25 julho 2009

Dia do Amigo.

Eu sei, foi dia 20 de julho.
Já passou.
Mas foi proposital escrever sobre este dia justamente depois que ele já se foi.
É porque sou adepta, há uns 3 anos, da sabotagem à datas comemorativas.
Não parabenizo, não compro presentes, não faço jantares cerimoniosos, nada.
E pode ser dia das mães, dos pais, dos namorados, dos amigos, das crianças.
Não participo.
Me nego e não participo.
Fim.
No entanto, muitas das pessoas que me rodeiam compactuam com essas datas comerciais, digo, especiais, e me mandam recadinhos fofos e em massa pelo orkut, pelo e-mail, por torpedo.
Pessoas que eu mal e mal cumprimento na rua, ou que vi uma vez na padaria, estão lá: Feliz dia do amigo Jana, você é muito especial.
Arrã.
Tudo bem, eu não ligo.
Nem tudo que é sincero é simpático, e nem tudo que é simpático é sincero.
Mas a verdade é que as pessoas se deixam levar por datas.
Ora, datas não significam nada, meus amigos e pseudo-amigos.
Inclusive, as nossas datas sequer fecham com as datas chinesas, astecas, hindus, romanas.
Trata-se apenas de um número, em um calendário que muda conforme a região do mundo onde você estiver.
Mas amigos, esses sim, não mudam nunca.
Quem é seu amigo aqui no Brasil, continuará sendo seu amigo em qualquer lugar do sistema solar, em qualquer calendário, em qualquer época, em qualquer dimensão.
E ou não é?
Neste último dia 20 de julho, recebi uma ligação de uma das minhas maiores e melhores e mais especiais amigas, Michele - Chelle, para os chegados.
A guria é tão das minhas que eu, particularmente, a carrego no peito como a irmã que eu não tive por vias naturais.
Ela participa da minha vida desde que eu tinha 12 anos e acendi meu primeiro cigarro, e com ela eu já briguei, já me meti em confusão, já fiz tragos homéricos, já chorei, já pintei o sete – tudo literalmente.
Em outras palavras: mexer com ela é mexer comigo, e fim de papo.
Então.
Como dizia, neste dia 20 ela me telefonou, não para desejar feliz dia do amigo, mas para avisar que seu avô estava internado no hospital, e faria uma cirurgia muito delicada.
Chelle chorava, é claro que sim.
Estava com medo do que poderia acontecer.
E por isso ela me telefonou.
Entre as milhares de pessoas para as quais poderia recorrer, ela recorreu a mim.
E eu apenas lhe disse que mantivesse a fé, e rezasse para que acontecesse o melhor, seja lá o que fosse melhor.
Também disse que nós, enquanto seres humanos, somos limitados demais para entender alguns desígnios de Deus, e que Ele não escreve certo por linhas tortas; nós é que não sabemos ler suas escrituras.
Mas, o mais importante: eu disse que estava ali, para o que ela precisasse. Que ela não se sentisse constrangida em me telefonar, em me chamar, em gritar pelo meu nome, não importava a hora.
Eu estava e sempre estarei pronta para atender qualquer um dos seus chamados.
E tudo que eu falei, cada palavrinha, cada vírgula, cada vogal e cada consoante, estavam revestidas da mais pura e cristalina sinceridade.
Se eu estiver em Liverpool assistindo um show dos Beatles com o próprio John Lennon em cima do palco, largo tudo e venho correndo, caso Chelle precise.
Antes de desligar, ela ainda disse:
- Feliz dia do amigo, Jana.
E este foi o “feliz dia do amigo, Jana” mais honesto que já ouvi na minha vida inteira.
Entendem o que quero dizer?
Amigo é isso.
Sem presentes, sem datas especiais, sem cartões nem mensagem de massa.
É aquele cara que vai estar ali, não importa o temporal, não importa a confusão, não importa o que você faça ou pense: ele não vai te abandonar nem que a vaca tussa.
E quando a dor apertar no coração, e quando nos sentirmos encurralados, solitários, desesperados, esse cara, o amigo, vai te ligar, vai aparecer, vai te deitar no colo, fazer cafuné e dizer que está tudo bem.
E estes caras, que estão para você assim, gratuitamente, integralmente, desculpem, mas não passam de meia dúzia.
Sequer chegam a meia dúzia.
Por isso, e por mais que este discurso seja clichê e já tenha sido usado mil e trezentas vezes por mil e trezentas pessoas diferentes, eu faço coro para dizer: dia do amigo é todo dia.
Todo instante, todo momento, toda madrugada escura e fria, toda tarde solitária sentado na janela vendo a chuva cair.
Amigo é o que a Chelle é para mim, e é o que eu sou para a Chelle.
E não somente dia 20 de julho.
Todos os dias.
E quem tem amigos assim é um privilegiado.
Eu sou uma privilegiada.
Pois celebro, cada dia, cada amanhecer e cada entardecer, a importância e a diferença que um amigo como Chelle faz na vida de alguém como eu.

Feliz dia do amigo, então, para todo mundo que tem o que comemorar.