25 janeiro 2009

As pessoas deveriam tentar um acordo.

Um acordo que represente entendimento das partes, conciliação, con-cor-dân-cia.
Na maioria das vezes, os dois lados envolvidos precisam ceder. E ceder não significa desistir, baixar a cabeça, dar o braço a torcer: é apenas abrir mão de algumas conveniências em troca de outras.
Mas não!
Todo mundo quer tudo sem dar nada em troca.
O namorado quer a namorada comportada, quietinha, companheira e fiel. No entanto não é comportado, nem quietinho, nem companheiro, muito menos fiel. Exige que ela seja tudo que ele deseja, mas se nega veementemente a lhe devolver o que espera dela receber.
O pai e a mãe querem respeito, e postura, e carinho, e cuidados, mas são incapazes de respeitar seus filhos, e ter por eles postura, carinho e cuidado.
- Você tem que me respeitar, porque eu sou sua mãe!
- E você tem que me respeitar, porque eu sou o seu filho!
O dono da outra loja reclama dos preços quando vem na sua loja, mas quando você vai à dele, não se mostra nem um pouquinho disposto a te dar o desconto que ele tanto pediu.
O sujeito reclama que seu amigo nunca vem lhe visitar, mas ele, também, nunca vai visitar seu amigo.
A vizinha de cima reclama quando você escuta música alta. E reclama quando seus amigos vão na sua casa. E reclama quando você resolve fazer uma vitamina no liquidificador. E reclama, e reclama, e reclama. Mas em nenhum momento pensa duas vezes antes de gritar com seu namorado às 7 da manhã. Pouco liga se o fato dela arrastar os móveis o tempo inteiro me irrita ou não. Não está nem se importando quando bate a toalha da mesa cheia de migalhas de pão na minha janela.
Ela quer de mim respeito e consideração.
Mas em troca não está disposta a me devolver nada.

Estes foram apenas alguns exemplos, mas o mundo está cheio deles.
Cheio de gente egoísta e megalomaníaca, que realmente acredita que merece tudo de pessoas para as quais nunca dão nada.
E quando você responde na mesma moeda, ainda tem a cara de pau de se darem por muitíssimo ofendidas.
Isso para mim é egoísmo puro e genuíno.
O pior, entre todas as formas de egoísmo que o homem foi capaz de desenvolver.
Não dividir seu chocolate é um direito que você tem; mas daí a ficar furioso quando o outro não quiser dividir o chocolate dele com você, beira a canalhice.

E eu me pergunto: será que essas pessoas não sabem mesmo o que estão fazendo, ou sabem, mas continuam, porque assim é mais conveniente?
Precisamos entrar em um acordo.
Precisamos ceder, mas também precisamos que o outro ceda.
Pois se continuarmos assim, vivendo em nossas ilhas, cheios de reivindicações e sem nenhuma disposição para ouvir as reivindicações do outro, nem ele, nem eu, nem você, ganhará um pedaço desta barra de chocolate.
E acabaremos mortos.
De fome.