13 abril 2009

Eu sempre quis demais.

Nunca um pouco, nunca mais ou menos.
- Em doses cavalares, por favor.
Queria tanto, mas tanto - e me atirava com tamanha violência - que geralmente saia arrebentada.
E o pior: de mãos abanando.

Era porque eu queria, queria demais, queria muito, queria absurdamente...
só não sabia o que.
Não fazia a mínima idéia, só sabia que eu precisava de alguma coisa que ainda não tinha encontrado, e não sabia onde estava, menos ainda o que poderia ser.
E assim dá-lhe pulos abismo adentro, tudo muito escuro e inseguro, e (claro) dá-lhe esborrachadas no chão.
- Você fuma demais.
- Fala demais.
- Grita demais.
- Chora demais.
- Bebe demais.
- Ri demais.
- Sente demais.
“Você precisa encontrar o meio termo, Janaína”.
Deve ter sido a frase que mais ouvi.

Acontece que eu não faço a menor idéia de onde está o maldito meio termo. Nem sei o que significa, do que se alimenta e para que serve.
Como poderia me interessar pelo meio termo, se havia algo grande e incrível e indubitavelmente meu, que eu precisava encontrar?

Mas, vocês conhecem o ditado: o apressado come cru.
E eu, como a boa faminta que sempre fui, comi cru N vezes.
Me meti em confusões idiotas, andei com gente que achava que pistashe é um pintor famoso, fiz merdas, repeti as merdas e ainda fiz outras vezes merdas.
Uma coleção completa de merdas.

Até que um dia, eu encontrei.

Bem.
Na verdade não foi assim, pá, pum e fim.
Fui encontrando aos poucos: uma parte aqui, outra parte ali, mais um pedacinho acolá, uma metade embaixo do sofá.
Estava tudo despedaçado, atirado por aí!
E eu, ao invés de olhar, e ver, pisoteava, procurando lá longe o que estava logo abaixo dos meus pés.
Demorei um pouco para juntar tudo, realmente.
E para lhes ser sincera, ainda faltam alguns pedaços, mas dizem que isso é a vida.
Parece que é assim mesmo.

É claro, continuo em erupção.
Chorando de raiva, rindo de nervosa, ficando séria por amor, rodando a baiana por coisa nenhuma.
Continuo saltando abismo adentro, tudo escuro e muito inseguro - escuro e inseguro como o vazio.
Mas agora vou de pára-quedas, mermão.
Equipamento de segurança e lanterna na mão.
Nada mais de encarar esse imenso nada de mãos no bolso e cara para esbofetearem.
Vou é olhando para o chão, para ver onde piso e por onde passo, e verificar se não encontro as outras partes, que vivem faltando.
Nada nunca está completo, e isso é bom, ao contrário do que você pensa.

Também vou olhando para frente, sim, eu vou.
Para ver se o caminho é mesmo esse que o mapa me mostrou.
O mapa que eu tanto, tanto, mas tanto procurei.