19 janeiro 2009

O Meio-Amigo.

Meio-amigos são piores que inimigos inteiros.
Porque eles estão por ali, sentados na sua mesa, te dando sorrisinhos e tapinhas nas costas, só na tocaia.
Ao contrário de um inimigo, você não sabe o que virá de um meio-amigo.
Poderão vir alguns abracinhos, alguns elogios, algumas cervejas, mas não se surpreenda quando vier uma punhalada, uma traição, uma mentira.
De um meio-amigo, dá para se esperar qualquer coisa.
Até mesmo nada.

O meio-amigo erra mais pelo que deixa de fazer do que pelo que faz.
Ele é interesseiro, afetado, teatral.
Gosta de dizer coisas bonitas, te chamar de irmão e fazer longos discursos sobre amizade e lealdade.
No entanto, faz questão de criar entre vocês um oceano imenso, nada pacífico, que você não compreende mas sabe que está ali.
Você não consegue explicar exatamente porque, mas não confia plenamente em seu meio-amigo.
Mesmo quando ainda não sabe que ele é meio.
Para pessoas vaidosas ou pouco sensíveis, os meio-amigos são ainda mais ameaçadores.

Como quase todo mundo que conheço, eu tenho mais meio-amigos do que inimigos e amigos inteiros.
Aliás, amigos inteiros são mais difíceis de encontrar do que poços de petróleo no quintal de casa.
Mas este post não é sobre os inteiros, é sobre os meios, as metades, os mais ou menos.
Estes meio-amigos geralmente querem de você muitas coisas, mas nada dão em troca.
São amigos na teoria; na prática nem aparecem.

Meio-amigos são perigosos: com aquele jeitinho sonso, de quem-não-quer-nada, vem se achegando, se achegando, falando as coisas que você quer ouvir, te dando presentes e mimos.
Em um primeiro momento, parecem até mais amigos que os amigos inteiros.
Mas não; não se enganem com os meio-amigos, nem acreditem que dois meios farão um inteiro.
Eles não são para casar; servem apenas para se divertir.

Tome cervejas com eles, se quiser.
Ria de suas piadas, se achar conveniente.
Mas na hora que o bicho pegar, saiba que seu meio-amigo não estará aqui.
Porque meio-amigos só participam da metade da vida em que tudo está bem.
E por isso não servem para nada.