29 agosto 2009

O Fim do E-Blogue.com.

Quem já passou dos 13 anos e tem mais de 7 neurônios, já deve ter percebido que a vida não manda avisar: ela chega, entra e faz o que tem que fazer.
Nós que nos adaptemos.
É assim que é, e enquanto muitos fazem disso um drama, outros já acham que a graça de tudo está justamente no inesperado, no improvável, no súbito.
Eu faço parte deste último grupo.
Nada mais chato do que ter todas as coisas milimetricamente calculadas, avaliadas, pesadas e medidas.
O que pode ser mais irritante que um sujeito que se descabela com tudo que não anotou ontem em sua agenda?
Claro, planejar é bonito, e também inteligente, desde que não nos paralise.
Desde que não nos impeça de aproveitar uma surpresa, uma reviravolta, um redemoinho, um pouco de caos.
Porque, muitas vezes, aquilo que num primeiro momento parece uma tragédia, pode se revelar mais adiante como uma tremenda sorte.

O fato é que num dia eu achava que morreria atualizando semanalmente o E-Blogue.com e, no outro, a idéia de terminar com tudo era a única que parecia lógica.
Não vou ficar aqui contando detalhes das nossas vidas, nem porque chegamos a essa conclusão, ou se o sabiá sabia assobiar - até porque acredito que isso não interesse para vocês.
Mas a verdade é que, por causa da Vida (com vê maiúsculo!), o E-Blogue.com precisou sair de cena para que outros projetos e idéias pudessem entrar.

Não foi sem pesar que tomamos essa decisão.
E tampouco sem consciência.
Não é porque uma decisão foi tomada em 15 minutos que ela não é racional.
Quando resolvemos criar o E-Blogue.com, decidimos em menos de 5 minutos.
E estávamos bêbados.
Enfim.

Ainda não sei se poderemos manter o E-Blogue.com no ar, mas o certo é que, pelos próximos 90 dias, ele ficará aqui, intocado.
E eu só tenho a agradecer a mim mesma e ao Afobório e aos meninos da UpSide e a vocês por tudo de incrível, e foda, e genial que este projeto nos trouxe.
Eu amei fazer o E-Blogue.com.
Sério, amei mesmo.
E sei que cada post, cada edição, cada comentário, cada e-mail que recebemos valeu todo o trabalho que tivemos para inventá-lo e mantê-lo no ar.
De modo que ele vai ficar sempre em meu coração, assim como vocês, e se aceitam uma dica, façam um E-Blogue.com para vocês.
É muito, muito rico.

Mas agora são outros tempos, amiguinhos.
E como é para frente que se anda, aguardem novidades.
Vocês, como sempre, serão os primeiros a saber.

Amar é Abanar o Rabo.

Esse é o nome genial de uma coletânea de poesias organizada pelo escritor mineiro Jovino Machado, que reúne poemas seus com poemas de outras escritoras, como Ana Elisa Ribeiro, Simone Neves, Stela do Patrocínio e Brenda Marques, entre outras.
E entre estas outras estou eu, ouiés!

(detalhe para o c* do cãozinho, rarara)

Toda a arte gráfica da edição está sob responsabilidade do artista plástico Daniel Bilac.
O lançamento será em setembro, mas o livro não será comercializado.
Será distribuído gratuitamente entre jornalistas, blogueiros, editores e poetas.
Legal, né?
Para quem não sabe, Jovino é autor de 9 livros de poesias, entre eles os ótimos Cor de Cadáver e Fratura Exposta, que ele teve a gentileza de me enviar – e que eu já devorei.
Quando Amar é Abanar o Rabo sair, podexá que eu aviso vocês, mas enquanto isso, podem ir lendo meu humilde poeminha, que discretamente fará parte desta coletânea muito ótima:

Teu sono.

A cidade dorme, e eu vejo você dormir.
Sorrio, feliz.
A insônia, que sempre trouxe solidão, hoje conforta.
Não fosse ela, não poderia observar você ressonar.

Fecho os olhos e agradeço à noite pelo seu descanso.
Por tê-lo aqui, dentro de minha casa, dentro de mim.
E por este teu amor enorme e sublime,
que abriu todas as portas e janelas e cadeados
e me deixou livre para ir.

Mas não, eu não vou.
Ficarei bem aqui, analisando cada pequeno detalhe de seu descanso.

Não quero nunca mais adormecer.
Porque o teu sono, meu menino
me despertou
.

For Sale.

Benjamin, que é mais metido que cueca em bunda de gordo, já está a venda no site da Livraria Cultura e também no da Martins Fontes.
Cliquem nos links e deixem seus comentários ressaltando o quanto o livro é ótimo, e interessante, e genial, e promissor.
Grata.

;)

A Cafeteria de Sergio Chaves.

Sergio Chaves abriu uma cafeteria.
O que não seria, sob nenhuma hipótese, uma notícia relevante, que merecesse espaço na mídia.
A não ser que a cafeteria em questão seja uma cafeteria espacial.
Espacial, sim senhor.
Pois nela, o café não é uma simples mistura de água quente, açúcar e qualquer outra obviedade.
No café do Sergio vão outros ingredientes.

Quadrinhos são um deles.
Quadrinhos espaciais, que você não encontra em qualquer banca de revista.
E literatura, nos seus mais variados gêneros: contos, poesia, reportagens, e outros ainda, que nem inventaram nome.
Tem música, cinema e ilustrações também.
Tudo misturado de um jeito incrivelmente improvável - o que acaba resultando em uma exclusiva e fabulosa xícara de café em forma de revista.

Porém Sergio não é o único manipulador desta receita espacial.
Ele tem comparsas.
Cada um concentrado em uma matéria-prima diferente, trabalhando em cima de suas fórmulas com obstinação e carinho.
Mas existem muitos outros.

E o café do Sergio é tão espacial que já ganhou até troféus, veja só você!
Foram nada menos do que três HQMix como Melhor Publicação Independente de Grupo.
O outro foi o Bigorna.
Um grande reconhecimento para uma cafeteria que tem poucos anos de vida.

Qual seria a fórmula?, alguns se perguntam.
E diferentemente da Coca Cola, Sergio não a guarda trancafiada dentro de um cofre secreto.
Ele conta.
E segundo o próprio, primeiro é preciso gostar do que faz.
Se fizer contra a vontade ou sem empolgação, sai de qualquer jeito e fica ruim.
Ele faz a Café Espacial por que gosta, não por que almeja ser um grande e poderoso empresário do ramo das comunicações.
Faria de qualquer jeito, tiraria do próprio bolso se fosse o caso – e muitas vezes, é.
Este gosto pela coisa muda todo o sabor final.

Depois, é preciso se cercar de pessoas com o mesmo objetivo.
Senão não dá certo.
Sergio acredita piamente na teoria que uma maça podre no meio apodrece todas as outras.
Logo, ninguém que trabalha em sua cafeteria está brincando.
Estão todos trabalhando, com seriedade e profissionalismo, apesar de não negarem que se divertem pra caramba.
 
Em seguida, vem o talento.
Este é muito importante, e trata-se de um ingrediente que não encontramos facilmente por aí.
É preciso garimpá-lo, e ver se, apesar do talento, o sujeito tem também boa vontade.
Imprescindível.
Sem a boa vontade (daquelas guerreiras, de ir em frente, pouco importando o que aconteça), não dá café.
No máximo uma águazinha suja e sonsa, levemente adocicada.

Ingredientes à mão, mistura feita, o resultado não pode ser nada menos do que Espacial.
E a Revista Café Espacial é exatamente assim: feita em detalhes, em particularidades, em pequeninas partes.
E nenhuma delas deixa nada a desejar, como podem comprovar as dez edições lançadas até agora: reunindo trabalhos de grandes artistas, escritores, quadrinistas e fotógrafos, a Café Espacial vem mostrar que ser alternativo não significa ser menos sério nem mais desorganizado.
Muito pelo contrário.
Nada na revista está ali por acaso.
Tudo é pensado, pesado e avaliado com muito cuidado por toda a equipe, que sem patrocínios nem jabás nem costas quentes ou padrinhos, vem se achegando como quem não quer nada, e mostrando que veio para ficar.

Aos leitores e apreciadores de cafés espaciais, cheios de ingredientes espaciais e aromas espaciais, só resta sentar, pedir sua xícara, escolher se prefere açúcar ou adoçante e degustar.
Pois tudo que é espacial merece mais do que ser consumido.
Merece ser saboreado.

Resenha atualizada em 18/05/2012.

A Premiação.

Eu amo a internet.
Amo sim, e assumo.
É por causa dela que podemos estar em vários lugares diferentes, sem sair da frente do monitor do computador nem gastar um pila.
Óquei, eu admito: não é a mesma coisa.
Até porque, nada substitui a presença.
Mas pelo menos podemos ter uma palhinha do que anda acontecendo em lugares onde, por causa da distância ou de outros motivos quaisquer, não conseguimos estar.
Este vídeo, que vocês poderão conferir logo abaixo, foi gravado na sexta-feira, dia 21 de agosto, durante a premiação do 21° Troféu HQMix, onde a Revista Café Espacial recebeu o troféu como Melhor Publicação Independente de Grupo de 2008.
Quem registrou tudo foi Samara Oliveira, para que pessoas como eu e você, que não puderam estar lá, ao vivo e a cores, pudessem pelo menos conferir tudo o que rolou naquela sexta-feira feliz no SESC Pompéia.
Tem mais: o Blog dos Quadrinhos, também premiado este ano, fez a cobertura completa do evento.
E aqui e aqui tem uma porção de fotos.
Trimmassa.
Como eu já dizia, eu amo a internet.
Divirtam-se.
.


Ah!
Dia 25, o programa Metrópolis, da TV Cultura, exibiu uma matéria sobre o Troféu, focando produções independentes como as revistas premiadas Café Espacial, Nanquim Descartável e Graffiti, do coletivo Quarto Mundo.
.


A propósito: eu já disse que amo a internet?
Pois é, eu amo.

21 agosto 2009

Troféu HQMix 2009!

Nesta sexta-feira acontece a entrega do 21° Troféu HQMix 2009, ano em que a Revista Café Espacial levará para casa o troféu de Melhor Publicação Independente de Grupo de 2008.

Tá na terra da garoa sem nada para fazer?
Então aparece lá no SESC Pompéia (fica na Rua Clélia, 93), a partir das 20h, e se divirta com Serginho Groisman, sua banda e todo o resto.
A entrada é franca e vai ser mega-massa.
Eu não perderia por nada, se estivesse em Sampa.

20 anos.

É o tempo que separa hoje do dia em que o Cowboy Fora da Lei abriu o Sésamo e passou para o lado de lá.
Foi-se embora nosso Messias Indeciso, que sabia muito bem que não era o dono da verdade - pois a verdade não tem dono não.
O cara que tentou outra vez, e inventou uma sociedade alternativa, e virou uma cidade De Cabeça pra Baixo, e pulou o muro No Fundo do Quintal da Escola.
Ele, que deu um Tapanacara em todos os compradores do Ouro de Tolo, e fez um rock para o diabo.
Vinte anos que o Carimbador Maluco tomou o Trem das Sete e, Plunct, Plact, Zum: rumou para Anarkilópolis, levando consigo O Segredo do Universo (aquele, que fica dentro do mambo e da consciência).
Deve estar, agora mesmo, saboreando A Maça que, do lado de cá, não conseguiu digerir, só por causa do seu Medo da Chuva.
Fazem vinte anos do Dia em que a Terra Parou, e Ave Maria da Rua abriu os braços para receber seu filho mais Maluco Beleza.
Ao meu amigo Raul, o Moleque Maravilhoso que lutou a vida inteira contra o rei: obrigada.

E hoje?
Hoje é feriado, meus amigos.
Hoje é Dia da Saudade.

19 agosto 2009

3:AM Magazine Brasil.

Respeitável público!
É com muita satisfação e honra e orgulho e embriaguês que comunico-lhes que o 3:AM Magazine Brasil está de volta a ativa!
(aplausos, gritos, confetes)
Sim, senhoras e senhores, rapazotes e moçoilas, vovôs e vovós!
Mas muita calma nessa hora!
Explicarei o que aconteceu:
Eu e meu amigo Beto Canales, há mais ou menos um ano atrás, fomos convidados por Zan para sermos co-editores do site – que é a versão tupiniquim do original 3:AM Magazine, lá da Inglaterra.
Nosso trabalho era selecionar textos brasileiros e enviar para ela que, lá do outro lado da linha do Equador, postaria tudo.
E era o que vínhamos fazendo, até o dia em que Zan simplesmente desapareceu.
Parou de responder e-mails, mandar mensagens pelos pombos correios, enviar sinais de fumaça ou dar qualquer sinal de vida.
Muito tempo passou até o dia em que ela escreveu, apenas avisando que havia sofrido um acidente e... nada mais!
Até comentei a situação com vocês, aqui.
Ficamos mega preocupados, é claro!
Porém, após mais algumas semanas, chegou outro e-mail, no qual ela explicava melhor o que havia acontecido: o acidente foi de carro e, nesta ocasião, Zan fraturou suas duas mãos, de modo que não podia nem postar novos textos no site, muito menos responder nossos e-mails aflitos.
Se quisesse fazer isso, precisava ditar letra por letra as mensagens para seu marido, Andrew, que é inglês e não fala patavinas de português.
Imaginaram a dificuldade, né?
Acontece que, neste e-mail, ela também nos passou o login e a senha do site, para que, daqui, pudéssemos fazer por nossa própria conta e risco as postagens!
Bacana, né?
E eu já atualizei com os textos que estavam arquivados nas memórias mais remotas de meu bravo computador.
Isto é, pelo menos alguns, pois toda essa demora atravancou um quilo de material que, ao seu tempo, irei postando.
O que importa é que está tudo bem, agora.
E o 3:AM Magazine Brasil volta a receber material para avaliação (que entrarão numa filazinha básica, afinal precisamos publicar o pessoal que já está esperando há muito tempo) através do e-mail 3am.jana@gmail.com ou 3am.beto@gmail.com.
Como faço para publicar?
Clique aqui e saiba tu-do.

E passem lá, evidentemente!
Quer um motivo?
Pois te darei vários!
Tem até uma entrevista que Beto Canales fez comigo, e ficou bem legal.
Tudo muito lindo e muito maravilhoso, e estamos tão atualizados que temos até um twitter.
Luxo puro.

Era isso então.
Tchau amiguinhos.

18 agosto 2009

O Troféu.

- O Brasil não apóia seus artistas.
- O Brasil não incentiva seus artistas.
- O Brasil não paga seus artistas.
- O Brasil não lambe a bunda de seus artistas.

Discursos mais fáceis de encontrar em uma mesa de bar do que arroz em festa de casamento.
Conheço três milhões de pessoas que já passaram metade de suas vidas ordinárias em cima de um banquinho, fazendo seus discursos xaropes sobre o quanto tudo é muitíssimo difícil, e muitíssimo complicado, e muitíssimo blábláblá.
Só sabem falar, e falam como ninguém.
Pessoas que, se ganhassem dinheiro para reclamar, já estariam na lista dos dez mais ricos da Forbes.
Mas fazer, que é bom, não mesmo.
Pois graças a Deus - que é pai, não padrasto - existem muitas outras pessoas que deixam as preleções remelentas de lado, colocam a mão na massa e saem de suas bolhas idiotas para o mundo.
E é por causa destas pessoas que, em se tratando de arte e produção, o Brasil é um país que merece destaque e atenção, sim senhor!
E do mesmo jeito que tenho o desprazer de conhecer estas três milhões que só sabem fazer dos meus ouvidos penico para suas lamúrias, tenho a sorte, o privilégio e a alegria de ter a minha volta uma meia dúzia que não tem tempo a perder com divagações que não levam a lugar nenhum, e que fazem, e fazem muito bem feito.
Uma destas pessoas que tive a felicidade de conhecer foi o Sergio Chaves.
Um guri que há bastante tempo vem remando contra a maré de dificuldades que aparece para qualquer pessoa que resolve transformar em verdade aquilo que, até pouco tempo, era fantasia.
Primeiro ele inventou o Fanzine Justiça Eterna, e se misturou com um monte de projetos e artistas pra lá de legais, até fundar a querida, amada, idolatrada, salve, salve, Revista Café Espacial - que eu já trato como se fosse minha.
Conheci a Café a pouco mais de um ano, fuçando internet afora, e de cara me interessei.
Enviei um conto para tentar colaborar e tratei de encomendar todos os exemplares que havia disponíveis (na época, as edições 1, 2 e 3).
Adicionei Sergio no Orkú e no MSN e passamos a trocar muitas figurinhas raras, até o dia feliz em que fui convidada para entrar, definitivamente, para a equipe espacial.
O que eu aceitei com um sorrisão besta e de dar câimbra na cara.
E assim, vivendo mais de perto a realidade de uma revista independente, acabei acompanhando os problemas naturais de um projeto desta pretensão: colaboradores de egos gordinhos, outros bastante infantis, dificuldades de distribuição, falta de grana.
Aquelas coisas todas que os chatos reclamam sem nem ao menos saber do que estão falando.
Mas apesar destas adversidades básicas, Sergio e sua equipe continuaram, e continuam.
Muitas vezes rindo para não chorar, é verdade, mas sempre adiante, sabendo que todo esse esforço traz também muitas recompensas.
E nem me refiro a lucros.
Ninguém está falando de dinheiro aqui.
Ah, você não sabe o que estou querendo dizer?
Então nem vai adiantar te explicar, bêibe.

Enfim.
O fato é que uma destas recompensas deliciosas, ricas e gratificantes veio ontem, com a publicação oficial dos vencedores do Troféu HQMix 2009: a Café Espacial ganhou na categoria Melhor Publicação Independente de Grupo!
Uhú!
A premiação será realizada na próxima sexta-feira (dia 21), a partir das 20h, no Teatro SESC Pompéia (Rua Clélia, 93 – Pompéia – São Paulo).
O evento, como de praxe, será capitaneado pelo apresentador Serginho Groisman, padrinho da premiação, e sua banda.
E o mais legal é que, apesar de toda a dedicação e de todo o carinho com o qual o Sergio trata a Café, não foi só por causa dele que levantamos esse troféu, agora.
Digo levantamos porque todos os queridos que ajudam a fazer a Café também ganharam este prêmio.
E falo aqui de André Chaves, Bárbara Stracke, Daniel Esteves, DW, Ebbios, Fábio Lyra, Fernanda Chiella, Gus Morais, Laudo Ferreira Júnior, Laura Gattaz, Lídia Basoli, Lese Pierre, Mário Cau, Paula Mello, Samanta Flôor, Shiko, Sissy Eiko e Sueli Mendes, além de muitos outros que continuam firmes e fortes nesta peleja que não é nada fácil; mas é absolutamente divertida.
E eu só posso agradecer a todo mundo a belíssima oportunidade de fazer parte de tudo isso, de um projeto tão incrivelmente foda e que, sem sombra de dúvidas, deixa a literatura, os quadrinhos, a música e toda a forma de arte produzida neste Brasilzão de meu Deus, muito mais Espacial.
Um brinde.
Com café, é claro.

#

A propósito: aqui está a lista dos vencedores do Troféu nas demais categorias.
E se quiser uma dica das boas, siga a Café no Twitter, adicione a Café no Orkut, entre para a comunidade da Café e, claro: sirva-se a vontade.

Gospel.

Para nosso azar, meu amigo Raul Seixas não está mais aqui, entre nós.
Mas deixou um baú cheio de músicas e, principalmente, cheio de idéias.
Muitas idéias.
Idéias que não se tornaram obsoletas com o passar dos anos, muitíssimo pelo contrário: parecem cada vez mais atuais.
Eu sou fã.
Já li tudo o que escreveram sobre ele, já ouvi todas as suas 245 músicas, já assisti todos os especiais, e todas as homenagens, e todos os clipes e documentários que encontrei pela frente.
Até já revirei o YouTube de cabeça pra baixo, atrás de novidades.
E quando achava que tudo que me faltava era assistir ao documentário O Início, o Fim e o Meio, não é que o Raulzito me aparece com música inédita?
Quer dizer, mais ou menos inédita, pois esta canção era para fazer parte da trilha sonora da novela O Rebu, mas foi rabiscada violentamente por uma caneta vermelha e censurada pelos chatinhos mal amados da ditadura militar.
Acontece que Raul deixou a versão original gravadinha e agora, graças às maravilhas da tecnologia digital, Marco Mazzola recuperou tu-do, e ainda melhorou o que parecia impossível de melhorar.
O resultado?
O clipe que você pode conferir abaixo.
Ah, você não gosta do Raul?
Então, por favor, não me leve a mal: mas saia já daqui.



Gospel
Raul Seixas

Por que que o sol nasceu de novo e não amanheceu?
Por que que tanta honestidade no espaço se perdeu?
Por que que o Cristo não desceu lá do céu e o veneno só tem gosto de mel?
Por que que a água não matou a sede de quem bebeu?
Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?
Por que que a sala fica sempre arrumada se ela passa o dia inteiro fechada?
Por que que eu tenho a caneta e não consigo escrever?
Por que que existem as canções que ninguém quer cantar?
Por que que sempre a solidão vem junto com o luar?
Por que que aquele que você quer também já tem sempre ao teu lado outro alguém?
Por que que eu gasto tempo sempre sempre a perguntar?


Definitivamente, Raul não nasceu a dez mil anos atrás.
Nasceu dez mil anos na frente.
E tenho dito.

15 agosto 2009

Ladies and gentleman!

Passando para postar uns links.
Por quê?
Porque eu adoro.
Rerere.

O primeiro é uma resenha que meu amigo e grande escritor Beto Canales fez sobre meu livreto, Uma Carta por Benjamin.
Está bem aqui.
Deliciem-se.
Também para avisar que, tanto o Ben quanto os meus queridos assassinos, já estão disponíveis no site da Livraria Martins Fontes.
Os links estão aqui e aqui, respectivamente.
Bonito, né?
E terceiramente (viva Odorico Paraguaçu!), já foram escolhidos os sete ilustradores que darão forma e cor aos contos do volume II da coletânea Assassinos S/A.
Cliquem aqui e confiram.

Boa sexta, rapaziada do bem!
E já sabem, né?
Se dirigirem, não bebam; se beberem, me convidem.

13 agosto 2009

Entrevista.

Olá, meus xodós.
Aí vai a entrevista que eu dei para o Jornal Zuum...Zuum..., de Passo Fundo.
Ficou tão legal que resolvi postar aqui.

1. Descreva sua trajetória após se formar em publicidade na UPF.
Quando me formei, já sabia bem que não queria trabalhar com publicidade. Parece péssimo estar se formando em um curso no qual você não pretende atuar, mas foi bem tranqüilo.
Pelo menos eu sabia o que não queria, o que era um bom começo.
Nessa época, eu já tinha dois livros escritos, prontos para serem publicados. Então criei um blogue (http://www.janalauxen.blogspot.com/) e continuei escrevendo adoidado, o que levou a me envolver em projetos muito legais, como os sites www.e-blogue.com/blogs, http://www.blogcabecascortadas.blogspot.com/, www.3ammagazine.com/brasil, http://www.becodocrime.net/, a Revista Café Espacial e o Jornal Vaia.
Nunca trabalhei com publicidade, e nem pretendo.
Mas não posso negar que uma ou outra coisa do curso me ajudaram, literariamente falando.

2. Atualmente você é somente escritora ou faz outros trabalhos?Sou somente escritora, e isso já toma 32 horas do meu dia.
Não dá para trabalhar das oito da manhã às seis da tarde e ainda investir na carreira de escritora, nas horas vagas. Você acaba nem trabalhando nem escrevendo direito.
E como o mercado, de publicidade em especial e todos os outros em geral, está supersaturado – e o que não falta são arquitetos, publicitários, dentistas e advogados trabalhando feito uns cavalos por 500 pilas por mês – uni o útil ao agradável: já que não ia ganhar dinheiro mesmo, fui fazer o que me divertia.

3. Quando você decidiu escrever o livro? Por quê?
Com 19 anos.
Já fazia uns 5 anos que eu dizia que queria escrever um livro, então achei que era hora de sentar e colocar as mãos na massa. Levei 3 anos, e o livro terminou com 280 páginas. Chama-se Flores no Deserto, e é um dos meus preferidos.
Uma Carta por Benjamin, meu primeiro livro publicado e o quarto a ser escrito, esbocei em um dia, quando vi um carteiro entregando as correspondências para a vizinha da frente. Não sei por que, pensei: cara, imagina receber uma carta, de alguém que você não conhece nem nunca ouviu falar, e esta pessoa começar a te envolver até os cabelos em uma trama muito louca?
Criei a base da história no computador e depois a coisa só foi.
Levei quatro meses, e (sei que sou suspeita para falar, mas) achei o resultado final muito bom.

4. Recebeu apoio de algum professor ou da FAC?
Para falar a verdade, não.
À exceção do professor Miro Schaeffer, que inclusive foi meu orientador de monografia e sempre me deu apoio total.
Enviei convites para todo mundo, entrei em contato com os jornais da universidade, com a Rádio UPF, a TV UPF.
Não recebi nem resposta, apenas três e-mails ‘parabenizando a minha conquista’ e só.
O que não me surpreende, para falar a verdade.

5. Como é construir uma carreira de escritora?É difícil, como é difícil construir, de maneira sólida, qualquer carreira.
Por isso acho importante trabalhar com o que se gosta. Porque já não é fácil, se ainda for chato, se torna insuportável.

6. Como você resume a sua obra?Não é um diário, não tem sexo, não tem romance e não tem uma ‘moral da história’.

7. Quais foram as influências literárias que te ajudaram a escrever o livro?
Acho que tudo aquilo que lemos, desde bula de remédio até horóscopo, acaba, de um jeito ou de outro, influenciando aquilo que a gente cria. Mas posso citar, sem medo de errar: Pedro Juan Gutiérrez, Mário Quintana, Veríssimo pai e Veríssimo filho, Afobório, Frodo Oliveira, Inácio Ferreira e Carlos Baccelli. Além de muitos outros, é claro.

8. Já está escrevendo outro livro? De que estilo literário? Sobre que assunto?No momento não, mas algumas idéias começam a tomar forma na minha cabeça, e envolvem piratas e espiritismo.
Por hora, só posso dizer isso porque é só isso o que sei.

9. Que recado você deixa para seus colegas ou para as pessoas que almejam seguir esse rumo?Tem espaço para quem é bom e sabe fazer.
Pode até parecer que não, mas tem.
Então é melhor esquecer esse negócio de bater cartão e ir atrás do que realmente interessa.
E a internet é o lugar.
Ficadica.

12 agosto 2009

Maria.

Tem uma moça, chamada Maria, que uma vez por semana vem fazer faxina aqui em casa.
Ela é muito bacana, e acabamos todos nos afeiçoando muito a ela.
Maria tem 37 anos, sete filhos e – pasmem – um neto.
E, ao contrário de muitas, não traz estampado na cara a vida difícil que sempre levou.
É - isso sim - uma gatona, muito mais inteira do que a maioria dessas menininhas que andam por aí de peito estufado se achando gatinhas.
Também é inteligente, articulada, querida.
E guerreira.
Está sempre na batalha, a Maria, e está sempre sorrindo.
Faz, inclusive, com que eu me sinta péssima, muitas vezes.
Porque tem horas que estou mal humorada, azeda, reclamando da vida e de tudo ao meu redor, e de repente ela aparece, cheia de motivos para estar mal humorada e azeda e reclamando de tudo ao seu redor.
E não está.
Enfim.
Destes sete filhos de Maria, um resolveu fumar crack.
E fumou, e está fumando cada dia mais.
Já começou a roubar e já se tornou agressivo e toda aquela velha história.
Maria procurou a prefeitura, o conselho tutelar, associações, ONGs, Jesus Cristo.
Tudo para ver se encontrava alguma ajuda, uma vaga, uma luz no fim do túnel.
Não encontrou nada.
E ainda precisou ouvir que, para arrumar um lugar numa clínica de reabilitação, o viciado deveria ter, pelo menos, uma passagem na polícia.
Ou dinheiro, para pagar uma particular.
Dá para acreditar?
Dá.

Sem alternativas, a vida de Maria seguiu.
O que mais poderia fazer?
Continuou trabalhando, todo dia, de manhã até de noite, e cuidando dos outros seis filhos, e de sua casa, e de sua vida, e de sua mãe que está no hospital, e de seu neto.
Então, um dia, um vizinho lhe procurou contando que havia visto seu filho - aquele que resolveu fumar crack - roubando algumas roupas do seu varal.
Maria disse: denuncie.
O que mais poderia dizer?
E o vizinho denunciou.
O rapaz foi preso, mas, por ser menor de idade, acabou solto dois dias depois.

Agora tentem adivinhar quem, a esta altura do campeonato, resolveu se manifestar?
Oh, é claro que sim!
Eles.
Os queridinhos do Conselho Tutelar.
Para ajudar Maria?
Para oferecer uma vaga em uma clínica de reabilitação?
Para dar um apoio moral, uma palavra de incentivo, um biscoito?
Não.
Para processá-la.
Acreditem se quiser, meus caros, Maria está sendo processada por abandono de menor; por ser uma mãe relapsa e descuidada que, ao invés de passar 24 horas por dia cuidando do filho adolescente, sai para trabalhar e trazer comida para dentro de casa.
Tiveram, inclusive, a gentileza de enviar até sua casa um representante, apenas para xingá-la de desnaturada e outras coisinhas mais.
Dá para agüentar?
Não.

Porque os malditos conselheiros tutelares não levantaram suas bundas gordas e brancas da maldita cadeira giratória na qual ficam sentados o dia inteiro, e foram dar uma força para Maria quando ela precisou, quando, talvez, ainda dava tempo?
- Meu filho tá fumando crack, logo vai estar roubando, fazendo sabe-se lá o que.
- Lamentamos, Dona Maria, mas antes ele precisa ter uma passagem na polícia.
- Óquei, agora ele tem uma maldita passagem na polícia.
- Irresponsável!
E o mais bonito desta história é que a maldita vaga na maldita clínica ainda não apareceu.

Vamos falar a verdade?
O conselho tutelar não serve para absolutamente nada, a não ser, é claro, para encher o saco e dar gritinhos histéricos em momentos equivocados.
Morram vocês todos!
Pronto, falei.

Importante lembrar que agora, neste exato momento, o filho de Maria continua por aí, levando aquela vida que o diabo gosta, entrando no meu e no seu pátio, toda noite, para roubar a mangueira e as cadeiras de plástico e encher de quinquilharias a casa do traficante.
E os conselheiros tutelares continuam lá, com seus bundões obesos bem acomodados em suas cadeiras giratórias.
E Maria?
Bem.
Sem alternativas, Maria continua seguindo com sua vida.
O que mais poderia fazer?

07 agosto 2009

Comunidade.

Esqueci completamente!
Benjamin, meu bravo, aguerrido e pretensioso protagonista, agora tem uma comunidade no Orkut!
Fabuloso, hã?
E já tem mais de 80 pessoas, e todas estão lá por livre e espontânea vontade.
Juro!
Rarara.
Bem, cliquem aqui, participem e criem tópicos elogiando o livro e exaltando meu precoce talento literário.
Depois eu pago uma cerveja e uma porção de polenta frita.
Prometo!

;)

Novos Livros.

Existe um site, chamado Novos Livros, que publica, entre muitas outras coisas, pequenas entrevistas, de apenas 3 perguntas, feitas para autores consagrados, autores novos e autores novíssimos, como é o meu caso.
Respondi a elas mas, agora, vendo-as aqui publicadas, percebo como a parte do meu cérebro responsável por dar respostas resumidas e inventar frases de impacto infames, o tempo inteiro, ainda vive.
Comparem a minha entrevista com as outras.
Definitivamente, preciso aprender a teorizar mais.
Ou não.
Nunca se sabe.

05 agosto 2009

Loucos e Mutantes.

Querido blogue:
A vida é louca e mutante.
Se existe uma verdade, é esta: a vida enlouquece e, enlouquecendo, nos enlouquece também.
A vida muda e, mudando, muda a gente também.
Pense você que, quando eu tinha 12 anos, a moda era ter um diário... secreto.
Alguns até vinham com um cadeado e uma chavezinha, que era guardada como um tesouro no fundo da gaveta, embaixo das meias.
Era menos constrangedor alguém te ver pelada e cagando do que ler o seu diário.
E veja só como as coisas viraram: agora a moda é ter um diário... virtual!
Contar detalhes dispensáveis sobre sua vida e seus sentimentos e postar aqui, na rede, para mais de quatrocentos trilhões de usuários saberem se você gosta do Fernandinho ou do Marcelinho, ou se sua namorada deu para o seu melhor amigo, ou se você perdeu o emprego, ou se brigou com seu pai, ou se fez sexo, ou se tomou um porre de conhaque e amanheceu num banco de rodoviária.
E, insatisfeitos com você, querido blogue, inventamos também o Twitter - no momento, seu maior concorrente - que é para avisar minuto a minuto as atualizações da nossa vida.
Como num canal de notícias.
Como se alguém se importasse.
De qualquer maneira, é preciso admitir que eu não sou honesta com você do mesmo jeito que era com meus diários secretos.
Confiava neles, já em você fica difícil.
No entanto, não fique chateado.
A culpa não é sua.
É nossa.
Pois parece que, quanto mais nos mostramos, mais nos escondemos também.
Nos escondemos nos mostrando, e nos mostramos do jeito que nos é conveniente.
Já reparou como todo mundo é feliz, e bonito, e bem resolvido aqui, na Internet?
Eu também.
Quando olho meus perfis, até penso: nossa, mas quem é essa daqui, toda penteada e sorridente, com cara de quem sabe de onde veio e para onde vai?
É até engraçado.
Vivemos vidas paralelas, aqui no real e aí, no virtual.
E você acompanhando tudo, post a post, amado blogue.
Todas as nossas mentiras e dissimulações e estereótipos.
Por isso digo: nem eu nem ninguém é sincero com você como éramos com nossos confidenciais diários escritos no papel.
Lá não precisávamos estar sempre penteados e bem resolvidos, pelo contrário.
O diário servia justamente para descarregarmos nossas agonias, nossos temores, nossas incertezas, nossa cara lavada e nosso cabelo arrepiado.
Eu reconheço suas qualidades, querido blogue.
Mas também acho que você e toda essa parafernália virtual têm ajudado a nos manter distantes daquilo que se passa aqui dentro.
Não olhamos mais nossas falhas porque passamos o tempo inteiro cuidando o que vamos escrever, e como vamos aparecer para o grande público online, e o que todo mundo vai pensar de tudo isso.
O diário era um espelho daquilo que éramos de verdade, enquanto você, meu caro, apenas reflete o que gostaríamos de ser.
E se quer saber, às vezes penso que aquilo que gostaríamos de ser diz mais sobre nós do que aquilo que somos, realmente.
Você não acha?

Apesar de todas essas coisas, pense pelo lado positivo: os diários secretos eram bem mais monótonos (leia-se comprometedores e ridículos) do que você, prezado blogue.
Afinal, quando escrevemos para ninguém ler, somos muito viscerais, não pensamos, não ponderamos, não avaliamos: só vomitamos no papel qualquer bobagem que passe pela nossa cabeça.
Por isso queimei todos os meus diários na lareira, junto com minhas confissões e paixonites juvenis – perigo este que você não corre não.
No máximo, acabará um dia deletado, mas dizem que nem dói.

Então desfaça este beiço e sorria, querido blogue: você perde em sinceridade, porém ganha em qualidade.
E por fim, o que importa mesmo é que as coisas mudaram.
Os diários secretos viraram públicos, o MegaDrive foi aposentado junto com as fitas cassete, ninguém mais joga bolita ou bate bafo, e até aquelas revistinhas que a gente comprava na banca para colorir com canetinhas agora ganham cor no Photoshop.
E isto nem é uma crítica.
É apenas uma constatação.
Sobre como mudamos, sobre como tudo mudou, e muda, e sempre mudará.
Neste momento o mundo está mudando.
Se não me engano, quem disse isso foi um cara chamado Buda.
E esse tal de Buda deveria saber, com ou sem diário secreto, com ou sem bolita, com ou sem MegaDrive, que a vida é assim mesmo.
Louca.
E mutante.
Como loucos e mutantes somos todos nós.

04 agosto 2009

O Velório de Jess Renoah.

Boa noite senhoras e senhores, senhoritas e senhoritos, rapazotes e donzelas, damas e vagabundos.
É com muita alegria, honra e satisfação que aviso aos excelentíssimos leitores deste blogue pra lá de metido a besta, que esta que vos escreve está no site mega-super-ultra legal Cronópios, com um conto muito do inédito.
Convoco humildemente todos os presentes para que se dirijam imediatamente até lá, a modo de dar uma lida, uma fuçada, uma olhadela, uma bisbilhotadinha básica, enfim.
Espero que divirtam-se.
Eu já estou.
Ié, bêibe, ié.