29 agosto 2008

Eu tenho uma vizinha.

Uma péssima vizinha, diga-se de passagem.
E como toda péssima vizinha que se preze, ela atormenta a minha vida dia sim, outro também.

Ela tem um namorado, chamado Gustavo, com quem briga o tempo inteiro. Hora é ele gritando com ela; hora é ela gritando com ele. E não são somente os gritos, não! Eles correm pelo apartamento, batem porta, fazem e acontece.
Todos os dias.

Quando não são as brigas idiotas de namoradinhos idiotas, é a bonita batendo a toalha de mesa na janela, enchendo a minha sala e a sala da vizinha do 105 com migalhas de pão e restos de comida.
Ou ainda é a infeliz – que provavelmente tem mania de limpeza, como todas as infelizes – arrastando os móveis diariamente para cá e para lá, provocando na minha casa ruídos indecifráveis.
Isso para não citar as roupas encharcadas que ela estende no varal, que encharcam também as minhas roupas, a minha janela e a minha lavanderia, e a porta do apartamento da cretina, que está estragada e, toda vez que ela abre, a porta arrasta no chão e faz um barulho sem precedentes – detalhe: o namoradinho trabalha de madrugada, e todas as noites, às quatro horas da manhã, lá está a porta ruéééééééééck.
E o cachorro? Ah sim, ela também tem um cachorro. Um cachorro tão sarna quanto a própria, que usa uma coleira barulhenta que arrasta pelo chão o dia inteiro.
Nossa, como eu odeio.

Mas, sabem, tudo isso seria tolerável.
Afinal, vivemos em sociedade, nosso prédio é praticamente um pombal e as coisas são assim mesmo.
O problema maior, o maior de todos, o ó do borogodó é mesmo o gosto musical da miserável.
Tentem adivinhar.
Não, não tentem, vocês jamais conseguirão.
A diaba limpa o apartamento (e, relembrem-se: ela limpa o tal apartamento todo dia) ouvindo Sandy e Júnior.
Sim, acreditem se puderem: Sandy e Júnior.
SANDY E JÚNIOR!
Ela deve ter toda a discografia deles.
E lacra o volume no máximo, no meio da tarde, e lá vou eu de novo, passar horas e horas ouvindo a Sandy berrando e a vizinha berrando em uníssono: se a lenda desta paixão, faz sorrir ou faz chorar...
É melhor ser surdo.

Gente!
Ninguém merece.
Ninguém.
Nunca imaginei na minha vida passar por tormento semelhante.
E olha que eu já tive vizinho chato nessas minhas andanças por aí.
Mas nada – NADA – se compara com essa de agora, que a cada dia consegue me surpreender mais uma vez - e sempre negativamente.

O que vou fazer a respeito?
Minha idéia era basicamente amarrá-la em uma cadeira de cimento e depois lançá-la no mar, tal e qual fizeram Os Cascavelletes com a Jéssica Rose.
Mas é claro, não vou fazer nada disso.
Primeiro porque, ao contrário dela, sou civilizada.
Segundo porque matá-la seria nojento.
Terceiro porque tem gente que incomoda mais depois de morto do que quando ainda está vivo – e vocês sabem.

Por isso, eu e outros moradores do prédio, que também não agüentam mais o casalzinho discutindo no corredor e a Sandy gritando no radinho, resolvemos fazer uma vaquinha para comprar um CD decente para a pobre infeliz.
Só estamos na dúvida se levamos um dos Rolling Stones ou um do Wander Wildner.
É a velha história: diga-me o que escutas que eu te direi quem é.
Tudo nessa vida é uma questão de ouvir as músicas certas.

E agora me dêem licença.
Vou colocar meus fones de ouvido, porque começou tudo outra vez.
Ai, ai.

25 agosto 2008

Andross.

Finalmente chegaram as minhas mãos os exemplares do livro Caminhos do Medo, coletânea de contos de suspense e terror da Andross Editora onde, discretamente, vive uma de minhas histórias, Confesse, Gioconda.
Sei que sou suspeita para falar, mas o livro está um espetáculo.
Desde a capa até a qualidade da edição, dos textos, da epígrafe, tudo está perfeito.

Nem podia ser diferente.
Desde janeiro deste ano, quando tive meu primeiro trabalho publicado pela Andross, já vi que ali a coisa era boa.
Tudo é muito transparente. Os autores acompanham todo o processo de produção e revisão, escolhem as epígrafes, divulgam seus e-mails e suas páginas na internet; isso sem falar no lançamento na Casa das Rosas, em São Paulo, da distribuição nas principais livrarias do país e da participação na Bienal – a maior da América Latina, terceira maior do mundo.
E não é só isso.

O mais bacana, na minha opinião, ainda é a interação que rola entre os autores, cada um vindo de um lugar diferente do país, e poder conhecer seus trabalhos, seus blogues, suas idéias, trocar informações.
Fiz amizades virtuais incríveis, que posso dizer: valeram quase mais que a própria publicação.

Escrevo aqui para agradecer.
À Andross, pela oportunidade, e ao pessoal da comunidade do livro no Orkut, por me divertirem tanto.

E também para avisar aos escritores engavetados deste país que levantem a bunda do lugar e mandem seus textos para o Edson. No momento, pelo que sei, não está rolando nenhuma seleção, mas assim que abrir as inscrições para a próxima antologia eu aviso vocês, óquei?
Vale muito a pena.

(e agora, momento merchandising – porque não é só de literatura que vive um escritor)
Querem comprar o livro?
Eu vendo.
Sim, e baratinho.
Por módicos vinte contos você terá seu exemplar em mãos. E melhor: autografado.
Você também pode comprar no site da Livraria Cultura, da Andross, da Livraria Saraiva, da Livraria do Crime, da Cia dos Livros e das Lojas Americanas. Também na Livraria Cultura de Não-Me-Toque (e antes que me perguntem, sim: isso é uma cidade, existe mesmo e quem nasceu em Não-Me-Toque é não-me-toquense). Mas daí os preços variam e eu não posso garantir o autógrafo.

Tão sem grana mas gostariam muito de ler o livro?
Passem nas Bibliotecas Públicas de Passo Fundo, Carazinho ou Não-Me-Toque.
Lá tem.

Querem participar da comunidade?
Claro! Entra aqui.

Querem conhecer os blógues e sites dos outros autores da Andross?
Ta aqui:
1. Ademir Pascale
2. André Beltrão
3. André L. Pavesi
4. Chico Anes
5. Frodo Oliveira
6. Gabriel Burani
7. Leonardo Grasel
8. Márcio Benjamin
9. Pelvini
10. Priscila Magalhães
11. Raíssa Arlequina
12. Thaís Ribeiro

Querem assistir ao vídeo do lançamento do livro?
Ta aqui.

Querem ler o conto que tive selecionado? Bem aqui.

Querem me convidar para tomar uma cerveja?
Me liguem.

Muak.

22 agosto 2008

Feira do Livro em Não-Me-Toque

E não é que a oficina acabou sendo bem bacana?
O dia amanheceu chovendo, e duas noites antes eu simplesmente não consegui dormir (acho que desenvolvi uma gastrite); mas no final tudo deu certo.
Confesso: nunca me vi tão nervosa. E olha que já me vi N vezes em situações capazes de arrebentar com meus nervos: já apresentei monografia, dei oficina na faculdade, bati boca no meio da rua, mas trabalhar com crianças simplesmente deixou arrepiado até os pêlos do meu nariz.

O que reparei:
Primeiro: é impressionante e absolutamente incrível acompanhar o tamanho da imensa sinceridade de uma criança. No final da última oficina da tarde, a meninada se reuniu em volta de mim, e a gente ficou ali, trocando uma idéia. Quer dizer, eu fiquei esmagada entre todos eles, tentando desesperadamente acompanhar a conversa de cada um, sendo que todos conversavam ao mesmo tempo, cada um falando de assuntos completamente diferentes. E atrás de mim uma espoletinha chamada Juju imitava minhas caras e bocas.
Enquanto uma menina me contava que havia tirado dez em matemática, outra atrás dela olhava para mim e, através de gestos, explicava-me que tudo não passava de lorota. Outra contava uma história, quando inesperadamente era interrompida por uma terceira, que dizia, na lata: ah, cala a boca, tu é muito chata.
Rárárá. Nossa, me diverti muito.
Não demorou nem cinco minutos e toda a minha ansiedade desapareceu. Simplesmente impossível usar qualquer máscara na frente de tanta gente desmascarada.

Então pensei: merda! Logo eles vão crescer e, assim como todos nós, vão perder essa sinceridade genuína e fantástica, que os tornam seres muito maiores e melhores que nós. Não demora, entrarão para o Clube da Hipocrisia, e acabou-se o que era doce. Tem quem diga que, sem a hipocrisia, não existiria a civilização. Será?
Enfim.

Segundo: é igualmente impressionante o papel do professor na formação dos seus alunos. Notei que as turmas mais ativas e mais interessadas, possuem também os professores mais ativos e interessados. A recíproca é verdadeira.

E ainda vai rolar um projeto bacanéééérrimo sobre literatura infantil.
Aguardem.


Ah! É claro que tirei fotos. Bem, não exatamente eu, mas uma professora que preciso localizar para que me envie as ditas-cujas. Daí posto aqui. Sem falta.

Resumo da ópera: conheci pessoas bem legais, revi outras mais legais ainda, curti essa onda com a meninada e agora estou aqui, podre de cansada e dura de adrenalina.
Mas feliz.

Hoje é feriado, é dia da saudade.

Lá se vão 19 anos que a mosca na sopa dos chatos pegou o trem das sete.
Depois de fazer, fuçar e forçar, depois de alugar o país, de rezar para totens e Jesus, de cantar para sua morte.
O Sésamo se abriu, ele só entrou.
Que saudade de tudo o que eu não vivi.


19 agosto 2008

Atenção.

Texto inapropriado para maiores de doze anos.

Querêncio

Dentro do Armário mora um monstro
De cara amarrada e dentes grandes.
Sempre que o menino se deita
O monstro o observa vigilante.

De noite, em silêncio
Matreiro abre a porta
Espia o menino Querêncio
Que dorme de boca torta.

Pé por pé o monstro deixa o armário
Da cama vai se aproximando
E o pobre do Querêncio dorme
Chega a estar ronronando.

O monstro os braços levanta
Preparando o ataque fatal.
Irá devorar o menino
Tal qual um peru em noite de natal.

Porém, ora veja! Que surpresa!
De malvado o monstro só tem o jeito.
Com cuidado cobre o menino
Da ponta dos pés até o peito.

Para o armário o monstro retorna
Sensação de dever cumprido.
Volta para vigiar o sono
De Querêncio, seu amigo querido.

A Bruxa Boa

A bruxa colocava
Dentro do seu caldeirão
Flores, plantas, muitas coisas
Para apimentar sua poção.

Todo mundo tinha medo
Da bruxa e suas bruxarias
Mas uma corajosa menina
Quis saber o que a bruxa tanto fazia.

Bateu na sua porta, curiosa e corajosa.
Perguntou:
- Com licença, dona bruxa, só vim conferir se a senhora
é mesmo assim, tão maldosa.

A bruxa se chamava Ofélia
E ofereceu para ela biscoito, chocolate
um suco de groselha.
A menina, já alimentada, despediu-se animada.
- Voltarei outras vezes, senhora bruxinha, tão educada.


O príncipe sonolento

De noite a lua é rainha
A rua é escura,
A cidade é vazia.
A donzela, em seu quarto, dorme sozinha.

De manhã o sol acorda
Batendo na porta
Do cavalheiro encantado
que não despertou.

De tarde o calor impera
E a pobre donzela
Ainda espera
o príncipe que não chegou.

Sai a primeira estrela
E a lua ligeira
Quer de volta o seu trono
no meio do céu.

O príncipe acorda
assustado, atrasado
Sai correndo apressado
procurar sua princesa.

Mas – que pena – ela oura vez adormeceu.
O sol se recolheu, a janela se fechou.
- Príncipe, e agora, a história acabou?

- Ainda não – ele responde.
Logo a lua vai embora
Logo o dia retorna
Logo a princesa acorda
E tudo acaba feliz para sempre
outra vez.

*

Um passarinho canta triste
Dentro de uma gaiola.
Pode ir, mas fica;
lá fora a vida é muito mais perigosa.

*

O elefante corria assustado
fazendo tremer todo o chão.
- Que foi, Senhor Elefante? Aonde vai tão apressado?
- Vi um rato malvado – responde – em cima do meu colchão.

*

Pelo buraco da fechadura
Dona Carlotinha espionava
O casal de namorados
Que tantos beijos trocava.

*

A pulga
Atrás da orelha
Coça, coça,
Pentelha, pentelha.

15 agosto 2008

.plunct, plact, zum.

Quem me conhece, sabe: não levo o menor jeito com criança.
Com certeza porque não convivo com nenhuma, há bastante tempo.
No entanto, fui convidada para ministrar uma oficina de poesia para turmas de quarta e quinta série, na feira do livro de Não-Me-Toque.
Aceitei, é claro, porque quando se trata de trabalho, eu digo sim antes de saber do que se trata. Mas depois fiquei pensando: porra, como vou dar uma oficina para um bando de crianças???
É claro, me bateu mil inseguranças. E isso é até engraçado, tendo em vista que já trabalhei com universitários e não me senti nem um pouco hesitante, se comparado com agora.
Deve ser porque criança não manda dizer, e se elas não forem com a tua cara, vão deixar isso muito claro para você.

Enfim.
O que quero contar é que, com esta história de oficina, acabei me reaproximando de um universo que até muito pouco tempo atrás era o meu universo. Voltei a ler muita historinha de bruxa, poema, gibis, conto de fadas, tudo na tentativa de apresentar para essa meninada uma oficina realmente bacana.E qual não foi minha surpresa quando me peguei escrevendo poesia para crianças?
Sim, senhoras e senhores, logo eu, agora metida em literatura infantil também.

Óbvio que dou aqui meus primeiros passos.
Mas estou gostando tanto, mas tanto, que sinceramente não pretendo parar mais.
Agora agüentem.


Não há nada mais vermelho
Que duzentas rosas
Refletidas no espelho.
*
Não há nada mais brilhante
Que o diamante
No dedo da cartomante
*
Não há nada mais pesado
Que três elefantes sentados
Comendo amendoim.
*
Não há nada mais transparente
Que a água correndo contente
Pelo rio.
*
Não há nada mais quente
Que o sol incandescente
Na metade do dia.
*
Não há nada mais bela
Que a chama da vela
Dançando para a luz que se apagou.

*

Sim, senhor.
De casaco de bolinha
De calça de listra
De gravata comprida,
Este é o senhor Aníbal Caratinga.

Seu sorriso disfarça
Talvez outros sentimentos
Traz escondido flores
Para a moça em sofrimento.

*

Menina Colorida
Aquela menina ali, parada
Embaixo da luz que brilha
Saberá ela os segredos
De todas as pessoas as pessoas dessa vida?

Espera alguém? Alguém a espera?
O que faz ali parada, tão bela?
Será o príncipe que ela aguarda?
Será o sonho que ela enterra?


*

Cara: adoooro.

14 agosto 2008

Carta ao meu pai.

Querido pai;

Eu sei que algumas coisas nessa vida são óbvias: o céu é azul, o fogo queima, a água molha, um pai sempre vai amar seu filho, um filho sempre vai amar seu pai.
Mas vivendo em um mundo tão maluco como este em que vivemos, considerei prudente lhe enviar esta carta, para lhe dizer o que você já sabe, mas que sempre vale a pena repetir - porque é de verdade.
Domingo passado era o seu dia, não era?
Ao menos foi o que a televisão, cheia de propaganda e publicidade, me disse.
Me apresentaram mil promoções, mil opções de presentes capazes de “demonstrar todo meu amor”, celulares, roupas, coisas “com descontos imperdíveis para fazer seu paizão mais feliz”.
Eu não te dei nenhum presente.
Não aproveitei os descontos imperdíveis para te fazer um paizão mais feliz.
Mas sabe por quê?
Porque essa parafernália toda de dia dos pais, para mim, não vale nada. É somente um dia bobo, onde a maioria das pessoas tenta pincelar com presentes e cartões o amor por seu pai.
Eu não preciso disso, meu amigo querido.
Não, não mesmo.
Porque, a bem da verdade, procuro te presentear todos os dias, e com presentes realmente capazes de te fazer sorrir mais feliz:
Procuro te ouvir quando você fala; procuro fazer o que você me pede; estou trabalhando para que você possa se orgulhar de mim. Quando você faz o almoço, eu lavo a louça, e quando estou viajando, te ligo para avisar que cheguei bem. Antes de fazer ou tomar qualquer atitude, gosto de te ligar e perguntar o que você acha – e seguir o seu conselho, sempre. Gosto de te abraçar bem forte, e beijar suas bochechinhas imensas antes de você dormir. E quando estou do teu lado, não sei explicar: me sinto mais criança, mais frágil, já não sou a adulta cheia de marra que apresento para essa sociedade chatinha – da qual você não faz parte, porque não é igual, não é padrão, não é fabricado em série.
Do teu lado sou assim: eu mesma, sem máscaras.
Você nunca abusou da sua condição de pai para se fazer autoritário.
Nunca impôs suas opiniões, nunca foi intransigente.
Você nunca esteve no alto de um pedestal, carrancudo e ditando ordens – não!
Você sempre esteve do meu lado, me falando de igual para igual, perguntando o que eu acho, o que eu penso, qual a minha opinião.
Por isso cresci me sentindo forte; me sentindo amada, me sentindo protegida, a salvo.

Nossa pai, obrigada.
Muito obrigada por ser meu pai, por ser meu amigo, por ser meu protetor, meu guia, meu refúgio. Obrigada por sempre deixar a porta aberta, e por acreditar em mim.
Obrigada por me amar.
Obrigada por ser meu amigo sem nunca deixar de ser meu pai; por ser meu cúmplice quando deveria ser meu cúmplice e por acabar com a festa quando a festa estava na hora de terminar.
Obrigada por ir a todas as minhas apresentações da escola, e tirar fotos, e filmar, e ficar lá, babando, como o pai babão que você é.
Obrigada por deixar acesa a luz do corredor quando eu tinha medo do escuro.

Hoje é dia dos pais.
E amanhã, e depois de amanhã, e terça-feira que vem.
Porque você é meu pai todos os dias, e todos os dias é um grande pai.
Qualquer palavra que eu usar aqui acabará caindo no lugar-comum e na pieguice, pois tudo já foi escrito sobre pais.
Então, humildemente, para encerrar esta carta que é mais um testemunho do meu imenso amor por você, faço minhas as palavras de um cara porreta, chamado Vinicius de Moraes – que também deve ser pai, para entender de amor como entendia:
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver!
Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar,
Uma cidade a cantar,
a sorrir,
a cantar,
a pedir
a beleza de amar
Como o sol
Como a flor,
como a luz;
Amar sem mentir, nem sofrer
Existiria verdade
Verdade que ninguém vê,
Se todos fossem no mundo
Iguais a você.

Te amo, meu velho.
Mas te amo mesmo.

12 agosto 2008

Entro no Orkú

e me deparo com a seguinte profecia:
Sorte de hoje: Há uma carta ou mensagem alegre chegando para você

Entro no e-mail e me deparo com a seguinte mensagem:
Câmara Brasileira de Jovens Escritores
A casa do novo autor brasileiro - Fundada em 29 de dezembro de 1986

CNPJ 08080745/0001-10
Rua Crundiúba 71/201F - Rio de Janeiro/RJ Cep.: 21931-500 -
Tel/fax: (21) 3393-2163
www.camarabrasileira.com

COMUNICADO OFICIAL

Antologia de Contos Fantásticos - vol.16
Janaína Lauxen

(09/01/1985)
Passo Fundo / RS
Escritora
Conto: A morte

JANAÍNA,
É com satisfação que informamos que o conto que você inscreveu na seletiva para o 16º volume da Antologia de Contos Fantásticos, foi selecionado pela nossa Comissão de Avaliação.


É o que eu sempre digo: No creo en brujas, pero que las hay, las hay.
Te cuida Paulo Coelho!
Hahaha.

07 agosto 2008

Olá meus queridos leitores imaginários!

Notícia maneira: estou com um de meus poemas "Aaah" no site Blocos On Line, que é considerado pela Unesco um dos sites mais importantes do mundo.
Também é o único site cultural a receber até hoje o Prêmio Qualidade Brasil.

Passem lá, leiam o meu poema e leiam todo o resto também, porque é bacana demais.

Muak.

06 agosto 2008

A verdade sobre a nostalgia

Eu odeio nostalgia.
Esse negócio de ficar relembrando o que passou, o que não é mais, o que já deixou de ser, não é pra mim.
Até porque, tudo nessa vida, depois que passa, deixa de existir, e se torna somente uma lembrancinha, esquecida lá no fundo da nossa memória bagunçada.
Já houve quem dissesse que relembrar é viver.
Eu discordo.
Pra mim, relembrar é deixar de viver para ficar relembrando.
Fico com aqueles que acreditam que os nostálgicos têm medo do novo, e por isso se agarram com unhas e dentes no passado para tocar a vida pra frente.

Nostalgia me deprime, me faz chorar, me deixa melancólica, bucólica, sorumbática; é um terror.
Mas de vez em quando, em doses homeopáticas, confesso: até que rola.

Hoje eu estava sem nada para fazer (oh!) e então decidi futricar no meu computador.
E qual não foi minha surpresa ao encontrar algumas fotos da época da faculdade que, ao contrário dos nostálgicos, me fez chorar foi de tanto rir.

Quero dividir isso aqui, com meus leitores imaginários.
Adoooooro.

04 agosto 2008

Um objeto não identificado.

Coletividade.

Andei pensando sobre isso.
Um negócio pra lá de perigoso, se pensarmos bem.
Afinal, é graças a ela que assistimos e cometemos pequenos e grandes despautérios diariamente, achando que somos súúúúper-normais.

Vou dar um exemplo: guirlanda de natal.
Por quê?
Qual o sentido de pendurar aquele negócio esquisitíssimo - que lembra claramente um coroa de flores - na porta de casa?

E a toga, nas colações de grau?
É horrível, apertado e sem graça, além de ridículo (as plumas do chapeuzinho me dão dor de barriga).

Se bem que, na minha opinião, a pior de todas (disparado) ainda é a tocha olímpica.
É o ó do borogodó no quesito nonsense.

A lista segue, é claro: quando alguém morre, todo mundo repete “meus pêsames”; quando alguém espirra, tem sempre alguém para dizer “saúde”; quando é sexta-feira santa, não dá para comer carne e quando chega abril a gente ganha uma cesta com ovos de chocolate de um coelho (!!!).

Coisas que fazemos e consentimos sem nem questionar.

Eu sei que são tradições e blábláblá, e se formos pesquisar no Wiquipedia haveremos de encontrar respostas claras para essas dúvidas terríveis.
Mas que são pra lá de estranhas, isso você precisa admitir: são.

Na tradição Franciscana, por exemplo, quando alguém morre ninguém entra em luto – muito pelo contrário. O que é velório pra gente, para eles é festança, regada a muita bebida, música, jogos e comida.
Lá a morte significa o momento em que acabamos de nascer definitivamente.

Tudo não passa de uma questão de contexto: quanto mais pessoas compactuam da mesma idéia, mais natural tudo parece.

Posso apostar que, se fosse tradição pendurar um balde na porta de casa toda vez que alguém da família tivesse dor de barriga, a gente ia fazer e achar muito natural.

Nós, humanos.
Às vezes eu canso.

Bom dia Glória Kalil.