06 janeiro 2009

Tem se falado numa tal literatura de blog.

E escritores de blog.
Mas parece que ninguém gostou muito desta nova classificação.
Todos os intitulados rapidamente se defenderam, dizendo que com blog nada tinham a ver, enquanto outros continuaram se estapeando em meio a rede, para angariar novos comentários, mais visitas e, quem sabe, sair do monitor para as prateleiras. Quiçá as telas de cinema.
Bem, eu tenho um blog.
E se eu tenho um blog, eu tenho uma opinião, claro.
Feliz ou infelizmente.
E se querem saber, eu acho isso tudo uma imensa bobagem.

Para mim literatura sempre foi literatura, e ponto final.
O resto é história.
Só que aí aparecem mil estudiosos e autodidatas e enjoadinhos de plantão, cheios de suas nomenclaturas e definições e catalogações e avaliações e rotulações, e esculhambam com tudo.

Lembro de uma vez em que entrei para uma comunidade do Orkut voltada para literatura (hã?), onde os membros podiam postar textos, dar e receber comentários, participar de antologias e coisas do gênero.
Até aí bem legal mas, SENHOR!
Como eles eram chatos!
Chatos, chatos, chatos, chatos.
Mil vezes chatos.
Um dos poucos textos que postei por lá gerou uma discussão ferrenha e calorosa entre os que achavam que era prosa e os que achavam que era poesia.
Ora, dane-se a prosa e a poesia!
O texto está ali, te dizendo alguma coisa, o que importa se a blusa dele é vermelha ou amarela?
Saí de lá enojada.

Para mim, existe texto bom e existe texto ruim.
Bem assim, sem mais.
E eles estão na internet, no jornal, na revista, no livro, na parede do viaduto.
Existe merda sendo publicada em blog?
Ô, se existe.
Mas também existem merdas sendo publicadas em jornais, em revistas, em livros, em paredes de viadutos.
Claro que, diferentemente dos jornais, revistas, livros e paredes de viadutos, escrever em um blog não depende da aprovação de editores, anunciantes, políticos, muito menos da publicidade.
Ali o território é livre.
E talvez por isso mesmo haja esta vontade tão desesperada em rotular tudo que vem dos blogs como qualquer coisa com pouca qualidade: é medo.
Sim, medo.
A maior força de uma nação está na medida da liberdade que possui para expressar sua opinião. Por mais que tenha gente cheia de opiniões duvidosas, é fantástico elas poderem tê-las, e terem um espaço onde dividi-las com outras pessoas.
Gera debate, que gera troca de idéias, que gera aprendizado, que gera evolução.
Gente que nunca leu nada em sua vida, lê blog.
Até tem um blog.
E no meio de tudo isso, surge muita, mas muita coisa boa.
Textos com qualidades que não encontramos em muitos livros, de muitos catálogos de muitas grandes editoras.
E estão ali, de graça, ao alcance de um click.
Começou a ler e não gostou?
Fecha a janela.
Não é como quando você compra um livro por 30 reais e, depois da décima página, não sabe se limpa a bunda ou faz fogo na lareira com o maldito.

Enfim.
Existe um movimento de blog.
E podem reclamar e ter chiliques quem não gostar. É fato.
Agora, além deste movimento pró-liberdade editorial, os blogs não promovem uma nova categoria de literatura.
Se o texto for bom, ele pode até estar impresso em um rolo de papel higiênico.
Usado.

Ao invés de ficarem analisando a embalagem, abram logo o presente, meu povo!
E não percam mais tempo misturando o que não se pode misturar: literatura é literatura, blog é blog.
Malandro é malandro e mané é mané.