19 fevereiro 2009

Maconha.

(título sensacionalista)

Se existe uma coisa mais antiga que andar para frente é a discussão acerca da maconha: financia ou não financia o narcotráfico? Os maconheiros são ou não são culpados? Deve ou não deve ser legalizada? Faz bem ou faz mal? Isso ou aquilo?
Morreremos de velhos enquanto discursamos sobre o assunto, e não chegaremos a nenhuma conclusão.
Mas já que estamos aqui, vou aproveitar para dar minha opinião.
Até porque vivo por isso.
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Financia ou não financia o narcotráfico?
Claro que financia.
O que mantém uma cervejaria são as cervejas, uma livraria são os livros, uma igreja os fiéis.
Porém – e isto é muito importante – culpar a maconha pela guerra do narcotráfico e a criminalização de criancinhas no Rio de Janeiro é a mesma coisa que acusar o brigadeiro pela obesidade da humanidade.
Ele tem lá suas culpas, mas não faz nada sozinho. Pelo contrário: é mais parte do que todo.
Assim está a maconha para o tráfico: do mesmo jeito que o brigadeiro está para a obesidade mundial.
O tráfico sobrevive da venda de maconha?
Sim.
Mas também do comércio de crack, cocaína, armas, seqüestros, assaltos, corrupção, contrabando, assassinatos, extorsão.
A maconha é um pedaço pequeno e com pouco recheio desta pizza tamanho família.

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Os maconheiros são ou não são culpados?
Tanto quanto eu e você.
É claro, é melhor não fumar.
Aliás, é melhor não fumar, não beber, não cheirar, não comer chocolate e não fazer nada disso, até porque está tudo muito caro. No entanto, não colocaria no banco dos réus um sujeito que fuma maconha só porque ele fuma maconha. Conheço gente que não fuma e já fez coisas bem piores do que dar umas baforadas num baseado.

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Deve ou não deve ser legalizada?
No Brasil?
Capaz!
Não pode nem nunca será.
Não conseguimos nem levar água encanada para toda a população, como é que vamos legalizar a maconha?
Não se ofendam nem levem para o pessoal, mas o Brasil não tem capacidade para lidar com a legalização de nada.
Agora, em um outro lugar, com uma outra cultura e um outro contexto, acho válido.
Já está proibida há tantos anos e ninguém deixou de fumar por causa disso.
Vale a pena, a título de tentativa.
Sem mais.

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Faz bem ou faz mal?
Faz bem e faz mal conforme for a cabeça do cidadão.
Conheço gente que fuma e faz coisas incríveis, escreve coisas incríveis, cria coisas incríveis.
E conheço outros que simplesmente não sabem lidar com o próprio baseado.
Existem basicamente dois tipos de maconheiros: os que fumam e os que são fumados.
E em ambas as categorias tem os bons e os maus.
Como em quase tudo nessa vida.


Tenho pra mim que, mesmo que todas as 144 milhões de pessoas que fumam maconha pelo mundo afora parassem, neste exato momento, de fumar, o tráfico e a esculhambação iriam continuar.
Não faz diferença.
As pessoas se concentram em podar os ramos ao invés de arrancar o mal pela raiz.
Criam tabus e discussões infinitas sobre coisas que não adianta esbravejar: são assim e pronto.
Não leva a lugar nenhum ficar pensando “se fosse diferente”, porque não é.
Os caras fumam maconha.
144 milhões de caras fumam maconha.
Que tal encararmos a realidade e darmos um jeito de resolver o problema do jeito que ele é, e não do jeito que deveria ou poderia ser?

Capitão Nascimento: até concordo com você.
Mas precisamos admitir que o seu lado é somente um lado de toda a questão.