque não nos alertou???

Mas João explicou porque não nos alertou.
Sim, em seu último comentário ele deixou escapar que:

Só não publico com o pseudônimo de João porque sei que a patota cairia em cima do judeu enlouquecido”.

Apesar de não captarmos a magnitude e a significação da parte em que fala de patota e judeu enlouquecido, está confirmado: João não assina seu verdadeiro nome por receio de que outros Joões o ataquem, tal e qual ele próprio faz.
Julgamos os outros por nós mesmos, teria comentado minha lúdica vovozinha.
E tem mais: um de nossos detetives contratados observou também, muito prudentemente, que João possui o estranho hábito de espezinhar apenas os textos mais comentados.
Seria, então, a Hipótese 1 a verdadeira?
Não percam os próximos capítulos desta emocionante história real!!!

*

Por tudo isso, leitores engajados deste Blogue, ajudem-nos a entender e a descobrir quem é esta figura singular que, há algumas edições, nos emociona e sensibiliza no site da Revista Ficções.
Escreva para nossa equipe: hipotesejoao@gmail.com e dê sua contribuição.
Vale palpite, elaboração de novas teorias, pistas sobre o paradeiro de João, sugestões de linhas de investigação.
Também ficaríamos estonteantemente felizes se descolássemos o link do blogue de João ou os originais de alguns de seus textos, onde pudéssemos ter o prazer inenarrável de desfrutar de sua literatura que, apesar de não conhecermos, temos certeza que deve ser CATIVANTE - para dizer o mínimo.
E João: se estiver lendo isso agora, por favor, entre em contato com nossa equipe.
Queremos tê-lo, lê-lo, vê-lo, sabê-lo, entendê-lo, conhecê-lo!
Não desistiremos de ti, ó menino João.
E para nos despedirmos em grande estilo, encerramos este texto investigativo com uma frase profética e hipotética dele, nosso maior guru:

Quando um burro fala o outro baixa a orelha”.
(João)

Atenciosamente.
Equipe Blogue da Jana