13 agosto 2009

Entrevista.

Olá, meus xodós.
Aí vai a entrevista que eu dei para o Jornal Zuum...Zuum..., de Passo Fundo.
Ficou tão legal que resolvi postar aqui.

1. Descreva sua trajetória após se formar em publicidade na UPF.
Quando me formei, já sabia bem que não queria trabalhar com publicidade. Parece péssimo estar se formando em um curso no qual você não pretende atuar, mas foi bem tranqüilo.
Pelo menos eu sabia o que não queria, o que era um bom começo.
Nessa época, eu já tinha dois livros escritos, prontos para serem publicados. Então criei um blogue (http://www.janalauxen.blogspot.com/) e continuei escrevendo adoidado, o que levou a me envolver em projetos muito legais, como os sites www.e-blogue.com/blogs, http://www.blogcabecascortadas.blogspot.com/, www.3ammagazine.com/brasil, http://www.becodocrime.net/, a Revista Café Espacial e o Jornal Vaia.
Nunca trabalhei com publicidade, e nem pretendo.
Mas não posso negar que uma ou outra coisa do curso me ajudaram, literariamente falando.

2. Atualmente você é somente escritora ou faz outros trabalhos?Sou somente escritora, e isso já toma 32 horas do meu dia.
Não dá para trabalhar das oito da manhã às seis da tarde e ainda investir na carreira de escritora, nas horas vagas. Você acaba nem trabalhando nem escrevendo direito.
E como o mercado, de publicidade em especial e todos os outros em geral, está supersaturado – e o que não falta são arquitetos, publicitários, dentistas e advogados trabalhando feito uns cavalos por 500 pilas por mês – uni o útil ao agradável: já que não ia ganhar dinheiro mesmo, fui fazer o que me divertia.

3. Quando você decidiu escrever o livro? Por quê?
Com 19 anos.
Já fazia uns 5 anos que eu dizia que queria escrever um livro, então achei que era hora de sentar e colocar as mãos na massa. Levei 3 anos, e o livro terminou com 280 páginas. Chama-se Flores no Deserto, e é um dos meus preferidos.
Uma Carta por Benjamin, meu primeiro livro publicado e o quarto a ser escrito, esbocei em um dia, quando vi um carteiro entregando as correspondências para a vizinha da frente. Não sei por que, pensei: cara, imagina receber uma carta, de alguém que você não conhece nem nunca ouviu falar, e esta pessoa começar a te envolver até os cabelos em uma trama muito louca?
Criei a base da história no computador e depois a coisa só foi.
Levei quatro meses, e (sei que sou suspeita para falar, mas) achei o resultado final muito bom.

4. Recebeu apoio de algum professor ou da FAC?
Para falar a verdade, não.
À exceção do professor Miro Schaeffer, que inclusive foi meu orientador de monografia e sempre me deu apoio total.
Enviei convites para todo mundo, entrei em contato com os jornais da universidade, com a Rádio UPF, a TV UPF.
Não recebi nem resposta, apenas três e-mails ‘parabenizando a minha conquista’ e só.
O que não me surpreende, para falar a verdade.

5. Como é construir uma carreira de escritora?É difícil, como é difícil construir, de maneira sólida, qualquer carreira.
Por isso acho importante trabalhar com o que se gosta. Porque já não é fácil, se ainda for chato, se torna insuportável.

6. Como você resume a sua obra?Não é um diário, não tem sexo, não tem romance e não tem uma ‘moral da história’.

7. Quais foram as influências literárias que te ajudaram a escrever o livro?
Acho que tudo aquilo que lemos, desde bula de remédio até horóscopo, acaba, de um jeito ou de outro, influenciando aquilo que a gente cria. Mas posso citar, sem medo de errar: Pedro Juan Gutiérrez, Mário Quintana, Veríssimo pai e Veríssimo filho, Afobório, Frodo Oliveira, Inácio Ferreira e Carlos Baccelli. Além de muitos outros, é claro.

8. Já está escrevendo outro livro? De que estilo literário? Sobre que assunto?No momento não, mas algumas idéias começam a tomar forma na minha cabeça, e envolvem piratas e espiritismo.
Por hora, só posso dizer isso porque é só isso o que sei.

9. Que recado você deixa para seus colegas ou para as pessoas que almejam seguir esse rumo?Tem espaço para quem é bom e sabe fazer.
Pode até parecer que não, mas tem.
Então é melhor esquecer esse negócio de bater cartão e ir atrás do que realmente interessa.
E a internet é o lugar.
Ficadica.