17 março 2010

Porque meus originais não foram aprovados?

Muitos podem ser os motivos.
Vamos a alguns deles, bastante prováveis:

1. Sua história não é boa.
É, acontece.
Muita gente escreve uma história, mostra pra mãe e pra avó, que dizem que adoraram, e então passa a acreditar piamente que já podem, devem e necessitam publicar.
É compreensível.
Porém, muitas vezes, sua mãe e sua vó podem mentir, ou, ao menos, emitir uma opinião parcial.
Pois é.
Uma boa idéia é nunca tentar publicar o primeiro livro que escreveu.
Acredite: ele é muito mais um exercício inicial de literatura do que, de fato, uma grande obra-prima.
Depois que escrever o segundo, o terceiro, o quarto, vai perceber que o primeiro possui erros e vácuos que você não vai acreditar que foi capaz de cometer.
E, no final das contas, vai agradecer de pés juntos ao editor que lhe disse não, nesta primeira vez.

2. Sua história é boa, mas possui problemas.
A história é legal, mas não desenrola.
Você encheu muita lingüiça, derrapou em alguns erros gramaticais, perdeu o fio da meada lá pelas tantas, se confundiu, respondeu perguntas que não tinha feito e deixou sem respostas perguntas que você mesmo levantou.
É tudo uma questão de trabalhar o enredo.
Se você desconfia que isso possa ter acontecido com a sua história, é interessante procurar alguém que entenda do assunto e possa te ajudar.
Mas esse não é o papel da editora.
Não é ela quem vai lhe dizer o que falta e o que sobra na história, por isso, envie seus originais apenas quando tiver cem por cento de certeza que fez o seu melhor.

3. Sua história é boa e não possui problemas, mas não segue a linha editorial da editora em questão.
Muito comum.
Procure pesquisar o catálogo da editora antes de enviar seu original para avaliação.
Muitos livros acabam descartados porque não fecham com a proposta editorial da empresa, e aí não importa se ele é bom, têm qualidade e chances de se tornar um best seller.
Eles vão descartar sua obra antes mesmo de lê-la.

4. Sua história é boa, não possui problemas, segue a linha editorial da editora, mas o editor não gostou dela.
Então.
No fim das contas, amigos e amigas, tudo é uma questão de gosto pessoal.
Seja um editor, um crítico literário, um grande nome da literatura mundial; todos, apesar de seus cargos com nomes pomposos, não passam de pessoas com opiniões.
Só isso e nada mais.
Pessoas comuns que apenas gostam ou não gostam, e nem sabem explicar o porquê.
Isso também acontece, e muito, mas não é motivo para se desesperar.
Mande para outras editoras, que seus originais serão apreciados por outras pessoas, que terão outras opiniões.
Se ele for bom, numa dessas você arranja o tão esperado SIM.

5. Sua história é boa, não possui problemas, segue a linha editorial da editora mas o editor nem a leu.
Também acontece, especialmente em se tratando de grandes editoras.
Acreditem, amiguinhos: A editora Record, a Globo, a Cia. das Letras sequer lê os originais que, tão humildemente, você envia para elas.
E não é porque são empresas capitalistas selvagens e malvadonas, é apenas porque elas já são grandes e só querem saber de quem vende, ou seja: a Martha Medeiros, e não você.
Aliás, é por isso que existem as pequenas e médias editoras: para apresentar às grandes autores potencialmente bons – e vendáveis.

Como sei que escritores & artistas em geral são muito líricos e sensíveis, peço que não levem a mal o que escrevi, escrevo e futuramente escreverei aqui.
Não tenho nenhum objetivo escuso de ferir o coraçãozinho de ninguém, apenas acho importante que estejamos lúcidos na hora que tratarmos de negócios.
Sim, porque literatura, apesar da aura romântica que paira sobre ela, é um negócio, de uma empresa que possui contas e planilhas e prazos e funcionários.
Publicar um livro até pode significar a realização de um sonho, mas é muito mais do que isso.
É trabalho duro e profissional e fim.
Por isso, se você levou um NÃO, seja da Multifoco, seja de qualquer outra editora, respire fundo, mantenha a calma e prossiga.
As coisas não costumam vir facilmente, para ninguém, e quem não persiste, não alcança.
Parece conversinha de auto-ajuda?
Mas não é.
Pense nisso, e vá.
Porque quem para, ofendido e magoado com os NÃOS que, não apenas as editoras lhe darão, mas a vida, está, definitivamente, fora do mercado.