05 janeiro 2009

Uma porta pode estar aberta

ou fechada, conforme decidir o possuidor de suas chaves.
A minha porta está fechada.
Não sei se esteve aberta alguma vez, mas tenho certeza de que, agora, está fechada.

Oh não, não faça esta cara de magoado, nem de preocupação.
Isso não é, necessariamente, uma coisa ruim.

Até porque, existe um vão embaixo dela por onde você pode passar recados.
E tem a janela, que eu deixo sempre aberta, que é para quando passar por ali, eu poder te dar um oizinho, e trocar meia dúzia de palavras.
Ou quatrocentas mil.

Mas a porta...
Esta permanecerá fechada.

Claro, tenho cópias da chave.
E estas deixo nas mãos de pessoas que, por um motivo ou por outro, há dez anos ou há dez minutos, ganharam a minha confiança.
São poucas, bem menos do que se possa imaginar.
Quando desconfio (e olha que demoro a desconfiar) tomo de volta, sem dó.

É porque eu tenho alguns defeitos, sabe?
Não sou racional e controlada como dizem que se deve ser.
Pelo menos não o bastante.
E fácil fácil perco a noção sobre onde termina o meu espaço e onde começa o espaço do outro.
O que acaba me transformando em uma palestrante déspota e chata, sempre dizendo por aí o que eu acho sobre coisas que ninguém me perguntou – logo, não devem querer saber.
E nem me refiro ao blogue.
Aqui é bom.
Enquanto escrevo, tenho tempo para avaliar as minhas palavras.
Medi-las.
Ponderá-las.
Quase sempre apago algumas frases que, duas horas depois de escrever, eu já considero ridículas, de uma indignação adolescente.
Não é censura, é o calor da hora.
Enquanto escrevo tenho tempo para pensar e, possivelmente, refinar minhas opiniões de modo que soem mais amistosas, mais educadas.
Agora, na hora de falar, não tenho a chance de passar a limpo meus discursos.
E quando vejo já estou ali, metendo meu bedelho onde, como sempre, não fui chamada.
E duas horas depois, ao invés de ler o rascunho, vejo os fatos e penso: mierda.

Falhei como publicitária (e certamente falharia em qualquer outra profissão) porque absolutamente não sei trabalhar sob pressão.
Não sei falar sob pressão.
Não sei dar boas respostas sob pressão.
Não sei raciocinar sob pressão.
Não sei existir sob pressão.
E isso é nocivo.
- Agora vou falar!
Ai, ai, depois me arrependo.
Me sinto uma idiota.
Duas horas depois quero apagar tudo e escrever de novo.
Mas daí já foi.

Por isso minha porta está fechada.
Para me proteger, e lhes proteger.
Porque quem quiser saber o que eu acho disso e daquilo (não posso conter essa mania de achar, mesmo quando o que eu acho tem dono) vai ter que vir até aqui me perguntar.
Se não for dos mais chegados, passa por debaixo da porta ou bate aqui na minha janela: estarei lá.
Pode mandar xingamentos, subornos, vírus e correntes também.
Não é porque minha porta está fechada que não sou uma menina legal.


Por falar nisso, sabem o que eu acho?
Que a vida deveria ter a opção EDITAR.