17 dezembro 2010

“Aqueles que aprovam, permaneçam como estão”

Quando você, caro trabalhador brasileiro minimamente assalariado, quer um aumento, o que faz?
Procura aperfeiçoar seu trabalho?
Bajula o chefe?
Pede com carinho?
Busca especialização?
Correto.
E, mesmo aperfeiçoando seu trabalho, bajulando o chefe, pedindo com carinho e buscando especializar-se, às vezes não rola, não é mesmo?
Ou rola, mas menos, BEM MENOS do que você imaginava, gostaria ou supunha que merecia.
Sei como é.
Todos sabemos.
Isto é.
Nem todos.
Existem algumas pessoas que, quando querem aumento de salário, só precisam “permanecer como estão”.
Estes sortudos são as nossas vossas excelências, os políticos, e - pasme! – o patrão, que lhes aumenta o salário para que “permaneçam como estão”, somos eu e você.
E não é um aumentozinho ordinário de 30 pilas.
Falo de 62% de reajuste.
E isto sobre um salário que já estava bem longe de ser mínimo.
Foi o que aconteceu dia 15 de dezembro deste ano, quando 279 deputados federais apoiaram o requerimento de urgência para a votação do projeto de decreto legislativo que aumentou os vencimentos de deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República, além de ministros de Estado, para R$ 26,7 mil.
É. Eu disse VINTE E SEIS MIL E SETECENTOS REAIS. E uns quebrados.
A votação foi simbólica, ou seja, do tipo em que o congressista não declara seu voto. Neste tipo de votação, quem preside a sessão anuncia: “Aqueles que aprovam, permaneçam como estão”. Para, em seguida, emendar: “Aprovado”.
A lista com os nomes dos políticos e seus respectivos votos você encontra clicando aqui.
De qualquer maneira, eu, que sou gaúcha, me dei ao trabalho de pesquisar a cara de pau de cada um dos parasitas políticos do meu estimado estado que votaram a favor deste despautério.
Seus nomes e seus partidos estão logo abaixo.
Se você é gaúcho também, guarde estes nomes e, PELOAMORDEDEUS, não lhes dêem nem bom dia – quiçá seu voto!

Cláudio Diaz PSDB

Darcísio Perondi PMDB

Fernando Marroni PT

Germano Bonow DEM

José Otávio Germano PP

Luis Carlos Heinze PP

Marco Maia PT

Mendes Ribeiro Filho PMDB

Osmar Terra PMDB

Paulo Roberto Pereira PTB

Pompeo de Mattos PDT

Renato Molling PP

Sérgio Moraes PTB

Vieira da Cunha PDT

Vilson Covatti PP

Mas se você não é gaúcho, veja a lista dos deputados do seu estado e não esqueça seus rostinhos feios e nomes-sobrenomes sob nenhuma hipótese.
O novo salário entra em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2011.
Ainda no Rio Grande do Sul: Luciana Genro, do PSOL e Paulo Pimenta, do PT, votaram contra. Emilia Fernandes, também do PT, absteve-se de votar.
Do montante total, 35 votaram contra, e são eles:

  1. Henrique Afonso (PV – Acre)
  2. Luiz Bassuma (PV – Bahia)
  3. Augusto Carvalho (PPS – Distrito Federal)
  4. Magela (PT – Distrito Federal)
  5. Capitão Assumção (PSB – Espírito Santo)
  6. Lelo Coimbra (PMDB - Espírito Santo)
  7. Sueli Vidigal (PDT – Espírito Santo)
  8. Vander Loubet (PT – Mato Grosso do Sul)
  9. Luiz Couto (PT – Paraíba)
  10. Major Fábio (DEM – Paraíba)
  11. Alfredo Kaefer (PSDB – Paraná)
  12. Assis do Couto (PT – Paraná)
  13. Gustavo Fruet (PSDB – Paraná)
  14. Marcelo Almeida (PMDB – Paraná)
  15. Reinhold Stephanes (PMDB – Paraná)
  16. Takayama (PSC – Paraná)
  17. Raul Jungmann (PPS - Pernambuco)
  18. Chico Alencar (PSOL – Rio de Janeiro)
  19. Cida Diogo (PT – Rio de Janeiro)
  20. Fernando Gabeira (PV – Rio de Janeiro)
  21. Eduardo Valverde (PT – Rondônia)
  22. Ernandes Amorim (PTB – Rondônia)
  23. Mauro Nazif (PSB – Rondônia)
  24. Décio Lima (PT – Santa Catarina)
  25. Dr. Talmir (PV – São Paulo)
  26. Emanuel Fernandes (PSDB – São Paulo)
  27. Fernando Chiarelli (PDT – São Paulo)
  28. Ivan Valente (PSOL – São Paulo)
  29. José C Stangarlini (PSDB – São Paulo)
  30. Luiza Erundina (PSB – São Paulo)
  31. Paes de Lira (PTC – São Paulo)
  32. Regis de Oliveira (PSC – São Paulo) Não
  33. Iran Barbosa (PT – Sergipe)
.
Naturalmente, não é porque estes 35 votaram contra que não terão os mesmos 62% de aumento.
Eu, por exemplo, se fosse da política (e, sendo da política, naturalmente seria canalha & cretina) votaria NÃO só para acharem que eu sou honesta.
No entanto, dia primeiro de fevereiro, pegaria meu aumento bem feliz e com minha imagem pública intacta.
Queria ver se o aumento só valesse para quem votou a favor, se haveriam 35 contras.
Mas enfim.
Não há esperança.

15 dezembro 2010

Jana vive.

Muita gente me escreveu (mentira, foi só uma meia dúzia) perguntando se eu havia desistido da vida ou, pior, do meu blogue.
Não, gente amiga, não desisti nem da vida nem do blogue. Apenas descobri recentemente uma vida bela e interessante para além das fronteiras da internet, e tenho me dedicado com afinco e ternura a ela.
E enquanto eu me dedicava com afinco e ternura a vida real, muitas coisas aconteceram. Coisas que, sem dúvidas, mereceriam minha atenção e, quiçá, um texto com muitos caracteres neste blogue opinativo, porém sem pretensão, mas que deixei passar, pensando: amanhã eu escrevo, amanhã eu posto, amanhã eu vejo como faço. E acabava não escrevendo, nem postando, nem vendo como fazia porcaria nenhuma.
Acontece que hoje acordei e decidi pedir para a vida real aguardar alguns instantes na sala de espera, porque eu estava com um pouquinho (só um pouquinho assim) de saudade da vida virtual. Por isso, ofereci para ela um cafezinho com bolinhos e disse que já voltava.
E cá estou.
Como falei, muitos assuntos merecedores de atenção aconteceram nestes dias em que fiquei fora daqui e dentro dali, e por isso, claro, terei de ir por tópicos.
Para não virar bagunça, sabe como é.

Prêmios Literários e Whiskas Sachê

Aconteceu que, para variar, o Chico Buarque levou todos os prêmios literários que existiam e, até mesmo, os que não existiam. A Editora Record, que não publica o Chico Buarque e por isso mesmo ficou ofendidinha, largou um comunicado avisando que, a partir do ano que vem, não irá mais inscrever seus livros no Prêmio Jabuti, já que, de antemão, é o Chico quem leva tudo. Ok, o argumento não foi exatamente este, mas enfim. Não pude evitar um sorrisinho brejeiro e discreto no canto da boca quando li esta notícia. E nem é porque eu, enquanto mais uma nova autora no meio de uma multidão de novos autores, nunca ganhou absolutamente nada, mas porque enquanto leitora, vejo sempre os mesmos escritores abocanhando os mesmos prêmios, o que, lá pelas tantas, dá um tédio. Nunca havia me manifestado a este respeito para não parecer ranço de autor coitado que nunca ganhou nem bom dia de prêmios literários, mas depois que a Record resolveu reclamar, pensei que, afinal, eu não era uma autora amargurada cheia de ressentimento. Para variar eu estava certa, e há, sim, alguma coisa fedendo aqui.
Percebam: nada contra o Chico. Gosto de algumas de suas músicas, apesar de achar que, de um modo geral, ele é superestimado. Superestimado como cantor, como letrista, como bonitão. Agora, em nenhuma categoria ele é mais superestimado do que como escritor.
E antes que vocês comecem a gritar e a atirar pedras na Geni, respondam a esta pergunta: você já leu algum livro dele? Isto é, você conseguiu tamanha proeza? E gostou? Se sim, mande um e-mail que eu vou lhe mandar uma lembrancinha de natal, e você será considerado por mim meu mais novo herói.
Eu li quatro páginas de Budapeste, e depois que acordei sentada no sofá com o livro no colo e dor na nuca, atirei o livro na lixeira, horrorizada. Minha mãe, que é uma guerreira, pegou o livro do lixo e leu. Leu até o fim. Depois que acabou, ela mesma atirou o livro na lixeira, em lágrimas, pensando no tempo que perdeu lendo aquele troço. “Poderia estar lavando louça”, foi seu comentário mais sutil.
O fato é que eu conheço pelo menos trezentas pessoas que escrevem melhor que o Chico. Porém, é o Chico quem abocanha todos os prêmios. E por quê? Ora, porque Chico tem uma coisa que falta a estas outras trezentas pessoas: ser o Chico Buarque. Afinal, só o Chico é o Chico. E Chico dá ibope, Chico aparece na TV, Chico traz credibilidade. Chico é celebridade. O resto é o resto.
Se, ao invés de Chico Buarque, fosse o Manoel da Silva quem tivesse escrito Budapeste, ninguém sequer saberia que houve, um dia, um livro chamado Budapeste.
A propósito, tenho uma história sobre o Chico. A Universidade de Passo Fundo, d'A Terra Onde Não Nasce Grama, promove, a cada dois anos, um charlatanismo literário grosseiro chamado Jornada Nacional de Literatura (leia o que eu penso sobre isso aqui). Em 2005, Chico, para variar, levou o Prêmio Zaffari Bourbon de Literatura, que pagou pra ele a bagatela de 100 mil reais. Chico chegou a Passo Fundo em avião próprio, pegou seu cheque, deu tchauzinho pra galerê e foi-se embora. Tudo em cinco minutos. Mas passou no Jornal Nacional, e só isto já valeu o investimento dos cem mil, né Tânia Rösing?
Eu acho meio perda de tempo e dinheiro participar destes prêmios e, assim como a Record porém por outros motivos, já sai de fininho e sem traumas faz tempo. Primeiro porque, à exceção de um ou de outro, a inscrição é caríssima. Você paga para participar da seletiva sabendo de antemão que não levará nada. E depois ainda precisa lidar com a frustração e com o rombo financeiro. E sabe quem fica com o seu suado dinheirinho de novo autor que mal ganha para pagar a garapa?
Ele mesmo: o Chico Buarque.
Não, obrigada.

Invasão de favelas no Rio de Janeiro

Eu achei de uma beleza rara.
Claro que muitos chatos que vivem enfiados no apartamento da mamãe comendo pão com mortadela falaram muitas bobagens a este respeito, mas ignoremo-los e nos concentremos no que de fato interessa: a polícia brasileira, finalmente, mostrou para todos nós que, não, o poder paralelo e o crime organizado não são nem tão paralelo e nem tão organizado assim. Bastou que alguns fardados altamente aparelhados subissem morro acima para que os grandes e perigosíssimos bandidões fortemente armados fugissem que nem donzelas assustadas para debaixo da cama.
Agora, é claro: não adianta armar o circo, fazer o espetáculo e depois ir embora chupando um pirulito de uva. Mas não creio que farão isso. Que essas unidades de polícia pacificadora (UPPs) possam, de fato, fixar residência não somente na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, mas em todas as favelas do Brasil, e fazer o trabalho pelo qual são pagos para fazer: pacificar. Sim, porque não adianta passar o poder déspota e violento dos bandidos para as mãos dos policiais, e continuar mantendo a população subjugada e com medo.
Ok, nisso todos concordamos.
Mas o que eu considerei particularmente excepcional nesta história toda foi a total inversão de papéis. Quero dizer, a total reestruturação de papéis, porque inversão havia quando o bandido era herói e o herói era bandido. As crianças e jovens das favelas, que cresceram achando vagabundo violento seu modelo de vida, agora terão pelo menos a chance de perceber que eles não passam de ratos assustados e despreparados segurando bodoques. Com a entrada da polícia, esta meninada terá a oportunidade de se espelhar em um outro personagem, até então desprezado, achincalhado e ridicularizado por quem está dentro e fora da favela: a polícia. Que, teoricamente, está dentro da lei. Que, teoricamente, é do bem.
Talvez, desde que eu nasci (e lá se vão 26 anos) tenha sido esta a primeira vez que olhei para a polícia com olhos ternos.
E eu não devo ser a única.
Beijo, seus lindos!

Inter perde Mundial

Pois é.
Perdemos.
Um jogo sofrível e triste, que quando acabou me fez derramar lágrimas sentidas.
Mas tudo bem, a vida segue.
Porém eu, que não sou tão boba quanto poderão supor os mais incautos, tenho dois truques para defender minha integridade e serenidade em ocasiões como esta.
São eles:

TRUQUE 1: não pisotear seu rival quando seu time está por cima. Este é o ponto fundamental e mais importante. Por quê? Porque quando você e o seu time estiverem por baixo (como, no caso, agora) seu rival não terá o direito nem a legitimidade de vir pisotear você. Claro, não é fácil, e a vontade de tocar uma cornetinha no ouvido do adversário quando estamos numa boa é latente. Mas precisamos nos segurar, justamente porque futebol é uma caixinha de surpresas e nunca se sabe o dia de amanhã. De uma hora para outra tudo muda e aí. Bom, aí você não vai querer alguém jogando álcool e sal em cima das tuas feridas. Ou vai?
Quando ganhamos a Libertadores, Deus sabe o esforço que fiz para comemorar sem desmoralizar ninguém, especialmente meus amigos irritantes e gremistas. Foi difícil, mas mantive-me caladinha, comemorando o lindo título de canto e sossegada. Bem que fiz, porque caso contrário, agora, além da dor incomensurável de ver nosso bi mundial descer ralo abaixo tal qual um xixicocô, ainda precisaria agüentar mil gremistas enchendo meu santo saco, e tornando meu luto ainda pior e mais dolorido.
O raciocínio é simples e óbvio: se você não quer ser corneteado, não corneteie. É ruim quando estamos por cima, mas sensacional quando estamos por baixo.
Ah, sim. É claro que existem os sem-noção, que vem encher teu saco mesmo você não tendo enchido o saco deles quando poderia fazê-lo. Mas com estes a gente acaba na moral:

- Presta atenção, ô (insira aqui o nome do corneteiro): se você quiser vir me azucrinar, venha, mas antes lembre-se de que, há bem pouco tempo atrás, quando teu time estava na zona de rebaixamento e o meu era campeão da Libertadores, eu não te azucrinei, respeitei tua dor e fiquei na minha, como manda as regras de civilidade e boa vizinhança - que eu, diferentemente de você, conheço. No entanto, apesar da consideração que tive contigo, vejo que você não tem a menor consideração comigo, e isso me faz ver que você não passa de um cretino que não merece sequer minha amizade e consideração. Não porque torce para o Grêmio ou para o Corinthians, mas porque está aporrinhando talvez a única pessoa que lhe poupou do ridículo, quando você e o seu time estavam em uma situação, no mínimo, ridícula. Lamento pela sua falta de maturidade e discernimento. Me esqueça e tchau.

Decorem este parágrafo e larguem para quem estiver te flauteando com os olhos marejados e a expressão séria. Funciona. Garanto.

TRUQUE 2: Outra maneira importante de defender sua integridade e serenidade após seu time afundar-se no lodo da derrota é desligar a TV, não ler o jornal e, sob nenhuma hipótese, acessar o twitter. O motivo é simples: na TV, todos os programas estarão falando da sua derrota, mostrando detalhes, lances, fazendo comentários, e isto só servirá para reavivar sua dor. É tortura. Quando nos machucamos, colocamos um curativo sob o machucado, e não saímos por aí permitindo que qualquer desocupado coloque os dedos imundos em nossa ferida e a chafurde, correto? Vale o mesmo para estes dias de pós-derrota.
O jornal, idem. Queime-o. Dê para o seu cachorro despedaçá-lo e o agradeça em seguida dando um biscoitinho sabor carne.
E o twitter, bem. Este é o pior. Ali se concentram todos os flauteadores, e eles não medirão esforços para colocar no TT definições humilhantes e sofríveis a respeito do teu time. O que lhe fará ter desgostos, perder amigos e cogitar da hipótese de dar unfollow até mesmo em parentes próximos. Evite o calvário.
Hoje, por exemplo, estou escrevendo este texto, depois lavarei roupa e louça, e lerei um livro, assistirei o Vale a Pena Ver De Novo e visitarei minha vizinha que odeia futebol e faz o melhor bolo de milho com café preto do condado.
E se você é colorado, sugiro que faça o mesmo.

Agora, ainda sobre o Inter, é imprescindível que eu diga uma coisa: não importa se ele perdeu o Mundial. Nos anos 90 eu tinha 10 anos e meu time não ganhava nem par-ou-ímpar e nunca - eu disse NUNCA - pensei em torcer para outro time ou me envergonhar do colorado. Eu amo o Inter, mesmo que ele caia para a vigésima nona divisão. E isto é o mais importante. Se eu estivesse em Porto Alegre, creia-me: iria ao aeroporto fazer festa para recepcionar os jogadores e agradecer pela tentativa. Sim porque, para perder um Mundial de Clubes, é preciso primeiro disputar um Mundial de Clubes, e para disputar um Mundial de Clubes é preciso antes ganhar uma Libertadores da América, e para ganhar uma Libertadores da América é preciso ser, no mínimo, um grande time. E o Inter é um grande time, gostem vocês ou não. E nem sou eu quem diz. É a FIFA.
Ademais, não se ganha sempre, e qualquer pessoa com dois neurônios sabe disso. E mesmo que nunca mais disputemos nada de importante, nada vai me separar do meu colorado, que eu amo e respeito de corpo, alma e coração.
Não importa o que digam.
Minha camisa vermelha eu levo comigo, até para a vigésima nona divisão.

23 novembro 2010

Meu desligamento do Selo Literarte.

Pois então.
Título auto-explicativo.
Este post é para avisar a quem puder interessar que, a partir de agora, não sou mais editora do Selo Literarte.
Por quê?
Os motivos são muitos, mas principalmente porque estou envolvida até a raiz dos cabelos em outros projetos – projetos estes que inviabilizam minha participação efetiva dentro da editora Multifoco, e me obrigam a fazer escolhas.
O que nem sempre é coisa fácil, mas fazer o quê? A vida é feita de prioridades.
Porém, gostaria de deixar muito claro que minha decisão nada tem a ver com algum eventual problema ou atrito dentro da editora. Muito pelo contrário. Eu só tenho a agradecer à Multifoco, ao Frodo e a toda a equipe o carinho e a confiança dispensados a mim, além do enorme respeito com que sempre me trataram – aliás, repito aqui: valeu mesmo, pessoal.
Por isso, se você deseja enviar um original para avaliação da Multifoco, vá em frente e mande para este e-mail aqui: contato@editoramultifoco.com.br ou diretamente para o Frodo Oliveira, que atende aqui: anthology@editoramultifoco.com.br  
Tenho certeza que a editora terá o maior prazer em avaliar seu livro.
Se você é um dos autores aprovados pelo Selo Literarte, fique bem sossegado que tudo seguirá conforme o combinado, e eu cuidarei pessoalmente dos seus livros, até que eles estejam devidamente impressos e em suas mãos.
As coletâneas Crônico! e Quadrinhos em Histórias também serão publicadas conforme o previsto, e eu passarei através deste blogue maiores informações sobre lançamentos e etc.
Para quem ficou com dúvidas ou deseja me convidar para um casamento, mande e-mail: jana.lauxen@hotmail.com  
No mais, gente boa, a vida segue.
Um beijo meu pra vocês e toca o baile.

15 novembro 2010

INADIMPLENTES.

Quando contraímos uma dívida, sabemos de antemão que, cedo ou tarde e querendo ou não, teremos de saldá-la. Podemos até fingir que não nos lembramos dela, fazer uma dancinha e atravessar a rua disfarçadamente para não passar na frente do credor. Mas a dívida continuará lá. Intacta.
No entanto, nesta longa estrada da vida não somamos apenas dívidas financeiras. Estas são, a bem da verdade, as que menos importam, por mais que todo mundo acredite no contrário. Dívidas financeiras podemos renegociar, ganhar descontos, livrar-nos dos juros, quitá-las em suaves parcelas mensais. Mas estas outras dívidas as quais me refiro são inegociáveis. Elas devem ser pagas em seu montante, a vista ou a prazo, hoje ou amanhã.
Falo é dos nossos desacertos, das nossas decisões erradas, das coisas horríveis que, de vez em quando ou sempre, saem da nossa boca. De tudo que era bom e que deixamos de fazer por preguiça ou vaidade, e do que deixamos de aprender, e das pequenas ou enormes maldades que empreendemos.
Tudo vai sendo anotado no caderninho de contas da vida, e uma hora ela vem cobrar.
E aí não adianta chorar, espernear, se descabelar, ameaçar se atirar da ponte, tentar despertar compaixão. Você vai ter que pagar e fim.
O melhor e mais inteligente a se fazer quando a vida vem cobrar nossas dívidas é pagá-la resignadamente. Até um pouco envergonhados, afinal não imaginávamos que nossa conta estivesse assim tão alta. Deveríamos baixar a cabeça e humildemente se comprometer a saldar tal débito o quanto antes.
Mas não.
Não é o que fazemos.
Do contrário.
Damos escândalos.
Perguntamos onde está Deus nessa hora.
Atiramos um vaso contra a parede e gritamos despautérios.
Sentamos no chão fazendo beicinho e dizendo que não brincamos mais.
- Devo, não pago, nego enquanto puder.
Oh Pai, como somos infantis!
Independente de nossas idades, somos seres num estágio de evolução semi-fetal. Mal e mal engatinhamos. E birrentos e exagerados como toda criancinha mimada, não apenas não nos conformamos em pagar o que devemos, como ainda temos a petulância de dizer que estamos sendo injustiçados.
Que, na verdade, nem somos devedores, mas sim credores!
Um absurdo demasiado humano.
Porque, analise comigo: qual foi o último acontecimento que lhe fez sofrer?
Lembrou dele?
Agora volte um pouco mais no tempo, e tente encontrar em que momento da sua vida você plantou o que está agora colhendo; sim, porque este momento existe.
Você pode fingir que não, que é inocente, mas tenho certeza de que, se rememorar com carinho, vai se lembrar da ocasião em que semeou a semente que agora germinou e cresceu e virou um elefante numa loja de cristais. Pode até mesmo ter sido um instante apenas, algo quase insignificante. Uma decisão errada, uma palavra errada, na hora errada, para a pessoa errada. Talvez você até tenha sido, de fato, ingênuo e agido de boa fé. Não importa. O fato é que você semeou, e quem planta banana não colhe beterraba.
Parece simples, e é, mas a gente complica.
E enquanto vamos complicando e empurrando nossas dívidas com a barriga, varrendo-as para debaixo do tapete e fingindo que elas não existem, novas vão sendo contraídas e mais ainda vamos nos enveredando no redemoinho de lástimas e desculpas para não pagarmos o que devemos.
Eu já penso assim: se uma hora teremos de pagar - ou de colher, como achar melhor - não seria mais prudente e inteligente de nossa parte pagar ou colher de uma vez por todas e nos livrarmos definitivamente disso?
Quero dizer, dar um basta na enrolação, assumir o que fizemos e tocar a vida?
Como uma pessoa minimamente civilizada e honesta?

E, entendam: não estou aqui apontando o dedo para vocês. Pelo contrário. Enquanto escrevo este texto, estou olhando para minha própria cara refletida no espelho, e descrevendo o que enxergo ali.
Porque eu não gosto de pagar minhas dívidas.
Não quero colher o que plantei.
Por isso, estupidamente, fico batendo o pé no chão e resmungando, me achando A Injustiçada do Ano. E enquanto isso minhas dívidas continuam lá, apenas esperando que eu me aprume e as pague antes que a soma fique tão alta que eu precise vender meu corpinho para saldá-la.

Se existe alguém sendo injustiçado nesta história, creiam: este alguém é a vida, e não nós. A vida, que não conspira contra, apenas nos devolve aquilo que oferecemos a ela. E nem sou eu quem diz. É uma lei da física, chamada Ação & Reação; a terceira lei de um sujeito chamado Newton. Conhecem? “Toda ação provoca uma reação de igual intensidade”.
Por isso, não faz nenhum sentido que outro seja acusado dos erros que nós cometemos, daquilo que nós escolhemos plantar. Não é correto responsabilizar a vida, o destino, deus ou o universo pelas nossas cagadas.
Então, meus caros, vamos tomar umas seis doses duplas e sem gelo de vergonha na cara e agüentar o tranco que sempre vem, como homens de verdade e não como moleques histéricos e bocós.
Porém, se você fizer questão de apontar o dedo para alguém, faça como eu: procure um espelho, e ali você encontrará o responsável por virar sua vidinha pacata e feliz de cabeça para baixo.

02 novembro 2010

Entrevista para o Paquidermes Culturais.

Então que me escreveu um rapaz chamado Allan Pitz, que havia lido neste blogue o texto sobre A Prepotência dos Novatos e gostado. Trocamos alguns e-mails trocando algumas idéias, e por fim acabamos trocando foi nossos livros, naquilo que chamo carinhosamente de Escambo Literário. Adoro. Enviei o Benjamin para ele, e ele me enviou três de seus livros: Visões Comuns de um Porco Esquartejado, A Fuga das Amebas SelvagensA Morte do Cozinheiro. Confesso que ainda não os li, mas só os títulos já me atraíram sobremaneira.
O fato é que ele leu a história do Ben, gostou e resolveu fazer uma entrevista comigo. Eu topei bem feliz, é claro, e rapidamente ele me enviou as perguntas.
O resultado pode ser conferido no blogue Paquidermes Culturais (esse Allan é um gênio dos títulos, é isso?), clicando bem aqui.
Eu admito que gostei muito da conversa fiada que tive com ele, e que acabou sendo muito esclarecedora para mim. Pois é, para mim. Vejam vocês que damos uma entrevista para que os outros possam conhecer mais sobre a gente, e de quebra acabamos conhecendo mais sobre nós mesmos.
E isto só aconteceu porque, de alguma maneira, as perguntas me conduziram para tanto.
Uma experiência bacana e preciosa, da qual gostei muito.
E espero que vocês também gostem.
Então é isso.
Beijo.

21 outubro 2010

Covil Tropical.

O debate político, que deveria estar acontecendo nestas três semanas que separam o primeiro do segundo turno, virou uma guerra de travesseiros com direito a penas voando para todos os lados.
Propostas? Quase nenhuma.
Promessas? Aos montes.
Se ambos os candidatos fizessem um terço do que estão dizendo que farão, estaríamos salvos.
Mas ok.
Sabemos que é assim em tempo de eleição, e até já nos acostumamos.
Porém, nesta eleição em especial, presenciamos uma das mais explícitas e ordinárias troca de acusações e baixarias da história deste país, entre as duas pessoas que, dada a importância do cargo que pretendem ocupar, precisavam estar mais preocupadas em discutir soluções e criar alternativas, e menos em coletar pedrinhas para atirar contra o telhado de vidro alheio.
Serra e Dilma - e toda a corja que os acompanha - mais parecem duas garotinhas mimadas disputando a mesma boneca.
Os dez minutos diários a que cada aspirante a presidente tem direito, ao invés de tratarem sobre COMO cada um pretende resolver os problemas deste país (não seria este o objetivo? Sou ingênua?) viraram em travesseiradas e gritinhos.
Cada candidato se transformou numa metralhadora ambulante de apelações, e até deus já apareceu na história – e sem direito de réplica.
Num passe de mágicas, Serra e Dilma vestiram até mesmo a camisa verde da causa ambiental, e nunca pensaram tanto na preservação dos passarinhos amazônicos.
Cada qual apregoando que, se não for eleito, o Brasil estará perdido; como se não estivéssemos perdidos de qualquer maneira.
Agora, sabem o que é o pior?
Nem é constatar que, apesar do meu incorrigível otimismo, nossa política desce, DE FATO, frenética ladeira abaixo.
O pior é ver que os eleitores, que deveriam ser os primeiros a cutucar o ombro de Serra e Dilma e dizer: - Hã, oi? Quando terminarem o bate-boca, podemos começar a falar sério?, são os primeiros a ingressar no batalhão de choque e partir para o ataque, se agarrando com unhas e dentes em discussões que saem do nada e vão para lugar nenhum.
Neste exato momento eles estão discutindo amenidades, no maior estilo ‘sou ruim mas você é pior’, e nós, os maiores interessados, estamos numa platéia batendo palminhas e empunhando bandeirolas.
Não, isto não é um jogo de futebol.
Não somos torcidas rivais, meu povo.
Muito pelo contrário: jogamos todos no mesmo time.
Somos os juizes desta partida, e não o contrário.
Não há Serra versus Dilma. O que existe é Serra & Dilma versus nós.
E afirmo isto com convicção porque eles estarão numa boa de qualquer jeito.
Ganhem petistas, ganhem tucanos, eles continuarão morando em suas casas grandes e bebendo dry martíni com azeitona ao entardecer, mamando na teta do governo enquanto eu, você e sua mãe continuaremos aqui, comendo o pão que Dilma e Serra amassaram.
Se PT e PSDB estão protagonizando este circo, acreditem, é porque existem espectadores.
Aliás.
Estas eleições nada mais são do que um perfeito e fidedigno retrato da sociedade onde vivemos: um monte de gente histérica gritando sem parar por causa de nada, enquanto o importante vai passando embaixo de nossas fuças sem que possamos sequer perceber, ocupados que estamos em fazer barulho.

Cada povo tem o governo que merece.
E este é mais um motivo para não votarmos em branco dia 31.
Seja nela, seja nele, quem será eleito para ser nosso representante pelos próximos quatro anos desempenhará com maestria a função para a qual foram eleitos: nos representar.
Afinal, desde já estão, os dois, representando nossa burrice e nossa vulgaridade com muita competência.
Nossos candidatos à presidência nunca serão pessoas sérias e compromissadas porque nós, eleitores e eleitoras deste país, também não somos.
Como poderíamos eleger alguém decente para nos representar, se somos, nós mesmos, tremendamente indecentes?
Parabéns Brasil.
E que vença o menos pior.

10 outubro 2010

Eleitores-Nulos

Fiz uma pesquisa rápida através do meu twitter perguntando: quem foi de Marina, agora vai de Serra, Dilma, anula ou vota em branco?
E como quem pergunta quer saber, vos digo que me arrependi amargamente de ter perguntado.
Porque quem respondeu, salvo exceções, garantiu que ou anula ou vota em branco.

Naturalmente, quando eu tinha 16 anos, também achava que anular ou votar em branco era uma maneira inteligentíssima de protestar. E, assumo, cheguei a cometer este despautério certa vez. Porém o tempo passou, eu cresci e aprendi, rapidamente, que invalidar meu voto é uma maneira (bastante estúpida, aliás) de me abster, de lavar as mãos e dizer ‘não tenho nada a ver com isso, oi?’.
Acontece que temos, sim, tudo a ver com isso.
Inclusive, somos os únicos que temos alguma coisa a ver com isso.

Mais de 24 milhões de pessoas anularam ou votaram em branco neste primeiro turno. Bem mais do que todo o aclamado eleitorado de Marina, a quem petistas e tucanos (além de milhares de coligações), neste exato momento não cansam de cortejar e mandar beijocas. Se eu fosse um deles, estaria mais interessado na vertiginosa massa de eleitores que simplesmente optou pela opção de não optar.
No entanto, não estou aqui para falar de manobras politiqueiras, e sim deste tapa na cara da democracia, dado por quem deveria ser o primeiro a defendê-la e a zelar por ela.
Analisemos: as pessoas que me dizem que anularão ou votarão em branco não são analfabetos que passam fome e fumam crack embaixo de marquise. Não têm mais 16 anos faz tempo. A maioria estudou, fez faculdade, pós-graduação, mestrado, o escambau. São tidas como intelectuais. A "massa pensante" de nosso país; gente que lê e escreve livros e assiste documentário e sabe quem é Rimbaud.
Esses caras votam em branco.
Por quê?
O discurso geralmente é o mesmo, e é tão profundo quanto uma poça de água: protestar. Já que nenhum candidato presta, “olha aqui o que eu faço com meu voto seus bobos e feios”, e rasgam em mil pedacinhos, desdenhosamente, um dos poucos poderes que ainda lhes restavam enquanto cidadãos: seu voto.
Sempre - e eu disse SEMPRE - será melhor poder escolher, nem que as opções não sejam exatamente as que gostaríamos. Se não tivéssemos alternativa, acredite, seria ainda muito pior. Imagine você num restaurante, cheio de apetite, mas sem cardápio nenhum para optar por qual prato deseja, sentado numa mesa esperando que o garçom lhe traga uma comida que você não pediu nem sabe se irá gostar.
Votar em branco é mais ou menos assim.
E se você está aqui, lendo um texto na internet ao invés de ficar em salas de bate-papo inúteis ou em sites de pornografia, saiba que és tu o cara que tem a obrigação moral e cívica de zelar pela liberdade e pela democracia do país onde, querendo ou não, você vive.
Você, caro leitor-eleitor, que votou e pretende novamente votar em branco, precisa entender que poder escolher ainda não é um privilégio de todos, e justamente por isso você não deveria tratar tal regalia com tamanha desconsideração.
Por mais que nos pareça muito natural, e mesmo aborrecível, o hábito de ir até uma urna e participar de uma eleição democrática livre de fraudes, saiba que, para muitos, tal costume não passa de um sonho distante.
Aliás, tem gente aqui mesmo, dentro do Brasil, que vive em zonas consideradas à margem da lei, e que, justamente por isso, se tornaram verdadeiros currais eleitorais. Pessoas com os mesmos direitos constitucionais que eu e você possuímos, mas, que em pleno século 21, não escolhem em quem vão votar; votam em quem o chefe mandou.
E você que pode, que deve, que precisa, fica aí, à toa, vendo a grama crescer.
Faça-me o favor.

Por isso, vote no próximo dia 31.
Seja lá em quem for, vá até sua sessão eleitoral e deixe registrado o seu voto.
Se você acha os dois candidatos horríveis, ok. Vote, então, no que considerar o menos horrível. Afinal são as opções que temos, e, ou escolhemos um deles ou alguém vai escolher por nós. Além do que, se agora existem apenas dois candidatos, lembre-se que no primeiro turno havia nove - NOVE! - e não consigo acreditar que mais de 24 milhões de pessoas acharam que nenhum dos nove estava de acordo com pelo menos parte de suas convicções. Talvez porque sequer exista alguma convicção.
Mas enfim.
Entendo também que você esteja completamente desiludido com a política. Eu também estou, amigo, e dá cá um abraço! Mas acontece que, na prática, isso não faz a menor diferença, e é imprescindível que nós, cidadãos integrantes da classe que não usa a cabeça só para separar as orelhas, continuemos fazendo a parte que nos cabe, que é votar em quem acharmos melhor ou ‘menos pior’.
O Brasil é um país subdesenvolvido e cheio de problemas, mas nem por isso não possui qualidade nenhuma. E uma destas qualidades, sem dúvidas, é o fato de ser um país democrático.
Logo, não se pode lavar as mãos, tal e qual fez Pilatos certa vez, e depois reclamar mudanças, apontar defeitos, fazer barulho. Achar um absurdo alguém que vende seu voto, sem perceber que nem ao menos uma pilha de tijolos ganhou para desfazer-se do seu, como se este não valesse absolutamente nada.
Não adianta retuitar acaloradamente protestos contra a censura, a favor da liberdade de expressão e da democracia, e votar em branco.

Esta desvalorização eminente do direito de escolha do cidadão comum sobre quem governará o país onde vive é que preocupa.
Estes sujeitos que apertam a tecla BRANCO e confirmam realmente acreditam que, fazendo isto, estarão automaticamente pulando fora desta canoa furada chamada Brasil?
Porque não estarão não.
Eles continuarão aqui dentro, junto com a gente, e sem um dos remos, que é para complicar ainda mais sua situação.

Eu não gostaria que nenhum eleitor-nulo tivesse de sentir na pele o dissabor de se viver em um país onde a democracia não passa de uma doce utopia.
Eu mesma não sei.
Quando abri os olhos e o berreiro pela primeira vez no hospital, no comecinho de 85, o Brasil já caminhava a passos largos para se ver finalmente livre da ditadura e de seus milicos intolerantes; logo, desde que me conheço por gente, nosso país é um país livre e democrático. Só que não foi sempre assim, e nós sabemos. Até bem pouco tempo atrás ninguém escolhia nada, nem o que lia no jornal, e para reaver seu fundamental direito de votar muitos brasileiros tiveram que ficar roucos de tanto gritar pelas diretas já. Ou seja: deu um tremendo trabalho. Alguns nem sobreviveram para contar a história.
E agora nós, que na época dormíamos sossegados em nossos bercinhos enquanto outros batalhavam duro para nos deixar um país mais decente e democrático, chegamos nesta altura do campeonato esculhambando tudo e fazendo discursos vazios sobre não exercer um direito que outros brasileiros lutaram para que pudéssemos desfrutar.
Quer dizer, além de tudo, é muita ingratidão!

Votar em branco não é sinal de inteligência nem de protesto ou indignação.
É sinal de burrice.
Não dá para acreditar que o seu voto não fará a diferença. Estes mais de 24 milhões de eleitores-nulos que acreditavam que o seu voto não fazia diferença poderiam inverter completamente o resultado desta eleição.
Não podemos acabar comandados apenas por quem gosta de política e por quem a ignora completamente.
E é por todos estes argumentos, e pelo bom senso geral da nação, que peço mais uma vez e encarecidamente ao caro leitor-eleitor que, neste momento, me lê: VOTE.
Dia 31 pegue seu documento com foto, vá até sua zona eleitoral, clique no número do seu candidato e aperte CONFIRMA.
Ignore por completo aquela tecla escrito BRANCO.
Porque uma coisa é certa: em janeiro de 2011 o Brasil estará nas mãos de um novo presidente, quer você queira, quer não queira.
O Tribunal Superior Eleitoral não vai pensar: “Oh, 24 milhões não votaram, vamos repensar nossos rumos políticos?”.
Então, se você não pretende se candidatar à presidência da república e tentar resolver os problemas deste país do seu jeito, trate de eleger alguém, porque alguém vai ter que fazer este trabalho.
E é melhor que possamos escolher.
Na pior das hipóteses, o menos ruim.

02 outubro 2010

CENSURA.

Quando eu nasci, em 1985, o regime militar, com seus censores de caneta vermelha em punho, praticamente não existiam mais. Tive o privilégio de crescer em um país livre, alicerçado na democracia e na liberdade de expressão, apesar de que, enquanto criança, eu sequer podia imaginar o que isso significava, e o quanto era absolutamente fundamental para o progresso e o desenvolvimento da sociedade como um todo.
Mas eu cresci, como todos um dia crescem, e descobri na escrita uma de minhas mais calientes paixões. Logo comecei a escrever para alguns veículos meus textos cheios de opinião, e não demorou para que eu criasse um blogue só para chamar de meu.
Aqui, neste pretensioso espacinho virtual, eu falo livremente sobre tudo o que se passa pela minha cabeça. Desde esmaltes e futebol até política e filosofia. Escrevo o que eu quero, do jeito que eu quero e quando eu quero, dando, inclusive, nomes aos bois quando assim considero necessário. Procuro, naturalmente, me pautar pelo bom senso, de modo a não denegrir, gratuitamente e sem uma rigorosa sabatina, nada nem ninguém. Mas escrevo o que me dá na telha, sem que, para isso, meus escritos precisem passar pelo crivo de alguém cujos interesses sejam, no mínimo, escusos ou duvidosos.
A única triagem feita é a minha, e isso é mais lindo do que pode, aparentemente, parecer.
E foi assim, escrevendo alucinadamente, que comecei a entender a real importância de palavras como censura, democracia, liberdade de expressão. Não somente para mim, enquanto indivíduo escrevedor, mas para todos nós, enquanto a nação que somos, ou pretendemos um dia ser. Inclusive, quando ouço uns e outros reclamarem sobre como tem gente escrevendo bobagem país afora, nos mais diferentes meios, eu respondo cheia de convicção: é melhor que todos possam escrever do que somente meia dúzia ou quiçá ninguém.
E esta é a verdade.
Por mais que possamos discordar, e até mesmo considerar estúpidas muitas das coisas que lemos por aí, a verdade é que é imprescindível que todo mundo possa expressar sua opinião, por mais equivocada que esta nos pareça. Já nos disse, muito sabiamente, um sujeito chamado Voltaire: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que vós dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las”.
E, tudo bem, seguia minha vida feliz e sossegada, escrevendo sobre tudo o que sentia vontade de escrever, até que comecei a ouvir palavras que arrepiaram até os pelos do meu nariz: Confecom, restrição à liberdade de expressão, fiscalização midiática.
Começou assim: por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o jornal O Estado de S. Paulo esteve sob censura prévia, quando foi proibido de publicar uma matéria sobre a investigação da Polícia Federal que envolvia Fernando Sarney, filho de José Sarney (PMDB-AP).
Ok.
Subitamente apareceram propostas para a criação de órgãos e aparelhos fiscalizadores, disfarçados sob nomes bonitos como Conselho Federal de Jornalismo, cuja finalidade seria "orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão e a atividade jornalística”, e um tal de Tribunal de Mídia, onde, teoricamente, seriam julgados os meios de comunicação que veiculassem mensagens que essa instância entendesse serem prejudiciais.
Prejudiciais para quem?
Para elas?
Era a pergunta que não queria calar.
Mas tá.
Ok.
Então chegaram as eleições e apareceu uma lei eleitoral (9.504) que impedia que programas de rádio e TV, além de mídias impressas, se utilizassem do humor para “degradarem ou ridicularizarem candidato, partido político ou coligação”, sob pena de multa de 100 mil reais.
Falando em português bem claro: CEN-SU-RA.
Tudo muito bem maquiado atrás de boníssimas intenções.

Neste último caso, amém, vários humoristas se reuniram para protestar, o que levou esta lei a cair por terra.
Mas a tentativa aconteceu e é isto o que preocupa.
E então veio a cereja do bolo: dois rapazes, que poderiam ser eu e você, criaram um site chamado Falha de São Paulo (no twitter @falhadespaulo), cujo objetivo era criticar, com muito bom humor, a cobertura jornalística d'A Folha de São Paulo.
Novamente ok.
Mas qual não foi a surpresa destes dois cidadãos ao receber, duas semanas depois do lançamento do site, uma decisão liminar (antecipação de tutela, concedida pela 29ª Vara Cível de SP) que os obrigava a tirar o sítio do ar, sob pena de multa diária de mil reais.
A desculpa utilizada pelo jornal para mover a ação foi o "uso indevido da marca".
Abaixo, transcrevo o que disse os autores do Falha de São Paulo na página que, por enquanto, ainda está no ar e pode ser acessada clicando-se aqui.
Mas faça isso rápido, querido leitor, pois a qualquer momento ela não estará mais lá:

“É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por “liberdade de expressão” comete esse ato violento de censura. Ato este, aliás, bastante covarde: o maior jornal do país movimentou um enorme escritório de advocacia e o Poder Judiciário contra um pequeno site independente. É muita falta de humor, de esportividade, de respeito à democracia.
Senhores proprietários e advogados da Folha, podem ficar tranqüilos. Todos ainda poderão ser satirizados, menos vocês. Todos merecem liberdade de imprensa, menos quem não é da sua turma. E, como ao contrário de vocês, respeitamos as instituições e a democracia, vamos cumprir a ordem judicial.
Parabéns, Folha! A censura imposta por vocês será cumprida.”
(Lino Ito Bocchini e Mario Ito Bocchini)

(clique na imagem para melhor visualização)
De repente, e não mais que de repente, eu, que nasci em um país livre e que sempre fiquei chocadíssima lendo relatos de censura e despotismo mundo afora - e até mesmo aqui, num passado nem tão distante - estou vendo respingar para todos os lados palavras de ordem e repressão que, só por Deus!, cheguei a acreditar que morreria sem sequer tomar conhecimento.
Então eu pergunto: para onde estamos caminhando, Brasil?
Eu não sei, mas de uma coisa tenho certeza. Diferentemente do golpe de 64, a censura, com seus censores de caneta vermelha em punho, não chegará ao poder tomando-o de quem quer que seja, nem fazendo estardalhaço e quebradeira. Ela chegará taciturna e silenciosa, muito bem travestida sob o manto politicamente correto da democracia e do "bem de todos e felicidade geral da nação", comendo pelas beiradas, criando leis e mecanismos para cercear um dos poucos, porém o mais fundamental, poder do cidadão comum: sua liberdade de expressão.
Utilizar-se-á de palavras bonitas e intenções muito nobres, para enganar os mais desatentos e realizar aquilo que é o sonho de todo político, esteja ele no poder ou não: transformar notícias em propaganda. Calar a boca de quem deles discorde, e de quem denuncie suas eventuais falcatruas.

Não existe democracia sem liberdade. E não existe prosperidade sem democracia. A liberdade de imprensa é peça essencial para o bom funcionamento de um país. Somente uma imprensa independente, livre de interferências políticas, pode contribuir para vigiar os poderes. E é por isso que sempre os maiores interessados em acabar ou, pelo menos, podar a liberdade de expressão são nossos governantes, que, repito, sempre preferirão propagandas a notícias.
Exemplos? Temos muitos. Cuba e Venezuela são apenas dois deles, e recentemente Equador e Bolívia passaram a também ser alvos dos desmandos tirânicos e repressores de governos que se utilizam de palavras como “terrorismo midiático” e “abuso do direito de informar” para justificar seu despotismo cretino e poder mandar, alicerçados por leis que eles próprios criaram, jornalistas e cidadãos a calarem suas bocas.

E eu, que morria de pena de escritores como o cubano Pedro Juan Gutiérrez, cujos livros (que estão sumariamente proibidos de serem editados em Cuba) retratam a imensa pobreza de seu povo, onde faltam até aspirinas e papel higiênico e sobram prostitutas e cafetões, agora vejo se aproximar da minha porta, na maior das improbabilidades, o monstro feroz e truculento chamado CENSURA – tudo em maiúsculo.
Precisamos abrir bem os olhos e ficarmos muito atentos, meus amigos.
Pois é devagar e sempre que veremos nossa liberdade ser podada e podada, até que não reste mais nada além de veículos de comunicação que trabalham única e exclusivamente para governos e governantes, e que naturalmente só publicarão aquilo que nos for conveniente saber.
E não pensem que a internet está livre dos censores e de suas canetas vermelhas.
Ela não está, e é por isso que precisamos estar prevenidos, e impedir que o mal se instale a tempo.
Se alguém deve fiscalizar, este alguém é a imprensa, e não os governos.
Pois, caso contrário, talvez levemos muitos e muitos anos para prender novamente o monstro da censura em sua cela de ultra-segurança máxima.
Se é que iremos conseguir.

Este monstro maligno não morre nunca.
Está sempre à espreita, vigilante e, ao menor descuido, arrebenta as grades que o mantinham aprisionado e então.
Bem.
Então só restará que nos adaptemos a andar de mãos atadas e com a boca hermeticamente fechada, pensando que está tudo lindo & maravilhoso quando, na verdade, nada está.

“Porque deveríamos aceitar a liberdade de expressão e de imprensa?
Porque deveria um governo, que está fazendo o que acredita estar certo, permitir que o critiquem?
Ele não aceitaria a oposição de armas letais.
Mas idéias são muito mais letais que armas”.
(Lenin)

Reflitamos, meus caros.
E não permitamos.
Pelo amor que temos por nós mesmos.

30 setembro 2010

Troféu cheio de café.

Meus candidatos estão feios nas pesquisas, meu time acaba de perder para o Palmeiras do Felipão, errei redondamente no jogo do bixo (ops, contravenção!) mas nem tudo por aqui são lástimas e chororôs.
Muito, mas muito pelo contrário!
Acabo de descobrir - com algumas horas de atraso, admito - que a revista Café Espacial levou, pelo segundo ano consecutivo, o Troféu HQMix como Melhor Publicação Independente de Grupo!
O que é justo, muito justo e justíssimo, já que a revista, encabeçada pelos queridos Sergio Chaves e Lídia Basoli, está a cada edição mais quente e deliciosa.
E eu?
Bem.
Eu só posso me sentir eternamente feliz & contente por fazer parte da revista mais espacial do universo.
Também aproveito para parabenizar a todos os ganhadores, bem como a todos os indicados que, sem dúvidas nenhuma, mereceram reconhecimento de tamanha importância.
E agora vamos celebrar, que a vida é bela e etc.
Beijinhos.

27 setembro 2010

A Prepotência dos Novatos.

Lembram?
Pois agora estou aqui novamente para falar em prepotência; porém não dos veteranos.
Não!
Falo de uma prepotência ainda mais cômica, ainda mais trágica, ainda mais revoltante e sem fundamento: a enorme, abissal e espantosa prepotência dos novatos.
Uma prepotência sem pé nem cabeça, sem eira nem beira, mas que existe aos litros, aos quilos, aos balaios, espalhada entre criaturas que acreditaram piamente quando a mamãe disse, certa vez, que eram muito talentosas e por isso mereciam estar ricas.
Já passei por isso mil vezes, e admito que meu saco, que já não é lá essas coisas de espaçoso, está cada vez mais cheio e saturado.
Porém, para que este post não pareça propaganda subliminar das coletâneas que organizo, utilizarei num primeiro momento outro exemplo, que igualmente cai como uma luva para ilustrar esta questão.

A Revista Trip lançou uma espécie de promoção, chamada Trip Colaborativa. Funciona assim: você pode enviar para eles fotos, textos e ilustrações dentro dos temas propostos, e corre um sério risco de ter seu trabalho publicado na edição da revista de outubro. Para saber mais, você pode clicar aqui.
Eu achei a idéia absolutamente sensacional.
Afinal, quando leitores anônimos e produtores de arte de todo o Brasil teriam a enorme oportunidade de terem seu trabalho publicado numa revista do porte, do renome e da significativa tiragem mensal da Trip?
Porém, podem conferir nos comentários que constam no link que deixei logo acima: milhões de novatos insuportáveis resmungando sem parar.
Me dei o trabalho de separar aqui alguns dos descalabros:

Leitor  20/08/2010 21:15:47 resposta / citação

Muito fácil investir em jornalismo colaborativo fazendo o povo trabalhar de graça. Se a Trip quer sempre ser diferente, deveria pagar pelos trabalhos publicados.

Justo 29/08/2010 20:05:10 resposta / citação

É bem triste ver que enquanto uma grande quantidade de profissionais da comunicação, do texto e da imagem, batalham duro para conquistar respeito e os direitos sobre o uso de suas criações, há veículos da mídia usando o disfarce de "vanguarda colaborativa", e se aproveitando de jovens e de amadores inexperientes. Quem trabalha ou já trabalhou para a mídia, sabe muito bem que é o conjunto das nossas criações que faz um veículo vender, e é disso que se trata a revista. A TRIP é uma EMPRESA, não é um coletivo. A TRIP é uma revista feita com o objetivo de gerar lucro, e não para distribuir oportunidades! Vender nas bancas e vender anúncios são suas metas! Acordem aí crianças! E NADA é mais justo e digno do que você receber pelo seu trabalho. Se a TRIP quer abrir espaço para novos colaboradores, está ótimo, vamos todos participar e apresentar nossos trabalhos, e receber por isso, certo? Ou então podemos montar este lindo trabalho coletivo e colaborativo: a gente entra com a criação, artes, fotos, textos e a TRIP com a impressão e a "grife". Só que aí distribuiremos gratuitamente, ou a preço de custo, os exemplares, e fica justo para todos. Que tal? Me deu uma enorme vergonha de ver a TRIP se prestando a isso, é realmente lamentável.

Primeiro: repare que ambos os autores destes dois comentários que selecionei não assinaram seu nome.
Esta é a primeira característica dos novatos prepotentes: dar o tapa e esconder a mão. O que lhes confere o direito de falarem e ofenderem a vontade, ao seu bel prazer, sem que nada respingue nas suas caras de pau.
Segundo: a TRIP não está obrigando ninguém a participar, de modo que, se você achou a proposta injusta ou duvidosa, é simples. Não participe.
Terceiro - e isso é muito importante: se você acredita que seu trabalho mereça ser remunerado, maravilha, ótimo, lindo, sensacional! Mas... e ele é? Quero dizer, alguém já se propôs a lhe pagar, ou você está mal e mal dando os primeiros passos e deveria saber que precisa mais de divulgação do que de dinheiro?
Já disse e já cansei de repetir: se você acha que a proposta da Trip é cruel, desonesta e maldosa, sente e espere o dia em que a revista vai te ligar oferecendo um cheque cheio de zeros pelo teu trabalho.
HEY pessoal!
Acordem.
Vocês NÃO SÃO o Paulo Coelho, nem o Angeli, nem o J.R. Duran e nem ninguém que valha, por hora, um cheque cheio de zeros.
Aliás, ninguém, além da sua mãe e da meia dúzia de amiguinhos que acessa seu blog sabe quem você é, portanto, baixe a bola.
No entanto, se já pagam pelo seu trabalho cheques cheios de zeros e se mais pessoas além da sua mãe e dos teus amiguinhos conhecem teu blog, então provavelmente a proposta da Trip não é para você.
Entenderam ou querem que eu desenhe?

Vejam bem, caros leitores: sou super contra trabalhar de graça. Até porque, até onde me lembro, a escravidão terminou em 1888 depois que uma tal de Isabel assinou alguns documentos.
Porém, não sou burra o suficiente para acreditar que, logo de cara, estarei, enquanto a escritora novata que sou, recebendo propostas altamente rentáveis de editoras e revistas consagradas, sendo que ninguém, além da minha mãe e da meia dúzia de amiguinhos que passa no meu blogue, sabe quem eu sou.
Eu tenho essa noção e, graças a Deus, isso já me salvou do ridículo mais de uma vez.
No entanto, algumas pessoas caem no conto do vigário e acreditam que, porque tem 200 seguidores no blogue e 400 no twitter, são fenômenos da arte moderna no Brasil.
Preciso rir para não chorar.

Mas, verdade seja dita: nem todos os novatos são prepotentes.
E digo mais: acho que uma minoria o é.
Porém é justamente esta minoria que torna impraticável que veículos, pessoas e editoras tenham vontade de oportunizar quem está começando.
Esta minoria é tão chata que vale por mil.
E agora sim falarei do meu caso específico com as coletâneas que organizo e com o selo Literarte.
Estou super a fim de largar tudo.
Verdade.
E possivelmente farei isso em breve.
Sem dúvidas agradecerei eternamente a confiança que a Multifoco depositou em mim, e também o carinho e o profissionalismo de muitos escritores e ilustradores e fotógrafos, que mostraram que existe esperança para o amanhã, mas.
Por exemplo: recentemente fui obrigada a ler um verdadeiro tratado de imbecilidade no blog de um dos autores da coletânea Assassinos S/A que, além de não comercializar os 15 exemplares que recebeu por consignação, também não os devolveu à editora, e ainda assim se sentiu no direito e na razão de falar mal da coletânea, da Multifoco e, de quebra, de mim. Tudo porque, segundo sua primorosa opinião, nós cobramos para publicar, e pagar para ver seu trabalho publicado é ‘indigno’.
Enfim, nem vou repetir pela milionésima vez que a Multifoco nunca, jamais, em nenhum momento, cobrou para publicar nenhum de seus autores, e que os livros são entregues em consignação e que se você não sabe o que é consignação trate de comprar um Aurélio e descobrir.
Aí eu me prestei (eu sempre me presto) a ir até este dito post e escrever ao dito autor, explicando o que ele já deveria estar careca de saber quando assinou o contrato.
E ele respondeu que, sim, a Multifoco cobrava, pois afinal ele teve que pagar 20 reais de frete.
20 reais de frete!
De fato, o frete do envio fica por conta do autor, mas se nêgo não está disposto a pagar o frete para ter seu livro em mãos, então ele merece nunca ser lido por ninguém.
E mais: quando este autor assinou o contrato, sabia que deveria arcar com os custos do porte, então quer dizer.
Vai empilhar coco em descida.

Muitos escritores que hoje estão ganhando dinheiro com o que escrevem começaram pagando por sua primeira publicação. A Multifoco nem isso cobra. Custeia toda a produção do livro, que passa por revisão, diagramação, impressão e um monte de trabalho que custa um monte de dinheiro, e tudo o que o maldito novo autor precisa fazer é tentar – eu disse TENTAR– vender seus exemplares.
E não são mil exemplares.
São 15, 30, 50.
Mas não!
Os bonitos acham injusto, pois, aonde já se viu eu, LOGO EU, o Grande Autor, me humilhar vendendo exemplares do meu próprio livro?
Pois vou te contar uma novidade, ô Grande Autor: ninguém sabe quem você é e, honestamente, ninguém se importa.
A Cia. das Letras nunca vai publicá-lo nem investir dinheiro em você, porque o seu nome ainda não vende, porque o seu nome ainda é somente mais um nome na multidão.
NO ENTANTO, calma, não se desespere: com o passar do tempo e muita divulgação, paciência, determinação e mais divulgação, isso muda, mas por hora ninguém vai lhe pagar para lhe divulgar, entendido?
Só que aí você diz isso para o cretino do novo autor e ele se ofende!
Sim, porque ele ainda acredita, ingenuamente, estupidamente, que as editoras vivem de amor e beijinho.
Não entendem que livros são um produto, e a Cia. das Letras publica o Julio Verne apenas e tão somente porque meio mundo sabe quem é o Julio Verne e por isso o Julio Verne VENDE e cobre as despesas de publicá-lo e divulgá-lo!
Ok.
Vamos em frente.
Então eu tive a idéia de organizar, ao lado do Sergio Chaves, a primeira coletânea de HQs da Editora Multifoco, a Quadrinhos em História, oportunizando, de maneira inédita, que novos quadrinistas, roteiristas e ilustradores tivessem seu trabalho publicado profissionalmente.
Confesso: na ingenuidade, achei a idéia super boa. Pensei que todos iam gostar, até porque, ainda não soube de outra editora que oportunizasse, além de escritores, quadrinistas a publicarem seu trabalho numa coletânea, junto de outros artistas do mesmo ramo.
Seria super bacana, certo?
Errado.
Serginho enviou para um site um release de divulgação da seletiva e o resultado foi desastroso.
Apareceram milhões de comentários furiosos porque, além de não pagarmos um rio de dinheiro para que tivessem suas magníficas histórias em quadrinho publicadas, ainda pedíamos que os autores tentassem vender sua consignação de 15 exemplares, ORA, ONDE JÁ SE VIU, NÃO SOMOS PALHAÇOS BLABLABLA.
Mais uma vez, eu e minha santa paciência fomos até os comentários e deixamos lá uma enorme explicação, que dizia basicamente para todos se acalmarem e pararem de gritar, que ninguém era obrigado a participar, e que se todos achassem que seus trabalhos mereciam remuneração mais do que divulgação, então que não participassem, BEIJO!
Foram linhas e linhas para explicar o óbvio.
E não adiantou porcaria nenhuma.
Um dos brilhantes comentaristas chegou a dizer, com tremenda má educação, que Fábio Moom e Gabriel Bá, talvez os maiores quadrinistas brasileiros da atualidade, iriam se estapear para publicar na nossa humilde coletânea.
GENTE!
É claro que Gabriel e Fábio sequer tomarão conhecimento da nossa coletânea, porque milhares de editoras e revistas dariam a bunda para tê-los em suas páginas.
Mas e você?
Além da sua mãe e dos teus amiguinhos virtuais, quem mais daria a bunda pelo teu trabalho?
Foi o que pensei.

O fato é que tudo isso me cansou sobremaneira.
Porque, enquanto eu estou explicando o óbvio ululante para gente que não enxerga um palmo na frente do nariz, e enquanto estou me matando e perdendo meu tempo organizando coletâneas e viabilizando oportunidades para quem não as têm (como eu, um dia, não as tive), eu poderia era estar escrevendo meu segundo livro, que está parado, ou publicando em meu blogue, que está desatualizado, ou conversando com o meu marido enquanto tomo uma cerveja e sou feliz.
Não tolero a prepotência de caras como o Paulo Coelho – que já comprou um castelo na França, de tantos livros que já vendeu – vou agora tolerar a prepotência do fulaninho de tal, que eu nem sei de qual buraco saiu?
Não, não vou.
E se você se acha um grande gênio incompreendido, vá abrindo o olho, meu amigo, porque de grandes gênios incompreendidos o inferno, o céu e a terra estão cheios.
E agora vai atender ao telefone, que deve ser a Editora Globo implorando para que você assine com ela sua próxima publicação.
Beijo, seliga.

18 setembro 2010

UTILIDADE PÚBLICA – Importantíssimo.

Então.
Agora estou aqui para pedir alguns segundinhos do seu dia por uma boa causa.
Não, uma boa causa não!
Uma excelente causa!!!
Mas primeiro deixe-me contextualizá-los.
Este é o Mestre Yoda:


 
Como vocês podem observar, Mestre é um cãozinho lindo, velhusco, gordinho e rebaixado.
Porém, não foi sempre assim.
Quando foi encontrado por uma das voluntárias da AAB, estava cheio de pulgas e feridas pelo corpo, além de magérrimo.
Infelizmente, ele ainda não encontrou um lar.
Dizem até que já faz parte dos móveis e utensílios da AAB, quase um patrimônio histórico tombado.
O fato é que Mestre Yoda, representando muito bem a Associação Amigo Bicho de Passo Fundo, está participando de um concurso promovido pela Total Alimentos.
Funciona assim: você clica AQUI e, rapidamente, vota no Mestre.
Como o Mestre participa na categoria ONG Cães, se ele for o mais votado a Amigo Bicho receberá, durante um ano, ração grátis.
O que é sensacional, já que a AAB vive de doações e, na raça e na coragem, atende a muitos animais carentes, e ração é o tipo da coisa que está sempre faltando – entre outras coisas.
Quer dizer, com um simples clique e um breve minuto do seu dia você ajuda um monte de animaizinhos que, por pura e completa irresponsabilidade humana – ou seja: nossa – estão por aí, jogados às traças, abandonados, passando fome, frio e um monte de coisas horríveis que não gosto nem de imaginar.

É claro que podemos fazer bem mais do que apenas votar no Mestre.
Podemos, por exemplo, ajudar a AAB com doação de alimentos, vacinas, cobertores, vermífugos, divulgação, apadrinhamentos, e se você for responsável, pode até mesmo adotar um dos cãezinhos e gatinhos que, ansiosamente, esperam um novo dono para chamar de seu.
No entanto, se você vive longe de Passo Fundo, pode dar uma força para a ONG que cuida de animais aí, na sua cidade.
E MUITO IMPORTANTE: devemos, TODOS, ter muita atenção em quem vamos votar nestas eleições, para não cairmos na cilada de colocar no poder um sujeito que não apenas não se importe com os animais, como ainda defenda e prometa legalizar práticas condenáveis contra nossos amigos bichos.
Como rinhas de galos, por exemplo.
Mas isso já é outra história.
Por hora, clique AQUI e vote no Mestre.
Ele precisa de dois mil votos, e já passou dos 700.
E se não for pedir demais, divulguem o link do jeito que puderem.
Porque ONGs como a Amigo Bicho fazem a parte deles e, de quebra, fazem a nossa parte também.
Logo, retribuir com um clique é o mínimo que podemos fazer.

"Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?" (Guimarães Rosa)

11 setembro 2010

O Mal Menor

Falar sobre política é complicado.
Escrever sobre política então.
Complicadíssimo.
Afinal, trata-se de um terreno bastante delicado, onde qualquer palavra mal colocada pode significar uma interpretação completamente errônea da pretendida pelo autor.
E, a bem da verdade, a política é apenas um, dos muitos assuntos onde é melhor se calar e mascar um chiclete de hortelã, visto que o debate torna-se impraticável perante uns e outros militantes extremistas - mais comuns do que parecem e deveriam ser.

Falar sobre política é igual falar sobre futebol.
Não importa o argumento, você jamais convencerá o seu rival de que seu time é melhor ou maior do que o dele.
Religião, idem. Pegue um fanático religioso, conteste-o e prepare-se para horas de argumentação passional, que não te convencerá do mesmo jeito que você não o convencerá, independente dos argumentos lógicos e cientificamente comprovados que por ventura se utilize.
O fanático, seja qual for o alvo de seu fanatismo, além de cego é persistente.

Mas, relevemos, já que todo mundo tem o direito de torcer e ter fé naquilo e por aquele que bem entender, moderada ou imoderadamente.
Não admito nenhuma forma de fanatismo, mas nestes dois específicos casos ainda o justifico, já que futebol e religião estão muito mais ligados a emoção, a paixão, e menos, muito menos ligados a razão.

Agora, política é outra história.
Não pode ter fanatismo, idolatria que ilude, que emburrece, que aliena.
Poucas coisas mereceriam mais lucidez e sobriedade de nós, cidadãos, do que quem serão, afinal de contas, os caras que comandarão o nosso país (e tudo que vem dentro dele, incluindo nós) pelos próximos quatro anos.
Mas, calma, querido leitor, não farei aqui um discurso pedagógico sobre a importância da democracia e etc. Muito menos farei propaganda dos candidatos nos quais pretendo votar; até porque, nem os defini ainda.
O que pretendo com este texto é dar minha opinião honesta sobre um assunto que é sempre delicado e passível de interpretações equivocadas, e por isto esta introdução extensamente explicativa.
Talvez, e provavelmente, vocês me digam que travesti meu posicionamento político de palavras engomadas e na verdade acabei deixando bem claro de qual lado estou.
E é preciso que, antecipadamente, compreendam que não estou, mesmo, de nenhum lado.
Sou apenas mais uma na multidão que deixou de enxergar a política com olhos otimistas e crédulos, e por motivos óbvios.
Acho que todos – TODOS – os candidatos são sujos.
Uns mais, uns menos, todos são.
Exagerada?
Pode ser, mas não dá para acreditar que uma maça se mantenha íntegra numa cesta de maças podres.
Votarei, sim, naqueles a quem considerar ‘menos piores’.
E para tomar esta decisão, enumerei aquilo que penso sobre a política e minha função enquanto eleitora, requisitos nos quais me basearei na hora de fazer minhas escolhas.
Aqueles que chegarem o mais perto das minhas convicções, levarão meu voto, mesmo que o mais perto seja ainda muito longe.

Um.

Não há bem maior e mais precioso para uma nação do que a liberdade de expressão.
Este é o primeiro e sem dúvidas o mais importante xis da questão.
A falta deste direito tão básico é o estopim para a deflagração de um sério e talvez duradouro sistema de tirania, opressão, pobreza e muito mais corrupção do que nosso congresso jamais foi capaz de imaginar em seus muitos anos de história.
Censura não é uma palavra longínqua que se perdeu em meados dos anos 80.
Ela está sempre à espreita, e a menor brecha, chega chegando.
Assim sendo, fique atento aqueles detalhes que os candidatos não costumam mencionar em suas propagandas.
O que não é dito, geralmente, é o que mais diz.
E por falar em propaganda.

Dois.

Propaganda política não deveria sequer se chamar propaganda.
Propaganda sempre terá um quê de falso, pois é sabido que sempre engrandecerá as qualidades – quando não as inventará – e sumirá, como num passe de mágica, com os defeitos.
Vale para detergente, sapato, xampu ou pessoas.
Porém, no caso de detergentes, sapatos, xampus e demais produtos inanimados existem órgãos fiscalizadores, e geralmente quando um destes produtos não cumpre com o que prometeu, pode facilmente ser denunciado, ressarcido, trocado.
O mesmo não acontece com um candidato a cargo político.
Pelo menos o procon e o conar não costumam se posicionar perante este tipo de propaganda enganosa.

A verdade é que candidato não tem que fazer propaganda.
Tem que apresentar idéias, soluções, alternativas, tudo muito sóbrio e viável, sem jingle e sem frescura.
O eleitor precisa, urgentemente, entender que músicas bonitinhas, sorrisos fartos e grávidas caminhando rumo ao horizonte é truque ordinário para encher lingüiça - e esconder aquilo que realmente importa: propostas. Não promessas.
Por isso, desconfio declaradamente de políticos que ou prometem, ou - pior ainda - cumprem as suas delirantes promessas e tiram do papel suas estrambóticas e quase obscenas idéias - tudo ao custo do nosso suado dinheirinho.
Por exemplo.
Houve um candidato, na cidade onde nasci, Carazinho - RS, que prometeu certa vez reativar a linha de trem que liga Carazinho à Passo Fundo, alguns poucos quilômetros de distancia.
Assim, a população poderia viajar a preços módicos, apreciando a linda paisagem gaúcha destas plagas verdejantes.
Sensacional, não?
Não.
Porque isso é estrambótico e obsceno, além de desnecessário.
Naturalmente - e graças a Deus - o projeto ficou na promessa extravagante de eleição.
Porém, há aqueles políticos que fazem o pior e cumprem os descalabros que prometeram enquanto ainda arrecadavam votos.
O que significa jogar pelo ralo (e dentro das cuecas e meias de alguns) quatro meses por ano de nosso trabalho & ordenado.
Tudo para apreciar a linda paisagem gaúcha destas plagas verdejantes.
E, entendam: apreciar a linda paisagem gaúcha destas plagas verdejantes é realmente bacana, desde que, antes disso, possamos ter, quem sabe, saneamento básico.
Mas que político vai querer fazer saneamento básico?
Ninguém vê o saneamento básico, mas o trem inútil todo mundo vê, e fala, e elogia, e anda e acha incrível.
O que nos leva ao item seguinte.

Três.

- Ok, mas como você pretende fazer isso?
Esta é a pergunta que não quer calar.
Sim porque, acho maravilhosas as propostas, e honestamente adoraria que pudessem ser colocadas em prática.
Mas... como?
Falam em mais saúde, mais educação, mais estradas, mais escolas, mais casas, mais cultura, mais incentivo, mais empregos, mais, mais, mais. Muito mais.
Genial.
Falam em salário mínimo de 2500 reais, e redução da carga horária, reforma agrária, trabalho e terra para todos.
Ótimo.
Porém, preciso saber de que jeito o candidato pretende colocar tantas promessas em prática.
Interpreto esta conversinha de mais isso mais aquilo, sem explicar de que jeito, como o casal de namorados nos primeiros encontros.
Todo mundo é perfeito, e honesto, e abnegado, e trabalhador, e muito mais do que jamais se ousou sonhar.
- Vou te dar o céu, meu bem.
O resto da história vocês já sabem.

Quatro.

Não faz mais nenhum sentido essa bobagem de esquerda versus direita, pobre versus rico, trabalhador versus patrão, favela versus zona sul.
Gente!
Não sei se já perceberam, mas estamos no mesmo barco.
Na mesmíssima canoa – e suspeito eu que ela esteja furada.
Não existe lado direito nem esquerdo; existe lado certo.
E é deste lado que devemos estar.
Diga-me o nome de um único partido político onde não haja candidatos envolvidos até as tripas com as mais diferentes fraudes e corrupções.
Unzinho só.
Pois é.

Cinco.

Outro grande (e bem mais complexo, intrincado e embaraçoso) problema é o populismo.
O assistencialismo pode se tornar extremamente perigoso, se ultrapassar a linha tênue que o separa do comodismo.
Entendo que existam pessoas abaixo da linha da pobreza, passando toda sorte de infortúnios, inclusive e principalmente fome, e quem tem fome tem pressa e isso é indiscutível.
Na minha visão, precisamos sanear imediatamente as necessidades mais primárias de todos os cidadãos, mas não podemos deixá-los lá, um pouquinho acima da linha da miséria, apenas não passando fome.
Não queremos só comida.
Não precisamos de papai e mamãe passando a mão em nossas cabecinhas e nos dando papinha na boquinha.
Filhos mantidos embaixo da saia dos pais geralmente se tornam adultos limitados, dependentes, submissos, condicionados, que não fazem nada sozinhos.
O populismo gera este comodismo alienante e perigoso, e em massa.
Mas o pior é que, depois de implantado, torna-se difícil, senão impossível, removê-lo.
Pois, para quem passava fome, ter deixado de passar já é uma grande coisa, e está bom assim.
E como vivemos em um país de terceiro mundo, altamente subdesenvolvido e afundado em pobreza e miséria, com dez por cento da população analfabeta e outros nem sei quantos por centos sabendo assinar o nome, mas sem capacidade de compreender o que estão assinando, algumas migalhas mantém cativo o voto de milhões, que apenas e tão somente deixaram de passar fome.
O populismo gera e alimenta a pobreza.
E como uma peste, é muito, muito difícil de ser definitivamente erradicado.

#

Não votarei em branco e nem no Tiririca achando que, assim, estarei protestando. Aliás, nem sei como tem gente que ainda pode acreditar em tamanha estupidez.
E como em política não há melhores, mas sim ‘menos piores’, que possamos optar dos males os menores.
Precisamos, antes de tudo, ouvir a maneira como os candidatos estão se apresentando para nós, e definir claramente quais são os nossos critérios de avaliação.

Não tenho intenção, com este texto, de impor qualquer ideal político pessoal, nem convencê-los de nada.
Penso apenas que, enquanto cidadãos racionais, precisamos saber o que queremos de um candidato, o que é que, afinal, estamos procurando.
Caso contrário, nunca saberemos quando encontrarmos.
Também seria ideal se conseguíssemos enxergar os candidatos sem pré-julgamentos, de ouvidos e coração aberto para escutá-los, sem, no entanto, cobrir-lhes com o manto antecipado da tragédia e tampouco da salvação.
É pedir demais?
Talvez, neste momento, seja sim.
Como disse anteriormente, no decorrer do tempo perdi - e perdemos - o elemento fundamental para que uma sociedade tenha ânimo para se interessar verdadeiramente pela política com a seriedade que ela merece: falta-nos fé.
E, tal e qual num casamento, quando acaba a confiança acaba-se tudo.
E já que não podemos pedir divórcio de nosso país e de seus políticos, repito: que possamos optar pelo mal menor.
O poder é do povo. Sempre foi. Somos nós quem elege quem estará de terno e gravata assinando papéis que definirão nosso futuro, e por isso não podemos ser passionais, partidários, individualistas e, principalmente, bocós.

Portanto vamos agarrar o pouco que resta de nossa fé política (raspa o fundo que sempre sai um pouquinho) e seguir em frente.
Mas sabendo, antes de qualquer outra coisa, para onde queremos ir.