14 dezembro 2009

LIVRE PARA SER PRESO - O Lançamento

Nosso querido e sanguinolento Afobório lança dia 19 de dezembro em Passo Fundo City seu livro de estréia pela Editora Multifoco, LIVRE PARA SER PRESO.

A função vai rolar no bar mais tosco, gordurento e fenomenal da "Capital Nacional da Literatura" - sim, refiro-me ao Bar do Claudião, o mesmo citado neste post aqui.
Estaremos lá a partir das 5 da tarde, tomando muitas cervejas, comendo porções de polenta frita de procedência duvidosa, recebendo amorosamente amigos & camaradas e debatendo problemas sociais mundiais, como a gripe H1N1.
Rarara, tá, essa última parte é mentira.
Enfim: se estiver pelos lados passofundenses, pinte por lá, bróder.
Estará, no mínimo, muito engraçado.

A capa (genial) do livro está aqui:
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E o convite aqui:
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(ali diz 18h, mas podem pode chegar às 5. Estaremos lá desde as 4, hoho)

E aqui você pode ler a resenha que o Gabriel Nepomuceno Vieira escreveu sobre Livre Para Ser Preso e o Literatsi publicou.
Ah!
E logo abaixo você pode ler o prefácio do livro, escrito, é claro, por... MIM!
Yeah!
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Livre para ser Preso

Num primeiro momento, o leitor que se deparar com este livro, que agora descansa em suas mãos, certamente se perguntará:

- Livre para ser Preso? Ora, somente quem está livre pode acabar preso.

Trata-se de um raciocínio lógico, realmente.
No entanto, no momento em que você decidir se aventurar pelas páginas que seguem esta apresentação, entenderá exatamente o que o autor, que assina sob o pseudônimo Afobório e usa uma balaclava enfiada na cabeça, quis dizer com este título, aparentemente contraditório.
É a história de Alencar, fazendeiro truculento e amargo que viu a esposa o trair com o frentista de um posto de gasolina e morrer bebendo conhaque.
E de Jorge, fugitivo da polícia, apaixonado por uma boneca chamada Cindy e que traz consigo a crença de que não é um homem, mas uma onça.
São estes dois personagens que protagonizarão uma caçada alucinante mata adentro, um tentando provar ao outro onde, exatamente, se concentra sua força e sua fúria; sua humanidade e sua bestialidade; sua sobrevivência e sua extinção.

Enquanto lia os originais desta obra, por diversas vezes me peguei embrulhada, enjoada, desconfortável.
Diversas vezes precisei parar para retomar meu fôlego, e me certificar de que o mundo lá fora não havia se transformado em uma perseguição convulsiva e furiosa, onde homens se confundem com bestas feras e sentimentos se viram ao avesso, para comprovar o que todos nós sabemos, mesmo sem gostar: existe um bicho faminto e intolerante dentro de cada um de nós. Um animal irracional e violento, bruto, impetuoso, preocupado exclusivamente com sua sobrevivência, desprovido de tudo aquilo que acreditamos nos tornar humanos.
A história de Alencar e Jorge é, também, a história de todos os homens que deixaram para trás sua civilidade e sua compaixão, e mesmo assim continuam infiltrados no coração de uma sociedade aparentemente organizada, instituída e solidária – a sociedade onde eu e você vivemos, e onde nos sentimos muito, muito seguros.

Livre para ser Preso incomoda porque é legítimo, fidedigno, visceral e cruel.
Não espere por uma história aventureira, extravagante, cheia de monstros improváveis, final feliz e efeitos literários especiais.
Temos aqui uma narrativa real e desconcertante sobre tudo aquilo que uma criatura é capaz de fazer e de sentir, e até que ponto é capaz de chegar, quando não tem mais nada a perder.
Somente a ganhar.

Dê uns goles deste vinho, acomode-se neste sofá e tenha uma boa excursão pelos caminhos sombrios e regelados percorridos por estes dois homens, que se libertaram das amarras que nos mantém presos aquilo que chamamos de civilização.
Mas se aceita um conselho, caro leitor, não embarque nesta leitura delirante antes de dormir ou de comer.
O resultado pode ser desastroso, como desastrosos somos todos nós.