15 dezembro 2008

Pobres-vítimas.

A gente colhe o que planta.
Impressionante como é sempre necessário repetir este bordão, tão óbvio.
Não sei qual parte as pessoas não entendem, ou se realmente não sabem o que estão plantando.
Por exemplo: eu fumo.
Desde os 14 anos. E por mais que pense em um-dia-parar, a verdade é que isto não está, por hora, nos meus planos. Ao menos não de verdade.
No entanto, se daqui um tempo o cigarro me causar alguma moléstia, vou ter que ficar bem caladinha agüentando, pois afinal havia a opção de não fumar – e eu escolhi a outra.
Eu escolhi.
Você escolheu.
Eles escolheram.
E estas escolhas nos levaram por uma determinada direção, que nem sempre foi acertada. Logo, sentar no meio de um caminho errado e ficar ali, se lamuriando pela escolha torta, não é das atitudes mais sensatas e inteligentes, vamos convir.
Porque ou você agüenta no osso do peito, ou então não paga para ver.

O sujeito que decide vender drogas precisa saber, de antemão, que corre consideráveis riscos de ir parar na cadeia.
Aquele que transou sem camisinha deverá ter consciência que, se vier um filho ou arrecadar uma doença nojenta sexualmente transmissível, a responsabilidades e as conseqüências serão somente suas.
A garotinha que quer dar para o namorado da melhor amiga que dê, mas fique sabendo que se a outra descobrir e te chamar de puta e te der um soco na cara, não adianta chorar.
O cidadão que planta uvas terá que ser muito idiota para pensar que irá colher bergamotas.
A teoria é tão simples que assusta.

É bem verdade que as pessoas também adoram tirar o corpo fora. Se posicionam diante da vida e seus problemas e suas colheitas como pobres-vítimas, e ao invés de arcar com as conseqüências de seus erros de peito aberto e cabeça erguida (transformando os sofrimentos em lições, ao invés de traumas) fazem exatamente o contrário.
Isso é andar pra trás – o que é uma ode à estupidez, tendo em vista que até um cachorro é capaz de aprender a não cagar no tapete quando o dono esfrega seu focinho na merda.

Acontece que a comodidade de ser uma pobre-vítima atrai muitos.
É bem mais fácil ficar sentado se convencendo de sua má sorte do que fazer qualquer coisa, do que tomar qualquer atitude.
E dá-lhe lamúrias, e lamentos, e dramas, e chororós.
Todo mundo ali, parado, chorando pelo leite derramado ao invés de tratar de secar o chão.
Não sei vocês, mas eu cansei das pobres-vítimas. Com travessão, itálico e tudo.
Simplesmente não sou mais capaz de me apiedar delas.
Elas são egoístas, melodramáticas, afetadas.
Reparem: quem realmente tem motivos para estar jogado em uma cama se entupindo de tarjas pretas, geralmente não está. Apenas as pobres-vítimas ficam no caminho, cantando sua canção repetitiva e desafinada de infelicidade eterna.
Não podemos cair na conversa delas, e muitíssimo menos nos juntar a elas.
Não podemos nos comportar como o adolescente de 16 anos que se considera homem o suficiente para dirigir e trepar, mas na hora de trabalhar e assumir qualquer responsabilidade, se acha uma criancinha indefesa.
Precisamos nos livrar da mocinha-tonta-de-novela-das-oito que existe em nós e seguir em frente.
Para frente.
E quem não quiser que fique aí.