30 dezembro 2008

A grama do vizinho é mais verde que a sua?

Então olhe com atenção.
Se aproxime da cerca que separa seus quintais e observe atentamente.
Mais perto, mais perto.
Está vendo ali, ao lado da árvore, as ervas daninhas?
Está vendo aquele formigueiro destruindo o roseiral?
Está vendo aquelas folhas secas? Pelo visto a folhagem morreu.

Desista, cherry: de perto, ninguém é normal, nem perfeito, nem cem por cento feliz.

E isto não é, em absoluto, uma constatação pessimista ou triste.
Pelo contrário.
Gostamos muito de olhar para os outros imaginando o quanto eles são mais felizes do que nós.
O quanto possuem mais dinheiro que nós.
O quanto estão mais equilibrados e harmoniosos que nós.
O quanto o casamento da vizinha é mais feliz e realizado que o nosso.
Pois eu tenho uma novidade: não, eles não são mais felizes, nem mais ricos nem mais realizados que você ou eu.
E da mesma maneira que os observamos, e pensamos no quanto são privilegiados - enquanto nós estamos na merda - eles também olham para nossa grama e pensam o quanto ela é mais verde e mais bonita que as suas.
Se pudéssemos entrar nas casas e nas vidas das pessoas que costumamos invejar, perceberíamos que todas elas peidam, e brigam, e contam moedas para economizar.
Perceberíamos que, aquilo que mostramos para os outros, é aquilo que desejamos que os outros pensem de nós. Não necessariamente a realidade.
E se nem tudo que pensam sobre você é verdade, porque tudo o que você pensa sobre os outros seria?

Todos nós observamos e somos, constantemente, observados.
Na maioria das vezes, erroneamente.

Quando eu era bem pequena (mas bem pequena mesmo, algo em torno dos 2 anos de idade) meus pais eram donos de uma rede de supermercados e éramos considerados pelas pessoas ricos. Vivíamos em uma casa grande, com uma piscina grande e tínhamos um carro grande. Todo mundo olhava para a nossa família e pensava: nossa, que lindos, que felizes, que inveja! Um casal simpático, uma filha simpática, dinheiro no bolso e saúde para dar e vender.
Isso por fora.
Quem entrava pela porta da pequena mansão onde meus pais habitavam descobria rapidamente que nem tudo o que reluzia era ouro.
Minha mãe, nesta época, era alcoólatra. Meu pai, que nunca bebeu e nem fumou na vida, de saco cheio da esposa pinguça, tratou de arrumar uma amante.
Isso parece a descrição de uma família feliz?
Não, e nem era para ser.
Mas todo mundo achava que sim, incluindo pessoas muito próximas.
Então minha mãe descobriu a traição, se separou de meu pai e parou de beber.
A rede de supermercados faliu. Quebrou. Se encheu de dívidas e fechou as portas.
Agora, quem olhava para nós pensava: ora, coitados.Ledo engano.
Enquanto todo mundo cantava nossa tragédia, nossa família começava a se reconstruir para ser feliz de verdade.
Minha mãe largou a vódega para cuidar de mim. Não bebia mais nem uma gota. Meu pai, aos pouquinhos, foi se reaproximando e a vida foi se refazendo depois da tempestade. Gradativamente, tudo voltou para o seu devido lugar.
Só que desta vez sem mansões nem nada palpável para os olhos alheios.

Reparem que, enquanto as pessoas gostavam de nos invejar, nós vivíamos uma vida muito da porcaria. E depois, quando todo mundo só sabia morrer de pena, era o momento em que estávamos mais felizes, mais sólidos e mais próximos.
De perto, nada é o que parece ser.
Todas as pessoas deste mundo enfrentam medos, dificuldades, confusões.
E por mais que disfarcem, e representem, e maquiem seus problemas, lá, dentro das quatro paredes, a verdade aparece - sequer se esconde.
Mesmo que você não possa ver, porque as janelas dos outros estarão sempre (e propositadamente) fechadas.

De perto, não somos nem felizes nem infelizes.
Nem normais nem anormais.
De perto somos todos iguais.
E se você duvida, aproxime-se das cercas que separam os quintais.

29 dezembro 2008

Carpinteiro do universo

Escrevi quatro páginas falando sobre porque-eu-gosto-e-porque-eu-acho-que-todas-as-pessoas-deste-mundo-deveriam-ouvir Raul Seixas.
Quando terminei, li e considerei aquilo tudo inútil.
Não existe como fazer alguém compreender, com meia dúzia de palavras, o que ouvindo ainda não conseguiu.
Por que: ou você entende, ou você não entende.
Ou você já esteve aqui, ou nunca vai estar.

Em um tempo onde eu não escutava ninguém e tinha a certeza absoluta de que nenhuma pessoa neste mundo seria capaz de me compreender (adolescência é um saco) escutei Raul e tive a impressão de que ele havia me compreendido.
Eu tinha 11 anos.
Vocês não imaginam o que Raul Seixas é capaz de fazer com a cabeça de uma menina de 11 anos.
E sabem por quê eu decidi ouví-lo?
Porque, para mim, ele sempre falou de liberdade.
Mas não a liberdade sexual e tola, que a maioria das pessoas se orgulha em possuir e que apenas serve para acorrentá-las ainda mais.
Falo daquela liberdade que você sabe se tem ou não tem de noite, sozinho, deitado na cama.
A liberdade que te liberta daquilo que fizeram de você.
A liberdade de pensar, de se permitir experimentar, de ter a plena consciência que não há como saber sem tentar.
A liberdade que, ao invés de fazer indagar aos outros, faz indagar a si próprio.
Esta que faz buscar deus dentro de cada homem.
Que transforma o egoísmo em algo bom, no momento em que se é capaz de fazer o bem para encontrar o bem que vive dentro de nós.
A liberdade que faz de você o único capaz acabar com essa palhaçada toda.

Eu gosto do Raul.
E o respeito muito.
Foi por causa de suas idéias, transformadas em músicas (mas que poderiam perfeitamente estar retratadas em um quadro, ou em algum livro ou desenho) que consegui, feliz ou infelizmente, ser quem eu sou hoje.
E por mais que eu não tenha dinheiro, nem estabilidade financeira; e por mais que eu queira ser escritora em um país onde os escritores morrem de fome; e por mais que eu tenha milhares de defeitos; eu sou uma pessoa livre.
Graças aos meus pais, é claro, que nunca me podaram, nunca me desrespeitaram. Mas também graças ao Raul, que não permitiu que eu me aprisionasse dentro de minhas pequenas certezas, e passasse (talvez, quem sabe) a vida inteira vagando pelo mundo dentro de uma bolha intacta e velha.
Sim. Raul me deu a mão e me tirou de dentro de um abismo ao qual eu me precipitava.
Um abismo triste e melancólico, onde todos os dias muitas pessoas despencam, hipnotizadas, adoentadas e infelizes, vítimas das próprias mãos.

Apaguei o texto que escrevi sobre porque-eu-gosto-e-porque-eu-acho-que-todas-as-pessoas-deste-mundo-deveriam-ouvir Raul Seixas simplesmente porque não existe jeito de explicar o que Raul fez com a minha vida.
É preciso ouvi-lo e descobrir, por conta própria, o que ele vai fazer com a sua.

É isto o que desejo para todos nós em 2009.
Ouvir mais Raul Seixas e se permitir abrir aquela porta, no fundo daquele corredor.
Aquela que você finge que não está ali.

Que venha 2009. Mas que venha quente, porque nós estaremos fervendo.

26 dezembro 2008

Tópicos mal escritos de natal.

O Rei
Minha mãe, como quase todas as mães deste Brasil, é fã do Roberto Carlos.
Logo eu, que sempre fui fã da minha mãe, acabei virando fã do rei também.
E todo final de ano, no especial de natal, lá estamos nós duas, vidradas na frente da tevê, tomando cerveja, comendo azeitonas e choramingando enquanto ouvimos “... fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você...”.
Pra mim, é sagrado.
Passo o natal sem árvore, sem presente, sem peru, mas sem o Robertão, nem a pau.
É um dos raros clichês natalinos que não abro mão.
O problema é que, apesar da nossa idolatria, Roberto andava meio chato.
Sempre os mesmos convidados, cantando as mesmas músicas, usando as mesmas roupas e homenageando a mesma Maria Rita no final de cada programa.
Mas ontem as coisas mudaram.
Quem viu sabe do que eu estou falando.
Roberto trouxe nomes do rock, da MPB, do samba e até do sertanejo para o palco. Cantou músicas que nunca cantou em especiais de natal, não substituiu “se o bem e o mal existem você pode escolher” por “se o bem e o bem existem você pode escolher”, tomou vinho, sambou com a rainha de bateria da Beija-Flor, trocou o famigerado azul por cores mais fortes e vibrantes, sorriu bastante e, o melhor: não homenageou a falecida.
Até não vejo problema nenhum em homenagear as pessoas que você ama muito e já morreram, mas uma hora precisamos deixar os mortos em paz.
Especulamos muito e concluímos que isso tem cheiro de amor novo.
Tomara.
Nunca é tarde para voltar a ser feliz.

A Barata
Ontem estava morrendo de cansaço.
Minhas pernas doíam, meu fígado pedia trégua, meus pulmões tentavam arduamente manter-se em funcionamento e eu decidi que precisava dormir.
Estava me preparando para o sono dos justos quando, de trás da escrivaninha do meu quarto, saiu uma barata.
Não, uma barata não!
Um monstro gigante, nojento, gordo, asqueroso, cascudo e, como se não bastasse, voador.
E atrás dela veio outra, tão gigante, nojenta, gorda, asquerosa, cascuda e voadora quanto a primeira.
Então, a mulherzinha que vive dentro de mim se manifestou e eu tive um ataque.
Disse que não dormiria no quarto dejeitonenhum, pelo menos enquanto não matassem aqueles dois monstros cascudos.
Cavanhas, como o bom marido que é, me defendeu das nojentinhas voadoras e as estraçalhou com um matador de moscas. Porém eu já havia me dado conta de que, se haviam duas, certamente haveria outras duzentas escondidas pelas frestas e por todos os cantos.
Dormi com o cobertor até o nariz e a luz acesa, me sentindo pateticamente vulnerável a um ser que não deveria pesar mais de um grama.
Prefiro encarar um tiranossauro rex do que uma barata.
E é terrível saber que milhares delas devem estar escondidas, neste exato momento, nas fendas, atrás dos armários, dos quadros, dentro de caixas, em qualquer lugar, e ao menor descuido sairão das trevas para atormentar cidadãos pagadores de impostos como eu.
Agora mesmo, enquanto escrevo este texto, não tiro os olhos das paredes, do chão, de todos os lados.
Não suporto baratas.
Suporto tudo, menos baratas.
E pensar que se a bomba atômica explodir apenas elas restarão.
Ai, ai.

O Gato Orelhudo
A noite do dia 24 teve muita cerveja e poucas pessoas.
Nada melhor.
Enchi a cara, assisti dvds, joguei conversa fora e, às 3 e meia da manhã, estiquei meu corpinho bêbado na cama e adormeci, pensando que nada me faria levantar antes das 11 da manhã.
Acordei às 8 e meia com miados na minha janela.
Levantei, espiei pela fresta e detectei a presença de um mini-gatinho, que fora abandonado impiedosamente no meu quintal.
Chamei meu pai e catamos o bichano que, aliás, é o bichano mais feio, mais magro e mais orelhudo que já vi na minha vida.
Pobrezinho.
Envolvidos pelo espírito natalino e seguindo a tradição de nossa família de acolher animais feios, doentes, aleijados e excluídos em geral, carregamos o animalzinho – que não tem mais que dez centímetros, sendo 7 só de orelhas - para dentro de casa.
Por sorte, encontramos um lar e um novo dono para o pequerrucho, pois aqui em casa ele iria se sentir hostilizado pelo nosso cachorro ancião, nossa gata que pensa que é a rainha da cocada preta e nosso gato com deficiência visual.
Sabe como é: eles são muito carentes e temperamentais.

A Piscininha
Depois de vários dias de um calor escaldante, axilas suadas, mau humor, falta de ar e manifestação de todas as formas de alergias possíveis, resolvi montar minha pobre, porém limpinha, piscininha de 3 mil litros.
Comprei há uns três anos atrás, numa tentativa desesperada de não morrer de calor.
Enquanto a piscininha enchia e nós aguardávamos ansiosos para dar o primeiro "mergulho", o céu fechou, nuvens cinzentas apareceram, um vento gelado soprou do oeste e o tempo desabou.
E esfriou.
E eu até coloquei um casaquinho.
Alegria de pobre, definitivamente, dura pouco.

A Vizinha
Estava eu sentada na varanda da casa dos meus pais, tomando um café preto para tentar acordar, quando ouço a vizinha da frente gritar:
- Oi, cortou o cabelo de novo?
Não, eu não havia cortado o cabelo de novo. Mas achei melhor não explicar:
- Sim, cortei.
- Tu ta sempre mudando, né?
- É que eu enjôo muito rápido das coisas. Principalmente da minha cara.
- Ficou bom assim. Tu é tão magrinha, agora teu rosto ficou mais cheinho.
Hã?
Mais cheinho?
Ignorei.
Ela estava longe, do outro lado da rua, e eu deveria apenas estar inchada de tanto dormir e beber.
Bem, pelo menos foi o que pensei na hora.
De tarde, fui no meu avô e minha avó disse:
- Tu deu uma engordadinha né? Ta com as pernas mais grossas, o rosto mais cheinho...
Hã??
- Isso deve ser gravidez, disse meu vô.
Hã???
Rárárá. Como você é espirituoso, vovô. Estou morrendo de rir.
Voltei para casa azeda, deitei na rede, joguei meus pés para o céu e esqueci essa história.
Cheinha é a...#&%@#!
Humpf!

A Justificativa
Quero súper-agradecer aos queridos que me enviaram e-mails, escrépes, cartões, pombos correios e boas vibrações neste final de ano.
Também amo vocês e assim que parar de sentir sono vou responder a todos.
E a cada um.
Beijo na bunda.

20 dezembro 2008

Castração Química

Marina Maggessi é delegada, deputada, Dura na Queda e vítima de abuso sexual.
Como é possível?
Simples.
Quando foi molestada, ela ainda não era delegada, nem deputada, muito menos dura na queda.
Ela tinha cinco anos, e durante dois precisou agüentar as investidas e a violência de um tio paterno.
O tempo passou, Marina cresceu e virou uma mulher porreta e corajosa que, no dia 27 de novembro deste ano, apresentou um projeto de lei para a castração química de pedófilos e estupradores reincidentes.
Ou seja: o sujeito cometeu o crime, foi para a cadeia, cumpriu a pena, saiu e cometeu o mesmo crime mais uma vez?
Castra.
Não encontrei na internet como, exatamente, funcionaria esta castração, mas deve ser uma injeçãozinha ali, no bilau do sujeito, e pronto! Não endurece mais porra nenhuma - com o perdão do trocadilho.
E tarado sem pau duro é a mesma coisa que abelha sem ferrão: não oferece mais perigo para ninguém.
E digo mais: aposto que esta estirpe de criminosos covardes (desprezada até mesmo pelos próprios bandidos) irá pensar duas vezes antes de sair por aí molestando criancinhas e mulheres.

Infelizmente, o projeto de Marina é ainda um projeto.
Até ser aprovado e virar lei, ela provavelmente enfrentará os milhares de xaropes dos Direitos Humanos e seus asseclas, que dirão que a pena é desumana e cruel e blábláblá, e se apegarão com unhas, dentes e desespero ao inciso III do art. 5º que diz: ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Então será necessário desenhar até que entendam que a castração apenas será aplicada a criminosos re-in-ci-den-tes, isto é: que estão cometendo o crime pela segunda, terceira ou décima nona vez.

A castração química já está em pleno vigor em países como Suécia, Itália, Dinamarca, Alemanha e Estados Unidos (vigente na Califórnia, Montana e Texas, e ainda em discussão na Flórida).
Na Inglaterra, em junho de 2006, foi anunciado um plano para o aumento no número de casos tratados com inibidores sexuais.
Na França, o presidente Sarkozy anunciou sua aprovação à idéia de inserir a castração química como sanção penal nos crimes praticados por pedófilos.

É uma pena que o Brasil adore proteger o bandido.
Não defende o cidadão, defende o criminoso.
Alguns vão dizer: é cruel castrar um sujeito.
É sim, muito cruel, e tem mais é que ser, que é para não se meterem mais a besta com ninguém indefeso.
Porque, penso eu, cruel mesmo é transar com crianças de cinco anos.
Cruel mesmo é ser violentada.
Cruel mesmo é passar anos sofrendo abusos, que vão desde físicos até psicológicos.
Cruel mesmo é ter de conviver, eternamente, com as lembranças de um crime que não terminou quando o filho-da-puta do estuprador gozou.

E se vocês querem saber, eu tô é cagando e andando se é cruel para os estupradores.
Apenas se preocupa com o bandido quem ainda não foi vítima de nenhum deles.
Se, por exemplo, você acha isso tudo bárbaro e todas aquelas baboseiras humanistas idiotas, espere até ter um filho violado.
Vai ver o quanto esta medida é justa, muita justa.
Justíssima.

Para nossa sorte, quem está mexendo os pauzinhos para que este projeto vire lei, é Marina.
A delegada, a deputada dura na queda.
Uma brasileira que não tem os ranços tipicamente brasileiros, como este, de morrer de pena de criminosos.
Disse ela:
“Há quem se insurja contra a idéia, valendo-se do texto constitucional que veda penas cruéis. Entretanto, é antigo entre os acadêmicos do Direito que os direitos fundamentais não têm valor absoluto. Citemos, por exemplo, o clássico caso em que à polícia é dado o direito de matar o seqüestrador que mantém sob sua mira uma vítima. Analogicamente, em se tratando de um direito do preso à incolumidade física há, em contrapartida, a segurança de mulheres e crianças, em geral, vítimas de crimes sexuais. A pedofilia hoje veste terno e gravata; ela está na igreja; está nos pastores, nos pediatras, nos políticos e nos coronéis. A pedofilia está em todas as mentes que olham para uma criança e conseguem ver nela algo a ser explorado sexualmente. Por isso, 18 anos, 30 anos de reclusão é muito pouco para alguém que, ao sair da prisão, vai reincidir.”Tô contigo Marina.
E não abro de jeito nenhum.

Campanha: Desacelera.

Por uma vida com menos pontos de exclamação.
Leia aqui.

Muak.

19 dezembro 2008

Estou, oficialmente, sabotando as festas de final de ano ocidentais judaico-cristãs.

Sim, me rebelei.
Obviamente, isto não significa que ficarei em casa assistindo na tevê as aventuras de Mary Poppins, mas simplesmente me recuso a trocar presentes, pendurar guirlandas, montar pinheirinhos e tomar champagne comendo uvas e fazendo pedidos idiotas.
Francamente.
Esta época do ano é um festival de massacre a criatividade.
Sempre a mesma história, as mesmas propagandas com famílias estupidamente felizes, os mesmos enfeites, as mesmas conversas fajutas, os mesmos posts em blogues falando sobre o assunto (ops) e o maldito, odioso e absolutamente desprezível amigo-secreto.
É a ode ao clichê.

Juro que não estou aqui para protestar contra os porcos-capitalistas, nem para reclamar sobre o que fizeram com uma data que deveria ser, catolicamente falando, a celebração do nascimento de um tal de Jesus.
Reclamo e protesto, e muito, contra esta mesma e famigerada ladainha de fim de ano.
Protesto contra a publicidade sem noção, desesperada para arrancar os trocados amassados do décimo terceiro do trabalhador.
Protesto contra esta robotização massiva que leva as pessoas a fazerem coisas sem sequer se perguntar para que, por que e por quem.
Protesto contra meu querido e detestável povo brasileiro, hipnoticamente faceiro, gastando suas últimas moedinhas em bolinhas para a árvore de natal, convictos de que tudo faz muito sentido.
E dá-lhe panetones, frutas cristalizadas, perus, lembrancinhas, cartões, promoções imperdíveis.
Saco.

Mania de nos apegarmos a besteiras enquanto as coisas importantes passam desapercebidas.
Não adianta enfeitar a casa no natal se, durante o ano inteiro, sua casa é triste e vazia.
Não adianta dar presentes, se você passa o resto do tempo sem dar nada a ninguém.
Não adianta mandar cartões cheios de mensagens sobre paz e fraternidade, se você é incapaz de transformar a teoria em prática.
Não adianta pendurar luzinhas piscantes na varanda, se em volta de você nunca existe nenhuma luz.

Por isso, não vou fazer um post especial de natal e final de ano.
E o que deixo escrito aqui, para vocês, é o que lhes desejo no natal, no final do ano, no carnaval, na páscoa, no dia dos pais, e em todos os outros dias, com ou sem feriados, com ou sem comemorações, com ou sem este bundalelê consumista:
Espero, do fundo do meu coraçãozinho juvenil, que vocês possam ter a sorte e o privilégio de passar a noite do dia 24 – e, principalmente, todas as outras noites do ano - perto de pessoas que vocês honestamente gostem.
E que possam viver seus dias sem ter que representar nenhum papel - porque, depois de saúde, não existe nada mais importante do que isso.
Desejo que arranquem esta porcaria de guirlanda - que mais parece uma coroa de defunto - da porta da frente e tratem de lembrar que, para as noites serem realmente noites felizes, não adianta nada gastar um dinheiro que vocês não têm naquela loja de cacarecos, nem adianta comprar uma roupa nova para a virada do ano, nem adianta pular as sete ondas.
Desejo que todas as pessoas deste mundo possam, de fato, ouvir um sino pequenino vindo de Belém, e que descubram o que, afinal de contas, estão comemorando.
Porque a maioria de nós, nem sabe.
Tin-Tin.

15 dezembro 2008

Pobres-vítimas.

A gente colhe o que planta.
Impressionante como é sempre necessário repetir este bordão, tão óbvio.
Não sei qual parte as pessoas não entendem, ou se realmente não sabem o que estão plantando.
Por exemplo: eu fumo.
Desde os 14 anos. E por mais que pense em um-dia-parar, a verdade é que isto não está, por hora, nos meus planos. Ao menos não de verdade.
No entanto, se daqui um tempo o cigarro me causar alguma moléstia, vou ter que ficar bem caladinha agüentando, pois afinal havia a opção de não fumar – e eu escolhi a outra.
Eu escolhi.
Você escolheu.
Eles escolheram.
E estas escolhas nos levaram por uma determinada direção, que nem sempre foi acertada. Logo, sentar no meio de um caminho errado e ficar ali, se lamuriando pela escolha torta, não é das atitudes mais sensatas e inteligentes, vamos convir.
Porque ou você agüenta no osso do peito, ou então não paga para ver.

O sujeito que decide vender drogas precisa saber, de antemão, que corre consideráveis riscos de ir parar na cadeia.
Aquele que transou sem camisinha deverá ter consciência que, se vier um filho ou arrecadar uma doença nojenta sexualmente transmissível, a responsabilidades e as conseqüências serão somente suas.
A garotinha que quer dar para o namorado da melhor amiga que dê, mas fique sabendo que se a outra descobrir e te chamar de puta e te der um soco na cara, não adianta chorar.
O cidadão que planta uvas terá que ser muito idiota para pensar que irá colher bergamotas.
A teoria é tão simples que assusta.

É bem verdade que as pessoas também adoram tirar o corpo fora. Se posicionam diante da vida e seus problemas e suas colheitas como pobres-vítimas, e ao invés de arcar com as conseqüências de seus erros de peito aberto e cabeça erguida (transformando os sofrimentos em lições, ao invés de traumas) fazem exatamente o contrário.
Isso é andar pra trás – o que é uma ode à estupidez, tendo em vista que até um cachorro é capaz de aprender a não cagar no tapete quando o dono esfrega seu focinho na merda.

Acontece que a comodidade de ser uma pobre-vítima atrai muitos.
É bem mais fácil ficar sentado se convencendo de sua má sorte do que fazer qualquer coisa, do que tomar qualquer atitude.
E dá-lhe lamúrias, e lamentos, e dramas, e chororós.
Todo mundo ali, parado, chorando pelo leite derramado ao invés de tratar de secar o chão.
Não sei vocês, mas eu cansei das pobres-vítimas. Com travessão, itálico e tudo.
Simplesmente não sou mais capaz de me apiedar delas.
Elas são egoístas, melodramáticas, afetadas.
Reparem: quem realmente tem motivos para estar jogado em uma cama se entupindo de tarjas pretas, geralmente não está. Apenas as pobres-vítimas ficam no caminho, cantando sua canção repetitiva e desafinada de infelicidade eterna.
Não podemos cair na conversa delas, e muitíssimo menos nos juntar a elas.
Não podemos nos comportar como o adolescente de 16 anos que se considera homem o suficiente para dirigir e trepar, mas na hora de trabalhar e assumir qualquer responsabilidade, se acha uma criancinha indefesa.
Precisamos nos livrar da mocinha-tonta-de-novela-das-oito que existe em nós e seguir em frente.
Para frente.
E quem não quiser que fique aí.

11 dezembro 2008

The books on the table.

Sempre fui péssima em inglês.
Juntamente com matemática e química, ele nunca me atraiu ou agradou.
Pelo contrário.
Muito pelo contrário.
Até na faculdade, quando cursava o último semestre e estava ocupada com teses e projetos experimentais, quase fiquei no meio do caminho por causa de uma matéria de nome Inglês 2.
O básico do básico.
Todo mundo preocupado com a apresentação da monografia e eu desesperada por causa de um inglês para crianças.
Só consegui o diploma porque me amiguei com a professora e lhe paguei propina através de serviços prestados.
Mas isso já é outra história.
O fato é que o mundo dá voltas e adivinhem o que me aconteceu?
Rárárá.
Exatamente.
Tive um de meus poemas traduzidos justamente para o inglês, e o que se chamava O Baile se transformou em The Ballroom.
The Ballroom.

Que lindo.
Tô pobre mas tô globalizada.
Ié, ié.
Cliquem aqui e leiam.
Ou tentem ler.
Ou apenas olhem o texto como um todo – como eu estou fazendo – e fiquem ali, só curtindo.
O original – em nossa adorável língua pátria – pode ser lido aqui.

Eu não disse, professora Rita?
O importante não é saber.
É ter o e-mail de quem sabe.
Valeu Zan!

10 dezembro 2008

Já disse uma vez:

Apesar de não parecer, sou uma pessoa muito tolerante.
Quero dizer, eu me esforço horrores para ser o mais tolerante que minha persistência for capaz.
Obviamente que tentar nem sempre significa conseguir, e o que relato logo abaixo é, sem dúvidas, uma coisa que me faz descer dos tamancos – que sequer uso.

Pois bem.
Todos aqui sabem que o planeta está ferrado.
Como todo mundo também sabe que os maiores poluidores não estão muito interessados em colaborar.
No entanto, se as pessoas (isto é, eu e você) fizessem a sua microscópica parte, reverteríamos consideravelmente a situação ao nosso favor.
Isso é fato.
Mas, ao invés de fazer o mínimo, o que vemos e fazemos por aí?
Banho de duas horas. Torneira aberta enquanto se lava a louça, a roupa, enquanto se escova os dentes. Luzes acesas o tempo todo, geladeiras velhas, torneiras pingando.
Desperdício.
Desperdício.
Desperdício.
E o ponto – o pivô da manifestação da minha intolerância – é que as pessoas que conheço, que esquecem torneiras abertas e luzes acesas, são pessoas tecnicamente bem esclarecidas, formadas, estudiosas, intelectuais e blábláblá.
Não é um pobre-coitado que diz “dá uma moeda tio”.
É um sujeito que lê um monte livros, faz um monte de cursos, estuda até virar um asno e, às vezes – GLUP! – dá aulas.
Isso, para mim, é o exemplo clássico da burrice.
E - é importante frisar - existe uma diferença imensa entre o burro e o ignorante.
O ignorante é o cara que nunca quis ou teve chance de estudar, e mal e mal sabe assinar o nome.
Mas o burro?
O burro não!
Estudou, se formou, trabalhou, estudou, se informou, estudou, trabalhou, estudou.
E sabem no que deu?
Em nada.
Não serviu para absolutamente nada.
Poderia ter parado na segunda série que daria na mesma.
Isto é, sabem que o mundo está fodido, fazem discursos sobre causas ambientais, acessam o site da Globo, denunciam uma queimada e vão dormir em paz.

Então pessoal, não me obriguem a desenhar:
Tentem não jogar fora tanta água, tanta energia, tantos papéis.
Parem de achar que vocês não têm nada a ver com isso.
Não precisam se afiliar ao Greenpeace e invadir navios pesqueiros clandestinos, basta que desliguem a luz, consertem a geladeira, dêem um jeito naquela maldita torneira pingando.

E também me desculpem o mau jeito.
Mas se intolerância é defeito, demagogia, para mim, deveria ser crime.

09 dezembro 2008

Porque você não adota uma criança?

Texto inédito da Jana aqui.

Aliás, aproveito para relembrar, a quem puder interessar, que continuamos recebendo material para avaliação do site 3:AM Magazine.

3:AM Magazine?
Sim, um site natural do Reino Unido, bem bacana, que está no ar há mais de 7 anos.
Sua versão em português estreou faz pouco mais de um ano, mas já dizendo a que veio.

Que tipos de textos posso enviar?
Qualquer um, desde que seja bom e seja seu.
Vale conto, crônica, prosa, poesia, letra de música, palpite, frase de impacto, resenhas, artigos e três pontinhos.

Existe alguma regra para a formatação dos textos?
Não.
Nada de regras.
Odiamos regras.

Meu texto vai ser traduzido para a língua dos gringos?
Tem chance.

Para qual e-mail eu mando?
Este: 3am.jana@gmail.com

Vou ganhar dinheiro?
Rárárá.
Óbvio que não.

E o que você, Janaína Lauxen, tem a ver com isso?
Juntamente com o querido e colorado Beto Canales, sou editora do site.
Rá.

Espero seus textos na minha caixa de e-mails.
Combinados?

08 dezembro 2008

O Bar.

Se existe um lugar honesto nessa vida, esse lugar é o bar.
Nas ruas, no trabalho, no supermercado, todas as pessoas parecem iguais, andando iguais, pensando iguais, olhando para os lados antes de atravessar a avenida iguais.
Todos nós, iguais a robozinhos comandados por um invisível controle remoto chamado sistema.
Mas no bar, não.
Ali o cidadão tira suas máscaras, mostra sua cara, solta a franga e manda ver.
Eu adoro.
Ontem mesmo eu estava num bar.
Mas um bar bem bodega, desses onde a cerveja é barata, o banheiro é de higiene duvidosa, os copos são de plástico, o dono é velho conhecido e há uma atmosfera gordurenta no ar.
Estes são os melhores.
Bares metidos a besta não são tão honestos quanto bares gordurentos.

Na mesa ao lado da minha, três homens dividiam três cervejas.
Um deles – o mais bebum, sem dúvidas – dizia ao outro com a sinceridade que somente os bêbados possuem:
- Tu é gente fina, irmão.
Ao que o segundo respondia:
- Também te considero, irmão. Tu sabe, eu te considero.
Enquanto o terceiro, discretamente, tirava um cochilinho - a cabeça pendendo no ar e a boca levemente aberta.
Na mesa à minha frente, dois jovenzinhos com cara de universitários tomavam cerveja e comiam Doritos.
Outros ali adiante discutiam política e economia – como, também, somente os bêbados sabem fazer - e uma mulher comprava hambúrguer e uma porção de fritas.
Aliás, a porção, seja de fritas, peixe ou polenta, é fundamental para a honestidade de um bar gordurento.


Minha dica é buscar uma mesa ao ar livre, ou próxima de uma janela.
Só para observar a vida que continua lá fora, com as pessoas andando para cima e para baixo, com cara de pessoas que andam para cima e para baixo sem saber por quê.
Estar dentro de um bar dá uma sensação de pertencimento a qualquer coisa que não seja o resto do mundo - tão desonesto e pouco gordurento.

Recomendo e apóio.
Procure o seu, peça sua porção, abra seu coração e seja feliz.

Constatação.

- Mas e então? O que você acha disso tudo?
- Eu acho que tem muito sexo e muitas drogas para pouco roquenróu.

Minha voz continua a mesma, mas...

Sim, mudei tudo por aqui.
Pintei as paredes, mudei o sofá de lugar, troquei as cortinas, arrumei uma nova função para a estante e, honestamente, não sei o que esta caixa laranja e suspeita faz aí do lado.
Se eu tiver sorte, conseguirei removê-la dali; se não, teremos que conviver com ela pacificamente.
Não sei o que vocês acharam deste template, mas eu simpatizei.
O que não significa nada, absolutamente.

Por isso, ignorem eventuais esquisitices que poderão encontrar por aqui, nos próximos dias.
Ainda estou me adaptando.

Beijo meu.

Post pós-post: acabo de descobrir para que serve aquela caixa laranja ali. Funciona assim: você coloca uma palavra chave, e um sistema ultra-mega-sofisticado busca no meu blogue onde tal palavra aparece.
Genial hã?
Viva Bill.

07 dezembro 2008

Querêncio.

A Taverna Filosófica é uma comunidade do Orkú bacana pra caramba, onde o pessoal pode divagar a vontade, postar textos, participar de concursos e – acreditem – até ganhar uns troquinhos.
E os taverneiros criaram também um blogue, onde postam vários textos produzidos pelo pessoal da comunidade.
E Querêncio, meu filhote mais infanto-juvenil, está lá.
Confiram, sim?

05 dezembro 2008

Fico aqui,

sentada nesse banquinho, pensando o que esta senhora chamada Vida espera de mim.
Porque fica parada ali na porta, me olhando com essa expressão de quem não tem expressão alguma.
Fico aqui pensando o que eu espero de mim, e o que meus outros eus esperam deste eu, que está aqui, sentado nesse banquinho.
Penso em que inseto, afinal, se metamorfoseou Gregor Samsa e no que existe depois daquela porta, no fundo daquele corredor, o que me espera no dia depois do dia de amanhã.
Terei culhão para agüentar, quando vier, e terei culhão para agüentar, caso nunca venha?
As pessoas me enlouquecem, e eu sou a pessoa que mais me enlouquece.
Fico o dia inteiro pensando sobre coisas que não interessam quando o aluguel está para vencer, quando idiotas pervertidos vendem livros e pessoas bacanas passam fome.
Falta inspiração, mas a que existe já é suficiente para me afogar.
E nadando no meio desta poça de inspiração, eu perco o fôlego, me canso.
Afundo.
Bóio que nem merda.

Escrevi dois textos hoje, e ambos ficaram um porre.
Este é um deles.
Nem tudo dá certo quando coisa nenhuma é certa.
Queria morar numa cidade grande, e andar pelas ruas me sentindo um número nas estatísticas, esbarrando em outros números de estatísticas que pouco estão se lixando para mim ou para qualquer outra coisa.
Mas também quero morar numa cidade pequenina e gostosinha, onde o padeiro e o jornaleiro e a dona do botequim me conheçam, me respeitem, me adorem e me considerem genial.
Queria conversar com as pessoas, e conhecê-las, mas quero que elas me esqueçam, e o número do meu telefone, e a rua onde eu moro.
- Onde eu te encontro?
- Você não me encontra. Simples assim.
Queria viver do mesmo jeito que Deus criou a mandioca, e queria poder escrever sobre cú sem parecer uma adolescente idiota que leu Bukowski e se deslumbrou.

Banquinho desconfortável esse aqui.
Senhora indiscreta aquela ali, parada na porta com expressão de quem não tem expressão alguma.
Perguntar demais nunca foi muito inteligente.
O que será que eu penso de mim?

04 dezembro 2008

Vermelho.

Que me desculpe os gremistas.
Que me desculpe quem não tem nada a ver com isso.
Que me desculpe quem odeia futebol, e também quem pensa que ele serve apenas para distrair o povo de coisas mais sérias.
Que me perdoem todos aqueles que não concordarem comigo.
Mas agora são exatamente uma e cinco da manhã, e meu time querido, do coração, salve, salve Sport Clube Internacional, acaba de conseguir uma façanha.
Não!
Mais do que isso: uma TREMENDA façanha.
Depois de um jogo corrido, sofrido, angustiante.
Depois de eternos 120 minutos.
Eu disse CENTO E VINTE MINUTOS!
Isso é uma vida.
Bactérias e insetos nascem e morrem em 120 minutos.
E aquele maldito gol dos hermanos, ÓH Deus! o que foi aquele gol?
O desespero embaralhando o raciocínio, a sensação de derrota silenciando o Beira-Rio, a vantagem indo ralo abaixo, e ainda por cima o Galvão Bueno, que apenas sendo o Galvão Bueno já é capaz de enlouquecer qualquer santo homem.
E nada do gol colorado.
Nada!
Nem unzinho só.
Não infartei porque não sofro do coração.

Logo, o fim do tempo normal de jogo.
Empate.
Pênaltis? Ora, poderia ser pior. Talvez não seja indolor, mas ao menos será rápido, pensei. Ao menos essa agonia exorbitante desaparece daqui.
Que nada!
Descubro, em franco desespero, que o jogo vai para a prorrogação, ou seja: serão MAIS trinta minutos.
TRINTA MINUTOS!
Isso é uma vida.
Bactérias e insetos nascem e morrem em trinta minutos.
Desliguei a tevê, caminhei pela casa, acessei a internéte, conversei algumas amenidades, tudo para tentar não pensar que o pior estava por acontecer.
Morrer na praia, com vantagem e tudo?
Trinta minutos, um gol.
E em casa! Em NOSSA casa!
Não, não.
Não!
E então, quando já fumava meu nonagésimo sétimo cigarro e sentia meu estômago se transformar em oito, os gritos.
Hesitei, num primeiro momento.
Quem mora aqui no Rio Grande do Sul sabe do que estou falando. Quando o Inter tomou o primeiro gol, a comemoração dos gremistas foi digna de me fazer pensar que o gol era nosso.
Naquela hora, não era.
Mas agora foi.
Histeria, tremelique, até me engasguei.
Faltavam seis minutos para o final da prorrogação.
SEIS!
Isso é uma vida.
Bactérias e insetos nascem e morrem em seis minutos.
Um gol dos argentinos e os pênaltis acabariam com meu coraçãozinho sofrido.
Rezei.
Fiz promessa.
Contei carneirinhos.
Tremeliquei mais um pouco e, quando vi, o tal apito final apitou.
Rárárárá.
Gritos, foquetes, gritos, euforia, gritos, foquetes, euforia, gritos.
Não respeitei meu bom companheiro quando ele advertiu:
- Cara, não berra.
Berrei.
Mas berrei mesmo.
Berrei tudo.
Berrei até extirpar a gastrite que, sem dúvidas, desenvolvi durante aqueles duradouros 120 minutos.
E enquanto escrevo este texto, ainda tenho vontade de berrar.
Ouço a linda e avermelhada passeata lá no centro, e cada buzina parece música para os meus ouvidos.
O Brasil, queridos, é vermelho.

Mesmo que vocês torçam para o Grêmio.
Mesmo que não tenham nada a ver com isso e nem por isso se interessem.
Mesmo que odeiem futebol e o considerem puro e nocivo ópio popular.
Mesmo que não concordem comigo.

Hoje o Brasil é vermelho.
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante.
Vermelhão.
Depois da Libertadores, da Recopa Sul-Americana, do Mundial de Clubes, a Sul-Americana.
Já há quem diga:
- Boca quem mesmo?

Até o Chapolin é Colorado.
Saudações.

02 dezembro 2008

Olá meus queridotes.

Venho, por meio deste, dar algumas explicações.
Não que eu considere prudente dar explicações, mas como vocês ajudam a transformar meus leitores imaginários em leitores reais - e eu gosto muito - acho justo lhes dar uma satisfação.
Acabo de fechar os comentários do meu blogue.
Não porque recebi ofensas nem ameaças, muito menos porque não gosto de ler o que vocês deixam escritos para mim – pelo contrário, adoro.
Foi uma decisão bastante difícil, podem acreditar.
Fui obrigada a tomar tal atitude por causa de um problema muito simples, e que acomete 10 em cada 10 brasileiros nos dias atuais: falta de tempo.
Total, completa e absoluta falta de tempo.
Infelizmente, não estou conseguindo dar a atenção que eu gostaria para o pessoal que passa por aqui e deixa o seu palpite.
Assim, ou eu passo o dia inteiro respondendo os comentários, ou passo o dia inteiro me sentindo aflita porque não estou conseguindo responder os comentários.
Ou, pior: as duas coisas.
Isto estava me deixando realmente péssima.
Gosto de responder a todos, com a atenção e o carinho que cada um merece, e não apenas passar nos blogues e deixar um “oi-obrigada-pela-visita-também-gostei-daqui”, sem nem ler o que o sujeito escreveu.
A verdade é que sou uma baita cú-de-ferro em se tratando de blogues.
Logo, como não estava mais dando conta de visitar a todos e ler todos os textos e deixar comentários decentes, resolvi parar para respirar um pouco.
É uma merda, mas a vida é feita de prioridades, e pagar o aluguel está entre as minhas principais.
Vocês entendem.

Evidentemente, nada disso significa que não comentarei mais nos seus blogues.
Continuarei lá, metendo o bedelho e palpitando.
Dia sim, outro também.
Firme e forte.
Também não significa, de jeito nenhum, que me tornarei uma figura inacessível e blasé.
Isso, jamais!
Para tanto, deixarei disponível, abaixo de cada texto meu – incluindo esse – um e-mail para onde poderão enviar confetes, críticas, xingamentos e convites para festas.
Responderei a todos, sempre.

Espero, do fundo do meu coração, que compreendam meu dilema.
Sou, realmente, uma pessoa confusa e lesada e, ou eu faço uma coisa, ou faço outra.
Ao contrário do que dizem sobre as mulheres, não tenho a brilhante capacidade de fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, dando a devida atenção a cada uma e obtendo, ao final do dia, um resultado satisfatório.
Ou eu caminho, ou eu nado, ou eu vôo.
As três coisas, nem eu nem os patos conseguimos fazer.

Beijo meu, bem grande
E olha o e-mail aqui: janalauxen@ymail.com