27 fevereiro 2009

Rapidinhas.

Buenas, meu povo!
Tenho novidades.
E como já faria Jack, vou por partes (desconfio que esta piada esteja ficando velha).

O Santo Pecado Humano
É uma novelinha de 22 páginas que escrevi em 2007.
Gosto da história, mas nunca consegui publicá-la por que ela é pequena demais para um livro e grande demais para um conto.
Então resolvi disponibilizá-la, gratuitamente, para vocês, que corajosamente passam por aqui.
Quem quiser, é só escrever para 3am.jana@gmail.com solicitando seu exemplar virtual.

Blogue Secreto da Jana
Já ouviram falar no escritor Ricardo Kelmer?
Ele é um cara legal que dá dicas bem legais para novos escritores sobre divulgação, publicação independente, internet e essas coisas todas.
O conheci através do E-Blogue.com (ele participou da última edição) e resolvi seguir alguns de seus conselhos.
Na verdade, o copiei descaradamente, mas enfim.

O Blogue Secreto da Jana fica nesse link aqui, mas ele está fechado só para leitores convidados.

Quem serão os leitores convidados?
Serão os caras que comprarão meu livro, Uma Carta por Benjamin, que até final de março deve estar pintando na praça.
Um mimo para quem resolver dar um apoio-cultural-monetário para uma escritora em início de carreira.
Se é que vocês me entendem.

E quanto custa o livro?
Vai ficar em torno dos 25 reais.

E não tem outro jeito de ler o blogue secreto?
Por hora, não.
Só comprando o livro.
Pretendo disponibilizar outros livros meus, em pdf, bem bonitinhos e cheios de frescura, por uns 5 pilas. Quem adquirir o livro na versão digital, ganha acesso ao blogue secreto também.

Você não se considera uma escritora prostituída-e-comercializada?
Não.

Eu acho que é.
Então pague minhas contas.
Ou escreva um livro e o disponibilize de graça, haha.

Tá. E o que tem de bom nesse blogue secreto?
Muitas coisas.
Contos inéditos, crônicas inéditas, poesias inéditas, trechos dos meus livros, vídeos, fotos e um layout rosa.
Estes leitores também vão participar de sorteios e promoções e outras paradas bacanas.


Então é isso.
Estou ainda ajeitando tudo por lá, mas está ficando bem adorável.
Quem comprar o livro, entra.
Quando eu disponibilizar a versão digital, aviso aqui e, quem comprar, entra também.
E a bebida é liberada.

Prêmio Fidalguia
Vejam que luxo.
Recebi um selo interativo “que confere a todos os que são agraciados por ele, qualidade e relevância de conteúdo”.
Era o que estava escrito no e-mail.

Me achei, é claro.
E estou postando o selo logo abaixo.
Image Hosted by ImageShack.us
Para saber mais sobre o Prêmio Fidalguia, é só clicar aqui.

Publiquem
Lembrem-se de mim quando resolverem tirar seus escritos do arquivo secreto do computador e publicarem para o mundo inteiro ler.
Ainda sou co-editora da versão brasileira do site 3:AM Magazine (leia aqui como participar), e-ditora do E-Blogue.com (leia aqui como participar) e estou organizando a antologia de contos policiais Assassinos S/A, onde até um livro solo você pode acabar publicando. Se interessou? Clica aqui.

Mandem seus trabalhos para 3am.jana@gmail.com.
Outras pessoas merecem ler o que você escreve, além da sua mãe, mané!

Poemas Miúdos
Lembram do projeto que falei, há bastante tempo atrás, que bolei para a oficina de poesia que eu dei para alunos de quarta e quinta série, na feira do livro do ano passado, em Não-Me-Toque?
Pois sim.
Vai sair do papel.
Estamos (eu e um pessoal) elaborando algumas iniciativas para este ano, e o projeto deverá contar com textos de netos e vovôs, além de desenhos e um trabalho gráfico bem louco.
To empolgada.

Creio que era isso, então.
Até mais.

26 fevereiro 2009

O Poderoso Chefão.

Caiu em minhas mãos um livro todo arrebentado, de 500 páginas escrito em fonte 10, chamado O Chefão.
Estava a venda em um sebo por 3 reais.
Comprei, porque gostei da capa.
Sim, eu faço dessas coisas.

Larguei o livro na estante e a vida continuou.
Um dia, sem nada para ler nem fazer nem pensar, resolvi passar o olho no tal Chefão.
E descobri que o livro, do escritor Mário Puzo, foi o dito que originou a clássica e ótima trilogia d’O Poderoso Chefão.
E tudo por três reais.
A vida às vezes é justa.

Comecei a ler e, por mais absurdo que isso possa parecer, o livro faz o filme parecer uma marmelada.
Já passei da metade e isso não tem nem uma semana.
E descobri que eu e Don Corleone temos muita coisa em comum, exceto o fato de que eu sou o tipo de pessoa que ele detestaria.
Bem.
Na verdade, eu e Don Corleone não temos absolutamente nada em comum, mas tirando sua crueldade, seus negócios sujos, os assassinatos, as guerras e etc, existem coisas nele das quais gostaria de compartilhar.
Porque Don Corleone não grita.
Não dá escândalos.
Não se destempera.
Não desce o nível.
Não perde a cabeça, o bom senso, o juízo, a pose.
Nunca!
Não importa o extremo da situação, o homem tá sempre ali, matutando com cara de quem sabe o que fazer e dando boas respostas.
Eu, por exemplo, sou péssima em dar boas respostas.
Duas semanas depois do acontecido me pego tomando banho e me lembrando da ocasião em que poderia ter dito uma coisa genial, caso tivesse me ocorrido.
Nunca me ocorre.
Ao menos não na hora.

Don, além de dar boas respostas, ser poderoso, rico, bambambam da Máfia, equilibrado, racional e esperto, ainda é educado, gentil e humilde.
Até esqueço a parte politicamente incorreta do negócio, e o invejo.
Não seu poder, nem seu dinheiro (JURO!) mas seu jeito superior de encarar todas as coisas.
O homem pode estar cortando a garganta de um sujeito e mesmo assim não vai perder a majestade.

Eu não.
Dou pinta de elegante, mas por qualquer coisa estou tendo um chilique:

- O quêêê? O ônibus já passou??? AAAAAAH!
- O quêêê? Ela falou isso??? AAAAAH!
- O quê??? AAAAAH!

Isso diminuiu muito nos últimos tempos, porque passei a me policiar.
Era chato querer desaparecer toda vez que acontecia uma banalidade e eu tinha um surto assassino.
Resolvi que era melhor ser feliz do que ter razão.
Mas se me distraio, PÁ!
Lá estou eu rodando a baiana, dedo em riste:
- AAAAH!

Agora, sabe o que é realmente o pior?
É que eu faço e aconteço, e digo e prometo, e bato o pé e faço um gritedo, mas na hora do vamos-ver, cadê?
Não sou capaz de cumprir uma ameaçazinha sequer, por mais inocente que seja.
- Sai daqui senão eu te mato.
Rárá, até parece.
O cão que late nunca morde.

Se existisse de verdade, Don Corleone me desprezaria.
Diria que sou temperamental e emocional demais para qualquer coisa.
Que eu deveria ficar em casa lavando roupa e costurando botões ao invés de andar por aí, dando ataques.
E eu responderia:

- Mas padrinho...
E ele apenas olharia em minha direção.
Eu entenderia, me voltaria a minha insignificância patética de ser humano comum e desequilibrado, e compreenderia que ninguém se transforma em um poderoso chefão quando não tem razão.
E quem grita, nunca tem.

21 fevereiro 2009

Assassinos S/A

A coletânea de contos policiais Assassinos S/A é organizada pelos escritores Jana Lauxen e Frodo Oliveira em parceria com a Editora Multifoco, e busca reunir a nova safra de escritores brasileiros neste gênero.
Fugindo das tradicionais antologias-varejão, nem sempre interessadas em qualidade literária e, sim, em lucros, a coletânea Assassinos S/A faz o caminho inverso.
São apenas 20 escritores selecionados, e nenhum deles precisa pagar para publicar – muitíssimo pelo contrário.
Cada autor recebe, por consignação, 15 exemplares da obra, recebendo, a partir da data de entrega, um mês para comercializar seus exemplares.
Se neste período o autor não conseguir vender sua cota, basta remeter de volta os exemplares para a editora ou renegociar um novo prazo.
Sem problemas, sem estresse, sem multa, sem nada.
A Editora ainda garante ao autor um lucro de 20% em cima do valor da capa, de modo que, além de não precisar pagar, ainda é possível lucrar.
O objetivo maior da Multifoco sempre foi dar espaço para os novos talentos da literatura brasileira, sem, no entanto, explorar financeiramente seus autores.
E os volumes I e II desta coletânea estão aí para provar que isso é completamente possível.



Compre o seu exemplar por R$25 + R$3 de frete ou aproveite a promoção até o dia 30 de maio e compre um exemplar por R$20 ou dois por R$35 - frete incluso.
Saiba mais aqui.

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Vídeo da divulgação da Assassinos S/A Vol. I:



Teaser do Vídeo de divulgação da Assassinos S/A Vol. II:


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19 fevereiro 2009

Maconha.

(título sensacionalista)

Se existe uma coisa mais antiga que andar para frente é a discussão acerca da maconha: financia ou não financia o narcotráfico? Os maconheiros são ou não são culpados? Deve ou não deve ser legalizada? Faz bem ou faz mal? Isso ou aquilo?
Morreremos de velhos enquanto discursamos sobre o assunto, e não chegaremos a nenhuma conclusão.
Mas já que estamos aqui, vou aproveitar para dar minha opinião.
Até porque vivo por isso.
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Financia ou não financia o narcotráfico?
Claro que financia.
O que mantém uma cervejaria são as cervejas, uma livraria são os livros, uma igreja os fiéis.
Porém – e isto é muito importante – culpar a maconha pela guerra do narcotráfico e a criminalização de criancinhas no Rio de Janeiro é a mesma coisa que acusar o brigadeiro pela obesidade da humanidade.
Ele tem lá suas culpas, mas não faz nada sozinho. Pelo contrário: é mais parte do que todo.
Assim está a maconha para o tráfico: do mesmo jeito que o brigadeiro está para a obesidade mundial.
O tráfico sobrevive da venda de maconha?
Sim.
Mas também do comércio de crack, cocaína, armas, seqüestros, assaltos, corrupção, contrabando, assassinatos, extorsão.
A maconha é um pedaço pequeno e com pouco recheio desta pizza tamanho família.

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Os maconheiros são ou não são culpados?
Tanto quanto eu e você.
É claro, é melhor não fumar.
Aliás, é melhor não fumar, não beber, não cheirar, não comer chocolate e não fazer nada disso, até porque está tudo muito caro. No entanto, não colocaria no banco dos réus um sujeito que fuma maconha só porque ele fuma maconha. Conheço gente que não fuma e já fez coisas bem piores do que dar umas baforadas num baseado.

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Deve ou não deve ser legalizada?
No Brasil?
Capaz!
Não pode nem nunca será.
Não conseguimos nem levar água encanada para toda a população, como é que vamos legalizar a maconha?
Não se ofendam nem levem para o pessoal, mas o Brasil não tem capacidade para lidar com a legalização de nada.
Agora, em um outro lugar, com uma outra cultura e um outro contexto, acho válido.
Já está proibida há tantos anos e ninguém deixou de fumar por causa disso.
Vale a pena, a título de tentativa.
Sem mais.

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Faz bem ou faz mal?
Faz bem e faz mal conforme for a cabeça do cidadão.
Conheço gente que fuma e faz coisas incríveis, escreve coisas incríveis, cria coisas incríveis.
E conheço outros que simplesmente não sabem lidar com o próprio baseado.
Existem basicamente dois tipos de maconheiros: os que fumam e os que são fumados.
E em ambas as categorias tem os bons e os maus.
Como em quase tudo nessa vida.


Tenho pra mim que, mesmo que todas as 144 milhões de pessoas que fumam maconha pelo mundo afora parassem, neste exato momento, de fumar, o tráfico e a esculhambação iriam continuar.
Não faz diferença.
As pessoas se concentram em podar os ramos ao invés de arrancar o mal pela raiz.
Criam tabus e discussões infinitas sobre coisas que não adianta esbravejar: são assim e pronto.
Não leva a lugar nenhum ficar pensando “se fosse diferente”, porque não é.
Os caras fumam maconha.
144 milhões de caras fumam maconha.
Que tal encararmos a realidade e darmos um jeito de resolver o problema do jeito que ele é, e não do jeito que deveria ou poderia ser?

Capitão Nascimento: até concordo com você.
Mas precisamos admitir que o seu lado é somente um lado de toda a questão.

Ame-a ou Dane-se.

As pessoas têm mania de incomodar por causa de coisas que só facilitam nossa vida. Ficam resmungando sobre a saudade da máquina de escrever, dos folhetins impressos, do filme fotográfico, da tevê preto e branco, dos anos 50, do vinil.
Como se tudo que se tornasse passado, se tornasse também (e simplesmente) bom.
Possivelmente essas pessoas, com sessenta anos, estarão se lastimando pela falta daquilo que hoje repudiam.
Enfim.
Eu não sinto saudades nem da máquina, nem dos folhetins, nem do filme fotográfico. Considero os anos 50 uma época normal e acho que o vinil, atualmente, não passa de um suvenir.
Não vivo sem meu querido e utilitário Word, minha internet, minha máquina digital. Aliás, adoro e preciso de tudo que é digital.
Gosto da praticidade, do click, pá, pum.
Não só porque sou preguiçosa, mas porque gosto de ver as coisas andando pra frente, mudando, se alterando, se tornando melhores.
Facilitando o que antes era difícil.
Hei, isso não é ruim!

Minha experiência:
A idéia inicial do E-Blogue.com não era, em absoluto, o que ele é hoje.
Nos primórdios, o E-Blogue se chamava Os Arteiros e era para ser uma revista de cultura (como tantas que existem por aí), impressa, com anunciantes no rodapé e distribuição local.
Conversando aqui e ali, a idéia foi mudando. Passou da gráfica para a internet, e se transformou num site. Então apareceram mil idéias: reunir produções universitárias, criar uma revista de cultura virtual, vender conteúdo, vender serviços, não vender nada, até que chegamos ao que hoje vocês conhecem por E-Blogue.com (o quêêê? Não conhecem? Resolvam isso aqui).
E sabem por que mudamos da água para o vinho?
Simples: olhamos para o lado e parcialmente enxergamos o que estava acontecendo por ali.

Nesta época, eu e o Afobório tínhamos nossos blogues hospedados no Fotolog, o que não fazia sentido nenhum. Nada contra o Fotolog, apenas estávamos no lugar errado publicando as coisas erradas para as pessoas erradas. Queríamos postar nossos escritos, mas todo mundo só queria saber de fotos. Tanto que o nome do negócio era FOTOlog, e onde deveria estar escrito TEXTO, estava escrito LEGENDA.
Um belo dia, caímos na real e no Blogspot.
Trocamos rapidamente de endereço e aqui, onde muita gente busca literatura - e não somente books fotográficos - encontramos também nosso cantinho embaixo do sol.
Conhecemos gente bacana, blogues bacanas, escritores bacanas.
Finalmente, nosso lugar.
Nosso querido lugar.

E foi depois que nos mudamos para cá, há menos de um ano atrás, que o E-Blogue.com passou a tomar forma.
Percebemos o número impressionante de gente boa produzindo e divulgando seus trabalhos através da internet.
Sacamos que dava para reunir tudo isso em um só lugar, e teríamos conteúdo de qualidade por tempo indeterminado.

Com a revista, gastaríamos uma pequena fortuna para imprimir meia dúzia de exemplares - que ficariam restritos aos arredores - e nossa publicação, além de superfaturada, provavelmente morreria bem antes de chegar à praia.
Com o site, aconteceu justamente o contrário. Nada de impressão, nada de distribuição local, nada de anunciantes xaropes no rodapé palpitando sobre o conteúdo.
O céu é o limite, e até em Cingapura um cidadão acessou o E-Blogue na última semana.
Quando minha despretensiosa revistinha chegaria a Cingapura?
Resposta: nunca.
Se chegasse a Porto Alegre, já seria impressionante.
O número de acessos do E-Blogue.com nos últimos dez dias foi cinco vezes maior do que seria a tiragem da revista durante o mês inteiro.
E nunca, nunca, NUNCA sairíamos da rota Passo Fundo e região; o que iria restringir absurdamente nosso trabalho.

Porque contei tudo isso?
Pra dizer aquilo que só não vê quem não quer: a internet tem lugar para todo mundo, meu povo! E se as pessoas soubessem aproveitar melhor as mil e umas possibilidades que ela oferece, iriam descobrir rapidinho que existe um poço de petróleo dentro do monitor do seu escritório.
Você tem uma loja de roupas?
Internet.
Um restaurante? Uma produtora? Um bar?
Internet.
Quer ser músico? Escritor? Desenhista? Fotógrafo?
Internet.
Porque você vai deixar apenas seus amigos e sua mamãe conhecendo um trabalho que até um cingapurense poderia conhecer?

Mas não!
As pessoas “não gostam”, “não sabem”, “não entendem dessas modernidades”.
E nem querem entender.
Sentem falta dos Correios e não sei como não reclamam da água encanada.
Se recusam terminantemente a ganhar dinheiro.
É claro que eu não entendo.
E sempre que posso, dou o toque:
- Já ouviu falar em internet, blogue, myspace, site, e-mail?
E quando tenho paciência, ainda retruco:
- Não amiguinho, existe vida após o Orkut e o MSN.

Meus pais, e teus pais, não terem nenhuma familiaridade com a internet eu até posso entender, mas você???
Não precisa ter medo, receio, ojeriza.
Não precisa renegá-la só porque não a conhece direito.
A internet é aliada e joga no mesmo time que você.
E quem souber disso, vai sair na frente.
Sempre.

16 fevereiro 2009

O Filho-Homem.

Quando dona Mirna descobriu que estava grávida, seu Januário mandou matar um boi para comemorar.
Depois de quatro filhas, finalmente seu filho-homem haveria de chegar.
Todos na casa rezaram e fizeram promessas, implorando aos céus por um rebento machinho. Principalmente as filhas, que tinham dores de cabeça só de imaginar o desgosto do pai:
- Ele não vai suportar outra filha mulher.
- Que Deus nos ajude.

Leia o resto aqui.

14 fevereiro 2009

Fé.

Por esses dias, revirando uns cadernos velhos e uns pedaços de papel com anotações, encontrei escrito, com letra firme: é muito triste viver sem fé.
Não faço a menor idéia de quando, onde e porque escrevi isso, nem em qual contexto estava inserida.
Nem sei se estava lúcida.
O fato é que fiquei pensando sobre essa frase um tempão, tentando ver se ela fazia algum sentido para a Janaína que, indiscutivelmente, não é mais a mesma que a escrevinhou, meses atrás.

Fé, para mim, nada tem a ver com religião.
Isto é, até tem, mas não da maneira pequena como concebemos.
Porque, ao contrário da fé, a religião está muito ligada a crenças, dogmas, regras e proibições. Porém a maioria destas crenças e dogmas não responde às perguntas mais triviais da humanidade, e as regras e proibições são tão absurdas, que viram piada na boca de qualquer comediante de quinta categoria.
Eu, por exemplo (desculpem, mas não tenho exemplo melhor para dar) não tenho religião.
Não freqüento cultos, não faço cerimônias, não fico sem comer carne vermelha.
No entanto, procuro fazer as coisas nas quais afirmo acreditar.
E antes de acreditar em Deus, no céu e no inferno, na salvação ou no sofrimento eterno, eu acredito em mim, e no poder que eu tenho de mudar todas as coisas a minha volta.
Meu poder de decisão, de escolha. Meu poder e minha soberania sobre a minha vida.
Por esta razão, apesar de acreditar Nele, sei muito bem de quem é a responsabilidade sobre os acontecimentos que norteiam a minha existência.

Justamente por isso não sou do tipo que se apega em Deus.
Vejo a vida como o filho que se prepara para assumir os negócios da família. Ele sempre terá a quem recorrer quando estiver em dúvida, mas quem terá de assinar embaixo e matar no peito é ele, o herdeiro, e mais ninguém.
Se os negócios da família prosperar, ou falir, o velho pai estará isento de toda e qualquer responsabilidade.
Do mesmo jeito acontece com Deus: não adianta atirar para cima Dele todos os nossos tangos e tragédias.
Se deu certo ou errado, aconteceu por causa de você.
Ele, assim como o velho pai, não tem nada a ver com isso.

É por estas e por tantas outras razões que acredito que a fé seja algo humano, não divino.
Algo que está em mim e em você, não Nele.
E não aliena, porque explica.
Não promete, porque não precisa prometer.
Um homem sem fé é um homem acorrentado a sua própria (e minúscula) realidade. E é pretensioso também, pois acredita que, em todo o universo, do qual enxerga, a olho nu, pouco menos de 5 por cento, exista somente ele e seus semelhantes, muito inteligentes e soberanos.
Um homem sem fé não crê em nada que não seja matéria.
Quer tudo catalogado, cientificamente comprovado, e mesmo assim, olhe lá.
Sua vida, então, se resume a correr atrás de fantasmas, e depois sofrer e encher a cara de barbitúricos por causa de “um vazio que não sabe o que é nem da onde vem”.
Não foi Shakespeare quem disse que existem mais coisas entre o céu e a terra do que nossa vã filosofia pode supor?
Então.
Ele estava certo.

A verdade é que falta tempo e sensibilidade para a maioria de nós percebermos o quanto é importante ter fé.
Hoje eu a tenho, e por isso não sou mais triste.
Fui, durante muito tempo. Um tempo em que era uma paranóica sem noção, e queria explicações para besteiras que eram óbvias, e tinha sempre que encontrar um culpado para tudo que me acontecia, e precisava fazer um dramalhão mexicano para poder sentir pena de mim.
Eu não enxergava o que estava na minha frente, o tempo inteiro, pulando e gritando com uma placa flamejante na mão.
Eu andava muito, e procurava muito, e olhava muito longe tentando encontrar o que estava tão perto, que minhas mãos sequer podiam tocar.

Não, meu amigo, isso não tem nada a ver com Deus.
No entanto, se você não sabe do que estou falando e nem sabe o quanto é triste viver sem fé, é uma pena: mas não vai adiantar tentar explicar.

10 fevereiro 2009

A italiana Eluana Englaro morreu de fome depois de passar 17 anos em coma.

Destes, dez seu pai passou às voltas com a justiça, tentando obter autorização para desligar os tubos que a alimentavam e hidratavam.
Segundo ele, antes do acidente, a filha lhe havia confidenciado que preferiria morrer a viver em estado vegetativo.
Ora, é claro que isso virou um prato cheio para gritarias acerca da eutanásia: é constitucional? É imoral? É politicamente correta?
Porém, independente dos debates calorosos, dos palpites do Vaticano e dos decretos de Berlusconi, os tubos de Eluana foram desligados dia 6.
Ontem, dia 9, ela morreu.
Não é minha intenção pôr lenha na fogueira da discussão a respeito da eutanásia.
Até a considero legítima, desde que o paciente seja capaz de escolher se quer ou não continuar vivendo.
Se ele acha que é hora de abotoar o próprio palito, respeitemos sua decisão.
Mas confesso que me sinto um pouco incomodada com a idéia de autorizar a eutanásia de uma pessoa incapaz de decidir.
Óquei, enquanto ela ainda era uma jovem alegre de vinte anos e acreditava que assim seria para sempre, comentou que preferiria morrer a ficar em coma vegetativo mas, poxa! Quando ela disse isso jamais imaginava que poderia acontecer.
Como podem saber se, nas atuais condições, ela realmente queria morrer? Como podem saber o que se passa na cabeça de uma pessoa que continua viva sem estar, do modo como tradicionalmente conhecemos, viva?
Alguém já voltou para contar?
E se voltou, ficou feliz quando soube que decidiram não matá-lo de fome?

Tá.
Nem é essa a questão.
Independente do que eu, você e todas as outras pessoas pensem, o fato é que cortaram a alimentação e a hidratação da moça.
O que significa que ela morreu lentamente.
Por acaso vocês já pararam para analisar que a pobre levou três dias para morrer, e que passar três dias padecendo de fome e desidratação é dose até para alguém que está em coma?
Se resolveram que morrer era a melhor solução para Eluana, tudo bem.
Mas tinha que ser de fome?
Não existia nenhum outro jeito, nenhuma alternativa, nenhuma opção B?
Até um animal doente e desenganado, através de medicação, pode ter uma morte mais digna (e rápida) que a da italianinha.
Até um serial killer perverso e inescrupuloso recebe uma injeção letal e morre em poucos segundos.
No entanto, Eluana não teve a sorte dos animaizinhos desvalidos nem dos condenados a morte.
Não pôde escolher, nem teve uma morte breve.
E provavelmente agonizou mais nestes três dias em que passou fome e sede, do que nos 17 anos em que esteve em coma.
Definitivamente, o ser humano é surpreendente.

05 fevereiro 2009

Assassinos S/A

Olá amiguinhos!
Depois de fazer um suspense barato, vim aqui contar o que, afinal de contas, é a novidade supimpa que eu tanto alardeei alguns posts atrás.
Aconteceu assim: fui convidada pelo Frodo, meu querido e adorado editor (ui, que fina) para organizar, pelo selo Anthology da Editora Multifoco, uma antologia de contos policiais brasileiros batizada Assassinos S/A.
Até aqui, nada demais, afinal existem bilhões de editoras internet afora organizando antologias dos mais diferentes tipos.
Mas saca só a novidade supimpa a que eu me refiro:

1. Diferentemente de outras editoras, a Multifoco não está atrás de seus níqueis e por isso selecionará (apenas) 20 autores para o primeiro volume desta antologia. Nem mais, nem menos. O discurso é clichê, mas é a mais pura verdade: queremos qualidade.

2. Diferentemente de outras editoras, a Multifoco não exige que você tenha dinheiro no bolso para poder participar. Os livros (cota de 15 por autor. Mas se precisar de mais é só solicitar) são entregues por consignação, e você só paga 30 dias depois do lançamento, ou seja: tem tempo de sobra para vender os seus exemplares. E ainda embolsa 20% do valor total das vendas. Agora me digam qual editora (e incluo aqui as grandes) paga 20% para o autor em cima da capa do livro? Resposta: nenhuma.

3. Diferentemente de outras editoras, participar de uma antologia da Multifoco não significa simplesmente participar de uma antologia. Porque é a única editora que oferece chances reais aos autores de suas coletâneas de terem os originais de seus livros publicados. Exatamente, você não leu errado. Se você tiver os originais prontos de um livro (romance, ficção, contos, poesia, etecetara) e nos enviar um conto policial do caráleo, corre um sério risco de assinar um contrato e ter seu primeiro livro publicado. E vocês sabem: isso significa muita coisa.

4. Diferentemente das outras editoras, a Multifoco não está nem um pouco interessada em dividir as despesas com o autor. Da mesma forma que funcionam as antologias, com os livros solos você também receberá seus exemplares sem pagar um pila, terá 30 dias para comercializá-los, e ainda embolsará 20% dos lucros finais. E você ainda escolhe a tiragem, que varia de 30 a 100 exemplares.
(apêndice)
- Ah, mas eu vou ter que vender os livros???
Vai sim, mané. Primeiro porque você não é o Fernando Pessoa.
E segundo porque precisa colocar a mão na massa se quiser ver acontecer. Ficar sentado esperando os lucros e o sucesso baterem na sua porta é de uma estupidez sem precedentes. Seja para quem quer ser escritor, seja para quem quer ser qualquer outra coisa.
Ops, desabafei.

5. Diferentemente de muitas outras editoras, a Multifoco não economiza na hora de produzir seus livros. Nada de papel porcaria, capas horrorosas, revisão duvidosa e tantos defeitos grosseiros que encontramos em algumas edições por aí. A qualidade das impressões pode ser comparada a de qualquer editora tradicional.

Como já disse em meu último post, há tempos quero ser escritora.
E justamente por querer tanto, já percorri milhares de sites, e editoras, e nunca encontrei nada que soasse parecido com OPORTUNIDADE.
A maioria fazia propostas absurdas, repassando para mim (no caso, a autora) um custo cômico - para não dizer trágico - que variava de 3 a 10 mil reais.
Como diz o próprio Frodo, se eu tivesse dez mil seria rico.
A verdade é dura, mas a maioria das editoras só publicam autores iniciantes que podem pagar, independente de qualquer outra coisa.
Por isso, quando conheci a Multifoco, percebi que havia sim uma luzinha brilhante no fim do túnel.
Alguém abria uma porta.

O fato é: se você realmente quer ser escritor, e está disposto a ir atrás disso de verdade, não tem chance melhor.
Mandem seus contos policiais para 3am.jana@gmail.com.
O regulamento está logo abaixo, e clicando aqui você pode participar da comunidade do livro no Orkut.
Se quiser conhecer o trabalho da Multifoco, clique aqui.

E boa sorte.
Agora é a hora de ver quem quer de verdade.

REGULAMENTO

01. A Editora MULTIFOCO, através do recém-criado selo ANTHOLOGY, receberá até o dia 31 de março de 2009, contos em português, inéditos ou não, de autores brasileiros ou estrangeiros residentes em qualquer parte do sistema solar, que versem sobre o tema CONTOS POLICIAIS BRASILEIROS.

02. O autor assinará um termo declarando que a referida obra é criação sua e responsabilizando-se por qualquer questão relativa a direitos autorais e plágio.

03. Os textos serão recebidos, analisados e os selecionados farão parte da antologia ASSASSINOS S/A - Contos Policiais Brasileiros, a ser publicada pela referida editora em Junho de 2009.

04. A antologia terá, aproximadamente, 150 páginas, no formato padrão 14x21, e o preço máximo de capa será R$ 25,00, tendo os autores um desconto de 20% para que possam recuperar seu investimento com uma margem de lucro.

05. A cota de participação para cada autor será de15 exemplares, que eles poderão comercializar no prazo de 30 dias a contar do lançamento. No caso de o autor precisar de mais exemplares, a editora se compromete a repor a quantidade pedida, dentro das condições iniciais, desde que o preço das matérias-primas estejam estabilizados no mercado, durante todo o restante do ano de 2009.

06. Os autores residentes no Rio de Janeiro e aqueles que se dispuserem a deslocar-se até lá, terão à sua disposição a sede da editora, localizada na Av. Mem de Sá, 126 -Lapa - Rio de Janeiro, para o lançamento da antologia, em data a ser divulgada posteriormente.

07. Aqueles que receberão os livros via Correios deverão arcar com as despesar do porte.

08. Os textos, com no máximo dez mil caracteres, incluíndo espaços, devem ser enviados em arquivo Word, fonte Times 12, tendo TEXTO ASSASSINOS S/A no campo ASSUNTO. No corpo da mensagem o autor deve enviar uma mini-biografia de, no máximo cinco linhas.

09. Independente de serem selecionados ou não, TODOS que enviarem textos serão informados via e-mail do resultado da análise.

10. Qualquer assunto não abordado neste regulamento será resolvida pela organizadora da antologia.

02 fevereiro 2009

Recadinhos:

Primeiro: a terceira edição do E-Blogue.com está no ar e está ótima. Recomendo, apóio e adoro.
E agora também temos Orkut, e até uma comunidade.
Chega lá.

Segundo: meu amigo Edson Rossato, da Andross Editora, pediu para avisar que estão sendo preparadas sete novas antologias para este ano.
De humor a horror, de contos a microcontos, de poemas a histórias futuristas e de fim de mundo.
Acessem o site e confiram o regulamento.
Bem massa.

Terceiro: conhecem a Café Espacial? Pois deveriam. Trata-se de uma revista independente bem bacana, de um cara bem bacana chamado Sergio Chaves, que reúne quadrinhos, fotografia, música e literatura.
Tem para vender em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e agora, pela primeira vez na história desse país, no Rio Grande do Sul.
Mais especificamente em Passo Fundo, na loja Valentine, de roupas lindas e ruóks.
A revista custa 5 pila, mas se você não estiver nem em São paulo, nem no Paraná, nem no Rio e muito menos em Passo Fundo, pode comprar pelo correio!
Ié!
Comigo, pelo e-mail janalauxen@ymail.com ou diretamente com o Sergio, através do cafeespacial@gmail.com.
E só para constar, na próxima edição tem conto meu lá: Maldita Sandra.
Rerere.

Então era isso.
Té.