15 junho 2009

Neonazistas: fui.

Acabaram de descobrir, aqui pelos lados do sul, uma facção neonazista auto-intitulada New Land, que tinha planos infalíveis de varrer da face da terra negros, homossexuais e qualquer um que fosse diferente deles e suas carecas lustrosas.
Daí o porquê do nome: New Land significa, em bom português, Terra Nova.
Esta geração século 21 de discípulos do Hitler - o do bigodinho - raspam a cabeça e seguem a risca os ensinamentos do amado mestre.
Pior que isso: acreditam, piamente, que iniciarão uma era onde só carecas seguidores do bigodudo reinarão soberanos e absolutos, felizes para sempre.
Já viu esse filme antes?
Muitas vezes?
Eu também.

E é claro que eu poderia escrever muitas coisas sobre esse assunto.
Poderia, por exemplo, dizer que o preconceito é o tumor da humanidade, e vai acabar nos levando diretamente - e sem escalas - para o fundo do poço.
Ou que o ser humano é genuinamente doentio e estúpido, capaz de acreditar em qualquer besteira, desde que esta besteira seja bem articulada.
Ou que já é hora de deixarmos Hitler em paz, se é que um sujeito como Hitler sabe o que isso significa.
Poderia dizer que essa história de querer que todos sejam iguais a nós mesmos é maçante – especialmente se formos carecas e potencialmente psicóticos.
Que a diferença é boa, é linda, é saudável, e deixa a vida mais divertida e menos monótona.
Quem sabe podia perguntar: se todos gostassem de amarelo, o que seria do verde, heim crianças?

Mas não, não vou dizer nada disso, até porque tudo já foi dito, centenas de vezes.
Já virou lugar-comum.
E mesmo assim tem mané raspando a cabeça e matando torcedor de time rival, negro, judeu, nordestino, prostituta, pai, filho e espírito santo, amém.
Ainda tem gente correndo atrás de destruir a diferença!
E estes chatonildos da New Land não só queriam destruí-la como tinham planos de dominar o Brasil.
Quiçá o mundo.
Ah, francamente, que coisa mais Pink e Cérebro.

Por isso, a única coisa que direi é: vão arrumar o que fazer, ô pessoal.
Vão trepar, tomar uma cerveja, cantar no karaokê, varrer a calçada, bordar Heil Hitler numa toalha de banho, acessar o Orkut.
Parem de encher o saco da humanidade com essas conversinhas xaropes sobre raça pura e dominação mundial e etecetara e tal.
Cansou, acabou, já deu, já era, fim.
Deixem quem torce pelo time rival ao seu em paz.
Esqueçam os negros, os judeus, os nordestinos, os gays, as prostitutas, os católicos, os evangélicos, os ateus e todo o resto, e vão arrumar alguma coisa para se distraírem.
Aposto que se tivessem mais o que fazer, não estariam aí, tão preocupados em dominar o mundo.

E digo ainda mais: para mim, todos os carequinhas da New Land e de todos os outros grupos neonazistas que pipocam pelo mundo, aqui e ali, são, a bem da verdade, um bando de enrustidos.
Sim!
Isso explica tudo.
Todo enrustido é um neonazista em potencial, seja lá contra quem ou o que o dito cujo seja.
Porque simplesmente ignoramos o que não gostamos, essa é a lei.
Eu, por exemplo, não gosto de Reality Shows, e acho A Fazenda o pior deles.
Por isso não assisto, não falo mal, nem participo de comunidades que odeiam o programa, porque para mim tanto faz.
Apenas não assisto, e a vida segue.
Agora, se eu passasse meus dias falando mal dos caras, e assistindo o programa só para esculachar, é provável que, lá no fundo, meu sonho fosse dividir uma rede e um violão com o Dado Dolabella.
Concordam?
Então.

Na minha opinião, esses skinheads de araque deveriam ser trancafiados numa cadeia suja e fedida, e passar o resto da eternidade carregando uma carga de britas de um lado para o outro do pátio do presídio, ininterruptamente, sempre ao som de lá vem o negão, cheio de paixão, ticatá ticatá ticatá.
E agora tchau, porque vocês, seus aeroportos de mosquito metidos a alemões (sim, alemões), sinceramente me dão preguiça.
Fui.