19 fevereiro 2009

Ame-a ou Dane-se.

As pessoas têm mania de incomodar por causa de coisas que só facilitam nossa vida. Ficam resmungando sobre a saudade da máquina de escrever, dos folhetins impressos, do filme fotográfico, da tevê preto e branco, dos anos 50, do vinil.
Como se tudo que se tornasse passado, se tornasse também (e simplesmente) bom.
Possivelmente essas pessoas, com sessenta anos, estarão se lastimando pela falta daquilo que hoje repudiam.
Enfim.
Eu não sinto saudades nem da máquina, nem dos folhetins, nem do filme fotográfico. Considero os anos 50 uma época normal e acho que o vinil, atualmente, não passa de um suvenir.
Não vivo sem meu querido e utilitário Word, minha internet, minha máquina digital. Aliás, adoro e preciso de tudo que é digital.
Gosto da praticidade, do click, pá, pum.
Não só porque sou preguiçosa, mas porque gosto de ver as coisas andando pra frente, mudando, se alterando, se tornando melhores.
Facilitando o que antes era difícil.
Hei, isso não é ruim!

Minha experiência:
A idéia inicial do E-Blogue.com não era, em absoluto, o que ele é hoje.
Nos primórdios, o E-Blogue se chamava Os Arteiros e era para ser uma revista de cultura (como tantas que existem por aí), impressa, com anunciantes no rodapé e distribuição local.
Conversando aqui e ali, a idéia foi mudando. Passou da gráfica para a internet, e se transformou num site. Então apareceram mil idéias: reunir produções universitárias, criar uma revista de cultura virtual, vender conteúdo, vender serviços, não vender nada, até que chegamos ao que hoje vocês conhecem por E-Blogue.com (o quêêê? Não conhecem? Resolvam isso aqui).
E sabem por que mudamos da água para o vinho?
Simples: olhamos para o lado e parcialmente enxergamos o que estava acontecendo por ali.

Nesta época, eu e o Afobório tínhamos nossos blogues hospedados no Fotolog, o que não fazia sentido nenhum. Nada contra o Fotolog, apenas estávamos no lugar errado publicando as coisas erradas para as pessoas erradas. Queríamos postar nossos escritos, mas todo mundo só queria saber de fotos. Tanto que o nome do negócio era FOTOlog, e onde deveria estar escrito TEXTO, estava escrito LEGENDA.
Um belo dia, caímos na real e no Blogspot.
Trocamos rapidamente de endereço e aqui, onde muita gente busca literatura - e não somente books fotográficos - encontramos também nosso cantinho embaixo do sol.
Conhecemos gente bacana, blogues bacanas, escritores bacanas.
Finalmente, nosso lugar.
Nosso querido lugar.

E foi depois que nos mudamos para cá, há menos de um ano atrás, que o E-Blogue.com passou a tomar forma.
Percebemos o número impressionante de gente boa produzindo e divulgando seus trabalhos através da internet.
Sacamos que dava para reunir tudo isso em um só lugar, e teríamos conteúdo de qualidade por tempo indeterminado.

Com a revista, gastaríamos uma pequena fortuna para imprimir meia dúzia de exemplares - que ficariam restritos aos arredores - e nossa publicação, além de superfaturada, provavelmente morreria bem antes de chegar à praia.
Com o site, aconteceu justamente o contrário. Nada de impressão, nada de distribuição local, nada de anunciantes xaropes no rodapé palpitando sobre o conteúdo.
O céu é o limite, e até em Cingapura um cidadão acessou o E-Blogue na última semana.
Quando minha despretensiosa revistinha chegaria a Cingapura?
Resposta: nunca.
Se chegasse a Porto Alegre, já seria impressionante.
O número de acessos do E-Blogue.com nos últimos dez dias foi cinco vezes maior do que seria a tiragem da revista durante o mês inteiro.
E nunca, nunca, NUNCA sairíamos da rota Passo Fundo e região; o que iria restringir absurdamente nosso trabalho.

Porque contei tudo isso?
Pra dizer aquilo que só não vê quem não quer: a internet tem lugar para todo mundo, meu povo! E se as pessoas soubessem aproveitar melhor as mil e umas possibilidades que ela oferece, iriam descobrir rapidinho que existe um poço de petróleo dentro do monitor do seu escritório.
Você tem uma loja de roupas?
Internet.
Um restaurante? Uma produtora? Um bar?
Internet.
Quer ser músico? Escritor? Desenhista? Fotógrafo?
Internet.
Porque você vai deixar apenas seus amigos e sua mamãe conhecendo um trabalho que até um cingapurense poderia conhecer?

Mas não!
As pessoas “não gostam”, “não sabem”, “não entendem dessas modernidades”.
E nem querem entender.
Sentem falta dos Correios e não sei como não reclamam da água encanada.
Se recusam terminantemente a ganhar dinheiro.
É claro que eu não entendo.
E sempre que posso, dou o toque:
- Já ouviu falar em internet, blogue, myspace, site, e-mail?
E quando tenho paciência, ainda retruco:
- Não amiguinho, existe vida após o Orkut e o MSN.

Meus pais, e teus pais, não terem nenhuma familiaridade com a internet eu até posso entender, mas você???
Não precisa ter medo, receio, ojeriza.
Não precisa renegá-la só porque não a conhece direito.
A internet é aliada e joga no mesmo time que você.
E quem souber disso, vai sair na frente.
Sempre.