08 dezembro 2008

O Bar.

Se existe um lugar honesto nessa vida, esse lugar é o bar.
Nas ruas, no trabalho, no supermercado, todas as pessoas parecem iguais, andando iguais, pensando iguais, olhando para os lados antes de atravessar a avenida iguais.
Todos nós, iguais a robozinhos comandados por um invisível controle remoto chamado sistema.
Mas no bar, não.
Ali o cidadão tira suas máscaras, mostra sua cara, solta a franga e manda ver.
Eu adoro.
Ontem mesmo eu estava num bar.
Mas um bar bem bodega, desses onde a cerveja é barata, o banheiro é de higiene duvidosa, os copos são de plástico, o dono é velho conhecido e há uma atmosfera gordurenta no ar.
Estes são os melhores.
Bares metidos a besta não são tão honestos quanto bares gordurentos.

Na mesa ao lado da minha, três homens dividiam três cervejas.
Um deles – o mais bebum, sem dúvidas – dizia ao outro com a sinceridade que somente os bêbados possuem:
- Tu é gente fina, irmão.
Ao que o segundo respondia:
- Também te considero, irmão. Tu sabe, eu te considero.
Enquanto o terceiro, discretamente, tirava um cochilinho - a cabeça pendendo no ar e a boca levemente aberta.
Na mesa à minha frente, dois jovenzinhos com cara de universitários tomavam cerveja e comiam Doritos.
Outros ali adiante discutiam política e economia – como, também, somente os bêbados sabem fazer - e uma mulher comprava hambúrguer e uma porção de fritas.
Aliás, a porção, seja de fritas, peixe ou polenta, é fundamental para a honestidade de um bar gordurento.


Minha dica é buscar uma mesa ao ar livre, ou próxima de uma janela.
Só para observar a vida que continua lá fora, com as pessoas andando para cima e para baixo, com cara de pessoas que andam para cima e para baixo sem saber por quê.
Estar dentro de um bar dá uma sensação de pertencimento a qualquer coisa que não seja o resto do mundo - tão desonesto e pouco gordurento.

Recomendo e apóio.
Procure o seu, peça sua porção, abra seu coração e seja feliz.