29 agosto 2009

A Cafeteria de Sergio Chaves.

Sergio Chaves abriu uma cafeteria.
O que não seria, sob nenhuma hipótese, uma notícia relevante, que merecesse espaço na mídia.
A não ser que a cafeteria em questão seja uma cafeteria espacial.
Espacial, sim senhor.
Pois nela, o café não é uma simples mistura de água quente, açúcar e qualquer outra obviedade.
No café do Sergio vão outros ingredientes.

Quadrinhos são um deles.
Quadrinhos espaciais, que você não encontra em qualquer banca de revista.
E literatura, nos seus mais variados gêneros: contos, poesia, reportagens, e outros ainda, que nem inventaram nome.
Tem música, cinema e ilustrações também.
Tudo misturado de um jeito incrivelmente improvável - o que acaba resultando em uma exclusiva e fabulosa xícara de café em forma de revista.

Porém Sergio não é o único manipulador desta receita espacial.
Ele tem comparsas.
Cada um concentrado em uma matéria-prima diferente, trabalhando em cima de suas fórmulas com obstinação e carinho.
Mas existem muitos outros.

E o café do Sergio é tão espacial que já ganhou até troféus, veja só você!
Foram nada menos do que três HQMix como Melhor Publicação Independente de Grupo.
O outro foi o Bigorna.
Um grande reconhecimento para uma cafeteria que tem poucos anos de vida.

Qual seria a fórmula?, alguns se perguntam.
E diferentemente da Coca Cola, Sergio não a guarda trancafiada dentro de um cofre secreto.
Ele conta.
E segundo o próprio, primeiro é preciso gostar do que faz.
Se fizer contra a vontade ou sem empolgação, sai de qualquer jeito e fica ruim.
Ele faz a Café Espacial por que gosta, não por que almeja ser um grande e poderoso empresário do ramo das comunicações.
Faria de qualquer jeito, tiraria do próprio bolso se fosse o caso – e muitas vezes, é.
Este gosto pela coisa muda todo o sabor final.

Depois, é preciso se cercar de pessoas com o mesmo objetivo.
Senão não dá certo.
Sergio acredita piamente na teoria que uma maça podre no meio apodrece todas as outras.
Logo, ninguém que trabalha em sua cafeteria está brincando.
Estão todos trabalhando, com seriedade e profissionalismo, apesar de não negarem que se divertem pra caramba.
 
Em seguida, vem o talento.
Este é muito importante, e trata-se de um ingrediente que não encontramos facilmente por aí.
É preciso garimpá-lo, e ver se, apesar do talento, o sujeito tem também boa vontade.
Imprescindível.
Sem a boa vontade (daquelas guerreiras, de ir em frente, pouco importando o que aconteça), não dá café.
No máximo uma águazinha suja e sonsa, levemente adocicada.

Ingredientes à mão, mistura feita, o resultado não pode ser nada menos do que Espacial.
E a Revista Café Espacial é exatamente assim: feita em detalhes, em particularidades, em pequeninas partes.
E nenhuma delas deixa nada a desejar, como podem comprovar as dez edições lançadas até agora: reunindo trabalhos de grandes artistas, escritores, quadrinistas e fotógrafos, a Café Espacial vem mostrar que ser alternativo não significa ser menos sério nem mais desorganizado.
Muito pelo contrário.
Nada na revista está ali por acaso.
Tudo é pensado, pesado e avaliado com muito cuidado por toda a equipe, que sem patrocínios nem jabás nem costas quentes ou padrinhos, vem se achegando como quem não quer nada, e mostrando que veio para ficar.

Aos leitores e apreciadores de cafés espaciais, cheios de ingredientes espaciais e aromas espaciais, só resta sentar, pedir sua xícara, escolher se prefere açúcar ou adoçante e degustar.
Pois tudo que é espacial merece mais do que ser consumido.
Merece ser saboreado.

Resenha atualizada em 18/05/2012.