30 janeiro 2010

Pessoas & Pessoinhas.

Todo caminho é longo.
Disso eu sei desde que comecei a pensar em, um dia, quem sabe, porque não?, ser uma escritora de verdade, profissionalmente falando.
E o caminho é longo para quem quer escrever, para quem quer ilustrar, para quem quer pintar, ou ser médico, engenheiro, professor, advogado.
Não importa o fim; os meios são sempre os mesmos – longos, e geralmente penosos.
Encontramos nesse caminho dificuldade de reconhecimento, críticas ofensivas e maldosas, falta de respeito, pessoinhas.
E a gente pensa que nunca vai dar certo, e que não teremos força para seguir adiante, e que é melhor desistir de tudo e se esconder numa casinha de sapê no meio de uma fazenda esquecida até por Deus.
Geralmente, após alguns minutos, a vontade de recuar e sumir passa, e lá vamos nós de novo, voltar aos primeiros lugares da fila nessa procissão insana chamada vida.
Agora, vou ser bem honesta com vocês, camaradas: esta vontade de não mais voltar se apossou de mim de tal maneira nos últimos dias, e não passa de jeito nenhum, que começo a me preocupar seriamente com o que farei da minha própria vida, e daquilo que chamo de profissão, e das coisas que eu mais gosto e que me fazem mais felizes. Das coisas que me realizam, sacam?
E sabem vocês qual é o problema principal?
Pessoas.
Ou melhor: pessoinhas.
É impressionante como podem ser absolutamente incríveis e absolutamente aborrecíveis.
Trata-se, obviamente, da famosa dubiedade humana, esta dicotomia doentia e linda que nos faz conhecer pessoas como Chico Xavier, por exemplo, e outras como Fernandinho Beira-Mar.
Pessoas capazes das coisas mais generosas ao mesmo tempo em que perpetuam as mais odiosas.
Como pode?
Num só mundo, tantas pessoas tão diferentes.
Numa só pessoa, tantas facetas tão distintas entre si.
E pessoas, quando não dão boas, credo!
Dão terríveis.
Eu percebo: gente maldosa, fazendo críticas gratuitas apenas para ferir, para agredir, para machucar.
Gente que se dedica exclusivamente a atrapalhar o caminho das outras.
Pessoas megalomaníacas, mesquinhas, arrogantes, que de fato pensam encontrar-se no topo da cadeia alimentar, e acreditam que sua opinião é a verdade absoluta, e não estão nem aí se vão passar por cima de meio mundo para conseguir, de maneira escusa e duvidosa, aquilo que acreditam ser importante para si – às vezes, apenas desmotivar e entristecer o próximo.
Pessoas que pouco ligam para o trabalho e o sentimento alheio, e se sentem no direito de atrapalhar, espezinhar, ofender, apenas por que... Sei lá por que, meu Deus!
Estou cansada, sabe?
Eu juro que entendo que estas pessoinhas a quem me referi não passam de grandes e pobres coitados.
Que se alguém humilha e machuca, é porque só tem isso para oferecer ao mundo.
Que se alguém se considera o rei da cocada preta, é porque nunca, eu disse nunca, chegará a lugar nenhum, e no fim sempre acabará fazendo o bonito papel de bobo da corte.
Que, num futuro próximo, é para suas próprias consciências que terão de prestar contas, e que os cães sempre vão latir, debilmente, enquanto a caravana continuará a seguir, impassível e soberana.
Que quem faz acontecer não tem tempo disponível para ficar distribuindo insultos e julgamentos mundo afora, e que é certeza que a vida destas pessoinhas é vazia tal e qual um balão sem ar.
Os acomodados sempre foram e sempre serão os maiores incomodados.
Entendo também que a vida é assim, deste jeito mesmo, e se aparecem pessoinhas deste porte em nosso caminho, é justamente para que possamos transpô-las, e nos fortalecermos através de suas condenações e crueldades.
Muitas vezes, são elas quem mais nos ajudam a crescer e a amadurecer, e também a exercitar nossa humildade, para que não passemos a acreditar que nós somos Os Caras - o que sempre é um perigo e uma possibilidade.
Disso tudo, eu sei; e sei até demais.
Mas fico pensando: estou nessa labuta a um certo tempo, e conheci pessoas incríveis, fantásticas, e também alcancei algumas coisas, e fiz acontecer outras tantas, e aprendi e tenho orgulho sim do trabalho que faço, mas... Que preguiça de continuar!
Que preguiça pensar que, para o resto da vida, terei de cruzar por tipinhos assim, mal amados, que tem por hobbie despejar nas cabeças alheias todas as suas frustrações e decepções; gente que não sabe o que é educação, gentileza, ternura. Pessoinhas endurecidas.
E, se simplesmente vivendo neste mundo iremos encontrar criaturinhas deste baixo nível, que dirá tentando fazer alguma coisa, colocando nossa cara a tapa, se expondo, se mostrando despido e de cara lavada para pessoas & pessoinhas.
Não posso ir embora daqui, mas posso me poupar de me ver exposta assim, para qualquer babaquinha se sentir no direito de se aproximar com seu dedinho em riste e suas palavras venenosas.
Confesso que, na maior parte do tempo, tenho pena dessa gente.
Mas agora, neste exato momento, juro: odeio-as.
Todas elas.
Sinto a maior repulsa, o maior nojo, uma vontade animalesca de dizer-lhes umas boas verdades e perguntar por que não vão dar um pouco de cu ao invés de ficar enchendo o saco de quem está fazendo o que elas, muito provavelmente, nunca terão coragem de fazer.
Estou com preguiça, uma preguiça imensa e incomensurável de seguir adiante.
Estou com vontade de me preservar, e preservar meu marido, e meus cachorros, e as pessoas que eu amo, mas, no fundo, sei que isso é completamente impossível.
Que apenas por estarmos vivos já estamos expostos o bastante, e já corremos sério risco de toparmos com pessoinhas à toa, que apenas ocupam espaço sobre a face da terra e são adeptos da teoria mais estúpida que o homem já inventou: ‘quem não veio ao mundo para incomodar, não deveria ter vindo ao mundo’.
Se assim for, eu não deveria ter vindo.
Mesmo.

Por favor, meus queridos, não interpretem este pequeno desabafo como descaso a todo carinho que recebo de pessoas muito legais, e até das críticas que buscam construir, nem pensem que estou cuspindo no prato que como, diariamente.
É apenas cansaço, e preguiça - muita preguiça - e também uma bela dose de nojo e raiva e indignação e, porque não dizer, decepção também.
Tenho um amigo, muito querido, chamado Inácio, que sempre me diz que é Deus quem coloca em nosso caminho pessoinhas assim, para testar até que ponto temos vontade de chegar lá, para ver se não estamos de brincadeira, se estamos levando a sério os compromissos que assumimos.
Inácio, de fato, é uma pessoa que faz um trabalho sensacional com doentes mentais, e o que mais recebe são apreciações maldosas, ofensas, humilhações, descaso – todas provindas de pessoinhas que não fazem absolutamente nada, e justamente por isso possuem tempo de sobra para criticá-lo.
Já teve quem atirou, na frente da sua casa, merda.
Sim, merda.
Uma pessoinha muito da desocupada se prestou a juntar um monte de merda, passar de carro pela sua casa, meter a mão na bosta e atirar lá todo seu xixi-coco, bem no meio da varanda de Inácio.
E sabem o que Inácio fez?
Do alto de sua grandeza, que admiro e admirarei para todo o sempre, usou a merda para adubar sua roseira, e depois levou ao atirador (que ele bem conhecia, como a gente geralmente bem conhece), um ramalhete das mesmas rosas adubadas pela mesma merda.
Mas, Inácio, eu não estou conseguindo ser assim!
Creio, do fundo do meu ser, que não possuo tal nobreza de espírito.
Não estou conseguindo vencer a Janaína que quer mais é paz e sossego, e quer mais é ficar na sua, fazer suas coisas, ser surda e fim.
A tal da Janaína que não quer ser nobre porra nenhuma, e quer mais é que os idiotas continuem idiotas para todo o sempre, desde que não possam mais me atingir.
Não com tanta força, pelo menos.
E Inácio me diz: então você não quer de verdade.
Se bobagens desta ordem lhe abalam tanto, a ponto de lhe fazer pensar em desistir, então esqueça, porque você já desistiu.
Se pessoinhas conseguiram lhe fazer parar, então é porque você também é uma pessoinha.
Será?

“Todo caminho é longo, e longa deve ser sua vontade de percorrê-lo”
Ai, ai.